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‘Não sou nenhum gênio, apenas me dediquei’, diz estudante do Rio com nota mil na redação do Enem

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Formada em Direito pela Uerj, Luciana agora vai estudar Medicina (Foto: Carlos Brito)

Formada em Direito pela Uerj, há pouco mais de dois anos, jovem de São Cristóvão agora vai cursar Medicina. ‘Quase não acreditei’, disse estudante ao G1.

Publicado no G1

Se o encerramento de 2015 representou o fim de uma jornada para seus colegas, para Luciana Santos, de 26 anos, o período marcou o início de uma nova caminhada. Ela havia acabado de se formar em Direito pelo Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) quando decidiu: iria estudar Medicina. O desejo nasceu do convívio com o namorado e também com a melhor amiga, ambos médicos.

A vontade se tornou concreta depois do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 – Luciana foi uma das 53 pessoas em todo o território nacional a alcançar os 1 mil pontos na prova de redação, cujo tema foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

“Quando vi o resultado, quase não acreditei. Estava no carro do meu namorado e dei um grito. Eu li muito durante a faculdade de Direito e é claro que isso me ajudou, mas as técnicas que aprendi durante o curso de preparação foram muito importantes para eu me desenvolver. Não sou nenhum gênio, apenas me dediquei muito e estudei bastante”, disse Luciana, que estudou no curso pH.

O período de estudos veio logo após a formatura em Direito. Determinada a cursar Medicina, trabalhou durante pouco mais de um ano em um escritório de advocacia, juntou todo o dinheiro que conseguiu, pediu demissão e, a partir daí, dedicou-se à preparação.

Frequentava o curso todas as manhãs. Depois, voltava para casa no início da tarde e continuava estudando até o fim da noite. O plano foi traçado com cuidado e para colocá-lo em prática, ela contou com o apoio da família, ainda que, em um primeiro momento, tenha haviado um momento de estranhamento.

“A princípio, minha família não entendeu. Afinal, eu havia acabado de me formar em Direito na Uerj e deveria estar mais preocupada em entrar e permanecer no mercado de trabalho. Mas eu estava determinada a me tornar uma médica e acho que todos entenderam isso. A partir daí, todos passaram a me apoiar”, relembrou Luciana, que é moradora de São Cristóvão e a primera pessoa da família a ter chegado à faculdade.

Plágio também vale? Decorar frases prontas vira estratégia para redação do Enem

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Marlene Bergamo/Folhapress

Marlene Bergamo/Folhapress

Ana Carla Bermúdez, no UOL

O formato previsível e a importância que a redação tem para a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) estão fazendo candidatos recorrerem a fórmulas prontas e até decorarem trechos de textos de professores para usar em suas redações. Mas essa prática abre um debate: existe limite entre inspiração e plágio?

O modelo de redação cobrado pelo Enem ao longo dos anos costuma ser sempre o mesmo: um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, com introdução, desenvolvimento e conclusão, que deve propor uma solução ao problema apresentado.

Saber lidar bem com esse formato e garantir uma boa nota na redação pode ser algo decisivo para o aluno na hora de obter uma boa colocação no Enem — o exame que avalia os estudantes que estão concluindo o ensino médio e pode garantir vagas nas principais universidades do país.

Uma das redações que tirou nota mil (a nota máxima) na última edição do Enem, por exemplo, tinha partes praticamente idênticas a outros dois textos: uma redação nota mil do Enem 2015 e um texto feito para o Enem de 2014 pelo professor Rafael Cunha, do curso de educação à distância Descomplica.

“É absolutamente normal que alguém se inspire em algo que já deu certo”, diz Cunha. O professor afirma, no entanto, que existe um limite para isso: “ele me parece ser ultrapassado quando são utilizadas exatamente as mesmas palavras que o autor original. Mas, ao mesmo tempo, as regras permitem que isso aconteça, então não vejo maiores problemas”, diz.

“É claro que, em um mundo utópico, o ideal seria o aluno fazer um texto autoral, tendo plena autonomia para exercitar aquilo ali que é pedido. Mas, na realidade, não é o que acontece”, afirma Gabriela Carvalho, coordenadora de redação do curso Poliedro.

“Quando vou tentar convencer meus alunos a não copiarem, eu pergunto: como vocês vão decorar e lembrar dessa frase? E como vão ter certeza de que ela vai caber no tema que cair?”, afirma Gabriela.

