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13 frases inesquecíveis de Nelson Rodrigues

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Bruno Vaiano, na Galileu

Já virou piada faz tempo o número de frases atribuídas erroneamente a Clarice Lispector, Caio Fernando de Abreu ou Albert Einstein nas redes sociais. Difícil mesmo seria inventar uma frase que Nelson Rodrigues já não tenha dito de um jeito duas vezes melhor. O dramaturgo e cronista pernambucano, quefaria 104 anos hoje se estivesse vivo, tinha um comentário curto e grosso sobre quase qualquer assunto que você possa imaginar. Morreu em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos.

(Foto: Acervo Editora Globo / Editora Globo)

(Foto: Acervo Editora Globo / Editora Globo)

 

Se algumas de suas frases são de um machismo e conservadorismo impensável nos dias atuais – o autor se declarava reacionário e apoiou a ditadura militar –, outras são tão atuais e verdadeiras hoje quanto eram no século passado. Nelson era um homem de mais faces que o estigma que atribuiu a si mesmo, e retratou o Brasil de uma maneira insuperável, para o terror da moral e dos bons costumes. A GALILEU selecionou algumas frases inesquecíveis, ácidas e verdadeiras do jornalista sobre os temas mais variados.

1 – Sobre o crush:

“A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.”

2 – Sobre os políticos:

“Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.”

3 – Sobre ser malandro:

“Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.”

4 – Sobre censura:

“Não admito censura nem de Jesus Cristo.”

5 – Sobre síndrome de vira-lata:

“O Brasil é muito impopular no Brasil.”

6 – Sobre a dignidade no transporte público às seis da tarde:

“O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.”

7 – Sobre o subdesenvolvimento:

“Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.”

8 – Sobre sexo:

“Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.”

9 – Sobre a psicanálise:

“Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.”

10 – Sobre a própria voz:

“Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.

11 – Sobre o silêncio:

A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.

12 – Sobre muita gente pensar a mesma coisa:

“Toda unanimidade é burra.”

13 – Sobre a valorização do indivíduo:

“Qualquer indivíduo é mais importante que toda a Via Láctea.”

Essas e outras 1000 estão disponíveis na coletânea Flor de obsessão: As 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues, organizada por Ruy Castro, também autor da biografia do autor, O Anjo Pornográfico.

*Com supervisão de Isabela Moreira

A última entrevista de Nelson Rodrigues

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Nelson-Rodrigues

Alexandre Flores Alkimin, Revista Bula

Entrevista concedida em 26 de julho de 1980. Nelson Rodrigues morreria alguns meses depois

Em entrevista ao repórter J. J. Ribeiro, do jornal “O Opiniático” (órgão de destacada relevância na imprensa marrom e sensacionalista de Minas Gerais), o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues fala de seus amores e suas paixões — incluindo aí o seu time do coração, o Fluminense. Além de abordar temas referentes à política, ao Brasil e aos brasileiros, ao ser humano em geral, à sua vida e sua trajetória como escritor, entre outros assuntos não menos contundentes. Aos 66 anos de idade, morando em um apartamento em Copacabana, de frente à avenida Atlântica, o velho Nelson apresenta-se com o mesmo tom debochado e exagerado de sempre. Impondo a sua presença e aquele seu jeito peculiar e característico de se expressar e de se fazer entender: olhar insondável e apático; voz grossa e embolada; gestos vagarosos e ornamentais como os de um peixe colorido num aquário. Sem deixar, portanto, de esboçar certo entusiasmo e de exibir uma imagem de opulência física de causar inveja a qualquer um. Apesar de estar com a saúde um tanto quanto abalada, uma vez que ainda se recupera de uma colite ulcerática, doença essa que por pouco não o matou. As palavras tiradas da boca do entrevistado são as mesmas utilizadas em suas crônicas, contos, romances, peças teatrais, e difundidas por outros meios de comunicação (televisão, rádio e periódicos).

J. J. R. — Como foram os primeiros anos de sua vida?
Nelson Rodrigues — “Nasci em Pernambuco, a 23 de agosto de 1912, e permaneci em Recife até os cinco anos. Depois vim para o Rio de Janeiro, para onde trouxe minhas primeiras sensações da boca e do nariz: o gosto de pitanga e do caju e o cheiro do cavalo de estábulo. Mesmo considerando o mundo um péssimo anfitrião e a viagem a mais burra das experiências humanas, voltei a Pernambuco na mocidade, retornando à infância e às profundas sensações”.

