Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Notar

Poesia de Drummond ajuda a entender assuntos de português

0

Professor Nestor Accioly interpretou a poesia “Caso Pluvioso”.
Boa interpretação começa com a leitura do título do texto.

Publicado por G1

1A poesia de Carlos Drummond de Andrade, além de encantar quem a lê, pode servir para a explicação de conceitos de análise sintática, morfológica e interpretação de texto da língua portuguesa. Nesta quarta-feira (11), o professor Nestor Accioly mostrou detalhes do poema “Caso Pluvioso”, na reportagem do Projeto Educação.

Uma boa interpretação de texto começa com a leitura do título. Em “Caso Pluvioso”, já podemos notar a relação com a água. “A leitura do título é fundamental porque, se você entende bem o título, você vai começar a entrar no texto com muito mais cuidado. [O título é formado por] um substantivo e um adjetivo. São chamados de nomes e há uma concordância nominal”, destacou o professor.

Há muito mais nos versos que se seguem. “A chuva me irritava”. Nestor Accioly explica: “Eu tenho um sujeito, ‘chuva’, com um adjunto adnominal, ‘a’. Tenho um verbo transitivo direto, ‘irritar’, e tenho o pronome ‘me’, usado em próclise, que funciona como objeto direto”.

Professor Nestor Accioly ajudou na interpretação (Foto: Reprodução / TV Globo)

Professor Nestor Accioly ajudou na interpretação
(Foto: Reprodução / TV Globo)

O poema continua até uma de suas mais famosas frases: “Até que um dia descobri que maria é que chovia.” “’Até que um dia’ dá um elemento temporal. Em ‘descobri’, veja que o eu lírico está usando a primeira pessoa, então há a função emotiva da linguagem. E descobri o que? Que maria é que chovia. Observe que esse ‘é que’ não tem valor nenhum, a não ser o de embelezar a frase. O verbo ‘chover’ é intransitivo, não precisa de complemento, se basta, é completo. E é impessoal, não possui sujeito. Mas veja o que Drummond diz, ele pessoaliza o verbo: ‘maria é que chovia’. Mas o verbo ‘chover’, como indica fenômeno da natureza, é um verbo impessoal”, disse o professor.

No verso “A chuva era maria”, encontra-se uma estrutura de equivalência. E também é preciso perceber que a palavra ‘maria’ aparece escrita com letra minúscula. “Quando estou estudando poesia, estou estudando uma arte fonética. A poesia é para ser ouvida, como a música também. Mas a poesia, neste caso, está sendo lida. Então, “Maria”, para quem está ouvindo, é um substantivo próprio. Mas, quando eu vou ler, ou seja, partir de uma arte fonética para uma arte visual, vejo que ‘maria’ está com letra minúscula. ‘Maria’ é substantivo próprio, mas é um nome comum. Então, quando ele disse que ‘maria é que chovia’, posso entender que ‘maria’ representa qualquer mulher que machuca a vida do sujeito”, destacou Nestor Accioly.

O professor ainda revelou que essa passagem de Drummond não é machista, que pode ser aplicada aos homens também. Afinal, no poema em que o escritor diz: “E agora, José?”, a palavra “José” se refere à situação dos seres humanos em geral.

Preço do Livro no Brasil sobe após 9 anos de queda e Mercado Editorial encolhe

0

1

Gustavo Magnani, no Literatortura

O título pode gerar certa ambiguidade e dar a entender que o mercado editorial encolheu porque o preço do livro aumentou. A resposta direta para esse questionamento é não, não foi esse o motivo. A principal razão foi o fato do Governo ter comprado menos exemplares do que em 2011 – e isso mostra o quão dependente do Estado ainda são as editoras.

Mas, antes que alguém taque pedras no governo, é necessário explicar que em 2011 houve uma grande compra e 2012 foi o ano apenas de “‘preencher” lacunas e reabastecer livros.

A pesquisa ao qual baseio-me é a última edição da “Produção e e vendas do setor editorial brasileiro”, encomendada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a qual tem periodicidade anual e serve como parâmetro para analisar o mercado editorial brasileiro, suas tendências e seu funcionamento. Possivelmente, devo fazer mais matérias em cima desses números. Hoje pretendo me focar na diminuição do mercado e no aumento do preço dos livros.

