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Posts tagged Nobel de Literatura

Os cinco livros mais importantes de Toni Morrison

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Toni Morrison: escritora produziu romances com temas tabus para a época (Timothy Greenfield-Sanders/Bloomberg)

Primeira negra a ganhar o Nobel de literatura, escritora morreu nesta terça-feira, 6, aos 88 anos

Publicado na Exame

Ganhadora de um Nobel de Literatura e de um Prêmio Pulitzer e uma gigante da literatura afro-americana, a escritora Toni Morrison tratou do legado da escravidão nos Estados Unidos com uma voz poética e ao mesmo tempo crua, influenciando gerações de autores.

Abaixo, algumas de suas principais obras:

‘O olho mais azul’ (1970)

Primeiro romance de Morrison, publicado ao 39 anos, este livro conta a história de uma garota negra na década de 1940 em Ohio, que sonha com ter olhos azuis. Para a menina, um sinônimo de brancura e de beleza em um mundo assombrado pela escravidão.

Vívido, sensível, mas também duro e sem filtros, o livro foi descrito pelo jornal “The New York Times” como “uma prosa tão precisa, tão fiel ao discurso e tão carregada de dor e assombro que o romance se torna poesia”.

À época, teve uma resposta ambivalente do público, com baixas vendas. Começou a ganhar reconhecimento, após ser incluída em uma lista de leitura de uma universidade.

Desde então, enfrentou desafios legais e chegou a ser banido em escolas de vários estados americanos por tratar de temas tabu como incesto e abuso sexual infantil.

‘Canção de Salomão’ (1977)

Segundo romance de Morrison, ganhador do prestigioso US National Book Critics Circle Award, mistura realismo mágico, folclore e sociologia para contar a história de uma adolescente que tenta esquecer de seu passado como uma escrava.

Apresenta um dos temas caros à escrita de Morrison: a complicada busca por identidade em um mundo hostil.

‘Amada’ (1987)

Com seu quinto livro, Morrison virou uma celebridade do dia para a noite, ao dramatizar a dolorosa história real de Margaret Garner, uma escrava fugitiva que matou a filha em 1856 para salvá-la de uma vida de servidão.

“É uma obra-prima americana, a qual repensa, de um jeito curioso, todos os grandes romances da época em que é escrito”, escreve A.S. Byatt, no jornal “The Guardian”, por ocasião do lançamento.

Em decisões polêmicas, “Amada” foi preterido em dois dos principais prêmios americanos da área ao ser publicado, levando 48 escritores a assinarem uma carta aberta na “New York Times Book Review”, denunciando o não reconhecimento de Morrison.

Em 1988, veio, então, o Prêmio Pulitzer, adaptado para o cinema dez anos depois como “Bem-amada”, estrelado por Oprah Winfrey como a mãe, Sethe.

‘Paraíso’ (1998)

“Paraíso” completou a trilogia de romances de Morrison, iniciada com “Amada” e seguida por “Jazz” (1992), desafiando a leitura dominante do passado, ao explorar, especificamente, a história afro-americana desde meados do século XIX até os dias atuais.

Primeiro livro escrito depois de ser agraciada com o Nobel de Literatura, em 1993, “Paraíso” apresenta seu típico estilo de múltiplas vozes narrativas com saltos temporais para abordar as causas de um brutal assassinato em uma cidade de Oklahoma nos anos 1970.

‘Voltar para casa’ (2012)

“De quem é esta casa?” é a pergunta que abre este romance, que trata de um outro tema recorrente no trabalho de Morrison: o que é um lar e como isso nos molda, ou nos dilacera.

Nele, conta a história de um rapaz nos seus 20 anos que volta para casa, em Seattle, depois de lutar na Guerra da Coreia. Um jovem que deixa “um Exército integrado” para retornar para “um país segregado”, como escreveu o jornal “The New York Times” em uma resenha na época do lançamento.

Academia sueca demite quatro membros após escândalo sexual

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Prédio da Academia Sueca em EstocolmoJONATHAN NACKSTRAND / AFP

 

Instituição também anunciou o adiamento do prêmio há poucos dias

Publicado na Gaucha ZH

A Academia sueca, que entrega o Nobel de Literatura, anunciou nesta segunda-feira (7) a demissão efetiva de quatro de seus membros, nomeados inicialmente perpetuamente, após o escândalo #MeToo que sacudiu a famosa instituição.

