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Novas tecnologias, velhos hábitos: smartphones impulsionam a leitura de livros físicos

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pedrosimoes7 | Flickr

pedrosimoes7 | Flickr

Rodolfo Viana, no Brasil Post

Um debate que se arrasta nos últimos anos é sobre a possível “morte” do livro físico — sobretudo dos grandes romances — diante das novas tecnologias. Afinal, com o universo digital tão presente em nossas vidas, somos seduzidos pela distração a ponto de não mais conseguirmos dissociá-la de uma atividade que demande concentração, como a leitura.

O escritor Will Self decretou a morte do romance no Guardian, em artigo de maio de 2014. Ele justifica o óbito: “A marca da nossa cultura contemporânea é uma resistência ativa à dificuldade em todas as suas manifestações estéticas.” Ele tem razão quanto à “resistência ativa à dificuldade”, e um exemplo claro disso foi o caso da escritora Patrícia Secco, que queria simplificar clássicos da nossa literatura. Ler Machado de Assis se tornou algo hercúleo.

Ler não é passar os olhos sobre palavras, mas sim o exercício de criar ligações cognitivas baseando-se nos signos. As palavras em si nada significam: elas ganham alma apenas quando nós conseguimos, a partir delas, criar mundos na mente. Isso demanda um tempo que, hoje, não temos. E não temos porque desperdiçamos mais e mais segundos com meras distrações. O ser humano é basicamente um ser de desperdícios. Temos interesse no acúmulo e queremos mais de tudo; mas, no final das contas, somos apenas um e não temos como consumir tudo. Queremos tudo porque somos finitos. As coisas não acabam; nós, sim.

Mas há uma luz.

A ascensão do digital faz com que mais pessoas busquem livros físicos. Sério. Um relatório da Biblioteca Britânica mostra que o aumento do público no último ano foi de aproximadamente 10%. A visitação cresceu de 1,46 milhão em 2013 para mais de 1,61 mi em 2014.

“Quanto mais as nossas vidas estão ligadas a uma tela, mais percebemos o valor de encontros humanos e artefatos físicos reais: as atividades em cada ambiente alimentam o interesse no outro”, diz o relatório.

Depois da divulgação do documento, Roly Keating, chefe executivo da Biblioteca Britânica, apresentou os dados e disse: “As pessoas me perguntam — talvez mais do que eu poderia esperar —: ‘na era do Google e de grandes ferramentas de busca e de grandes telas, a ideia de uma livraria ainda faz sentido?’ O que nós coletivamente acreditarmos ser o propósito de uma livraria determinará sua sobrevivência nos anos futuros.”

Então talvez seja um pouco cedo para “matar” o livro físico.

Projeto The Dream School

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Projeto The Dream School – você gostaria de nos ajudar a construir a melhor escola do mundo?

Marcel Kampman, no Projeto Draft

Marcel Kampman

Marcel Kampman, que esteve no Brasil para o lançamento do Draft, idealizador do projeto The Dream School

Uma vez eu fui convidado a dar uma palestra sobre tecnologia e seu impacto nos jovens. O pedido era que eu falasse sobre como podemos usar a tecnologia para evitar o êxodo das cidades menores para as metrópoles, mantendo os jovens em suas comunidades, e usando a tecnologia para ajudar a resolver problemas locais. Minha carona até o lugar da palestrar era Peter, o diretor de uma escola.

Eu lhe contei o que fazia. E então me disse o que estava fazendo em sua escola – um MacBook por criança, projetos para personalizar a educação e a construção de uma escola totalmente nova, com a participação de toda a equipe.

Em minha palestra eu havia mencionado alguns trechos da palestra de Ken Robinson no TED, o que realmente tocou Peter. Eu estava tão movido por sua ambição e por sua paixão que me ofereci para ajudá-lo. Convidei Peter a participar da Creative Company Conference. Ele comprou The Element: How Finding Your Passion Changes Everything, livro de Ken Robinson, para a sua equipe inteira. Desde então, tivemos muitas conversas, nos conhecemos melhor e começamos a sonhar com a escola ideal. Decidimos partir atrás de uma meta ousada, e também de um belo sonho: criar a melhor escola para a Holanda (e talvez até mesmo para o mundo).

Ambicioso? Claro. Mas eu prefiro alcançar metade de uma meta grande do que não tentar. Temos uma excelente oportunidade para trabalhar em todos os aspectos da educação – desde o jeito de ensinar, métodos de aprendizagem, uso de novas tecnologias, até um novo campus que será construído e que também poderá incluir uma estrutura para todos os tipos de esportes, um teatro e talvez até mesmo uma Apple Store. É o único lugar na Holanda onde há liberdade para trabalhar em todos os níveis, onde podemos contribuir de verdade. E, mais importante, criar um modelo para uma escola para educar crianças dos 12 aos 20 anos.

