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Crise no mercado editorial leva Saraiva a fechar 20 lojas

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Entre as lojas fechadas estão as dos shoppings Anália Franco, West Plaza e Plaza Sul, em São Paulo (Saraiva/Divulgação)

Empresa afirma que lojas fechadas representam 38% dos negócios da companhia, que vai focar em vendas pela internet

Publicado na Veja

Depois de a Livraria Cultura entrar com pedido de recuperação judicial, agora foi a vez de a rede Saraiva tomar uma medida drástica. Nesta segunda-feira (29), ela anunciou o fechamento de 20 lojas espalhadas pelo Brasil. A empresa não confirma a relação das livrarias fechadas, mas segundo fontes do mercado, estão entre elas os pontos de Londrina, Santos (Avenida Ana Costa), Campinas (Galeria Shopping), Alphaville, Tamboré, Granja Viana, Mogi das Cruzes e dos shoppings Anália Franco, West Plaza e Plaza Sul.

Em comunicado, a Saraiva disse que vem tomado “medidas voltadas à evolução da operação e perenidade do negócio”. Isso inclui, além do fechamento das lojas, o fortalecimento do seu e-commerce, que hoje representa, segundo a empresa, 38,4% do negócio. A rede tem, no momento, 84 livrarias.

“Em linha com sua estratégia, as iniciativas refletem um esforço da companhia em obter rentabilidade e ganho de eficiência operacional, dentro de uma estrutura mais enxuta e dinâmica. Nesse sentido, as medidas adotadas pela companhia incluem o fechamento de algumas lojas. Com este movimento, a empresa dá continuidade ao seu plano de transformação, que inclui aberturas, reformas e fechamentos de unidades, a fim de manter sua operação saudável e cada vez mais multicanal”, informa a Saraiva em nota.

A Saraiva diz que focará sua atuação no segmento de livros — outras categorias de produtos devem ser vendidos por lojistas do marketplace. “A empresa focará seu negócio no mercado de livros, que representa a essência da companhia e é hoje a categoria mais vendida pela rede. Complementar ao universo de leitura continua a ofertar produtos de papelaria, games, filmes e música. Com isso, os itens de tecnologia, que incluem telefonia e informática, passarão a ser vendidos no modelo de negócio de marketplace próprio, que atualmente já opera integrado ao nosso e-commerce.”

A empresa diz que o marketplace faz “parte da transformação digital da companhia”. “Que vem agregar uma experiência ainda mais qualificada e inclui categorias de produtos complementares e em sinergia ao negócio, como smartphones, computadores, brinquedos, artigos de decoração, entre outros.”

A Saraiva e a Cultura são protagonistas (e também responsáveis) por uma das piores crises do mercado editorial brasileiro. Nos últimos meses, não estão conseguindo liquidar o pagamento para seus fornecedores — agravando ainda mais a situação das editoras.

Ao mesmo tempo, livrarias como a Martins Fontes e as redes Leitura, Livrarias Curitiba, Travessa e Vila, mais conservadoras em sua gestão, estão conseguindo passar um pouco mais tranquilamente pela atual crise.

(Com Estadão Conteúdo)

Qual é o futuro do mercado de livros no Brasil?

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A TODAVIA, de Moura, Conti, Levy, Ana, Setubal e Sarmatz, aposta no poder civilizatório dos livros nesse momento de discussões rasas da internet (Foto: Rogério Albuquerque)

A TODAVIA,
de Moura, Conti, Levy, Ana, Setubal e Sarmatz, aposta no poder civilizatório dos livros nesse momento de discussões rasas da internet (Foto: Rogério Albuquerque)

A boa onda dos negócios com propósito chega ao setor de livros – e novas editoras, investidores e mecenas com sobrenomes famosos tentam revigorar um mercado de R$ 5,2 bilhões

