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Posts tagged Nobel de Literatura 2016

Vargas Llosa considera que dar o Nobel a Bob Dylan foi “um equívoco”

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Mario Vargas Llosa recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos   |  EPA/ Santi Otero

Mario Vargas Llosa recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos
| EPA/ Santi Otero

 

Talvez no próximo ano a Academia Sueca dê o prémio a um futebolista, disse o escritor, que recebeu o Nobel em 2010.

Publicado no Diário de Notícias

A cultura “tende a converter-se em espetáculo” e aquilo que se apresenta como uma democratização cultural não é mais do que “banalização do frívolo”. Estas foram as palavras do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que ganhou o Nobel da Literatura em 2010, quando, ontem, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos, em Espanha. E considerou que um dos exemplos mais recentes do domínio da cultura do espetáculo é o facto de a Academia Sueca ter atribuído o prêmio Nobel da literatura ao músico Bob Dylan.

Vargas Llosa deixou claro que gosta de Dylan como cantor mas, na sua opinião, este prêmio foi um equívoco. E perguntou se, para promover ainda mais o Nobel, no próximo ano o vão dar a um futebolista. Na sua opinião, o premio deveria distinguir uma grande obra que tenha marcado um tempo, ou a obra de um autor até aí pouco conhecido mas que mereça esse reconhecimento, “e não o espetáculo de um grande cantor”.

Na conferência de imprensa que deu na ocasião, o escritor reconheceu que “há um público que exige” esta cultura do espetáculo e que, graças às novas tecnologias e redes sociais, “é impensável a censura”. Porém, esta cultura tem aspectos “preocupantes” e “aterradores”, como o facto de a mentira poder espalhar-se com facilidade. Cabe, por isso, às elites culturais (“que não resultam do privilégio mas do esforço e do talento”) contrariar esta tendência. E não estimulá-la, como fez a Academia Sueca.

Bob Dylan surpreende e conquista Nobel de Literatura 2016

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Bob Dylan (Rob Galbraith/Reuters)

Bob Dylan (Rob Galbraith/Reuters)

 

Entre os favoritos, constavam o japonês Haruki Murakami e o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o

Publicado na Veja

O cantor e compositor americano Bob Dylan, autor de hinos dos anos 1960 como Blowin’ in the Wind, cantado e recantado por Eduardo Suplicy no Congresso Nacional, foi anunciado nesta quinta-feira como o vencedor do Nobel de Literatura 2016. A Academia Sueca destacou a contribuição de Dylan, 75, um músico que mesclou influências do folk à intensidade da poesia beatnik no início da carreira, para a tradição do cancioneiro americano, na qual “criou novas expressões poéticas”. Embora o nome de Dylan não seja de todo novo, porque já havia aparecido em casas de aposta em anos anteriores e havia sido citado por especialistas, o anúncio surpreendeu. Ele é apenas o segundo músico na história a vencer o prêmio — e o primeiro em 103 anos. Neste ano, nas casas de apostas londrinas, e também entre especialistas, os nomes fortes eram os de sempre, como o japonês Haruki Murakami e americano Philip Roth, além do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o.

“Ele é o grande poeta, um grande poeta dentro da tradição da língua inglesa. Um autor original que carrega com ele a tradição e está há mais de 50 anos inovando e se renovando”, disse a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, após o anúncio solene. Ela ainda comparou Dylan a gigantes da Antiguidade e citou um disco do músicos de 1966, Blonde on Blonde, de faixas como Visions of Johanna, Just Like a Woman, Rainy Day Woman e I Want You, relançada em português pelo Skank. “Se olharmos milhares de anos para trás, descobriremos Homero e Safo. Escreveram textos poéticos feitos para serem escutados e interpretados com instrumentos. O mesmo acontece com Bob Dylan. Pode e deve ser lido.”

De família judia, Bob Dylan nasceu em Duluth, Minnesota, em 1941, e foi criado na cidade de Hibbing, entre judeus de classe média. Sempre teve interesse por música e, na adolescência, fez parte de diversas bandas. Com o tempo, seu pendor pelo folk — especialmente por Woody Guthrie — e pela Geração Beat cresceu e moldou suas composições. Aos 20 anos, em um passo importante para dar início à carreira profissional, ele se mudou para Nova York e começou a se apresentar nos bares do efervescente Greenwich Village, bairro então tomado por hippies, cabeludos e outros representantes da contracultura. Foi logo descoberto pelo produtor John Hammond, com quem assinou contrato para o primeiro álbum, Bob Dylan, lançado em 1962.

Os anos seguintes seriam, como costuma ser para todo compositor e escritor, os mais vigorosos, criativamente, da sua carreira. Em 1965, ele lançou os discos Bringing It All Back Home e High-way 61 Revisited, em 1966 o já citado Blonde On Blonde, e, em 1975, Blood On The Tracks. A Academia Sueca também destaca, da sua obra, os discos Oh Mercy (1989), Time Out of Mind (1997) e Modern Times (2006). Em 2004, já com nove prêmios Grammy (hoje são doze), lançou uma autobiografia, Crônicas, publicada no Brasil pela Planeta.

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