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Procuram-se professores

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Nicholas Kristof

O mundo precisa de pensadores críticos e bem informados, mas muitos parecem pouco interessados nas questões comuns da sociedade

Thomaz Wood Jr, na Carta Capital

Assim escreveu Nicholas Kristof, jornalista ganhador de dois prêmios Pulitzer, em uma coluna do New York Times, publicada em 15 de fevereiro: “Alguns dos pensadores mais inteligentes sobre questões domésticas ou do mundo ao redor são professores universitários, mas a maioria deles simplesmente não tem importância nos grandes debates de hoje”. O puxão de orelha veio de longe, mas a distância não reduz a pertinência, tampouco o efeito.

O colunista explica que a opinião desses especialistas é frequentemente desconsiderada por ser “acadêmica”, o que em muitos ambientes equivale a uma acusação de irrelevância. O preconceito soma-se à conhecida pergunta, “o senhor trabalha ou só dá aulas?” e reflete o baixo prestígio das atividades de pesquisa e ensino na sociedade e o que Kristof denomina de anti-intelectualismo da vida americana. De fato, a ojeriza ou simples preguiça em relação à vida inteligente é um fenômeno também presente em muitas outras áreas do planeta. Nos tristes trópicos, grassa há tempos um verdadeiro culto do que é rasteiro, ligeiro, baixo e vulgar. O fenômeno afeta as falas, as letras, as telas e as paisagens. Está presente nas atitudes e nos comportamentos. Para parte considerável da população, em todos os estratos econômicos, pensar dói.

Entretanto, observa o colunista do NYT, o problema não é que o país tenha marginalizado seus pensadores, mas que eles marginalizaram a si mesmos, isolando-se nas torres de marfim das universidades, especializando-se em filigranas e tornando sua linguagem cada vez menos acessível ao público. O resultado é o isolamento dos pensadores da vida pública, criando um vazio que é frequentemente preenchido por oportunistas e pseudointelectuais de pena afiada e garganta acelerada.

Kristof argumenta que uma das raízes do problema são os programas de doutorado, que glorificam o hermetismo e desdenham a audiência e o impacto na sociedade. O sistema se reproduz de geração para geração de pesquisadores, que são condicionados pela orientação para publicações e pelo sistema de promoção e carreira. Durante os anos mais produtivos de suas vidas, acadêmicos dirigem seu foco e energia ao desenvolvimento de artigos para revistas científicas ultraespecializadas. Os que “perdem seu tempo” com livros e com artigos de disseminação, escritos para a “plebe”, são olhados com desdém. O sistema também cuida de expelir os rebeldes, que não se conformam com a burocracia acadêmica.

Com isso, multiplicaram- se os perió­dicos científicos, muitas deles com mais autores do que leitores. Ao lidar, durante anos, com uma audiência reduzida e especializada, os pensadores abdicam da possibilidade de comunicar suas ideias a um público maior e perdem a capacidade de analisar questões mais amplas, de interesse social.

A escolha de temas para pesquisa, em muitas áreas, tem pouca ou nenhuma relação com o que é relevante para a sociedade. Orienta-se, frequentemente, pelas preferências pessoais e afinidades do pesquisador, e por suas estratégias de publicação. Pesquisa-se o que pode ser mais fácil de ver no prelo e não o que importa para o mundo ao redor.

Do outro lado do Atlântico, a revista britânica The Economist trouxe na coluna Schumpeter, de 8 de fevereiro, um texto sob o provocativo título: “Quem não sabe, ensina”. O autor observa que as escolas de negócios foram capturadas pelo corporativismo acadêmico e se tornaram bandeiras de conveniência para acadêmicos. Eles dedicam sua existência à publicação de artigos sem valor real, em periódicos obscuros, que nunca serão lidos por executivos. Firmes no comando de suas instituições, ocupam postos relevantes, defendem seus interesses e impedem as mudanças necessárias. Talvez não seja muito diferente em outros campos do conhecimento, mas é caso paradoxal. Afinal, a Administração é uma ciência social aplicada.

Kristof mostra-se triste com a situação, declarando sua admiração pela sabedoria encontrada nos campi universitários. O jornalista estudou em Harvard e Oxford. Deve-se lamentar que, com todos os recursos de que dispõem, acesso a informação, conhecimento e legitimidade, professores não ocupem um espaço maior nos debates contemporâneos. Todos perdemos.

Nos EUA, aulas durante as férias oferecem mais do que reforço

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Cursos oferecidos durante o verão são reformulados e misturam conteúdos acadêmicos e culturais

Publicado por Último Segundo

Há poucos anos, escolas de todos os Estados Unidos estavam cortando as aulas de férias de verão por falta de orçamento. Agora, apesar dos desafios orçamentários permanecerem, muitos distritos estão reformulando os cursos de férias, tornando-os algo além de um exercício obrigatório de recuperação.