Rogério Albuquerque, na Época Negócios

Chegamos.” No post de apresentação em seu perfil no Instagram, em 20 de junho passado, a editora Todavia (@todavialivros) se vale de um dos memes mais divertidos do ano. Um professor de relações internacionais de uma universidade da Coreia do Sul vê seu escritório em casa invadido pelos filhos pequenos durante uma transmissão ao vivo para um telejornal da BBC. A edição que a editora fez do vídeo sublinha o pedido de desculpas do professor – “my apologies” – antes de piscar a logomarca da Todavia. É um discurso completo da nova empresa em seu humor highbrow e presença digital, ainda que não deixe claro se, ao disputar a atenção no espaço proibido, ela estará mais para os bebês, quase insolentes em cena, ou para o acadêmico, absoluto em seu autocontrole e domínio do fato.

Contudo, a Todavia não está para brincadeira. Com dois dias em exposição na semana de lançamento, O Vendido, do americano Paul Beatty, aparecia em quarto lugar entre os livros mais vendidos na Travessa, a livraria oficial da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. “Já fizemos uma reimpressão de 3 mil exemplares, depois da tiragem inicial de 4 mil, pouco acima da média do mercado”, conta o editor Flávio Moura, um dos sócios-fundadores da nova casa editorial. Vencedor do Man Booker Prize no ano passado, Beatty sentou-se à mesa em um dos mais concorridos eventos da festa literária de Paraty, encerrada no último dia 30, em que se discutiu “o grande romance americano” – e apropriação cultural e racismo. Sua vinda diz muito dos mares em que a Todavia quer navegar, que não são os clássicos mares do quanto maior e mais rápido o retorno financeiro melhor. “A gente quer escolher títulos que adensem o debate nesse momento em que a rede social tomou a dimensão que tomou com esse tipo de discussão rasa e acirrada”, diz Moura. “Nesse aspecto, a editora tem um papel civilizatório.”

O posicionamento da empresa, explicado com um misto de entusiasmo e cautela pelo editor – “pode parecer demagogia” –, é o que conferiu o valor diferencial na avaliação do risco tomado pelos financiadores do projeto. “Os jovens empreendedores trabalham com conceitos diferentes, não estão olhando para os negócios apenas pelo lado financeiro, que é uma visão estreita”, avalia o presidente da holding Itaúsa, Alfredo Egydio Setubal, o principal entre os três investidores iniciais da Todavia. “Estamos investindo porque acreditamos que ainda haja espaço para editoras desse tipo, que buscam qualidade. A ideia é construir uma editora influente, que colabore e interfira nos debates importantes para a sociedade brasileira.”

Há importantes sinais de mudança aí. “Tem se tornado cada vez mais comum esse investidor ou proprietário, de perfil mais paciente”, afirma Roberto Sagot, diretor-executivo da Fundação Dom Cabral e coordenador de um programa com CEOs de grandes empresas em busca de propósito – e não somente de lucro. Seja por convicção, seja por conveniência, o retorno não se mede mais apenas do ponto de vista financeiro e do curto prazo. “Eles têm se perguntado ‘o que vou deixar para a próxima geração?’.” Sagot lembra que não são poucos os estudos sobre a relação entre posturas socialmente mais responsáveis e seus benefícios diretos na geração de caixa. “Em tese, a Todavia vai conversar com um tipo de público que já valoriza esse tipo de empresa”, observa. “Eu não me espantaria se eles descobrirem, com o tempo, que criaram um negócio hiper-rentável.”

“Ninguém está lá para pressionar a turma a ter, sei lá, 20% de rentabilidade ao ano”, acrescenta o gestor de fundos da Indie Capital Luiz Henrique Guerra, reforçando a sintonia do grupo inicial de investidores. A visão é de que, mesmo em se tratando de um segmento desafiador – “especialmente no nicho em que eles estão, da alta literatura” –, há um espaço para crescer no vácuo deixado pela finada Cosac Naify, que fechou as portas em 2015 depois de uma história de quase 20 anos de prejuízos. “Na nossa modelagem, o break even é de quatro a cinco anos”, afirma Guerra. “O planejamento não levou em conta a expectativa de emplacar hits, mas o cenário não está descartado. A editora conta com um grupo de editores experientes.”

