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Divulgada a programação completa da Flip

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Evento literário em Paraty acontece entre 3 e 7 de julho
Edição deste ano terá mais convidados de fora do mundo literário, diz curador
O polêmico escritor francês Michel Houellebecq é um dos destaques

A programação da Flip foi divulgada na manhã desta quinta-feira Marcelo Piu - 23.09.2012 / O Globo

A programação da Flip foi divulgada na manhã desta quinta-feira Marcelo Piu – 23.09.2012 / O Globo

Mauricio Meirelles, em O Globo

RIO – Mais do que antes, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre os dias 3 e 7 de julho e vai homenagear os 60 anos de Graciliano Ramos, terá convidados de fora do mundo literário, anunciou nesta quinta-feira a organização do evento. A programação completa foi divulgada nesta manhã, em entrevista coletiva.

— Ter pessoas de fora da literatura não é uma novidade, mas acho que nesta edição essa característica fica mais marcada — disse Miguel Conde, curador da Flip. — Este ano, quisemos participantes que exploram os limites do discurso literário, seja em diálogo, por exemplo, com a poesia ou a pesquisa histórica. São os autores mais interessantes que li nos últimos anos.

É o caso do crítico de arquitetura da revista “New Yorker” Paul Goldberger, que vai debater com o arquiteto português Eduardo Souto de Moura, vencedor do Prêmio Pritzker em 2011, considerado o Nobel da área. Também da cantora Maria Bethânia, que participa de um recital em homenagem ao poeta português Fernando Pessoa, junto da professora Cleonice Berardinelli.

Na área do cinema, o destaque é o aniversário de 80 anos do documentarista Eduardo Coutinho, que participa sozinho de uma mesa no dia 6 de julho, sábado. A outra mesa sobre a sétima arte traz um velho conhecedor da obra de Graciliano Ramos: o cineasta e imortal da Academia Brasileira de Letras Nelson Pereira dos Santos, que dirigiu “Vidas secas”, baseado no livro do autor homenageado.

Outro nome forte fora da literatura é o historiador de arte T. J. Clark. Ele vai falar sobre o quadro “Guernica”, de Picasso.

Sábado é dia dos medalhões estrangeiros

Sábado, 6 de julho, promete ser um dos dias mais disputados da tenda dos autores da Flip. Nesse dia, está o polêmico autor francês Michel Houellebecq, autor de “O mapa e o território”, lançado no Brasil pela Record. Há duas edições, ele confirmou participação, mas cancelou em cima da hora.

No mesmo dia, está a autora americana Lydia Davis, que ganhou na última quarta-feira o Man Booker Prize, um dos principais prêmios literários do mundo. Ela divide a mesa com o inglês John Banville, autor de “Luz antiga”, que a Globo Livros lança dia 8 de junho. Banville era um velho convidado, mas nunca tinha vindo.

Depois do sucesso do poeta sírio Adonis ano passado, a Flip aposta em outro poeta árabe: Tamim Al-Barghouti, autor egípcio-palestino conhecido por sua atuação na Primavera Árabe. Ele participa de mesa no último dia, 7 de julho.

Novos nomes da poesia brasileira confirmados

Três dos nomes mais elogiados da poesia brasileira contemporânea consolidam seu reconhecimento com o convite para a Flip. É o caso da mineira Ana Martins Marques, autora de “A arte das armadilhas” (Companhia das Letras), que divide a mesa, no dia 4 de julho, quinta-feira, com as poetas Alice Sant’Anna e Bruna Beber.

Entres os nomes da nova geração, estão os romancistas Daniel Galera, José Luiz dos Passos e Paulo Scott. Daniel escreveu o livro “Barba ensopada de sangue” (Companhia das Letras) e José é autor de “O sonâmbulo amador” (Objetiva), ambos elogiados pela crítica ano passado. Paulo Scott é autor de “O habitante irreal” (Objetiva), lançado no final de 2011, que também foi bem recebido.

Diretor da Flip reclama dos preços abusivos dos hotéis

O diretor-geral do festival, Mauro Munhoz, reclamou dos preços abusivos dos hotéis na cidade durante o evento.

— Tentamos, desde a primeira edição, conscientizar os empresários locais para não cobrar tão caro. Se não tivéssemos esse trabalho, estaria muito pior a situação. Com os preços cobrados, não é como se eles matassem a galinha de ovos de ouro, mas a maltratassem — afirma Mauro. — Acho que seria o momento de o Ministério do Turismo e a secretaria estadual de turismo fazerem um trabalho.

Os hotéis caros não são a única causa da subida no orçamento da Flip ao longo dos últimos anos. Este ano, ele será R$ 8,6 milhões, quase o mesmo do ano passado (R$ 8,4 milhões) e maior que 2011 (R$ 6,8 milhões). Munhoz afirma que os equipamentos para eventos culturais, como tendas e equipamentos de som, subiram de preço acima da inflação nos últimos anos. Os ingressos para das tendas tiveram um reajuste.

