Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged negro

Flup abre inscrição para descobrir e formar talentos em poesia falada

0

Geovani Martins, um dos nomes revelados pelo ciclo de formação da Flup – Márcia Foletto / Agência O Globo

Festa Literária das Periferias promove palestras com nomes do spoken word negro

Publicado em O Globo

RIO — Programada para acontecer entre os dias 6 e 11 de novembro, no Cais do Valongo, a sétima edição da Festa Literária das Periferias (Flup) anunciou a abertura das inscrições para o Flup Pensa — plataforma de formação para descobrir e formar novos talentos — deste ano. O ciclo de 2018, que será sobre poesia falada, foi batizado de “Poesia preta” e contará com palestras realizadas por grandes nomes do spoken word negro.

A iniciativa, dividida em 12 encontros, promoverá uma competição entre os 25 participantes a cada quatro reuniões, o Slam Pequena África. A ideia do projeto é incentivar a criatividade dos jovens para o improviso de versos e realização de performances. O vencedor participará da competição nacional da modalidade e lançará um livro pelo selo da Flup, além de participar de uma mesa no evento.

Em edições anteriores, a festa literária revelou talentos como Geovani Martins (foto), Ana Paula Lisboa (colunista do GLOBO), Jessé Andarilho, Rodrigo Santos e Lindacy Menezes, e já resultou na publicação de 17 livros.

Os encontros do “Poesia preta” vão de 26 de maio a 1º de setembro. Os interessados em participar devem clicar neste link: tinyurl.com/poesiapreta. As inscrições vão até o dia 11 de maio.

Invisible Man: Hulu desenvolve adaptação do livro Homem Invisível, de Ralph Ellison

0
Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

Foto: AdoroCinema / AdoroCinema

O livro conta a vida de um homem negro e seu histórico de exclusão.

Laysa Zanetti, no Terra

Considerado um clássico da literatura moderna, o romance Invisible Man vai ganhar uma adaptação em série de TV produzida pelo Hulu.

Segundo a Variety, o projeto está em fases iniciais e o roteiro ainda não foi escrito. John Callahan, no entanto, servirá como produtor executivo do projeto.

O livro de Ralph Ellison foi lançado em 1952 e no ano seguinte venceu o National Book Award. A história é contada através do ponto de vista de um narrador negro, que se considera socialmente invisível devido à cor de sua pele. Ele conta a história de sua ida, de sua criação no sul dos EUA até o momento em que se mudou para a cidade de Nova York.

Ainda não há mais detalhes a respeito da série ou previsão de estreia, mas recentemente o Hulu tem investido (e muito) em adaptações literárias. Além da bem-sucedida The Handmaid’s Tale, o canal produziu 11.22.63 e irá lançar Castle Rock, ambas adaptadas de Stephen King. Além destas, há em desenvolvimento uma série inspirada na história de Bobby Kennedy (do livro ” Bobby Kennedy: The Making of a Liberal Icon “, de Larry Tye) e The Looming Tower, adaptação do livro “O Vulto das Torres”, de Lawrence Wright.

Professora terá de pagar R$ 10 mil após chamar aluno de ‘negro burro’

0

Governo do Estado de São Paulo foi condenado no mesmo processo.
Caso aconteceu no ano de 2008 em escola pública de Guarujá (SP).

Publicado no G1

Escola Estadual Prof Raquel de Castro Ferreira em Guarujá (Foto: Reprodução/Google Street View)

Escola Estadual Prof Raquel de Castro Ferreira
em Guarujá (Foto: Reprodução/Google Street View)

Uma professora e o Governo do Estado de São Paulo foram condenados pela Justiça a pagar indenização, de R$ 10 mil cada, para um aluno de uma escola pública em Guarujá, no litoral paulista, e à mãe dele, por conta de injúrias raciais.

Em 2008, a professora da Escola Estadual Professora Raquel de Castro Ferreira disse aos estudantes, durante uma aula, que ‘pessoas negras são burras e não conseguem aprender’. O comentário considerado ofensivo foi gravado pelo celular de um dos alunos.

Apesar do Estado ter entrado com recurso argumentando que o caso não passou de um “mero aborrecimento”, o desembargador Rebouças de Carvalho não acatou o pedido. Na última quinta-feira (17), ele confirmou a condenação tanto da professora, quanto do governo.