Fundada por Moura e os colegas André Conti e Leandro Sarmatz, o diretor comercial Marcelo Levy (todos egressos da Companhia das Letras), a agente literária Ana Paula Hisayama (ex-Agência Riff) e o editor em formação Alfredo Nugent Setubal, filho de Alfredo Egydio, a Todavia soube atrair um capital interessado em remunerar o trabalho. “Este não é um investimento de startup, em que você põe o dinheiro, a coisa cresce e você vende”, avisa Conti. “São investidores que têm afinidade com a área cultural, que estão com a gente também por reconhecer a importância social desse tipo de empreendimento.” A editora já tem 50 títulos comprados e deve publicar entre 50 e 60 títulos novos por ano, ante 30 por mês da Cia. das Letras, por exemplo. “Em um cenário de longo prazo, em 15 anos teremos 900 títulos em catálogo”, diz o diretor comercial Marcelo Levy.

Detentores de 25% da Todavia, os sócios-fundadores não abriram os números que a credenciam como “uma editora média”, em sua autodeclaração, mas demarcaram claramente os limites de sua pretensão. Segundo o Painel das Vendas de Livros no Brasil, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), o mercado editorial brasileiro movimentou R$ 5,2 bilhões em 2016. Grosso modo, metade diz respeito aos livros didáticos e vendas para o governo. A outra metade é dividida quase meio a meio entre livros técnicos e religiosos e a área de interesse geral. “É nesses 25% [interesse geral] que vamos atuar. Somos uma editora literária, com gosto pelas narrativas. Estamos falando de um mercado grande, de R$ 1,1 bilhão, com uma incrível segmentação”, observa Moura. “As maiores editoras brigam por 8%. Metade dessa fatia é disputada por editoras com 1% de participação. Há espaço para crescer.”

Há um componente cruel a acrescentar imprevisibilidade neste cenário, a um só tempo promissor e desafiador: 44% dos brasileiros não leram um mísero livro nos três meses anteriores ao levantamento “Retratos da Leitura no Brasil”. São os chamados “não leitores”. Para o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, a leitura, de fato, vem perdendo importância na sociedade. Da terceira geração de editores na família, dono da Sextante, ele resume: “Há cinco anos, era comum você ir a uma festa e conversar sobre o que estava lendo. Hoje o assunto são as séries de TV. As pessoas são capazes de passar três horas seguidas assistindo ao Netflix, mas não de gastar meia hora lendo um livro.” Pereira lembra a frase-bordoada de Monteiro Lobato que enfeitava a sala do avô, José Olympio, em sua editora: “Um país se faz com homens e livros”.

À frente do sindicato da categoria, Pereira sabe melhor que ninguém que “todo mundo tem investido muito em qualidade” gráfica e editorial – “o livro é um excelente presente”. Ele entende que a estratégia de vender mais para quem já lê é a mais urgente agora por ser mais barata, mas avalia que só o investimento para converter o “não leitor” em leitor garantirá um crescimento sustentável. “As editoras defendem muito bem os lançamentos, mas precisamos ir mais ao mundo para defender o livro como fonte de entretenimento, conhecimento, imaginação.” O tom é de mea-culpa. “Como recuperar o valor da leitura na sociedade?” Essa é a pergunta de R$ 5,2 bilhões, com estimativa de crescimento de 6,5% este ano, segundo o Snel. Para o doutor em sociologia na USP José Muniz Jr., que realizou estudos sobre o mercado editorial independente no Brasil e na Argentina, os nossos baixos índices de leitura são resultados de uma série de fatores. “Talvez o mais importante deles seja o precário, descontinuado e incompleto processo de democratização do sistema educativo”, avalia. “Mas o nosso mercado também tem sua parcela de culpa. Ao ficar tão refém da leitura escolar, principalmente via compras públicas, talvez tenha se esquecido de cativar o leitor depois que ele sai da escola.” Para o pesquisador, o problema também pode estar na falta de ousadia na busca de novos canais de venda e na falta de uma política de produção de livros mais baratos, “mesmo que para isso fosse necessário abdicar, em parte, da qualidade editorial e gráfica”.

