Contando e Cantando (Volume 2)

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‘Sou sobrevivente pela educação’, diz professora negra que comoveu a Flip ao falar de racismo

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Diva Guimarães tem 77 anos, nasceu no interior do Paraná, e vive em Curitiba. Discurso dela na Flip viralizou na internet.

Adriana Justi e Wilson Kirsche, no G1

u sou uma sobrevivente pela educação. Com todo o preconceito e com todas as coisas, eu venci”, afirmou a paranaense Diva Guimarães, que emocionou milhares de brasileiros ao discursar sobre preconceito durante a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no dia 29 de julho. “Um negro pra estudar e pobre passa por muitas humilhações”, disse a professora, que é formada em Educação Física.

No discurso, a aposentada, que tem 77 anos, levou o ator Lázaro Ramos, um dos palestrantes do evento, às lágrimas. O vídeo viralizou na internet e teve milhões de visualizações (veja abaixo).

13 milhões de pessoas já foram impactadas com as palavras de Diva Guimarães. E você, já viu?

Nascida no distrito de Serra Morena, em Uraí, no norte do Paraná, e neta de escravos, Diva tomou coragem ao pegar o microfone e relatou uma vida de dificuldades impostas pelo racismo e pela intolerância.

“Se o branco é 100%, o negro tem que ser 1.000%. Tem que estar muito acima para se igualar. A saída é essa: ler, estudar muito para conseguir driblar a situação”, comentou a professora.

Ela declarou ainda que, quando era mais nova, sofreu preconceito de forma explícita e que, atualmente, continua sofrendo o mesmo absurdo, mas de forma velada.

“Você entra em uma loja e escuta ‘posso lhe servir?’ mas isso não é para servir você, é para ficar andando atrás de você para ver se vai roubar”, afirmou.

Durante a sua fala no evento, a aposentada também citou problemas na educação pública brasileira e deu uma lição de vida ao lembrar dos ensinamentos da falecida mãe.

Aliás, a coragem para botar para fora todo aquele desabafo, segundo Diva, em público, foi graças à ajuda espiritual da mãe. “Eu acho que ela estava do meu lado e meu levantou. Porque ela sempre nos levantou”.

“A gente era pobre e a minha mãe, pra que eu pudesse estudar, me mandou para um colégio, que tinha uma tradição no Paraná, à época, das missões, onde as freiras passavam e recolhiam as crianças e as pessoas com mais idade em troca de estudo”, lembrou Diva.

Diva Guimarães emocionou o público presente na Flip (Foto: Wilson Kirsche)

Diva Guimarães emocionou o público presente na Flip (Foto: Wilson Kirsche)

Emocionada, ela contou que foi alfabetizada nesse colégio, mas que pagou um preço muito alto.

“Muita surra, apanhei demais e sofri muita humilhação por ser negra”, disse.

Ela lembrou ainda que havia outros negros na instituição, mas que ela apanhava mais porque era rebelde.

“Eu fui me tornando terrível e, às vezes, apanhava até sem saber. Isso marcou a minha vida profundamente”, desabafou a aposentada.

Durante o discurso na Flip, ela disse que essa lembrança veio à tona, mas que ela não imaginava o tamanho da repercussão, muito menos que o ator Lázaro Ramos fosse ficar tão emocionado. “Eu compreendo muito bem a lágrima do Lázaro porque ele estava na minha pele. Nós estávamos, os negros, todos na mesma pele ali naquele momento. Então, ele sentiu tudo aquilo que eu senti, e a lágrima dele foi muito verdadeira”, argumentou a professora.

Opção de vida

Filha de parteira e de empregado de estrada de ferro, dona Diva optou por não casar e nem ter filhos. Uma opção para um mundo que ela considera muito intolerante. “Eu fui percebendo as coisas, amadureci muito cedo. Eu não teria filhos para passar pelas mesmas coisas que eu passei. Nós, adultos, já temos determinados vícios, determinados ranços. É muito difícil você modificar um adulto”. Para ela, a chance de mudança está na juventude.