Venda de ingressos começa em 10 de junho

Os ingressos para as conferências da Flip poderão ser adquiridos a partir das 10h do dia 10 de junho, pelo site Ingresso Rápido, em pontos de venda indicados no mesmo endereço e pelo telefone (4003-1212). A partir das 9h do dia 3 de julho, a venda acontece apenas na bilheteria oficial da Flip, em Paraty. As entradas para as mesas realizadas na tenda dos autores custarão R$ 46. Para assistir à transmissão na tenda do telão, R$ 12, e para o show de abertura R$ 22 (pista) e R$ 46 (cadeira). Há limite de dois ingressos por pessoa de acordo com o CPF do comprador.

Veja a programação completa:

Quarta 3 de julho

19h – conferência
de abertura com Milton Hatoum
Graciliano Ramos:
aspereza do mundo e
concisão da linguagem

21h30m – show de abertura
Gilberto Gil

Quinta 4 de julho

10h – mesa 1
O dia a dia debaixo d’água
Alice Sant’Anna
Ana Martins Marques
Bruna Beber

12h – mesa 2
As medidas da história
Paul Goldberger
Eduardo Souto de Moura

14h30m – mesa Zé Kléber
Culturas locais e globais
Marina de Mello e Souza
Gilberto Gil

17h15m – mesa 3
Formas da derrota
José Luiz Passos
Paulo Scott

19h30m – mesa 4
Olhando de novo para Guernica, de Picasso
T. J. Clark

Sexta-feira 5 de julho

10h – mesa 5
Graciliano Ramos:
ficha política
Randal Johnson
Sergio Miceli
Dênis de Moraes

12h – mesa 6
O prazer do texto
Lila Azam Zanganeh
Francisco Bosco

15h – mesa 7
A vida moderna em Kafka e Baudelaire
Roberto Calasso
Jeanne Marie Gagnebin

17h15m – mesa 8
Ficção e confissão
Tobias Wolff
Karl Ove Knausgård

19h30m – mesa 9
Lendo Pessoa à beira-mar
Maria Bethânia
Cleonice Berardinelli

21h30m – mesa 10
Uma vida no cinema
Nelson Pereira dos Santos
Miúcha

Sábado 6 de julho

10h – mesa 11
Maus hábitos
Nicolas Behr
Zuca Sardan

12h – mesa 12
Encontro com Eduardo Coutinho

15h – mesa 13
O espelho da história
Aleksandar Hemon
Laurent Binet

17h15m – mesa 14
Os limites da prosa
John Banville
Lydia Davis

19h30m – mesa 15
Encontro com Michel Houellebecq

Domingo 7 de julho

11h – mesa 16
Graciliano Ramos: políticas da escrita
Wander Melo Miranda
Lourival Holanda
Erwin Torralbo Gimenez

13h – mesa 17
Tragédias no microscópio
Daniel Galera
Jérôme Ferrari

15h – mesa 18
Literatura e revolução
Tamim Al-Barghouti
Mamede Mustafa Jarouche

17h – mesa 19
A arte do ensaio
Geoff Dyer
John Jeremiah Sullivan

18h45m – mesa 20
Livro de cabeceira

Candidatos a imortais?

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Antonio Cícero / Foto: O Globo

Antonio Cicero / Foto: O Globo

Onze autores começam a corrida pela cadeira 10 da ABL, vaga desde a morte de Lêdo Ivo

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

É tempo de campanha na Academia Brasileira de Letras. Até o dia 11 de abril, 11 autores saem em busca dos votos dos acadêmicos na tentativa de garantir um lugar na imortalidade. É a corrida pela cadeira 10, que teve até agora seis ocupantes e está vaga desde o dia 23 de dezembro, quando o poeta alagoano Lêdo Ivo morreu na Espanha, aos 88 anos. Também a ocuparam, por ordem cronológica: Evaristo da Veiga, Rui Barbosa, Laudelino Freire, Osvaldo Orico e Orígenes Lessa.

O prazo para a inscrição das candidaturas terminou no domingo e na lista há nomes que aparecem pela primeira vez, como os de João Almino (1950) e Antonio Cicero (1945), e o eterno candidato Felisbelo da Silva, mais de oito décadas de vida e 600 livros escritos que tenta, pela 10.ª vez, o reconhecimento.

Considerando a produção literária, Cicero e Almino são os nomes mais fortes desta disputa. Porém, é importante esclarecer que apesar de trazer a palavra Letras no nome, a ABL, fundada, entre outros, por Machado de Assis em 1897, não é apenas uma casa de escritores. Claro, é preciso ter escrito livros para ingressar lá, mas nem sempre as qualidades literária e estética da obra são levadas em conta.