A instituição está mergulhada em uma crise desde novembro, quando, no contexto da campanha mundial contra abusos sexuais, o jornal sueco Dagens Nyheter publicou os testemunhos de 18 mulheres que afirmavam terem sido violentadas, agredidas sexualmente ou assediadas por Jean-Claude Arnault, uma influente figura da cena cultural sueca.

Arnault, marido francês da poetisa e membro da Academia Katarina Frostenson, negou as acusações. Essas revelações semearam polêmica e discórdia entre os 18 membros da Academia sobre como reagir e, nas últimas semanas, seis deles decidiram renunciar, incluindo a secretária permanente Sara Danius.

Dois membros já não participavam há tempos dos trabalhos, reduzindo a dez o número de acadêmicos ativos. Segundo o estatuto da Academia, são necessários ao menos 12 membros ativos das 18 cadeiras para eleger um novo membro.

O rei, padrinho da instituição, anunciou em 2 de maio uma modificação no estatuto: seus membros podem agora renunciar e, portanto, serem substituídos durante sua vida.

“Lotta Lotass, Klas Östergren e Sara Stridsberg solicitaram e foram autorizados de forma imediata a deixar a Academia sueca”, indicou a instituição em um comunicado.

O quarto membro, Kerstin Ekman, afastado desde 1989 depois que a Academia se negou a condenar naquele ano uma fatwa contra o escritor britânico Salman Rushdie, também foi autorizado a se demitir. Na sexta-feira, a Academia anunciou que o Nobel de Literatura de 2018 será adiado e entregue junto com o 2019, pela primeira vez em quase 70 anos.

Escândalo sexual atrasa Nobel de Literatura 2018, que será entregue em 2019

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Nas últimas semanas, seis membros decidiram renunciar, incluindo a secretária permanente Sara Danius. (foto: AFP)

Instituição que concede o prêmio está mergulhada em uma crise desde novembro, quando surgiram denúncias de assédio contra Jean-Claude Arnault

Publicado no UAI

A Academia Sueca anunciou, nesta sexta-feira (4), que o Prêmio Nobel de literatura 2018 será concedido no ano que vem, pela primeira vez em quase sete décadas, devido a um escândalo de estupro e agressões sexuais. “O Prêmio Nobel 2018 de Literatura será designado e anunciado ao mesmo tempo que o premiado de 2019”, anunciou a instituição em um comunicado.

Fundada em 1786, a Academia Sueca já suspendeu o prêmio sete vezes: em 1915, 1919, 1925, 1926, 1927, 1936 e 1949. “Em cinco dessas ocasiões, o prêmio foi adiado e entregue ao mesmo tempo que o prêmio do ano seguinte”, afirmou a Academia em um comunicado.

“Os membros ativos da Academia Sueca estão, é claro, plenamente conscientes de que a atual crise de confiança representa um importante desafio em longo prazo e requer um trabalho sólido de reforma”, afirmou o presidente permanente interino, Anders Olsson, citado no comunicado. “Acreditamos que seja necessário destinar tempo para recuperar a confiança pública na Academia antes que se possa anunciar o próximo ganhador”, afirmou.

FURACÃO A instituição está mergulhada em uma crise desde novembro, quando, no contexto da campanha mundial contra abusos sexuais, o jornal sueco Dagens Nyheter publicou os testemunhos de 18 mulheres que afirmavam terem sido violentadas, agredidas sexualmente, ou assediadas por Jean-Claude Arnault, uma influente figura da cena cultural sueca.

Arnault, marido francês da poetisa e membro da Academia Katarina Frostenson, negou as acusações. Essas revelações semearam polêmica e discórdia entre os 18 membros da Academia sobre como reagir e, nas últimas semanas, seis deles decidiram renunciar, incluindo a secretária permanente Sara Danius.

Além disso, outros dois membros não participavam há tempos dos trabalhos da Academia, o que reduzia para dez o número de acadêmicos ativos. Segundo o estatuto da Academia, pelo menos 12 membros ativos (do total de 18) são necessários para eleger um novo membro.