J. J. R. — Como surgiu seu desejo de escrever?
Nelson Rodrigues — “A rigor, meu primeiro texto foi escrito na Escola Prudente de Morais aos sete anos de idade. Na época, sou considerado gênio por alguns, um tarado em potencial pelas professoras, e um maluco pelas alunas. A professora resolveu que não íamos escrever nada sobre estampas de vacas e pintinhos. Que podíamos fazer uma história de nossa cabeça, para ver quem era melhor. Ganhamos eu e um outro garoto que escreveu sobre um rajá montado no seu elefante favorito. Eu escrevi um texto que já me definia, um texto sobre o adultério. Minha primeira ‘A Vida Como Ela É…’ Um sujeito que entra em casa inesperadamente, abre o quarto e vê a mulher nua e um vulto pulando pela janela e desaparecendo na noite. O cara puxou a faca e matou a mulher”.

J. J. R. — Qual importância da escrita em sua vida?
Nelson Rodrigues — “Se eu não escrevesse, seria um desgraçado. A rigor, se você examinar bem, todos os meus personagens são tristes. Salvo algum esquecimento, não vejo ninguém alegre”.

J. J. R. — E a leitura, representa algo de fundamental em sua atividade de escritor?
Nelson Rodrigues — “Acho que ter cultura é importante para um dramaturgo. Ler muito, nem que seja um único livro, como ‘O Idiota’, ‘Crime e Castigo’, ‘Ana Karenina’ ou ‘Guerra e Paz’. Quando comecei a escrever, a única peça que eu conhecia bem — palavra de honra — era ‘Maria Cachucha’, de Joracy Camargo. Eu lia muito, de maneira voraz e ininterrupta. Mas só romances”.

J. J. R. — E o que o senhor diria para os leitores?
Nelson Rodrigues — “Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia”.

J. J. R. — Como foi o seu primeiro contato com o jornalismo? E o que é ser jornalista?
Nelson Rodrigues — “Quando entrei, pela primeira vez, numa redação, acabava de fazer dez anos. Com a trágica inocência das calças curtas, tive a sensação de que entrava numa outra realidade. As pessoas, as mesas, as cadeiras e até as palavras tinham um halo intenso e lívido. Era, sim, uma paisagem tão fascinante e espectral como se redatores, mesas, cadeiras e contínuos fossem também submarinos. Com o tempo, houve uma progressiva acomodação óptica entre mim e os vários jornais onde trabalhei. E as coisas passaram a ter a luz exata. Sempre restou em mim, porém, um mínimo do deslumbramento inicial”. — Ligeira pausa para acender o cigarro e dar a primeira tragada. — “Eu fui para a reportagem de polícia aos treze anos. Ora, por quê? A preferência pelo assunto já era uma antecipação de minha obra. A reportagem policial vai transformar-se para sempre num dos elementos básicos de minha visão de vida. Através dela tive intimidade com a morte (que sempre me apavorou) e nela vi um cadáver pela primeira vez. O jornalismo, daí em diante, passou a ser vital para mim. Tinha, entretanto, intenções literárias — ser romancista, a principal delas. Veio o teatro, porém”. — Com volubilidade evocativa: — “Até hoje, os seres da redação ainda me parecem de um certo dramatismo e têm não sei que toque alucinatório. Estou pensando em Gide e no seu gemido adolescente: — ‘Eu não sou como os outros! Eu não sou como os outros!’”. — De modo exasperado e suplicante: — “Nós, de jornal, também estamos meio-tom acima da rígida normalidade”.

J. J. R. — Como o senhor traduz o jornalismo?
Nelson Rodrigues — “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de ‘ilustre’, de ‘insigne’, de ‘formidável’, qualquer borra-botas”.

J. J. R. — O senhor faz uso de diversos pseudônimos… Quem é Susana Flag?
Nelson Rodrigues — “A Susana Flag nasceu quando eu entrei para os Diários Associados. O Fred Chateaubriand disse que ia comprar um romance americano para publicar em capítulos. Eu me propus a fazer a experiência de escrever uma (mais…)

5 escritores incríveis e polêmicos para ler

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Hunter Thompson Créditos: Reprodução

Hunter Thompson
Créditos: Reprodução

 

Publicado no Guia da Semana

Alguns escritores, além de terem feito história com seus pensamentos inovadores e escritas peculiares, produziram obras que ficaram marcadas e, ao mesmo tempo, tornou cada um deles extremamente polêmicos. Seja pelo comportamento, pela escrita, pelos assuntos abordados ou por tudo isso junto, o fato é que ficaram ainda mais conhecidos e, sim, foram reconhecidos.