Pelo charmoso Petit Trianon, sede da Academia no Rio de Janeiro, passaram profissionais de áreas de atuação diversas – um aviador (Santos Dumont), um presidente em pleno governo ditatorial (Getúlio Vargas), uns tantos políticos (José Sarney, Marco Maciel), um cineasta (Nelson Pereira dos Santos), um cirurgião plástico (Ivo Pitanguy), entre outros. Por esse perfil, não deveria ter causado tanta comoção a eleição do colunista político Merval Pereira, que ganhou do literato Antonio Torres a posse da cadeira de Moacyr Scliar em 2011. Mas para os que acreditam que a ABL deve, sim, ser uma casa de escritores a boa notícia é que dois dos candidatos favoritos são reconhecidos pelo público e pela crítica como escritores.

João Almino é escritor premiado – seu mais recente livro, Cidade Livre, venceu o Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura e foi finalista em outras importantes premiações. Ele tem duas vantagens sobre Antonio Cicero, outro forte concorrente. É diplomata – e a ABL gosta disso. E se contar semelhanças com Lêdo Ivo, a quem esperam suceder, a outra vantagem seria sua origem: ambos são nordestinos – Ivo era de Maceió; Almino, de Mossoró (RN).

“Um país se faz com instituições, e a ABL é nossa máxima e centenária instituição no campo das letras, que atua com independência e sobrevive, como queria Machado, às escolas literárias. É às letras que tenho me dedicado ao longo de várias décadas. Na Academia posso dar minha contribuição ao trabalho de promoção e divulgação de nossa cultura e, em especial, de nossa literatura”, comenta Almino, cônsul-geral do Brasil em Madri e autor de 15 livros. Ele teve o incentivo, inclusive de amigos imortais, para apresentar sua candidatura.

Mas a ABL está mais moderninha. Sobe o morro para tomar chá com a comunidade, dá tablets e faz sessões de cinema para os acadêmicos, convida músicos, artistas e outros profissionais para seus encontros, participa de debates longe de seu domínio – em eventos literários País afora, e por aí vai. Nesse sentido, o carioca Antonio Cicero levaria para a ABL sua faceta mais popular, de letrista – ele é irmão de Marina Lima e autor de sucessos como Virgem e Fullgás – e erudita, de poeta e autor de ensaios filosóficos. Com sua eleição, a cadeira continuaria ocupada por um poeta.

Cicero vai com frequência às palestras, exposições e lançamentos realizados pela instituição. “A Academia tem tido um papel cada vez mais importante de estímulo à produção cultural contemporânea. Acho que posso contribuir para isso, com a experiência que tenho na concepção e organização de ciclos internacionais de conferências.” Assim como João Almino, Antonio Cicero também se candidatou por sugestão de membros da ABL. “Com a morte do saudoso poeta Lêdo Ivo, alguns desses amigos me disseram que, dado que gostariam de continuar a ver um poeta na cadeira que o Lêdo ocupava, eu devia me candidatar.”

Em seus quase 116 anos de história, a ABL elegeu apenas sete mulheres. A última, Cleonice Berardinelli, foi eleita em 2009. No momento, são quatro mulheres entre os 39 imortais: Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, a primeira mulher a presidir a instituição, Ana Maria Machado, que está em seu segundo mandato como presidente, e Cleonice. Talvez seja hora de escolher mais uma. No páreo, a jornalista, presidente da ONG Rio Como Vamos e autora de obras como Elogio da Diferença, Rosiska Darcy de Oliveira (1944), tida como a preferida de Ana Maria Machado, e a historiadora Mary Del Priore (1952), sobrinha-neta de Roberto Simonsen, que teve sua cadeira lá.

Ana Maria Machado não comenta a eleição. “Como presidente, limito-me a votar e a me manter equidistante e em silêncio.”

Mary Del Piore conta que sua motivação para concorrer não é a imortalidade de sua obra, mas sim um projeto maior. “Desde que deixei a USP, venho lutando para que mais e mais brasileiros leiam e gostem de sua história: da história do Brasil. A ABL é uma instituição de peso nacional e internacional que poderá dar maior visibilidade ao nosso passado, lutar por nossa memória, textos e documentos, fazendo-se mediadora entre a literatura e a história, disciplinas que dialogam. Afinal, como o romance, a história conta. E contando, ela explica”, justifica. Ela é autora de 36 livros – os mais recentes: História Íntima (2011) e Carne e Sangue (2012).

Além deles, concorrem Marcus Accioly, Diego Mendes Souza, José Paulo da Silva Ferreira, Cláudio Murilo Leal, Blasco Peres Rego e Joaquim Cavalcanti de Oliveira Neto. Para ser eleito, o candidato deve ter 20 votos (metade mais um). Se ninguém atingir a meta, é realizado um segundo escrutínio no mesmo dia. Depois, uma terceira e quarta votação, ali mesmo. Se ainda assim a conta não fechar, uma nova eleição é aberta.

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