“Os fatos ocorreram no interior de uma escola pública e motivado por comentário infeliz e impróprio, ainda que episódico, e vindo de uma professora, ganha ainda contornos mais graves, isso porque a escola é o local da convivência, do incentivo à liberdade da tolerância e do respeito e, ainda, da promoção da dignidade humana. Referido tipo de comportamento de quem tem o dever de ensinar não pode ser admitido, devendo ser coibido”, ponderou.

A decisão da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a sentença que já havia sido assinada pelo juiz Marcelo Machado da Silva, da 4ª Vara Cível de Guarujá. Entre as provas colhidas durante o processo, está a gravação contida em um celular demonstrando que a professora se referiu “às pessoas de pele negra como sendo pessoas ‘burras’ e que não conseguem aprender”.

“Autores negros insistem em suas origens africanas. As coisas não são assim”

0
Teju Cole/Tim Knox

Teju Cole/Tim Knox

 

Escritor e fotógrafo nigeriano radicado em Nova York, Teju Cole virou fenômeno literario

“Minha identidade é incapturável e múltipla”

Eduardo Lago, no El País

“A escrita é só metade da história, a outra metade, às vezes a mais importante, é a imagem.” Assim Teju Cole (Michigan, 1975) resume a poética por trás da sua forma de entender a arte e contar histórias.

Para ele, que é fotógrafo além de um dos escritores mais reputados do ano, uma boa narrativa depende não só do que é revelado pela voz, mas também do que o olhar consegue apanhar. È a fórmula que ele aplica desde Every Day Is For the Thief (“todo dia é do ladrão”, 2007), seu primeiro livro, relato de uma viagem à Nigéria. Nele, a força da história depende em grande medida da reportagem fotográfica. Fora da Nigéria, onde o autor passou uma parte importante de sua vida, o livro passou despercebido. Em 2011, Teju Cole ganhou notoriedade internacional com a publicação de um romance quase perfeito, Cidade Aberta (Companhia das Letras), uma homenagem a Nova York, sua cidade adotiva, em forma de passeio. Influenciado por exegetas do olhar como Susan Sontag e John Berger, Cole afirma que sua prosa deve tanto ou mais a fotógrafos e cineastas do que à plêiade de escritores, oriundos das mais diversas tradições literárias, que o ajudaram a encontrar sua voz. Durante a conversa, o escritor nigeriano-americano – afável, agudíssimo e jovial – deixou claro que suas preocupações políticas nunca estão muito distantes da sua obra. Perguntado a respeito sua identidade, afirma que se trata de algo em extremo fluido: “Minha identidade é incapturável e múltipla. Não tenho um centro de gravidade como artista e como ser humano, ou talvez devesse dizer que meu centro de gravidade está sempre longe de onde me encontro”. Qual é a imagem favorita que você tem de si mesmo? “Alguém que estando em Nova York se lembra com saudade da Nigéria, só que estando lá seu sonho é voltar o quanto antes para Nova York.”

PERGUNTA. Quais diferenças você vê entre Cidade Aberta, romance que durante muito tempo todos acreditaram ser o seu primeiro, e o que realmente foi, Every Day Is For the Thief?

RESPOSTA. Não há tantas diferenças. No que diz respeito à gênese deles, na verdade são contemporâneos. Comecei Every Day… no começo de 2006 e o publiquei em 2007 na Nigéria. Naquela época encarei também a escrita de Cidade Aberta, que só viria a sair em 2011, nos Estados Unidos, porque demorei muito mais para escrevê-lo, três anos. Cidade Aberta é um romance muito mais complexo. Foi muito influenciado pelo modernismo europeu. Every Day Is For the Thief é muito mais clássico, mas a linguagem é também mais bela.

P. Com quem se sente em dívida como escritor? Acredita que a questão da origem racial é determinante?

R. Todo tipo de escritor me interessa. Muitos autores negros insistem em salientar a autenticidade das suas origens africanas, como se não houvesse nada além. As coisas não são assim. Todos nós tivemos uma sólida educação colonial. É absurdo negar, embora nem tudo se reduza a isso. Uma coisa que me parece muito importante apontar é que, da mesma maneira que o sumô é japonês, o romance é uma forma artística europeia. Você pode fazer as variações que quiser, como fizeram García Márquez e Vikram Seth, mas, de qualquer forma que se faça, o romance é uma forma artística europeia.

P. Todo mundo festejou a visão de Nova York exposta em Cidade Aberta, mas também são surpreendentes (e arrepiantes) as páginas que transcorrem em Bruxelas, onde aparece a situação em que vivem os muçulmanos. O livro parece profetizar o que aconteceu naquele país há alguns meses.