Para as pequenas e médias editoras, são justamente estes os componentes que garantem sua existência. Fundada em 2015, a Carambaia se especializou em edições numeradas de mil exemplares de obras desconhecidas de autores clássicos ou obras clássicas com o interesse renovado pelo esmero da edição. “Fizemos uma experiência com Dom Casmurro, de Machado de Assis”, diz o diretor editorial Fabiano Curi, cofundador – “não houve investidor, são recursos próprios” – com a jornalista Graziella Beting. “A edição especial, de cem exemplares por R$ 200 com intervenções individuais feitas pelo artista plástico Carlos Issa, esgotou-se em dois meses.”

A Ubu segue o caminho do meio. Fundada por Florencia Ferrari, Elaine Ramos – que trabalharam por mais de uma década na Cosac Naify como diretoras editorial e de arte, respectivamente – e Gisela Gasparian, a nova editora trouxe 35 títulos da velha casa. “Conseguimos um bom ‘fundo de catálogo’ nas áreas de sociologia, design e arquitetura, já trabalhados com professores e universidades, e isso nos garante um bom fluxo de caixa”, revela Florencia. É nos títulos novos que a Ubu demonstra sua linhagem (acabamento gráfico refinado e fama de careira), como a já reimpressa edição de Os Sertões, com 13 novos textos críticos e um projeto gráfico que remete à caderneta de anotações de Euclides da Cunha, e a futura edição de Macunaíma, prevista para o mês que vem. Além de um ensaio que aponta a fonte original dos mitos indígenas declaradamente decalcados por Mario de Andrade – o livro Do Roraima ao Orinoco, do viajante alemão Theodor Koch-Grünberg –, a edição terá uma tiragem especial de 200 exemplares, com papel especial e capas únicas ilustradas pelo artista plástico Luiz Zerbini. “Com o preço em torno de R$ 300, esses exemplares especiais vão ajudar a financiar o trabalho da edição ‘normal’, de 3,5 mil exemplares”, diz Florencia. Fartamente ilustrados, os exemplares comuns custarão cerca de R$ 69.

Cada pequena e média editora desenvolve sua estratégia para garantir a sobrevivência e enfrentar a árdua negociação com as livrarias. As grandes redes levam à risca o modelo não incomum também nos grandes mercados, como o americano: a consignação e, em média, 50% do valor de capa. Isso significa que, em um livro de R$ 70, sobram às editoras R$ 35 para pagar a impressão, transporte, projeto gráfico, tradução e preparação de texto, direitos autorais e ainda remunerar os eventuais investidores e garantir sua margem. “Muitas vezes, uma edição só começa a se pagar a partir da terceira reimpressão”, diz Gisela, da Ubu. Por isso, muitas delas têm recorrido às vendas diretas ao leitor, no canal digital. “Hoje, trabalhamos com cerca de duas dezenas de livrarias e nenhuma grande rede. Nosso modelo é inflexível, porque se eu oferecer mais de 30%, pago para a livraria vender meu livro”, diz Curi, da Carambaia. “Na venda direta, controlo o envio, a embalagem, o brinde. O cliente paga, assim, o custo unitário do livro e uma porcentagem a mais para fazer a editora funcionar.”