Assim, apesar de duramente criticados, apontados e julgados, são escritores que, com certeza, valem a leitura. Por isso, o Guia da Semana lista 5 deles que você precisa saber mais a respeito. Confira:

SIGMUND FREUD

Sigmund Freud foi um médico neurologista, criador da psicanálise e um dos maiores pensadores que a humanidade já teve. Austríaco, desenvolveu teorias sobre sonhos, sobre a relação entre pais e filhos, sobre a sexualidade infantil e muitas outras, revolucionárias e, sem dúvidas, extremamente polêmicas. Assim, Freud documentou tudo em escritos e livros, tornando-se um escritor reconhecido, pela clareza com que escrevia sobre assuntos tão complexos e intensos e, ao mesmo tempo, um autor questionado.

Dica de livros: A Interpretação dos Sonhos, Luto e Melancolia.

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CHARLES BUKOWSKI

Bukowski foi um escritor e poeta alemão que chocou – e encantou – o público com seu estilo único e peculiar. Dono de uma escrita obscena, que narra porres memoráveis, relacionamentos baratos e muitas de suas relações conflituosas e sexuais. Foi claramente influenciado por Dostoiévsky, pelo pessimismo, e Ernest Hemingway, pelas frases curtas e palavras simples, ficando conhecido como poeta sujo.

Dica de livros: Mulheres, Cartas na Rua e O Amor é um cão dos diabos.

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NELSON RODRIGUES

Ainda na escola, Nelson Rodrigues ganhou um concurso de redação com um tema sobre adultério. Já adulto, bordava temas delicados para a sociedade da época e, até mesmo, para a sociedade atual. Escrevia sobre assuntos que estavam cobertos por véus que ele, tão bem, soube retirar. Nelson tocava nas feridas sem dó nem piedade e também falava sobre suas imperfeições.

Dica de livros: Meu destino é pecar, O Casamento e O homem proibído.

Foto sem data Nelson Rodrigues, fumando.

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Nelson Rodrigues, fumando.

 

HUNTER S. THOMPSON

Conhecido pelo seu estilo de escrita extravagante, o jornalista Hunter Thompson criou o Jornalismo Gonzo, que une-se ao estilo literário e retira as fronteiras entre o escritor e o relato. Conhecido como lenda da contracultura, escrevia completamente entorpecido de diversos tipos de droga, sempre em primeira pessoa e fugindo das estruturas convencionais. Assim, misturava alucinação com realidade, ficção com fatos e informações imprecisas.

Dica de livros: Medo e delírio em Las Vegas e Rum: Diário de um jornalista bêbado e

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DAN BROWN

Praticamente todos os livros do escritor geraram polêmica (e debates eternos), mas, principalmente, os que abordam temas religiosos. O motivo? As revelações, até então confidenciais. A repercursão é tanta que sempre que Dan lança um livro, muitos outros para debater, retrucar e questionar suas teses são lançados na sequência.

Dica de livros: Código da Vinci, Anjos e Demônios e O Símbolo Perdido.

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Nathália Tourais redator(a)

10 livros incríveis para quem gosta de crônicas

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Obras são opções certeiras para quem gosta de leituras leves e pausadas

Publicado no Guia da Semana

Os livros, sem dúvidas, são portas que nos levam a mundos únicos dentro de nós mesmos. Por eles, conseguimos ir a diferentes países, conhecer diferentes culturas e, principalmente, entrar em contato com os aspectos mais profundos de nós mesmos.

Entretanto, nem todas as pessoas gostam de obras longas e densas, preferindo a leitura mais leve e curta, mas, ao mesmo tempo, intensa. Para essas, a dica são os livros de crônicas, que nos dão respiros entre uma e outra e nos colocam em um universo novo a cada uma delas.

Assim, o Guia da Semana lista 10 livros de crônicas incríveis que você deveria ler. Confira:

PARA ONDE VAI O AMOR?

