Vladimir Safatle, na Folha de S.Paulo

Aqueles que frequentaram a Universidade de São Paulo no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990 lembrarão do entusiasmo com que os alunos de história falavam de um professor capaz de descrever os meandros políticos da Primeira Guerra por meio de um filme de Stanley Kubrick ou de fornecer a dinâmica econômica da produção cultural contemporânea discorrendo sobre o fechamento da Factory Records.

Este professor tão admirado por seus alunos chamava-se Nicolau Sevcenko. De fato, era difícil encontrar um estudante que não ficasse impressionado com sua forma de abordar a história cultural, articulando situações locais e globais para expor as tensões sociais do século 20.

Tal forma está presente em livros maiores da historiografia nacional, como “Literatura Como Missão”, “Orfeu Extático na Metrópole” ou ainda o volume “História da Vida Privada: da Belle Époque à Era do Rádio”, por ele organizado. Agora, com seu falecimento, o Brasil perde um de seus mais respeitados e versáteis historiadores.

O historiador Nicolau Sevcenko, em imagem de 2002 / Joao Wainer/Folhapress

O historiador Nicolau Sevcenko, em imagem de 2002 / Joao Wainer/Folhapress