Mesmo com a gravidade da crise econômica, a puxar para baixo os resultados, e a má reputação do preço de capa – “o livro brasileiro não é barato, mas é acessível”, defende Pereira, do Snel, o mercado vive “um movimento cultural em que a gente precisa ficar de olho mesmo”, diz o jornalista e editor Paulo Werneck, sócio-fundador da revista de resenhas literárias 451, “a revista dos livros”. Nascida em maio, ela conta com um capital simbólico e financeiro poderoso. “Em vez de investidores, temos doadores”, diz Werneck, sem revelar nomes, que podem ser inferidos a partir de seu conselho fundador: Kati de Almeida Braga, Teresa e Candido Bracher, Fernando Moreira Salles e Neca Setubal, para citar alguns. “É um mecenato, mas sem leis de incentivo. Pessoas físicas dando a fundo perdido”, conta Werneck.

O plano de negócios contou com duas parcerias importantes: a doação do papel pela Suzano e o berço da revista Piauí, de João Moreira Salles, em que 27 mil dos 32 mil exemplares mensais da 451 serão encartados para assinantes até outubro. Para a geração de caixa, Werneck e a sócia, Fernanda Diamant, criaram planos anuais de assinaturas: R$ 136 por dez números (o exemplar avulso custa R$ 17), R$ 100 para leitores em idade de formação (menores de 26 anos) e R$ 250 para assinantes entusiastas. “Os entusiastas já são 10% do total. Nos três primeiros números, somamos 600 assinantes. E pretendemos fechar o ano com 1,2 mil planos vendidos”, planeja Fernanda. A publicidade também tem desempenhado um papel importante. Na edição de julho, sua estrutura cresceu de 40 para 48 páginas. “Havia um gargalo no canal de circulação de informações sobre livros”, diz Werneck. “A imprensa tem dedicado cada vez menos espaço, e as livrarias são muito disputadas pelas editoras com políticas comerciais que impedem alguns livros de aparecer para o leitor.”

A 451 tem resenhado e divulgado a cada edição cerca de 200 títulos do setor de “interesse geral”, o das editoras literárias, pequenas ou grandes. Ao final de um ano, terá dado conta de 10% dos lançamentos feitos no país – segundo o Snel, 19.370 em 2016. “Esses livros estavam muitas vezes sem canal de divulgação”, continua Werneck. “A biografia da Rita Lee é boa ou não é? E Elena Ferrante? E o Drauzio Varella? Vale a pena ler o último livro dele? São perguntas que qualquer leitor se faz e a gente precisa dar uma resposta para ele. A nossa missão é essa, acompanhar o mercado não importa o tamanho.”

Na soma de iniciativas como a “revista dos livros”, o investimento em novas editoras e até no surgimento de espaços dedicados à autopublicação pode residir a solução para a sustentabilidade do negócio e a valorização do livro e da leitura. “Um mercado editorial saudável é aquele em que proliferam e sobrevivem as editoras de porte médio, sinal de equilíbrio maior entre os gêneros mais e menos rentáveis”, diz Muniz Jr., da USP. Mas ele lembra que essa oposição “grandes” e “pequenas” é uma espécie de esquema mental que se popularizou nos últimos 20 anos e não corresponde à realidade. “Esse tipo de oposição não contempla os numerosos casos que fogem à regra: grandes grupos que publicam boa literatura e pequenas que publicam má literatura.” De resto, é história.

Confira 6 livros das pessoas mais influentes no mundo dos negócios

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Confira 6 livros das pessoas mais influentes no mundo dos negócios  |  Fonte: Shutterstock

Confira 6 livros das pessoas mais influentes no mundo dos negócios | Fonte: Shutterstock

 

O ditado diz que quem você anda define quem você é. Que tal ouvir as ideias das pessoas influentes da atualidade? Indicamos os livros das pessoas mais influentes nos negócios

Publicado no Universia Brasil

A leitura de livros para inspiração é uma das maiores – e mais indolores -oportunidades de aprendizado que alguém pode ter no mundo moderno. A maioria dos autores defende que o melhor jeito de aprender é com erros, mas o detalhe é que eles não precisam ser os seus erros.