Ela conta que a cópia é uma tática recorrente entre os alunos, que têm o hábito de fazer redações ao estilo “Frankenstein”: ou seja, pegando trechos de um ou mais textos diferentes. “Eles estudam a redação acima da média como fórmula e realmente decoram as frases”, afirma.

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Modelo “mecânico”

Para o professor Cunha, é preciso questionar o modelo de redação proposto no Enem, que é “quase uma receita de bolo a ser seguida”. Segundo ele, isso faz com que os alunos acabem refletindo menos, o que levaria a um preparo mais “mecânico”.

Eduardo Calbucci, professor do curso Anglo, afirma que “o texto não pode ser uma colagem de partes feitas por outras pessoas”, mas defende: “o aluno inevitavelmente vai (fazer o exame) com uma estrutura mais ou menos pensada, porque senão seria impossível fazer a redação em quarenta minutos, uma hora. Não é receita de bolo, é apenas um ponto de partida”.

Para Gabriela, o problema vem de uma estrutura ainda maior. “Você tem corretores que estão fazendo uma correção mecânica porque precisam de dinheiro e, ao mesmo tempo, um aluno que está em uma sociedade com poucas vagas universitárias e quer se livrar dessa desgraça que é prestar vestibular”, afirma.

A professora diz que o aluno acaba repetindo a maneira com que estuda as outras matérias, como química ou matemática, por exemplo, nas quais a forma mais comum de se ensinar seria copiando e resolvendo exercícios. “Ele (aluno) está muito habituado à ideia de fórmula pronta e cópia. Então, ele acaba não percebendo nenhum problema moral ou educacional”, afirma.

Cópia da cópia da cópia

O plágio, segundo os professores ouvidos pelo UOL, acontece há muito tempo e em muitos vestibulares. “Eu aposto que existem centenas, talvez milhares de redações feitas no Brasil feitas por professores que vão conter trechos que vão ser copiados por alunos”, afirma Cunha.

Mas, para Gabriela, a origem do problema é social. “As pessoas ficam chocadas, mas elas não percebem que nos próprios comentários que fazem no dia a dia elas são incapazes de produzir pensamentos e argumentos próprios”, afirma.

O plágio nos vestibulares, segundo ela, tende a não ser notado, pois é bastante difícil que o corretor consiga conferir se há cópia em um texto desse tipo.

Mas Calbucci afirma: “se isso escapa às vezes no Enem, é sinal de que os corretores são muito pressionados a corrigir muitas redações em pouco tempo”.

“Isso vai dar problemas mais para a frente, quando a pessoa já estiver na faculdade, por exemplo. Ela vai ter que escrever muito e aí vai perceber a importância desse processo de fazer um texto”, afirma Gabriela.

Ela ressalta: “se a gente tem a possibilidade de ajudar o aluno, só sendo muito honesto com ele. É dizer: você faz parte do problema, mas também da solução”.

Saiba como uma estudante gaúcha alcançou a nota mil na redação do Enem

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Izadora Peter Furtado, 17 anos, foi uma das 104 pessoas no país que chegaram à nota máxima na dissertação do exame

Izadora Peter Furtado, 17 anos, foi uma das 104 pessoas no país que chegaram à nota máxima na dissertação do exame

 

Fernanda da Costa, no Zero Hora

Quando os olhos da pelotense Izadora Peter Furtado, 17 anos, passaram pelo tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015, o nervosismo se transformou em alívio. Não era a primeira vez que a estudante teria de dissertar sobre o assunto da violência contra a mulher, que ela também acompanhava pela mídia. O conhecimento rendeu frutos: a adolescente conquistou nota máxima na prova, mérito de apenas outros103 candidatos no país.

A nota mil é fruto de muita preparação. Amante dos livros desde criança, Izadora herdou dos pais o prazer pelas palavras. De tanto ver o casal com livros, nunca saiu da biblioteca da escola de mãos vazias. Queria seguir o exemplo.Outra vantagem foi ter um pai formado em Letras, que hoje atua como gerente comercial, a quem recorria na hora das dúvidas.

– Desde pequena, eu fui muito incentivada pelos meus pais a ler bastante. Via eles com livros e sentia vontade de ler também. Então, fui cultivando o hábito na escola – conta.

Não há um escritor favorito na lista da adolescente. Ela afirma ser eclética nas escolhas dos autores, mas costuma optar por romances e suspenses.

– A leitura, de forma geral, auxilia na interpretação além do que está escrito e na questão da linguagem, da norma culta padrão. Isso é essencial para todo mundo, é algo enriquecedor – observa a jovem.