“Sempre haverá exceção, mas haverá a maioria que vai vencer essa maldição, que é o que foi para nós”

Emoção

Ao final do evento na Festa Literária Internacional de Paraty, a professora ganhou de presente o livro de Lázaro Ramos autografado. Os dois se abraçaram e, mais uma vez, vieram às lágrimas de tanta emoção. “Eu quase desmaiei”, brincou Diva.

Negra, pobre e da rede pública fica em 1º em curso mais concorrido da Fuvest

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Moradora de um conjunto habitacional na periferia de Ribeirão Preto, Bruna diz que a opção pela medicina veio há apenas um ano. Foto: Reprodução/Facebook

Bruna Sena, 17, comemora o 1º lugar em medicina da USP de Ribeirão, o mais concorrido da Fuvest

 

Jairo Marques, na Folha de S.Paulo

É com uma frase provocativa estampada em uma rede social que Bruna Sena, 17, primeira colocada em medicina da USP de Ribeirão Preto, carreira mais concorrida da Fuvest-2017, comemora e passa um recado de sua conquista: “A casa-grande surta quando a senzala vira médica”.

Negra, pobre, tímida, estudante de escola pública, criada apenas pela mãe, que ganha R$ 1.400 como operadora de caixa de supermercado, Bruna será a primeira da família a interromper o ciclo de ausência de formação superior em suas gerações. Fez em grande estilo, passando em uma das melhores faculdades médicas do país.

A mãe, Dinália Sena, 50, que sustenta a casa desde que Bruna tinha nove meses e o pai deixou o lar, está entre a alegria e o pavor. Tem medo que a filha seja hostilizada. “Por favor, coloque no jornal que tenho medo dos racistas. Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade.”

Já a filha mostra-se tranquila. Acredita que será bem recebida e tem na ponta da língua a defesa de sua raça, de cotas sociais e da necessidade de mais oportunidades para os negros no Brasil. “Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest. Não posso dizer que já sofri racismo, até porque não tinha maturidade e conhecimento para reconhecer atitudes racistas”, diz a caloura.

“Alguns se esquecem do passado, que foram anos de escravidão e sofrimento para os negros. Os programas de cota são paliativos, mas precisam existir. Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais.”

GEORGE ORWELL

Para enfrentar a concorrência de 75,58 candidatos do vaga, Bruna fez o básico: se preparou muito, ao longo de toda sua vida escolar. “Ela só tirava notas 9 ou 10. Uma vez, tirou um 7 e fui até a escola para saber o que tinha acontecido. Não dava para acreditar. Falei com o diretor e ele descobriu que tinham trocado a nota dela com um menino chamado Bruno”, orgulha-se a mãe.

George Orwell, autor do clássico “A Revolução dos Bichos”, fábula que conta a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos, está entre os favoritos da garota, que também gosta de romance e comédia e é fã da série americana “Grey’s Anatomy”, um drama médico.

No último ano do ensino médio, que cursou pela manhã na escola estadual Santos Dumont, conseguiu uma bolsa de estudos em um cursinho popular tocado por estudantes da própria USP, para onde ia à noite. “Minha escola era boa, mas, infelizmente, tinha todas as dificuldades da educação pública, que não prepara o aluno para o vestibular. Falta conteúdo, preparo de alguns professores. Sem o cursinho, não iria conseguir.”

Segundo Bruna, que mora em um conjunto habitacional na periferia de Ribeirão Preto, vários de seus colegas de escolas nem “nem sabem que a USP é pública e que existe vestibular para passar”.

Com ajuda financeira de amigos e parentes, Bruna fazia kumon de matemática, mas o dinheiro não deu para seguir com o curso de inglês. “Tudo na nossa vida foi com muita luta, desde que ela nasceu, prematura de sete meses, e teve de ficar internada por 28 dias. Não tenho nenhum luxo, não faço minhas unhas, não arrumo meu cabelo. Tudo é para a educação dela”, declara a mãe.