Descubra os equívocos, modos de pensar e ideias de quem teve uma vida que deu muito certo. Veja a seguir 6 livros das pessoas mais influentes no mundo dos negócios e aplique os seus conselhos para conseguir uma vida melhor:

1. COMO AVALIAR SUA VIDA? – CLAYTON CHRISTENSEN
Clayton Christensen é um professor da Universidade de Harvard. É considerado um dos maiores experts em inovação do mundo. No seu livro de 2012 “Como avaliar sua vida?”, ele se desvia do padrão dos seus outros trabalhos para escrever um livro muito mais pessoal. A obra é baseada nas suas experiências de pesquisa e vida pessoal. Christensen explora, por exemplo, o que realmente significa ser bem-sucedido e o que leva algumas pessoas talentosas a crescerem.

2. PRESENÇA – AMY CUDDY
Amy Cuddy é uma psicóloga social da Universidade de Harvard que conseguiu a atenção da grande mídia com a sua TED Talk de 2012 “Sua linguagem corporal molda quem você é”, que já foi visualizada mais de 40 milhões de vezes. No seu livro “Presença” ela explica como a auto percepção dos nossos cérebros pode ser manipulada para superar a falta de confiança para permitir que você se desenvolva melhor socialmente e como pessoa.

3. DAR E RECEBER – ADAM GRANT
Adam Grant é um psicólogo de organizações em Wharton. Ele conduz uma pesquisa que mostra como não são os tipos egoístas e maquiavélicos aqueles que chegam no topo de empresas, mas aqueles vistos como generosos. No seu livro de 2013 ele explica que essas pessoas são aquelas que criam valor para outros sem esperar nada em troca. Essa abordagem funciona muito bem para o mundo profissional, desde que seja bem feita.

4. AJA COMO UM LÍDER, PENSE COMO UM LÍDER – HERMINIA IBARRA
Herminia Ibarra é professora da INSEAD. No seu livro de 2015 ela apresenta um guia de carreira não convencional que ensina como se aproveitar do mercado de trabalho atual com seu ritmo frenético, para chegar numa posição de liderança. Por exemplo, ela desafia a importância de ter “autenticidade”, uma palavra popular no mundo da liderança, dizendo que existem sim formas de ser honesto demais, e que a linha pode ser extremamente fácil de cruzar.

5. A ASCENSÃO DA CLASSE CRIATIVA – RICHARD FLORIDA
Richard Florida é o diretor do Instituto de Marin Prosperity, na Rotman School of Business. Ele é mais conhecido pelo seu trabalho com a classe criativa e sua relação com cidades. No seu livro de 2002 “A Ascensão da Classe Criativa”, ele argumenta que as cidades de maior sucesso vão evoluir para atrair talentos jovens, ser o lar de setores da tecnologia e passar políticas sociais liberais.

6. O FIM DA VANTAGEM COMPETITIVA – RITA MCGRANTH
Rita McGrath é professor da Columbia Business School. Ele serviu como consultor de liderança para grandes companhias como a Coca-Cola, a GE e a Pearson. No seu livro de 2013, “O Fim da Vantagem Competitiva”, ela argumenta que as empresas de maior sucesso precisam ser mais agressivas com novas oportunidades e passar para uma nova fase no mercado antes que se tornem ultrapassadas.

Empresário defende em livro ‘pensar dentro da caixa’

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Empresário Thiago Oliveira, sócio da IS Log & Services (Foto: Divulgação)

 

Thiago Oliveira conta como montou um negócio de R$ 60 milhões focado mais na melhoria de
processos que na busca de uma grande ideia