De acordo com a ONG National Summer Learning Association, 25 dos maiores distritos escolares do país desenvolveram programas para o curso de verão que vão além do tradicional reforço. Escolas públicas da cidade de Nova York oferecem no verão opções que misturam conteúdos acadêmicos com enriquecimento cultural, como aulas intensivas de artes e um programa que combina aulas com estágio remunerado.

NYT Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville

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Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville

Em Jacksonville, o ano letivo terminou há três semanas, mas Roshelle Campbell continua levando seu filho Gregory para um dia de aulas cheio. Gregory, de 6 anos, é um dos mais de 300 alunos que vão passar seis semanas de suas férias de verão na escola Mathis, mas não porque foi mal nas provas. “Ele sempre foi muito esperto. Acho que a educação é muito importante e não quero que ele perca oportunidades durante as férias de verão”, diz a mãe.

Mesmo em distritos com graves problemas fiscais, como Baltimore, Chicago, Filadélfia, Pittsburgh e San Francisco, autoridades da educação conseguiram ajuda da organizações filantrópicas, particularmente daquelas que acreditam que as aulas nas férias podem ajudar os estudantes com condições sociais desfavorecidas. “Conheço vários alunos de escolas públicas que estão na Europa ou em acampamentos. Isso é ótimo, mas temos de pensar se todas as crianças têm acesso e oportunidades, se não passam o dia em casa vendo desenhos e comendo porcarias”, diz Nikolai Vitti, superintendente das escolas públicas do distrito de Duval.

Cada vez mais os educadores veem o verão como uma época para reforçar o conteúdo que as crianças – incluindo tanto as de alto desempenho quanto as que apresentam dificuldades – aprendem durante o ano letivo. Junto com leitura, matemática e ciências, as escolas têm oferecido atividades de artes e músicas, vela, esgrima e karatê, além de passeios a museus e teatros.

Pesquisas mostraram que os estudantes regridem durante as férias, perdendo em média um mês de instrução por ano, com a chamada queda de verão afetando desproporcionalmente os alunos de renda mais baixa. A falta de programas de qualidade durante o verão também afeta famílias em que ambos os pais trabalham, deixando as crianças com poucas opções durante os longos meses de folga.

Enriquecer os cursos de verão “deveria ser parte da educação pública até que conseguíssemos reorganizar o calendário escolar tradicional, que não se encaixa mais na vida dos americanos”, diz Harris M. Cooper, professor de educação na Universidade Duke. “Acrescentar 20 dias de aula por ano e ter vários intervalos curtos em vez de um único longo período de férias se encaixa melhor com a forma que as famílias vivem e no jeito que as crianças aprendem.”

Em um esforço para avaliar que tipo de programa produz melhores resultados acadêmicos, a Wallace Foundation iniciou um estudo em vários distritos, com 5.700 alunos que vão entrar no quarto ano. O estudo vai comparar os resultados em testes padronizados ao longo de dois anos, assim como fatores comportamentais, como a habilidade dos alunos de trabalhar em grupo e persistir nas tarefas.

NYT Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias

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Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias

Em uma manhã recente, na escola fundamental de Mathis, sete estudantes do quarto ano estavam juntos em um computador da biblioteca para escrever o script de um curta metragem que eles produziriam mais tarde. O professor de inglês andava entre grupos de estudantes, fazendo gentilmente sugestões de edição e ajudando na pontuação. “Isso é muito mais divertido do que a escola”, disse Asi’yon Brinson, 9 anos.

Ao escrever o script o aluno usa as habilidades acadêmicas, mas de um jeito mais divertido do que em um exercício regular das aulas de inglês. “Eles nem percebem que estão aprendendo a escrever”, diz a diretora da escola, Angela Maxey. Segundo ela, o programa também está servindo como uma espécie de laboratório para novas ideais pedagógicas. “Era assim que a escola deveria ser durante o ano inteiro”, afirmou.

Mas Angela foi contundente sobre o fato de que ter o financiamento de uma ONG permitiu iniciativas improváveis normalmente, como dar festas de sorvete para os alunos. “Você pode dizer que poderíamos usar o dinheiro de outra forma. Mas as crianças estão sorrindo, elas não tem faltado e estão aprendendo. Parte do esforço é motivar as crianças a aprender durante o verão.”