Ainda segundo Dinália, “alguns conhecidos ajudaram. Uma amiga minha sempre dava livros para ela. Uma vez, essa amiga colocou R$ 10 dentro de um livro para comprarmos comida e escreveu: ‘Bruna, vence a vida, não deixe que ela te vença, estude'”.

Bruna Sena, 17, estudou a vida toda em escola pública e é defensora das cotas sociais

Bruna Sena, 17, estudou a vida toda em escola pública e é defensora das cotas sociais

FUTURO

A opção pela medicina aconteceu há cerca de um ano, por influência de professores do cursinho popular que frequentou o CPM, ligado à própria Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão. “Claro que não sei ainda qual especialidade pretendo seguir, mas sei que quero atender pessoas de baixa renda, que precisam de ajuda, que precisam de alguém para dar a mão e de saúde de qualidade”, declara.

Engajada na defesa de causas sociais como o feminismo, o movimento negro e a liberdade de gênero, a adolescente orgulha-se do cabelo crespo e de sua origem, mas é restrita nas palavras sobre o pai, que não paga pensão e não a vê há anos. “Minha mãe ralou muito para que eu tivesse esse resultado e preciso honrar isso. Sou grata também a minha escola, ao cursinho. Do meu pai, nunca entendi o desprezo, me incomoda um pouco, mas agora é hora de comemorar e ser feliz.”

Menina lança projeto de livros só com protagonistas negras

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Marley Dias, de 11 anos, e alguns dos livros do projeto para criar uma coleção de mil livros com protagonistas negras

Marley Dias, de 11 anos, e alguns dos livros do projeto para criar uma coleção de mil livros com protagonistas negras

 

Como é ler diversas histórias e nunca se identificar ou se ver em nenhuma delas?

Ana Julia Gennari, na Exame

Marley Dias é uma menina negra de 11 anos que mora em Nova Jersey, nos Estados Unidos e sempre reclamava justamente deste problema com sua mãe, Janice.

Para tentar contornar esta situação, a menina teve uma ideia ambiciosa: fazer uma coleção de mil livros com protagonistas negras.

Em entrevista ao Huffington Post US, ela disse que estava cansada de ler livros sobre garotos brancos e seus cachorros: “Eu estava frustrada desde a quinta série porque nunca lia livros com personagens que eu pudesse me conectar”, explica.

A campanha #1000BlackGirlBooks (1000 Livros de Garotas Negras) foi lançada em novembro de 2015, com ajuda da Grass Ross Foundation, organização social de sua mãe, e hoje já ultrapassou a meta, contando com 4 mil livros catalogados e 700 disponíveis no site do projeto.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Janice disse que elas continuam recebendo livros e que são doados para escolas tanto nos Estados Unidos quanto na Jamaica, lugar onde a mãe de Marley nasceu.

“Acho que nós não tínhamos noção do dilema internacional que é essa questão de falta de diversidade e a Marley teve a chance de dar voz a um desafio que muitas pessoas preferem não falar” contou ao jornal.

Ao Huffington, Marley disse que quer se tornar uma editora de revistas quando crescer e que espera escrever ao menos um livro para garotas como ela.

“[Representatividade] definitivamente importa porque quando você lê um livro e aprende algo, você sempre vai querer algo que te conecte àquilo. Se você tem algo em comum com os personagens de um livro você certamente nunca mais vai esquecê-lo e levará uma lição pra sua vida”

É de mais iniciativas como esta que o mundo precisa!