Publicado na Época Negócios

Em 2002, aos 20 anos, o empresário Thiago Oliveira vivia em São Miguel Paulista, na periferia de São Paulo, e decidiu largar um emprego de office boy para trabalhar como “agregado” em uma empresa de logística. Pediu o carro do pai emprestado e passou a fazer entregas de documentos e produtos, até estranhar alguns detalhes na rotina. Diariamente, os clientes recebiam duas visitas. Uma para a retirada de malotes, pela manhã, e outra para a entrega, no final da tarde. Oliveira percebeu também que a mistura nos mesmos veículos de documentos e produtos atraia mais a atenção de ladrões. “Resolvi sugerir ao meu chefe mudanças”, diz o empresário. Fazer uma só visita ao dia, para entrega e retirada, e limitar a atuação da empresa ao transporte de documentos, menos arriscado. “Mas não me deram atenção”, afirma. Sem espaço dentro da empresa, Oliveira resolveu montar o próprio negócio para colocar suas ideias em prática. Encontrou um sócio disposto a apostar R$ 17 mil e criou a IS Log & Services, de logística. Este ano, a empresa espera crescer 30% e faturar R$ 60 milhões, mesmo em meio à crise econômica enfrentada pelo país.

A história de empreendedorismo de Oliveira é similar a de muitas empresas tradicionais. Uma ideia simples, disciplina e muita transpiração. Mas, em tempos de culto à inovação disruptiva — startups, aplicativos, Uber a Airbnbs —, Oliveira acredita que a receita foi esquecida a ponto de desestimular potenciais empreendedores. “Hoje em dia, a molecada fica esperando ter uma grande ideia e não empreende”, afirma. “E não precisa ser assim.”

Para incentivar outras pessoas com o desejo de empreender, resolveu contar a própria história em livro e lança, no dia 22 de setembro, o título “Pensando dentro da caixa – aprenda a enxergar oportunidades e empreenda em qualquer cenário”. Na entrevista a seguir, ele fala sobre o conceito, oposto a um dos lemas mais populares no mundo dos negócios.

No seu livro, você defende que a ideia de “pensar dentro da caixa” para empreender e gerar inovação. É o oposto de um dos conceitos mais difundidos no mundo dos negócios. O quer dizer?
A caixa a que eu me refiro é a nossa vida. O nosso trabalho é uma caixa, a nossa escola, a faculdade, a família. Vivemos em “caixas”. É nesse sentido que afirmo que temos que criar oportunidades pensando dentro da caixa. A ideia é você olhar em volta, pegar o que já existe e faz parte da sua rotina e melhorar. Melhorar dentro da caixa. Melhorar processos. Processos são mal vistos nas empresas, porque são burocráticos. Ninguém gosta de fazer. Mas se você pegar processos que não são bem feitos, você consegue ganhar dinheiro. Pensar dentro da caixa é isso. As pessoas tem a ideia romântica de pensar “fora da caixa”. Mas a verdade é uma só. É difícil você pensar fora da caixa com uma rotina que te consome. Trabalho, escola, filhos. São muitos problemas para resolver. É legal pensar fora da caixa, mas nem todo mundo tem tempo. É mais fácil pensar dentro da caixa, pegar coisas que existem, que estão ligadas ao seu dia a dia, à sua rotina, e melhorar. Vão surgir novos Bill Gates, mas vai demorar. No caso de aplicativos no Brasil, não há nenhum unicórnio, novas empresas que valem mais de um bilhão de dólares. É muito difícil. O Vale do Silício é um mundo à parte. As pessoas ficam perdendo muito tempo pensando em lançar aplicativos que podem mudar o mundo. Então eu digo, pegue algo dentro da caixa e melhore. Você vai num restaurante, que é uma caixa, vai jantar. Percebe um processo que não foi bem feito e melhora. Empreende dentro daquilo que não funcionou. É essa visão que eu tento passar um pouco.

Por que processos são tão importantes?
O processo te permite escalonar. Com um processo bem feito, você tem um padrão. Hoje, todas as minhas filiais têm o mesmo padrão, têm processos bem definidos. É o que me permite ganhar dinheiro. Eu montei minha empresa sobre serviços que já existiam. Não reinventei nada, não fiz um aplicativo que revolucionou o mundo. Só melhorei o que existia. Só melhorei o processo. Se alguém tem uma visão de negócios para montar um aplicativo, se tem uma oportunidade de mudar o mundo, vá frente. Mas, à espera da grande ideia, muita gente não empreende.