Em novembro, a Academia rompeu qualquer vínculo com Arnault e com seu centro cultural Forum, muito conhecido entre a intelectualidade de Estocolmo, e que também fechou suas portas após o escândalo. O Ministério Público da capital sueca anunciou em março que parte da investigação iniciada contra Arnault havia sido arquivada por prescrição do suposto crime, ou por falta de provas. Ele é acusado de ter cometido estupro e outras agressões sexuais em 2013 e 2015.

A Academia também é alvo de uma investigação financeira sobre a entrega de generosos subsídios ao centro Forum, do qual Arnault e sua mulher eram coproprietários.

SALMAN RUSHDIE Em 1949, quando o prêmio foi adiado pela última vez, a Academia alegou que, naquele ano, “nenhuma das candidaturas respondia aos critérios enunciados em seu testamento por Alfred Nobel”. Um ano depois, o escritor americano William Faulkner foi premiado para 1949. Segundo o estatuto da instituição, o prêmio pode ser reservado até o ano seguinte.

Em conversa com a AFP, Maria Schottenius, crítica literária do jornal Dagens Nyheter, fala de uma “sábia” decisão da Academia, que permitirá evitar “cadeiras vazias” e que a instituição “volte mais forte” no próximo ano.

Na quarta-feira (2), o rei da Suécia, Carlos XVI Gustavo, padrinho da instituição, anunciou uma modificação do estatuto: seus membros, eleitos de forma vitalícia, poderão renunciar e serem substituídos em vida. A nova medida não tem efeito retroativo.

A última vez que a prestigiosa instituição se viu afetada por uma onda de renúncias foi em 1989. Naquele ano, três membros decidiram deixar sua cadeira, furiosos com o fato de a Academia não apoiar publicamente o britânico Salman Rushdie, condenado à morte por seus “Versos satânicos”. A instituição acabou fazendo isso, mas apenas 27 anos depois.

Escândalo na Academia Sueca ameaça Nobel de Literatura

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Reunião anual da Academia Sueca em Estocolmo, em 2017

Renúncia de três membros em meio a alegações de corrupção, assédio sexual e quebra de confidencialidade abala instituição responsável por renomado prêmio. Dos 18 assentos do grêmio, apenas 13 seguem ocupados.

Bettina Baumann, no Deutsche Welle

“I’m leaving the table, I’m out of the game” (“Estou deixando a mesa, estou fora do jogo”). Foi com tais palavras do cantor e compositor Leonard Cohen que o escritor Klas Östergren se despediu, na semana passada, da Academia Sueca, que todos os anos concede o mais cobiçado prêmio literário do mundo. O problema é que outros dois membros do grêmio, Kjell Espmark e Peter Englund, fizeram o mesmo, colocando a capacidade de atuação do órgão em risco.

Dos 18 assentos da academia, apenas 13 continuam ocupados. Há alguns anos, outros dois membros já haviam se retirado devido a disputas internas. Outra integrante, a autora Sara Stridsberg, disse no final de semana que também considera parar de frequentar as sessões da instituição. Isso significaria que a academia, com seus 12 membros ativos restantes, não teria mais quórum para funcionar.

O que aconteceu?

No centro das discussões estão a escritora Katarina Frostenson e seu marido, o fotógrafo Jean-Claude Arnault. Ele é um dos nomes mais influentes na cena cultural da Suécia, também em decorrência de seu casamento com Frostenson, membro da Academia Sueca.

Devido a várias acusações, inclusive de corrupção, Frostenson deveria ter sido – mas não foi – excluída do órgão em uma reunião na última quinta-feira.

O que exatamente motivou os três membros – Östergren, Espmark e Englund – a deixarem a academia, não é certo, pois há que se respeitar a regra do sigilo. Espmark, no entanto, comentou a fracassada tentativa de exclusão de Frostenson da academia com a frase: “A amizade foi colocada à frente da integridade.” Tais palavras deixam claro o que fez com que ele – e provavelmente também seus outros dois colegas – tomasse a decisão de se retirar do grêmio.