Para isso usarei como texto base a matéria publicada no Oglobo. Todas as falas de especialistas foram retiradas de lá.

Quanto ao que já citei do mercado:

— A queda faz parte do ciclo normal dos programas do governo. Um ano eles compram muito, no outro são só reposições — diz Leonardo Müller, coordenador da pesquisa.

Porém, é interessante notar que o faturamento aumentou. Todavia, o número de exemplares diminuiu. Como isso é possível? Precisamos de outro fator, portanto, para que o faturamento tenha crescido. E eis o lamento para nós, consumidores: o preço do livro aumentou.

Mas, continuemos no mercado. Em suma:

As vendas diminuíram 7,36%.

A produção de livros diminuiu em 2,91%

O faturamento aumentou em 3,04%.

Ou seja, mesmo com a queda de produção e de vendas, o faturamento aumentou.

Explicação: preço dos livros aumentou (a ser tratado abaixo)

Ora, como, portanto, é possível que o mercado tenha encolhido? E aí entra outro fator, geralmente deixado de lado em uma análise mais detalhada: inflação.

O mercado encolheu porque a inflação da área cresceu mais do que o faturamento. Ou seja, a porcentagem do aumento de faturamento foi interior ao crescimento da inflação. Assim, é verdade que o mercado “cresceu” (aparentemente), mas não o suficiente para acompanhar a inflação. Ou seja, no final, a inflação venceu o faturamento e o mercado encolheu 3,04%, para ser mais exato, como pode conferir no gráfico abaixo:

1

PREÇO DOS LIVROS:

Como puderam ver, os livros tiveram um aumento razoável de 2011 para 2012, de aproximadamente 12,46% (um valor bastante razoável). É muito interessante a brusca queda de 41% em 9 anos, porém, o preço continua salgado para o brasileiro, principalmente quando se tratam se autores super valorizados, como Stephen King e até clássicos como Gabriel García Márquez (livros de 120 páginas custando 40 R$!).

Mas, em média, colocando tudo nos panos quentes, o valor do livro pulou de R$ 12,15 para R$ 13,66. Um aumento de R$ 1,51. É necessário, obviamente, lembrar que ele valor é antes dos exemplares chegarem às livrarias, o que costuma ser metade do preçofinal (nem sempre, como no caso de Gabo, King e tantos outros). Ou seja, se calcularmos baseado na exata metade, o livro teria um salto de R$ 24,30 para R$ 27,32!

Produto antes das livrarias: R$ 12,15 (2011) -> R$ 13,66 (2012)

Produto nas livrarias: R$ 24,30 (2011) -> R$ 27,32

Um salto bastante considerável.

— Tem um momento em que não dá para sustentar essa redução. Temos uma alta nos insumos do livro, como o papel. Os adiantamentos de direitos autorais também estão crescendo — diz Sônia (Sônia Jardim, presidente da SNEL).

— A queda é causada pela chegada das edições mais baratas, como os livros de bolso. Mas há outros atores na cadeia do livro. Embora os números indiquem que o preço caiu, esse não é um índice de inflação — diz Leonardo Müller.

Interessante notar, também, que os livros didáticos e religiosos tiveram o maior aumento entre os gêneros.

Respectivamente: R$ 19,62 para R$ 24,10; R$ 5,29 para R$ 6,26.

Valores acima da inflação, tendo sido os principais a alavancarem a subida de toda a pesquisa. O crescimento dos religiosos pode parecer insignificante (0,97 centavos), mas em porcentagem chega a quase 20%! Já os didáticos possuem um resultado direto bastante grande: mais de quatro reais e também mais de 20%!

Ou seja, o crescimento neste segmento não se fixou, de maneira alguma, apenas à inflação. Infelizmente, a tendência é de que os preços continuem subindo, ainda mais num ano bastante complicado como 2013 para a o controle inflacional. O panorama não é dos melhores para o Mercado editorial brasileiro, mas também não é dos mais obscuros.