É preciso então ter uma postura mais ativa, de buscar oportunidades.
Exato. Aplicativo é a febre do momento. Eu entendo. Mas a molecada hoje só pensa nisso.

Como você sabe se tem um processo bem feito?
Nunca está pronto, na verdade. Existe sempre a possibilidade de melhorar. Estamos sempre melhorando. A ideia é procurar sempre formas de fazer mais com menor custo. Toda vez que a gente vai mexer, a gente encontra uma oportunidade de ganho.

No livro, você também chama a atenção para coisas que parecem básicas em gestão. A valorização da equipe de vendas, definir os indicadores mais importantes para o negócio, pensar no futuro. Você acha que elas são negligenciadas pelos empreendedores?
Muito. Eu mesmo tive essa experiência. Eu passei muito tempo sem medir nada. Fiquei dez anos sem medir números importantíssimos da empresa. No final de 2012 para 2013, implantei na empresa um novo processo, uma rotina de reuniões de resultado mensais. Hoje, eu sento com todo o meu time e a gente trata do resultado do mês anterior. Mas eu demorei seis meses para conseguir implantar essa reunião. Um mês um departamento não conseguia entregar, outro mês era outro. É uma guerra. Porque toda mudança gera um estresse. Você precisa estar disposto a pagar esse preço. Eu também tive colaboradores que não se adaptaram, gente boa, inclusive. Mas não se gerencia o que não se mede. E fez diferença quando implantei. Em coisas que eu achava que estava indo superbem, eu estava indo mal. Em coisas que achava que estava mal, eu estava bem. E já era uma empresa com 230 funcionários. Hoje, quando eu vou conversar com muitas outras empresas mais ou menos do mesmo tamanho que a minha, é a mesma coisa. Não conhecem os números. Se eu tivesse feito o modelo de gestão que adotei em 2013 quatro anos mais cedo, certamente hoje estaria bem melhor. Mas eu nunca tive ninguém para me direcionar. Quando tive oportunidade, e estava precisando de ajuda, fui procurar. Estava crescendo tudo errado, torto, colocando gente. Estava perdido.

E quais os erros mais comuns dos jovens empreendedores?
Primeiro, contratar quem não pode demitir. Segundo, achar que ser líder é ser popular. Terceiro, e que eu falo muito, é esquecer de gerir os números, em geral. O quarto é não saber quais as suas responsabilidades dentro do negócio. Você vai ser sócio de uma empresa, mas qual vai ser a sua responsabilidade? Vai ser vender? Vai ser administrar? Vai ser o financeiro? Qual a sua parte dentro do negócio? Eu já cometi esse mesmo erro, querer fazer tudo. Acaba não fazendo nada bem feito. Fica que nem um pato. Voa mal, anda mal e nada mal. Em determinado momento, eu não sabia qual era a minha responsabilidade dentro do meu próprio negócio. Esse é um dos maiores erros. Você querer cuidar de tudo. Não, você não consegue cuidar de tudo. Ninguém consegue. O negócio é ter duas pessoas. Uma vendendo e uma administrando. Ou uma na operação, outra na venda.

Você falou de achar que ser líder é ser popular, explique melhor.
Um dos maiores erros que eu vejo em liderança hoje é o cara que acredita que agradando todo mundo vai ser um bom líder. É o que a gente mais vivencia aqui. O líder fica se adaptando ao colaborador. É onde o sujeito acaba errando.

Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Várias pessoas vinham falar comigo sobre empreender. Inclusive colaboradores da empresa. E eu notei que muitas pessoas ficam aguardando uma grande ideia. Principalmente a molecada de hoje. Eu sempre falo que existem muitas oportunidades mudando processos. Foi pensando nesse pessoal que eu tive a ideia de escrever o livro.

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