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Todo o Dinheiro do Mundo | Livro que inspirou o filme será lançado no Brasil

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Cesar Gaglioni, no Jovem Nerd

A editora HarperCollins anunciou que lançará no Brasil o livro Todo o Dinheiro do Mundo, de John Pearson, que inspirou o filme de mesmo nome dirigido por Ridley Scott.

A publicação conta a história de John Paul Getty, um dos maiores magnatas dos EUA no século 20. Ele se tornou conhecido mundialmente após se negar a pagar o resgate de seu neto, John Paul Getty III, que foi sequestrado por criminosos italianos, que, na tentativa de pressionarem a família do rapaz, cortaram uma de suas orelhas e a enviaram para o avô por correio. Além de falar sobre o sequestro, Pearson tenta traçar um perfil dos Getty e de sua relação com o dinheiro e com o poder.

O livro será lançado em 26 de fevereiro.

‘Todo dinheiro do mundo’: Edição brasileira do livro que virou filme de Ridley Scott será lançada em fevereiro

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Cartaz de 'Todo o Dinheiro do Mundo' | Reprodução

Cartaz de ‘Todo o Dinheiro do Mundo’ | Reprodução

Cleo Guimarães, em O Globo

Isso é que é timing. A HarperCollins lança em fevereiro a edição brasileira de “Todo o dinheiro do mundo”, livro de John Pearson (conhecido pela elogiada biografia da Família Real Britânica) que conta a história do magnata do petróleo J. Paul Getty e mostra como sua riqueza influenciou o sequestro de seu neto, John Paul Getty III, aos 16 anos. O avô, na época o homem mais rico dos Estados Unidos, se recusou a pagar o resgate. O livro inspirou o filme de mesmo nome, e chega às livrarias, pouco depois da estreia nacional do longa, em janeiro.

Por falar nisso…

Dirigido por Ridley Scott, a versão para o cinema de “Todo o dinheiro do mundo” recebeu três indicações ao Globo de Ouro — uma delas para Christopher Plummer, que substituiu Kevin Spacey no papel do patriarca dos Getty. Spacey foi afastado depois das acusações de assédio sexual.

Idosa encara preconceito e aprende a ler aos 65 anos por incentivo do neto

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Maria das Mercês mora em Curitiba e tem o neto de 10 anos como filho.
‘Sempre tive muita vergonha de ser analfabeta’, desabafa a idosa.

Maria das Mercês, de 66 anos, adotou o neto após ele ter sido abandonado pela mãe (Foto: Adriana Justi / G1)

Maria das Mercês, de 66 anos, adotou o neto após ele ter sido abandonado pela mãe (Foto: Adriana Justi / G1)

Adriana Justi, no G1

A oportunidade em poder dar orgulho ao neto foi um dos motivos que fizeram a aposentada Maria das Mercês Silva a superar o preconceito e iniciar os estudos aos 65 anos. A motivação partiu do próprio garoto, de 10 anos, ao perceber o sofrimento da avó que passou parte da vida sem saber ler.

A avó conseguiu a guarda do menino Felipe Feitosa dos Santos porque a mãe não tinha condições de criá-lo. Hoje, aos 66 anos, Maria das Mercês comemora ter aprendido a escrever o nome e ter sido aprovada para o segundo ano do Ensino Fundamental. Ela também destaca que encara o mundo de outra forma e que passa boa parte do tempo tentando ler frases da Bíblia, outra conquista realizada.

“Ela é minha avó, mas eu considero como mãe. Ela sempre passava pelos lugares assim (…) e não conseguia ler. Aí tinham vezes em que ela pegava o ônibus e ficava perdida. Agora ela consegue ler bastante coisa e eu que ajudo nas lições que a professora passa”, conta Felipe.