DreamSchool

Reunião de talentos discutindo que cara teria a escola ideal. Onde você poderia, talvez, assistir ou ministrar aulas descalço.

Uma vez que muitas decisões ainda precisavam ser tomadas, pensei que seria uma boa ideia chamar uma grande variedade de pessoas para pensar em como usar essa oportunidade de repensarmos o sistema de ensino. Não queríamos entregar apenas uma nova escola – mas um lugar que também pudesse inspirar outras pessoas a criarem lugares onde os jovens possam ser educados em vários níveis, de modo a se tornarem o que são e não o que queremos que eles sejam.

Então, enviei um e-mail a Peter com essa proposta e comecei a convidar pessoas para nos ajudar a pensar como seria a escola dos sonhos, se elas tivessem a oportunidade de construí-la de verdade. Como seria o edifício dessa escola ideal – ou mesmo se ela deveria realmente aconteceu num edifício? Quais seriam os métodos de aprendizagem, e o papel dos professores? Continuaríamos educando para os postos de trabalho existentes ou para futuros empregos que ainda não existem? A “The Dream School” deveria ser um bootcamp para a vida ou a preparação para o mercado de trabalho? Qual deveria ser o papel da tecnologia, da aprendizagem compartilhada, dos jogos etc.

Em uma semana, uma reunião com algumas pessoas fez nascer o projeto The Dream School. Com um objetivo claro: fazer acontecer, simplesmente porque a oportunidade e o compromisso existiam por parte de Peter e sua equipe. Nosso objetivo é transformar a Stad & Esch, a escola de Peter, na escola que todos sonhamos. Queremos que ela se torne um exemplo que possa ser tão contagiante a ponto de inspirar outras escolas a se transformar também.

O projeto cresceu rapidamente, inclusive porque Ken Robinson estava envolvido. E você podem acompanhar e contribuir com o projeto escrevendo para cá.

Marcel Kampman
Independent Creative Strategist
 
Aqui o TED Talk de Marcel sobre a The Dream School.
E a palestra de Marcel sobre o projeto no Lift Conference.

Professores de hoje são heróis, diz premiada autora infantojuvenil

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Eva Furnari fala sobre educação, tecnologia e comportamento do brasileiro

Publicado no Divirta-se

 (CFAG/Divulgação)

Eva Furnari não costuma conceder entrevistas. “Fico tão concentrada no trabalho”, justifica a autora e ilustradora de livros infantojuvenis publicados e premiados no Brasil e mundo afora – Itália, México, Equador, Guatemala, Bolívia. A italiana de 64 anos, que mora em São Paulo desde os 2, abriu exceção para o Pensar, na ocasião de relançamento de Anjinho, obra de 1998 premiada com o Jabuti de melhor ilustração. E falou, com o mesmo destemor com a qual escreve, sobre bullying, comportamento, novas tecnologias, educação, da falta dela. “A democracia não é um mar de rosas, requer negociação e os professores têm a missão difícil de lidar com as crianças livres demais, mimadas pelo capitalismo”, analisa. Eva assina o texto e as imagens de mais de 60 livros, alguns retirados por ela mesma do mercado. “Porque não estava satisfeita com eles. Tenho uns 60 e poucos livros, então, acontece”. No fim das contas, a escritora, que confessou não ler quando criança por ter hipermetropia, não resiste a uma boa história.

Alguns títulos infantojuvenis estão tão focados na moral da história que são chatos. Que qualidade é imprescindível em um livro para jovens e crianças?
Na literatura cabe de tudo, desde que seja benfeito. Os professores usam muito a literatura na escola e viramos (autor e professor) uma dupla, mas acho que alguns focam mais no valor ético e acabam fazendo um material que é mais racional. Mas, se a literatura infantil não tiver um aspecto emocional, a criança não se liga, não atinge. Sobre o que é imprescindível, acho que, em primeiro lugar, a qualidade do texto. Precisa ser escrito em linguagem adequada pois são leitores ainda em desenvolvimento, mas acho que uma boa história é uma história bem contada. Normalmente, o que interessa e envolve o adulto vai envolver e interessar à criança também.

Você se considera uma escritora realizada?
Realizada, com certeza. Tenho mais de 30 anos de carreira. E o carinho enorme que recebo de professores. Às vezes, não tenho tempo de atender as pessoas… Mas, por outro lado, me sinto começando junto com desafios novos. Não consigo repetir projetos. Quando me pedem “faz um livro parecido com aquele e tal”, não consigo. Se repetir, acho que fica vazio, irracional, a gente precisa criar com alma. Nesse sentido, cada livro é uma experiência nova.