Espero que tenham gostado e compreendido a análise que propus aqui. Como já disse, mais matérias sobre a pesquisa devem ser publicadas nesses dias. Deixe seus comentários e fique de olho no site.

Sujeito que apelidou Brasil de “país do futuro” se matou, diz autor

0

Publicado na Folha de S.Paulo

Ioschpe traça um panorama sobre o sistema educacional brasileiro

Em “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, Gustavo Ioschpe afirma que, graças às condições atuais da educação, “o sujeito que apelidou o Brasil de ‘país do futuro’ se suicidou”.

A edição reúne artigos publicados na revista “Veja”, entre julho de 2006 e setembro de 2012, que apresentam o que o autor considera uma crise no sistema educacional brasileiro, tanto público quanto privado.

Segundo ele, salário de professores ou volume de investimento em educação não levará a uma melhora da qualidade do ensino no país.

Ioschpe deixa de lado as discussões filosóficas e ideológicas e foca em práticas e resultados.

Abaixo, leia um trecho de “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”.

1. A falência da educação brasileira

O sujeito que apelidou o Brasil de “país do futuro” se suicidou. Não é uma condenação, mas não deixa de ser um indício. Se Stefan Zweig estivesse vivo hoje, provavelmente se mataria de novo ao notar quão distante da realização sua profecia se encontra, mais de sessenta anos depois. Nosso futuro está penhorado porque não cuidamos do patrimônio mais importante que um país tem: sua gente. Se dependermos da qualificação dela para avançarmos, tudo leva a crer que continuaremos vendo os países desenvolvidos de longe e que, assim como a geração anterior viu o Brasil ser ultrapassado pelos tigres asiáticos, a nossa irá testemunhar a passagem de China, Índia e outros países menores. Enquanto os países de ponta chegam perto da clonagem humana, nós ainda não conseguimos alfabetizar nossas crianças.

Não é exagero, infelizmente. O último levantamento do Inaf (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Deixe-me repetir: três quartos da nossa população não seria capaz de ler e compreender um texto como este. Na outra grande área do conhecimento, a Matemática, a situação é igualmente desoladora: só 23%, segundo o mesmo Inaf, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para entender gráficos e tabelas.

Esses indicadores são o produto final de um sistema de educação que apresenta deficiências, de modo geral, em todas as etapas do ensino, em todo o país (ainda que as tradicionais diferenças regionais também se manifestem na área educacional) e tanto nas escolas públicas como nas privadas. É um quadro que não pode ser creditado ao nosso subdesenvolvimento, pois países muito mais pobres tiveram (Coreia) e têm atualmente (China) desempenhos muito melhores que os nossos. Na área da educação, especialmente de ensino básico, nossos pares são os países falidos da África subsaariana.

O exemplo mais claro dessa falência é também o mais preocupante, por estar na origem de todo o sistema: o nosso índice de repetência nos primeiros anos. Segundo os dados mais recentes da Unesco, 31% de nossos alunos da primeira série do ensino fundamental são repetentes. Na nossa frente, apenas as seguintes “potências”: Gabão, Guiné, Nepal, Ruanda, Madagascar, Laos e São Tomé e Príncipe. A taxa da Argentina é de 10%, a da China e da Rússia de 1%, a da Índia de 3,5% e de praticamente zero nos países industrializados da OCDE.

Na segunda série, temos mais 20% de repetentes. É possível, portanto, que metade dos alunos que adentram nossas escolas tenha repetido uma série já no segundo ano de ensino. Isso não é apenas preocupante pelo efeito que a repetência tem na autoestima dos alunos, nem pelo custo bilionário a mais gerado por eles. O que mais inquieta é: imagine a qualidade de um sistema de ensino que reprova a metade dos seus alunos justamente na fase onde se transmite o conhecimento mais básico, de ler e escrever; que torna eliminatório um período que é meramente um rito de passagem nos outros países.

Se não conseguimos alfabetizar, conseguiremos ensinar Matemática, Química, Geografia? Conseguiremos ensinar nosso aluno a pensar? Conseguiremos torná-lo um cidadão consciente? Claro que não. Não conseguimos nem mantê-lo na escola até o seu término. A má qualidade perpassa todo o sistema. (mais…)

Go to Top