Confira as dicas de um dos candidatos que gabaritaram matemática no Enem

No último ano, Izadora passou a exercitar a redação com foco no Enem. Na escola particular, produzia textos a cada duas semanas. No cursinho preparatório, que frequentou de junho a outubro, escrevia uma vez por semana.

– Eu sempre me saía bem, tirava entre 920 e 960, mas nunca tinha tirado nota máxima. Tanto na escola quanto no cursinho, dificilmente davam nota máxima, para poder cobrar mais. Sempre diziam algo que eu podia arrumar, como trocar um pronome, por exemplo.

No cursinho, uma das primeiras atividades propostas à adolescente foi fazer a introdução de uma redação para 12 temas distintos, entre eles o feminicídio. Quando leu a proposta do Enem, de escrever sobre a “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, lembrou do exercício. Seguiu a orientação dos professores, de começar pelo rascunho da redação, quando a cabeça estava “fresca”. Depois, resolveu a prova de linguagens, área em que tem mais habilidade. Na sequência, releu o rascunho da redação com calma, fez alterações e passou o conteúdo a limpo. A prova de matemática ficou por último.

– Meu foco principal foi abordar o argumento histórico, a origem dessa violência. Desde cedo a mulher foi submissa, teve o direito do voto muito depois dos homens, não podia escolher a própria roupa. Não fiquei apenas na violência física, mas na violência em geral – conta a aluna.

Quando saiu da prova, Izadora sentiu-se insegura sobre o resultado da redação. Disse nunca ter imaginado que poderia atingir o patamar máximo. Na segunda-feira, ficou sabendo de outra conquista: foi aprovada em primeira chamada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o curso de Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que planejava cursar desde o primeiro ano do Ensino Médio. Descobriu a profissão em palestras na escola e por meio de conversas com recém-formados.

– É um curso bem amplo, que atinge desde questões agrícolas à área da saúde. Meu interesse maior é pela pela área da saúde – conta a adolescente.

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Paixão por livros une alunos ‘nota mil’ no Enem

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Estudantes que tiraram a nota máxima na redação do Enem (Foto: G1)

Estudantes que tiraram a nota máxima na redação do Enem (Foto: G1)

Paula Sperb e Daniela Mercier, na Folha de S.Paulo

A paixão pelos livros é uma característica em comum de estudantes que conseguiram tirar a nota máxima na redação do Enem em 2014.

Ao todo, apenas 250 obtiveram os mil pontos da prova, entre os mais de 6 milhões de candidatos em todo o país. Cerca de 1 em cada 25 mil.

Curiosamente, esse é o número de habitantes da pequena Veranópolis (a 126 km de Porto Alegre), de onde saiu um dos textos “impecáveis”.

A autora dele é Taiane Cechin, 17. Filha de uma professora de português, a jovem se formou no colégio privado Regina Coeli no ano passado, mas fez o ensino fundamental em uma escola municipal, a Irmão Artur Francisco.

Incentivada pela mãe, Taiane se apaixonou pela leitura. “Adquiri esse prazer por frequentar a biblioteca da escola. Mas não só em busca do conteúdo das aulas, mas de conhecimentos gerais”, conta ela, que quer ser médica.

Entre os livros preferidos da garota estão as séries “O Senhor dos Anéis” e “Crônicas de Gelo e Fogo”.

Por coincidência, os autores J. R. R. Tolkien e George R. R. Martin também são os favoritos de Luis Arthur Novais Haddad, 19, que escreveu outra redação nota mil.

Morador de Juiz de Fora (a 255 km de Belo Horizonte), ele sempre estudou em escola particular (o Santa Catarina) e, agora, tentará uma vaga em engenharia elétrica em instituições federais.

Além de ler bastante, “para ter vocabulário”, o jovem se preparou para o exame com aulas extras de redação. Com as tarefas do colégio, fazia dois textos por semana.

“Diziam que eu escrevia bem. Mas, quando soube que foram só 250 [pessoas com a nota máxima], não esperava estar entre elas”, conta.

Em São Paulo, o estudante Luiz Montenegro, 19, aluno do colégio Bandeirantes (zona sul), chegou muito perto da nota máxima: fez 980.

“Sempre li bastante e tive facilidade para escrever. Sei que, como médico, a escrita será muito importante para mim”, diz o fã de Dan Brown (“O Código Da Vinci”).

dica do Rodney Eloy

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