Você tem uma relação com personagens que, nos padrões da sociedade, parecem perdedores. Felpo Filva; Mel, que sofre bullying em Nós; os personagens de Listas fabulosas. Todos eles, no entanto, são anti-heróis encantadores. Tem algo de autobiográfico nisso?
Acho que aconteceu com todo mundo. Todo mundo tem um desajuste. O ser humano quer ser reconhecido, protegido, olhado com consideração, amor. Uns são mais intensos, sofridos, outros mais leves, mas acho que hoje existe uma tentativa de maior cuidado com o outro. A competição é natural, a disputa por liderança está em cachorros, mas somos racionais e podemos tentar ver de um ponto de vista diferente. É natural uma criança querer ser mais do que outra e fazer isso diminuindo o outro, mas é dever do adulto oferecer outras alternativas, ver que o problema existe naquele que quer humilhar. Acho que essa consciência é do adulto.

Sua infância foi feliz?
Foi sim, muito feliz. Tinha todas aquelas mais brincadeiras

Que qualidades você admira nas crianças de agora? Quais não admira?
A criança é o resultado de como está sendo educada. Ela ocupa o espaço que o adulto deixar. Admiro o interesse delas por tudo, suas ideias, suas observações. Mas muitas vivem com a falta de respeito. E isso não admiro. Não respeitar professores, colegas, mais velhos. Não admiro criança folgada, mimada.

E o que você pensa da educação hoje?
Estamos em um momento de confusão, com novos padrões. A educação saiu de autoritária e centralizada, da época da ditadura militar, para, com a guerra, a emancipação da mulher, um modelo democrático. E em todas as instâncias: governo, família. A tentativa é conciliar a necessidade de ordem coletiva com liberdade pessoal. Na educação estamos em fase experimental sobre como equacionar este conflito. A democracia não é um mar de rosas, requer negociação e os professores têm a missão difícil de lidar com as crianças livres demais, mimadas pelo capitalismo. Hoje, o desafio maior é comportamental, de relacionamento, da figura de autoridade. Os professores são verdadeiros heróis e me alegro de fazer parte desse time que batalha. O governo parece ser do contra e, em vez de ajudar, atrapalha. Mas acho que estamos indo bem: existe uma democracia em construção.

(mais…)

Escola em favela vai ter atenção mundial

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1Gilberto Dimenstein, no Bol Notícias

Não sei se vai dar certo -aliás, ninguém sabe-, mas tenho certeza de que uma escola que será lançada neste mês na favela da Rocinha, na zona sul do Rio, vai chamar atenção de educadores no mundo.

É de uma ousadia extrema o Ginásio Experimental de Novas Tecnologias (mais detalhes aqui).

Lá, o professor deixa de ser professor como conhecemos. Passa a ser um tutor. Os estudantes terão acessos a conteúdos digitais, onde se pode organizar seu próprio aprendizado, escolhendo diferentes caminhos.

Os programas de computador conseguem detectar as fragilidades dos estudantes – e, assim, propor exercícios de reforço.

Detectadas as fragilidades, o professor-tutor reúne alunos em pequenos grupos, oferecendo uma ajuda personalizada.

Lá não tem séries nem classes com cadeiras enfileiradas.

A escola são grandes salões onde se misturam alunos das mais diferentes idades com os mais diferentes tipos de curiosidades.

É daquelas experiências que todos devemos prestar atenção para aprender com os erros e acertos.

Já vale só pela coragem de tirar do papel, numa favela, o que os mais inovadores educadores do mundo recomendam como a escola do futuro.

Estudantes do ensino médio da rede pública terão livro digital a partir de 2015

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Yara Aquino, no UOL

O PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) abre hoje (21) o período para inscrições de obras destinadas a alunos e professores do ensino médio da rede pública para o ano letivo de 2015. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.

A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso, ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na aprendizagem. Continua permitida a apresentação de obras somente na versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias.

A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia.

Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo MEC (Ministério da Educação) que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que aderiram ao PNLD do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.

De acordo com o MEC, a previsão inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.

O período de inscrição de obras pelo Programa Nacional do Livro Didático vai até 21 de maio. De 3 a 7 de junho, estará aberto o período de entrega de livros impressos e da documentação. De 5 a 9 de agosto, o de entrega de obras digitais e respectivos documentos.

Escritores indicam 30 livros imperdíveis; lista tem romances, biografias, contos e infanto-juvenis

dica do Jarbas Aragão

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