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No livro “Para onde vai o amor?”, Carpinejar apresenta 42 textos sobre amor, desilusão amorosa, casamento, divórcio, saudade e outros sentimentos que compõem os relacionamentos. Gosta desses tipo de assunto? Então você não pode deixar de ler este livro.

PARA TODOS OS AMORES ERRADOS

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Em “Para todos os amores errados”, Clarissa Corrêa escreve sobre as desilusões de um romance avassalador. Entre os altos e baixos do fim de uma relação amorosa, a história é contada e sentida a partir de desabafos escritos em primeira pessoa. Com citações a personalidades do cotidiano atual, o texto pode adquirir um tom de veracidade e aproximação a cada página, criando uma intimidade com quem já sentiu ou passou pela mesma situação, em que o amar e ser amado não é responsabilidade de um só. Registrando todas as fases de um rompimento, a protagonista chora, se arrepende, fica aliviada, triste de novo, sente saudades, tem muita raiva, volta a amar o mesmo amor, se encontra e se desencontra várias vezes. Chega à etapa de se entender e respeitar, para poder, quem sabe, voltar a amar. Escreve crônicas e poemas que expressam seus sentimentos. Conta os detalhes da traumática separação, classifica os tipos de homem e declara independência

TRINTA E OITO E MEIO

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Estas crônicas, reflexões e desabafos, escritos com curiosidade sem fim, mas também com senso de humor, mostram os bastidores da cabeça e do coração de Maria Ribeiro. A atriz, que confessa, neste livro, o seu interesse (se não mesmo obsessão) pelas histórias dos outros, junta, em ‘Trinta e oito e meio’, textos que escreveu nos últimos anos, e que, com as ilustrações de Rita Wainer, formam um inesperado diário e um guia de viagem pela sua vida.

ESPERO ALGUÉM

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Com “Espero alguém”, Carpinejar, mais maduro, tanto profissional quanto emocionalmente, apresenta crônicas escritas após um período difícil de sua vida – o abandono pela mulher amada. O autor busca comprovar que ninguém está preparado para uma separação. ‘Espero alguém’ trabalha as duas separações do autor. Começa triste e, ao longo das paginas, o ânimo vai melhorando. No final, o alívio. As crônicas tratam da retomada – a superação do luto – provando que tudo passa. Um novo amor é quase uma certeza. E, se você não amar esse amor mais do que amou o que veio antes, provavelmente amará mais a si mesmo. Carpinejar mostra também as contradições do relacionamento – o que cada um precisa e pode fazer pelo outro. A importância da sedução mútua e a convivência com as críticas. Além disso, dá conselhos, como – ‘não fale mal até vinte dias após o termino. Se reatar, você estará desacreditado’.

SIMPLES ASSIM

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Por que complicar ainda mais? Acordou mal-humorado? Respire fundo, abra a janela e pense que no final do dia você encontrará seus amigos para um happy e dará boas gargalhadas. O carro quebrou no meio da rua? Sinalize e espere o guincho em segurança. O namoro está mais para morno? Chegou a hora de pôr um fim a relacionamentos que não levam a nada. Convidada frequentemente para (mais…)

Quatro dicas para encarar a prova de literatura do Enem

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Mesmo sem lista de leituras obrigatórias, exame nacional busca valorizar os “bons leitores”

Foto: Uchôa / Agencia RBS

Foto: Uchôa / Agencia RBS

Vinícius Fernandes, no Zero Hora

É praxe começar a estudar para a prova de literatura a partir da lista de leituras obrigatórias. Para garantir um bom percentual de acertos na UFRGS em 2015, bastaria mergulhar em Jorge Amado, Nelson Rodrigues e Machado de Assis ou nos contos de Murilo Rubião e Sergio Faraco. Mas os livros nem sempre são a principal exigência da prova. Às vezes, conta mais a interpretação de textos e a capacidade de relacioná-los a períodos históricos da literatura brasileira. Nesse caso, por onde iniciar os estudos?

Por ser aplicado em todo o país, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem um olhar nacional sobre o tema. Mais do que conhecer autores, as cerca de 12 questões de literatura exigem conhecimento do processo de construção do texto. Talvez você não encontre referências a Machado de Assis, mas tenha de interpretar um enunciado publicitário ou um quadro de Candido Portinari.