No centro da polêmica: Katarina Frostenson e o marido, Jean-Claude Arnault

Frostenson, que é membro da Academia Sueca desde 1992 e, portanto, tem poder de voto na concessão do Prêmio Nobel de Literatura, é alvo de uma série de acusações. Uma delas é a de que teria violado a regra de confidencialidade ao revelar ao marido os nomes dos futuros ganhadores do Nobel de Literatura.

Além disso, descobriu-se que ela era sócia do clube de arte comercial particular do marido. A instituição recebia regularmente apoio financeiro da Academia Sueca, permitindo assim que, na prática, a escritora de 65 anos decidisse sobre doações para si mesma.

No próprio clube, também teriam sido cometidos delitos, tal como a distribuição ilegal de bebidas alcoólicas e fraude fiscal. Um escritório de advocacia a serviço da Academia Sueca chegou a propor que o clube fosse formalmente denunciado.

De assédio sexual a estupro

E como se tudo isso não fosse o bastante para desacreditar a até então prestigiosa academia do Nobel de Literatura, em novembro do ano passado, bem em meio ao debate da campanha #MeToo, também vieram à tona acusações de assédio sexual.

Dezoito mulheres afirmaram ao jornal sueco Dagens Nyheter terem sido assediadas pelo marido de Frostenson – e em um caso, até com relato de estupro. Muitos dos abusos teriam ocorrido no centro cultural de Arnault, cofinanciado pela academia, mas também em apartamentos em Estocolmo e Paris, que foram disponibilizados a ele pela Academia Sueca.

Arnault teria usado suas ligações com a instituição para pressionar as vítimas, dentre as quais estariam aspirantes a escritoras e ex-funcionárias do clube de arte. Ele nega todas as acusações.

Como a Academia Sueca lida com o caso?

Depois do escândalo, a secretária permanente da academia, Sara Danius, apontou um escritório de advocacia para investigar as alegações de obtenção de vantagens pessoais. A maioria das acusações contra Arnault, as quais perfazem um período de 21 anos, provou não ser passível de punição.

Já a questão de apropriação indevida de fundos continua sob investigação. Segundo a agência de notícias alemã DPA, conclusões são esperadas até o fim desta semana.

Na quinta-feira passada, a Academia Sueca submeteu à votação a exclusão de Frostenson. Contudo, a maioria necessária de dois terços não foi alcançada.

“Isso é extremamente lamentável, mas eu entendo a decisão”, comentou Danius ao periódico Svenska Dagbladet. Ela mesma havia defendido a exclusão de Frostenson.

O que será da instituição?

Após a tentativa fracassada de excluir a escritora, Englund, Espmark e Östergren disseram ter abandonado seus assentos na academia, mas isso, na verdade, não é permitido de acordo com o estatuto da entidade. Quem é eleito para a academia adquire o status de membro vitalício e pode decidir apenas não participar das sessões.

É possível, porém, que isso mude em breve. Danius anunciou que a possibilidade de deixar um assento no futuro será revista. “Se um membro quiser deixar a academia, isso deveria ser possível.”

Enquanto isso, a capacidade de atuação do importante órgão segue em risco. Caso Stridsberg ou outro membro da academia decida se afastar, a instituição deixará de ter quórum. Por outro lado, se Frostenson se retirar voluntariamente, há esperanças de que Englund, Espmark e Östergren reconsiderem sua decisão.

Juntamente com o rei sueco, Carl 16 Gustaf, Danius deve encontrar uma saída para a crise nos próximos dias. Considerado “alto protetor da academia”, o rei chamou o episódio de “um triste desdobramento”, mas se disse confiante de que tais problemas serão “resolvidos mais cedo ou mais tarde”.

Por que o Brasil nunca ganhou o Nobel de Literatura? Mas ele merecia um?

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Quadro de Militão dos Santos.

Quadro de Militão dos Santos.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Por que o Brasil nunca ganhou um Nobel? Essa pergunta sempre ressurge em outubro, quando a Academia Sueca anuncia os vencedores do ano nas seis categorias do prêmio: Física, Química, Medicina, Literatura, Ciências Econômicas e Paz. Bom, como ninguém sabe exatamente quais são os critérios adotados por aqueles que escolhem os premiados, posso especular os motivos pelos quais ninguém do país foi agraciado até aqui – focarei na Literatura, mas os pontos podem ser estendidos para as outras áreas nobelizáveis, creio.

