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A “nuvem de livros” brasileiros chega à Espanha

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Publicado em El País

Há oito anos, o empresário e editor Jonas Suassuna, presidente do grupo brasileiro Gol, teve uma intuição: “Tudo está virando digital. Os livros também e isso vai ocorrer rapidamente”. Hoje, em 2015, aquela reflexão é algo óbvio. Naquela época, nem tanto. Suassuna acreditou no que dizia seu instinto e começou a preparar uma grande biblioteca virtual. Assegura que, para se inspirar, também pensou nas dimensões continentais de seu país e em uma das suas necessidades mais urgentes. “Imaginei a quantidade de escolas que havia no Brasil sem livros e em uma maneira de levar esses livros a essas escolas. Não havia a menor oportunidade de levar livros até lugares remotos. O segredo estava na Internet. O segredo estava em construir uma grande biblioteca, não uma grande livraria”.

Durante os anos seguintes dedicou-se, com sua equipe, a criar o suporte digital adequado. Também a visitar todas as feiras literárias mundiais mais importantes. Então, em 2011, criou a Nuvem de Livros que, através de uma assinatura, dava acesso a um sistema semelhante ao streaming a cerca de 14.000 títulos em português.

Desde esse momento, a empresa de Suassuna conta com 2,5 milhões de usuários no Brasil, entre eles um grande número dessas escolas remotas que o empresário sonhava em inundar de livros, virtuais ou físicos. Agora, Suassuna, aliado à empresa de telecomunicações Orange, desembarca na Espanha em abril. Pagando 3,99 euros (13 reais) por mês, o cliente terá acesso a mais de 3.000 títulos, mais os 400.000 volumes da Fundação Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes.

De seu escritório no Rio de Janeiro, com uma veemência que é parte de sua personalidade expansiva, relata que alguns anos atrás ninguém acreditava em sua ideia. Agora está competindo com a própria Amazon. “Isso me deixa orgulhoso: é a Amazon que deve ficar com medo”. O empresário acrescenta que outra diferença com a grande plataforma norte-americana é que a Nuvem de Livros “nasce com um espírito familiar, controlado, sem passar por nosso pessoal especialista não é possível colocar nenhum livro em nossa biblioteca”. E acrescenta: “Tampouco aceitamos a autopublicação. O que pode servir para outras plataformas, e de fato é parte da essência delas, não vale para nós. Acreditamos no trabalho de uma editora, de editores, como passo anterior à publicação de um livro, como filtro entre o escritor e os leitores”. Em sua opinião, “a Internet é tudo: pode ser um esgoto a céu aberto, por isso é necessário que existam lugares onde seja aplicado certo nível de exigência”. O catálogo, em espanhol, por enquanto, inclui, em ficção, sobretudo clássicos, e em outras áreas, livros educativos, atlas, jogos educativos e audiobooks.

O objetivo do ambicioso empresário brasileiro não é ficar somente na Espanha: “Escolhemos a Espanha como base de operações, em primeiro lugar, porque sou apaixonado por essa terra e, segundo, porque é a base ideal para se espalhar depois pelo mercado latino-americano”. Suassuna diz que outro fator que o levou a se dirigir a Madri foi o mercado editorial espanhol: “Aqui estão os melhores editores da Europa”. A intenção da Nuvem de Livros é dar o salto, posteriormente, ao complicado mercado editorial francês.

Niskier diz que Nuvem de Livros é o remédio contra a pirataria

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Nuvem de livros

Publicado no Yahoo
Madri, 5 out (EFE).- O imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Arnaldo Niskier acredita que a Nuvem de Livros, o projeto de uma biblioteca virtual online criado no Brasil há três anos com grande sucesso, é uma ferramenta perfeita “contra a pirataria”.

Nieskier, que foi secretário de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia no estado do Rio de Janeiro, explicou à Agência Efe que esse projeto “não dá motivos para estimular a pirataria, porque, por cerca de três euros por mês (US$ 3,70), você pode ter acesso a informações e mais de 30 mil livros que estão na nuvem utilizando um computador ou um celular”.

A Nuvem de Livros, que, segundo Niskier, é um projeto que em breve será levado à Espanha e ao Peru, é uma biblioteca digital multiplataforma criada por Jonas Suassuna que é possível acessar de computadores e celulares conectados a internet.

“Esta experiência é uma solução que me parece inédita no mundo”, opinou o acadêmico. “No início do ano que vem teremos 2 milhões de estudantes, de gente interessada em ler os livros através da nuvem”. “É algo de muita qualidade e é um espetáculo”, acrescentou Niskier, que está de visita na Espanha.

O professor e acadêmico reivindica uma reforma no sistema educacional de seu país porque “nunca a educação e a cultura foi uma coisa prioritária para os governos”, acrescentou.

“No Brasil temos 60 milhões de estudantes em 200 mil escolas, mais que a população de muitos países do mundo, como a Espanha, mas não há uma educação de qualidade. Temos aulas durante três ou quatro horas por dia, quando deveriam ser oito. Os professores estão desmotivados e não recebem salários compatíveis com a dignidade humana”, destacou o imortal.

“Temos que trabalhar com uma pedagogia nacional, porque o Brasil tem uma personalidade própria. Olharam para teorias do exterior que em meu país não funcionam. Há anos focaram em gente como (Jean) Piaget, o gênio suíço que trabalhou sobre realidades europeias com crianças bem alimentadas que tinham a assistência de seus pais, e isso são coisas que não ocorrem no Brasil”, opinou Niskier.

Como acadêmico, reconhece que a modernidade entrou definitivamente na ABL, uma instituição avaliada positivamente por 84% da população brasileira, afirmou baseado em uma pesquisa recente.

“Nós temos no Brasil um dicionário com 94 mil entradas em língua portuguesa que serve para o mundo lusófono, e temos um site na internet com um sucesso extraordinário, feito por uma comissão de lexicografia e lexicologia com um grande equipamento eletrônico moderno que faz com que o público participe”.

“As pessoas podem fazer perguntas com seu computador que são respondidas todos os dias, inclusive aos sábados e domingos. Temos uma base de 5 mil questões por dia”, explicou.

Niesker, que também visitou a Academia da Língua Espanhola e conheceu como será a nova edição do dicionário da Real Academia Espanhola (RAE), que será lançado no próximo dia 16, afirma que o estudo da língua espanhola no Brasil é cada vez maior.

“No Brasil temos o português como língua oficial e durante muitos anos tivemos o francês como segunda língua, até a Segunda Guerra Mundial. Depois veio o inglês, mas o espanhol era quase desconhecido em nossas escolas, e agora, vendo a realidade objetiva, se vê que o interesse pelo espanhol cresce muito”.

“Muitos cursos de espanhol são oferecidos nas capitais brasileiras e eu acho que supera ao francês. Em pouco tempo foram criadas muitas oportunidades de negócio, de trabalho com o mundo hispânico. Muita gente vem ao Brasil porque a economia cresce e há boas oportunidades para fazer negócios”, concluiu o acadêmico. EFE

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