Em sequência de ‘Harry Potter’, Hermione será interpretada por atriz negra

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A peça ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’ vai estrear em junho em Londres. Atriz foi alvo de comentários racistas

Publicado no Correio 24Horas

Os fãs da saga do bruxinho ‘Harry Potter’ têm mais uma novidade sobre a peça que servirá como sequência dos livros da série – os três atores principais, que interpretam Rony Weasley, Hermione Granger e o protagonista da franquia foram escolhidos.

A peça ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’ vai estrear em junho de 2016 nos palcos de Londres. Os atores Jamie Parker, 36 anos, Paul Thornley, 40 anos, e Noma Dumezweni, 45 anos, tiveram a identidade revelada nesta segunda-feira (21).

Parker será Harry adulto Dumezweni viverá Hermione Thornley será o amigo Rony

Parker será Harry adulto           Dumezweni viverá Hermione     Thornley será o amigo Rony

 

A escolha foi recebida com surpresa por alguns fãs, porque a atriz escolhida para viver a Hermione adulta é negra, ao contrário de sua intérprete nas telas do cinema. A nova Hermione se tornou alvo de comentários racistas de algumas pessoas.

A escolha de Noma foi aprovada pela autora da série, J.K. Rowling: “O que é dito nos livros: olhos castanhos, cabelos crespos e muito inteligente. Nunca foi especificado se a pele dela era branca. Rowling ama a Hermione negra”, escreveu a autora no Twitter.

Nos cinemas, a atriz Emma Watson deu vida à Hermione (Foto: Divulgação) Rowling defendeu escolha e diz que cor de pele de Hermione nunca foi dita nos filmes (Foto: Divulgação)

Nos cinemas, a atriz Emma Watson deu vida à Hermione
(Foto: Divulgação)
Rowling defendeu escolha e diz que cor de pele de Hermione nunca foi dita nos filmes (Foto: Divulgação)

 

No Site Pottermore, Rowling demonstrou felicidade com a escolha: “eu estou muito empolgada com a escolha deste atores para a peça ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’. Eu mal posso esperar para ver Jamie, Noma e Paul darem vida ao Harry, Hermione e Rony adultos no próximo verão”, disse.

Matthew Lewis, o ator que deu vida a Neville Longbottom nos cinemas, também apoiou a escolha ao ser questionado sobre Noma no Twitter: “E nos livros, Neville era loiro. Eu realmente não me importo [com a cor da pele dela]. Boa sorte a ela”, escreveu.

 

O novo trio que vai viver os personagens adultos em sequência da franquia Harry Potter (Foto: Divulgação/Twitter)

O novo trio que vai viver os personagens adultos em sequência da franquia Harry Potter
(Foto: Divulgação/Twitter)

De “feia” a rainha do baile: estudante negra reage a bullying com vestido

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A norte-americana Kyemah McEntyre, 18, desenhou seu próprio vestido de formatura, como resposta ao bullying que sofreu durante o ensino médio.

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Publicado em UOL

Depois de sofrer bullying no ensino médio, sendo rotulada como “feia”, a norte-americana Kyemah McEntyre, 18, decidiu dar uma resposta aos seus detratores. Como forma de superar o passado, ela decidiu usar estampas de inspiração étnica no vestido de formatura que ela mesma desenhou. Sua atitude fez tanto sucesso que ela foi eleita a rainha do baile e ganhou as redes sociais.

“Tenho 18 anos e sou sem dúvidas descendente de africanos. Como artista, tenho um ponto de vista completamente diferente da maioria das pessoas”, explicou a garota em seu perfil do Instagram.

As fotos, compartilhadas pela jovem em sua conta no Instagram, logo viralizaram e ela acumula mais de 30 mil seguidores na rede.

O processo também serviu como uma forma de empoderamento, conta Kyemah: “Nós impedimos nosso crescimento espiritual, ao permitirmos que suposições e estereótipos perturbem nossa mente e, por consequência, a imagem que temos dos nossos corpos”, conta. “Não deixe que ninguém te defina. Coisas maravilhosas acontecem quando você tem orgulho de si mesma”, escreveu.

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