R. Não há nada de profético nisso. Ninguém pode adivinhar o futuro, mas quando se olha bem para o presente, quando se observa com atenção o que está acontecendo neste mesmo instante, vê-se com toda a clareza o que vai acontecer mais adiante. Vê-se que a assimilação dos norte-africanos está vedada. Quando fui a Bruxelas me chamou a atenção ver que havia muitos jovens, alguns muito bem preparados e inteligentes, aos quais era barrada a entrada na sociedade branca, que os considera árabes sujos. Muitos nasceram e se criaram ali. A Bélgica ou a França são o único mundo que conhecem, mas estão totalmente marginalizados, alienados, e quando as pessoas estão completamente alienadas se envolvem com a primeira ideologia doentia que lhes abre caminho.

P. Em seus livros sempre há um chamado à tolerância.

R. Um atentado como o de Nice é horrível não só pela matança, mas porque quem o perpetrou era francês. Qual é a origem de um ódio tão profundo? Claro que não se pode culpar a França, que é vítima de uma terrível tragédia, mas o que conduziu a tudo isto é originalmente a alienação, e a resposta tem sido alienar ainda mais esse setor da população.

P. Que papel a religião desempenha em tudo isto?

R. É importante não identificar o terror com o islã. O cristianismo é tão violento ou tão pacífico como o islã. Por outro lado, os maiores crimes contra a humanidade foram perpetrados por regimes antirreligiosos, como os da União Soviética e China. Os jovens que se alistam no Estado Islâmico não são religiosos. Um modelo é alguém de 20 anos que depois de anos de drogas, álcool e sexo um dia abraça uma forma de radicalismo que se cruza com a espiral de sua vida e, embora diga agir em nome do islã, nem conhece os textos sagrados nem fala árabe.

P. Você tem dupla nacionalidade. Como norte-americano, o que acha de um sistema político capaz de produzir tanto Trump como Obama?

R. Obama foi o produto do que na tecnologia da informação se conhece como “máquina capaz de aprendizagem”. O sistema político norte-americano funciona como essas máquinas. Com o tempo foi sendo refinado e chegou um momento em que gerou alguém como Obama, um negro alto, bonito, eloquente, cuja visão política se atém estritamente ao sonho do imperialismo americano. O problema é que, como qualquer sistema de informática, pode aparecer um hacker que conheça um ponto fraco da máquina e a faça saltar pelos ares. Trump está perfeitamente consciente de que o ponto fraco do sistema é o ressentimento dos brancos. Claro, os negros estão piores, mas isso não importa. A isso se soma sua habilidade para se servir dos meios de comunicação, que são incapazes de criar uma narrativa, têm poder tão somente para amplificá-la. Funcionam como um alto-falante, e os alto-falantes carecem de ética. Limitam-se a aumentar o volume do sinal que entra.

P. Qual é a questão de mérito?

R. Uma vez perguntaram a Gandhi o que achava da civilização ocidental, e ele respondeu: Acho que seria uma boa ideia. O mesmo vale dizer da democracia norte-americana. Acho que seria uma ideia fantástica, mas neste momento não existe.

Marvel apresenta primeiro Homem-Aranha negro das histórias em quadrinhos

0
Cocriador do personagem Miles Morales, Brian Bendis ressalta que ''não é o Homem-Aranha com um asterisco, é o Homem-Aranha real para as crianças e adultos negros e para todo mundo''

Cocriador do personagem Miles Morales, Brian Bendis ressalta que ”não é o Homem-Aranha com um asterisco, é o Homem-Aranha real para as crianças e adultos negros e para todo mundo”

Ainda não há previsão para que personagem vá para as telas do cinema

Publicado no Divirta-se

A partir de setembro, quando começa o outono nos Estados Unidos, o Homem-Aranha das revistas em quadrinhos, pela primeira vez, será negro. Miles Morales é o nome do “novo” Peter Parker que, antes de assumir o cargo oficialmente, estrelava uma HQ alternativa do herói.

Em entrevista ao jornal NY Daily News, o roteirista e cocriador de Miles, Brian Bendis, disse que isso “será ótimo para muitas pessoas”. “Quando muitas crianças negras estão brincando de super-heróis com seus amigos, eles não as deixam interpretar o Batman ou o Super-Homem, pois não se parecem com eles”, disse.

Ainda não há previsão para que o personagem vá para as telas do cinema. “Nossa mensagem tem que ser que não é o Homem-Aranha com um asterisco, é o Homem-Aranha real para as crianças e adultos negros e para todo mundo”, resumiu.

Go to Top