“Sempre tive muita vergonha de ser analfabeta e, muitas vezes, nem contava para as pessoas. Também porque eu achava que já estava velha para isso. Mas eu comecei a me sentir mal mesmo com essa situação quando o Felipe chegava da escola com as lições de casa e eu não podia ajudá-lo. Eu me acabava de chorar por causa disso, mas nunca na frente dele”, conta Mercês.

Segundo ela, a motivação começou depois que Felipe flagrou uma das cenas de choro em um canto da pequena casa onde moram no bairro Uberaba, em Curitiba.

“Aí eu desabafei com ele, tadinho. Expliquei que dependia das pessoas para todas as coisas, até mesmo para pegar um dinheiro no banco porque nem os números eu conhecida”, disse Maria das Mercês.

Para garantir que a matrícula fosse feita e que a avó realmente pudesse estudar, o garoto a acompanhou até a escola. Desde então, como não pode ficar sozinho em casa no período da noite, Felipe acompanha a avó também na sala de aula durante todos os dias da semana.

O trajeto, conta dona Mercês, é feito de bicicleta. “Não tenho outro jeito. Não tenho ninguém pra cuidar dele. Então, eu coloco ele na garupa da minha bicicleta, coloco um capa porque ele não pode tomar chuva porque tem bronquite, e nós vamos para a escola. Ele, pela segunda vez, porque estuda de manhã”, explica a avó.

“Tenho muita dó de ter que levar ele junto. No primeiro ano, ele dormia sentadinho lá no cantinho da sala, era de partir o coração. Eu sofria vendo o sofrimento dele”, lembra a avó, emocionada. “Agora, a prefeitura arrumou uma salinha na escola para que os filhos possam brincar enquanto os pais estudam. O Felipe adora e eu fico bem tranquila”, diz.

Mas o sacrifício diário compensa, garante ela. “Graças ao meu netinho, hoje eu não dependo mais de ninguém. Faço tudo sozinha e, com a ajuda dele, nós ainda vamos conquistar muita coisa. O que não dá é para perder a fé”, destaca a avó.

Vida sofrida
Maria das Mercês é mãe de nove filhos e, em 2006, perdeu um deles para o câncer. Por conta disso, ela também cuidou de outros três netos. Atualmente, eles já são casados. A mãe de Felipe, segundo ela, morava em São Paulo, mas nunca mais apareceu. Já o pai do menino, dona Mercês nem conheceu.

“Eu passei fome, passei frio, dei amor aos meus filhos, e eles me abandonaram. É muito triste ter que contar isso, mas é a verdade”, desabafou.

O preconceito na vida dela começou cedo, quando o pai proibiu as mulheres da família de estudar. Apenas os homens puderam ter acesso ao ensino. “Meu pai achava que mulher não podia sair de casa e que tinha que ficar só na cozinha”, declara Maria das Mercês.

A ausência de carinho, também marcou a vida da idosa. “O amor que eu dei para os meus filhos, meus pais nunca me deram. Minha mãe nunca deu um abraço em mim, nunca deu um beijo. E meu pai também não”, contou.

Aluna nota 10
Feliz por ter acompanhado o primeiro ano de aula da Dona Maria Mercês, a professora Marli Pimentel da Silva conta que a idosa teve um bom desempenho logo no primeiro dia de aula.

“Ela sempre foi uma aluna que cobrou bastante dos professores. Sempre foi nítida a força de vontade dela em querer aprender. Ou seja, ela sempre fez o papel de cidadã questionadora e sempre quis uma escola de qualidade. Nota dez pra ela”, destaca Marli, que atualmente atua como pedagoga.

“A gente percebe que o interesse dela com a educação foi muito importante para o desenvolvimento do Felipe. Eu sempre digo que quando há parceria entre escola, aluno e família, as coisas acontecem de forma bem tranquila”, acrescenta Marli.

Futuro
Dona Maria das Mercês contou que o maior dos sonhos ela já conquistou, que era o de aprender a ler. Ela também disse que quer ir muito além nos estudos e escrever um livro sobre a história de vida dela. Mas o desejo mais próximo de se realizar é mais uma necessidade do que um sonho.