– O Enem enxerga as artes como um processo mais amplo e entra nas artes plásticas e na música. O aluno tem de ser um bom leitor de textos em todos os formatos, mas a primeira coisa é ter conhecimento da história da literatura brasileira como um todo – aconselha o professor de literatura do Unificado, Pedro Gonzaga.

Apesar dos enfoques diferentes, os vestibulandos da UFRGS acabam se capacitando para o Enem. O aluno que devorou todas as leituras obrigatórias evoluiu como leitor e provavelmente ganhou fôlego para interpretar questões mais complexas.

– O Enem pega tanto textos mais modernos, que se parecem mais com a nossa linguagem atual, quanto textos de jornais, poesia e canções populares – garante Gonzaga.

Confira dicas para ficar preparado para a abordagem do Enem para a literatura. Não há leituras obrigatórias, mas ler bastante é indispensável.

Atenção para o século XX

Professores concordam ao afirmar que a literatura brasileira do século 20 predomina na prova. Se tiver de escolher algum período para focar estudos, opte por este. No Rio Grande do Sul, se convencionou dividir esse tempo em modernismo de 22 (1ª geração), 30 (2ª geração) e 45 (3ª geração). Em cada geração, se destacaram autores que pavimentaram a literatura brasileira, como Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Graciliano Ramos, Vinícius de Moraes, Erico Verissimo, Jorge Amado e Clarice Lispector.

– É sempre legal ter uma visão bem panorâmica da história da literatura brasileira, mas o século 20, a partir do modernismo, sempre cai em uma ou duas questões – lembra o professor de literatura do Unificado Diego Grando.

De acordo com Pedro Gonzaga, o escritor mais lembrado nas provas do Enem é Carlos Drummond de Andrade, um dos estandartes da geração de 30.

Texto e o contexto

Reconheça a presença de valores humanos nas questões da prova e os relacione com o contexto histórico, social e político. Não é raro as provas pedirem associações entre poemas, prosas, quadros e tirinhas com o período em que foram produzidas.

Prosa e poesia

O vocabulário rebuscado e por vezes não usual assusta, mas, segundo o professor Pedro Gonzaga, “o leitor capaz de interpretar prosa e poesia se capacita a interpretar tudo”. Por mais exigente que seja a tarefa, decifrar estrofes é um exercício válido para estimular a interpretação de outros formatos. Leia com calma, atentamente, e procure compreender a mensagem do autor camuflada nas entrelinhas do texto.

Leia manuais de literatura

Manuais são recursos simples e diretos para conhecer e compreender os períodos mais representativos da literatura brasileira. Obras como Antologia Comentada de Literatura Brasileira – Poesia e Prosa (vários autores, Vozes) e Curso de Literatura Brasileira (Sergius Gonzaga, Leitura XXI) oferecem um panorama amplo acompanhado por comentários que elucidam cada período tratado.

QUESTÃO COMENTADA

Questão 29 (Enem/2010)

Reclame

Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
… ou transforme o mundo

ótica olho vivo
agradece a preferência

CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.

Chacal é um dos representantes da geração poética de 1970. A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representativo o poema apresentado, valoriza

a) o experimentalismo em versos curtos e tom jocoso.
b) a sociedade de consumo, com o uso da linguagem publicitária.
c) a construção do poema, em detrimento do conteúdo.
d) a experimentação formal dos neossimbolistas.
e) o uso de versos curtos e uniformes quanto à métrica.

Comentário de Pedro Gonzaga

A questão trata de uma das últimas gerações, senão a última, de poetas que podem ser reunidos em um grupo com elementos estéticos semelhantes. Entre os “marginais” está o nome de Chacal, em um poema representativo de seu fazer poético, marcado por versos enxutos e por uma constante ironia, muitas vezes feita de colagens de discursos da mídia e da publicidade. O tom imperativo, ou como chama o Enem, conativo, aqui é parodiado. Por isso, é preciso cuidar com a alternativa B, pois o enunciado fala em valorizar, não em utilizar a linguagem publicitária, o que o poema não faz. As demais alternativas não fazem sentido, pois é um poema em que o conteúdo importa tanto quanto a construção, nada tem a ver com a escola neossimbolista do início do século 20 e também não apresenta uniformidade métrica. Para a adequada resposta à questão era preciso unir conhecimentos de interpretação, período literário e noções formais de poesia. Resposta A.

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