Educação Física trata cada vez mais de leitura e matemática nos EUA

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Publicado por Último Segundo

De olho nos resultados de índices de aprendizado, escolas tem deixado para trás aulas que focavam na diversão

Em uma tarde recente, os alunos da terceira série da professora Sharon Patelsky analisavam palavras como “siglas”, “sentido horário” e “descendente”, assim como conceitos de matemática como maior e menor. E eles faziam tudo isso, durante a aula de educação física.

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Livros e revistas agora fazem parte do material básico das aulas ao lado das bolas

Patelsky, a professora de educação física da escola Everglades em West Palm Beach, Flórida, instruiu os alunos a contarem até quatro à medida que tocavam seus cotovelos em seus joelhos durante um aquecimento. Eles somaram os pontos em pares de dados antes de correr para tapetes redondos impressos com símbolos matemáticos. E, enquanto faziam flexões, equilibrados em um braço, utilizavam o outro (“Alternem!” pediu Patelsky. “Essa é uma das palavras do vocabulário.”) para empilhar enormes blocos de Lego em colunas rotuladas “unidades”, “dezenas” e “centenas”.

“Eu não trabalho para o Departamento de Parques e Recreação”, disse Patelsky, explicando sua abordagem pouco ortodoxa para o que tem sido, tradicionalmente, um dos poucos intervalos na rotina acadêmica. “Eu sou uma professora em primeiro lugar.”

NYT Mark Roche e uma aluna de seis anos em aulas que não são mais focadas em diversão

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Mark Roche e uma aluna de seis anos em aulas que não são mais focadas em diversão

Estimulados por um foco que visa melhorar as notas dos alunos em testes de matemática e inglês, assim como o desejo de incorporar mais informações sobre saúde e bem estar, mais distritos escolares estão incentivando os professores de educação física a ir além do futebol e do tênis para incluir leitura, escrita e aritmética como parte do ensino. Novas normas para inglês e matemática que foram adotadas por 45 Estados e no Distrito de Columbia recomendam que os professores de todas as disciplinas incorporem alfabetização e incluam mais “textos informativos” no currículo.

Mas alguns pais se opõem à forma como os testes estão cada vez mais tomando conta da vida escolar. E alguns educadores temem que ao incluir contextos acadêmicos nas aulas de educação física os professores possam acabar com seu principal objetivo.

Em todo o país, professores de educação física agora publicam listas de vocabulário em paredes de seus ginásios e solicitam aos alunos testem as Leis do Movimento de Newton ao atirar bolas.

Na Escola Deep Creek Elementary em Chesapeake, Virgínia, as crianças contam em diferentes idiomas durante exercícios de aquecimento e salto sobre esteiras de letras para soletrar palavras durante a aula de educação física.

Em alguns casos, deveres de casa e testes têm acompanhado o novo conteúdo das aulas de educação física. No ano passado, o Distrito de Columbia adicionou 50 questões sobre saúde e educação física para seus testes padronizados no final do ano. Nem todos os pais estão satisfeitos com as mudanças.

“Eu acho que isso é um pouco exagerado”, disse Kathleen Oropeza, co-fundadora do Fundo de Educação Agora, um grupo sem fins lucrativos de educação pública, na Flórida. “Se você tem crianças que estão aprendendo a ser um goleiro ou aprendendo que querem participar de uma equipe, por que é que isso tem de ser ofuscado pelo duro ambiente de testes?”

E em um momento de aumento na obesidade infantil e na diminuição do tempo de recesso, alguns educadores querem manter o foco na atividade física. Professores de educação física disseram que não estão simplesmente transformando a aula de educação física em outra aula de preparação para o teste.

Ao invés disso, disseram eles, a aula de educação física ajudam os alunos a aprender sobre os hábitos de vida de praticar uma atividade física e outros assuntos previamente ensinados nas aulas de saúde. Os alunos estudam os sistemas muscular e respiratório, aprendem a usar pedômetros e calcular taxas de batimentos do coração.

NYT Uma aluna busca palavras relacionadas a atividade durante aula de educação física

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Uma aluna busca palavras relacionadas a atividade durante aula de educação física

Um corpo de pesquisa mostrou que a atividade física pode ajudar a melhorar a função cognitiva. “Algumas crianças aprendem melhor através de mais movimento do que se sentarem em uma mesa”, disse Janis Andrews, diretora acadêmica chefe em Palm Beach.”Algumas crianças conseguem aprender não na sala de aula, mas sim praticando uma atividade física.”

Alguns pais disseram que, dada a quantidade de coisas que os alunos precisam aprender em um tempo limitado durante o dia, espalhar algumas lições acadêmicas durante as aulas de educação física faz sentido. “Eles têm a oportunidade de brincar durante o recesso”, disse Renee Kelleher, mãe de quatro meninos gêmeos. “Continua sendo válido como uma sala de aula.”

dica do Chicco Sal

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