Mesmo sendo aposentada e com um emprego fixo, ela sobrevive com R$ 500 mensais. “Só sobra isso porque eu precisei fazer empréstimos para construir a minha casa, aí tem desconto todo mês. Então, como eu gosto de cozinhar, eu queria muito uma máquina de assar frangos para tentar ganhar uma renda extra”, ressalta.

‘Eu nasci de novo’, diz avó que voltou a estudar por causa do neto

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Maria das Mercês Silva, 66, voltou a estudar para ajudar no neto nas lições de casa

Maria das Mercês Silva, 66, voltou a estudar para ajudar no neto nas lições de casa

Jorge Olavo, no UOL

A faxineira Maria das Mercês Silva, 66 anos, queria ter ido para a escola quando era menina, mas o pai sempre achou que estudo era coisa de homem. Mulher tinha que se dar bem na cozinha, dizia ele. Sem saber ler e escrever, a menina cresceu, casou, cruzou o país, virou mãe, separou e tornou-se avó.

Depois de tantos capítulos vividos em Pernambuco, Paraná, Distrito Federal e São Paulo, ela diz que nasceu de novo. O renascimento começou há dois anos, quando, incentivada pelo neto, dona Maria passou a frequentar a escola pela primeira vez.

Mãe de nove filhos e com a família toda em São Paulo, a pernambucana e radicada em Curitiba (PR) não perde uma aula sequer. Segundo a pedagoga Priscila Correia Costa, dos exercícios de matemática aos treinos de educação física, a vovó participa de todas as atividades propostas pelos professores da Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves.

“Ela não falta aula. Empresta livros toda semana. Ela evoluiu muito”, afirma Priscila. Maria está no 2º período do EJA (educação de jovens e adultos) – o equivalente ao 4º e 5º anos do ensino fundamental – em uma turma de 12 alunos com idades entre 36 e 71 anos.

O principal estímulo vem do neto Felipe Alexandre Feitosa dos Santos, 10 anos, que vive com a avó desde que tinha 1 ano e 6 meses. Sem contato com os pais desde então, o menino sempre foi incentivado a estudar pela avó. A situação se inverteu quando Felipe passou a pedir ajuda nas tarefas escolares e, como resposta, ouvia o choro de Maria. “Eu chorava porque eu não conseguia ajudar nas tarefas”, lembra. “Vovó, vamos para a escola. Vai ser bom para você. Você vai aprender e vai me ensinar”, passou a dizer o neto.

A senhora criada na roça cedeu ao apelo do neto e fez matrícula na escola. O primeiro ano foi de muitas faltas, mas, diante da marcação cerrada de Felipe, a assiduidade às aulas nunca mais foi um problema. Sempre que possível, avó e neto vão para a escola de bicicleta.

Enquanto Maria está em aula, Felipe aguarda em uma sala de acolhimento, onde brinca e desenvolve atividades educativas. “Ela já melhorou muito. Reconhece palavras, escreve e sabe ler. Eu costumo corrigir as lições dela, mas eu quero que um dia ela corrija as minhas”, diz o “futuro advogado”, que frequenta o 5º ano na Escola Municipal Marumbi.

A história de Maria das Mercês e Felipe chamou inclusive a atenção do poder público. Felipe tornou-se um herói mirim do projeto Kids of Curitiba, que retrata o perfil de crianças vencedoras e com histórias de superação no perfil da Prefeitura de Curitiba no Facebook.

Com os avanços que já obteve na escola, Maria orgulha-se em dizer que agora não tem mais medo de andar de ônibus. Antes, sem saber ler, era um desafio praticamente impossível. “Eu estou muito feliz. Estou igual a uma criança. Sabe quando a pessoa está cega e começa a enxergar? É isso que está acontecendo comigo hoje. Aprendendo a ler e a escrever, eu nasci de novo”, diz a faxineira que sonha continuar os estudos para ser professora.

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