A primeira questão é a nossa língua. Apesar de o português, língua nativa de mais de 250 milhões de pessoas, ser o sexto idioma mais falado do mundo, apenas 10,3 milhões dessa gente está em um país mais ou menos central no panorama global, em Portugal. E digo mais ou menos central porque está na Europa, mas longe de ter a mesma relevância de uma Alemanha, França ou Itália – consequentemente, a língua passa a ter impacto menor do que, respectivamente, o alemão, o francês ou o italiano.

É sabido que um autor finlandês, por exemplo, prefere ter seu livro traduzido para o alemão, francês ou italiano. Isso porque estar nessas línguas aumenta as chances dele ser visto como um escritor incontornável – basta ver Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Gabriela Mistral e outros premiados latino-americanos que escrevem ou escreviam em espanhol, idioma também de relevância considerável. Claro que há premiados do Nobel que escreviam em línguas “menos badaladas”, como o egípcio Naguib Mahfouz (árabe) e, óbvio, José Saramago, o único a levar o galardão cunhando palavras em português, mas esses são exceções.

Junte a língua à posição global do Brasil e o problema aumenta. Se o português não é uma língua central, tampouco somos um país que chama grande atenção no globo – em que pese continuarmos entre as maiores economias da Terra, ninguém liga para o que acontece no pasto. Principalmente em termos culturais, ainda nos veem por aí como uma caricatura: samba, carnaval… Isso faz com que seja ainda mais difícil notarem nossas virtudes literárias, que obviamente existem.

Exemplos de brasileiros que poderiam ter levado o Nobel? Jorge Amado (talvez o que tenha chegado mais perto por conta do sucesso que ainda faz no exterior), Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e Ariano Suassuna. Dentre os vivos (e, portanto, virtualmente na disputa), Lygia Fagundes Telles, cogitada há algum tempo, e o outrora recluso Raduan Nassar são opções consideráveis. Todos esses nomes são escritores melhores do que Svetlana Alexievich, por exemplo, a premiada em 2015. No entanto, vale lembrar que diversos gênios das letras jamais foram agraciados pela Academia Sueca, como Jorge Luis Borges, Liev Tolstói, Marcel Proust, Virginia Woolf e James Joyce.

O Brasil merece um Nobel de Literatura?

O prêmio é entregue a escritores, não a países – em que pese a língua e a nação ajudarem e evidenciar ou ocultar esses escritores. Apesar disso, quando alguém ganha o Nobel, automaticamente é dito que o prêmio foi para tal país. Sim, já disse que temos autores que mereceriam o galardão, mas agora mudo ligeiramente a pergunta: o Brasil é um país que merece o Nobel de Literatura?

Apesar de dados indicarem que mais da metade da nossa população tem o hábito de ler livros, o que vemos na prática não costuma corresponder aos números. Além disso, quase 50% desses que dizem ler costumam ter a “Bíblia” como leitura. A tiragem de livros literários no país – que gira em torno de 3000 exemplares ou menos – dá uma dimensão melhor de como o brasileiro se relaciona com tal arte. Não bastasse, o governo vem investindo cada vez menos na área e anunciou há pouco que não fará editais para a compra de obras literárias para escolas e bibliotecas em 2018. Dito isso, repito: o Brasil é um país que merece o Nobel de Literatura?

É algo que extrapola a premissa do prêmio em questão – que, recordo, teoricamente congratula o trabalho do indivíduo, não o que está ao seu redor -, mas me parece que somos um país mais preocupado em ter por ter um Nobel do que em conquistá-lo, do que em merecê-lo. Mesmo com esse cenário calamitoso, não há dúvidas de que nossos políticos se aproveitariam de um galardão desses para tentar vender a ideia de um país de leitores e altamente preocupado com as artes – o que, até pelos últimos medievalismos envolvendo museus, sabemos ser mentira. Olhando por esse aspecto, por ora é até melhor que o Nobel fique longe do Brasil.

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