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Posts tagged O Conde de Monte Cristo

Os 12 livros mais vendidos da história

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Carlos Willian Leite, na Revista Bula

Em 2012 a Revista Bula publicou o primeiro levantamento sobre os dez livros literários mais vendidos da história, em 2015 repetimos o levantamento utilizando os mesmos critérios do levantamento anterior — pouco se alterou em relação ao resultado de três anos antes: apenas a inversão na ordem de alguns dos livros mais vendidos e a inclusão de dois novos títulos à lista. A metodologia para se chegar ao resultado foi a mesma utilizada em 2012: consultamos reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas. Livros religiosos, políticos, educacionais e de curiosidades como: “Bíblia Sagrada”, “Iluminatti: Sociedade Secreta”, “Corão”, “Dicionário Xinhua Zidian”, “A Arte da Guerra” e “Livro Guiness dos Recordes” não foram contabilizados, apenas livros literários.

Participaram do levantamento as publicações: “The Paris Review”, “Washington Post”, “Open Culture”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.

Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume — foram considerados como um livro único — porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.

Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.

Harry-Potter-e-a-Pedra-Filosofal

1 — Harry Potter e a Pedra Filosofal
(J.K. Rowling)
Publicado em 1997, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é o primeiro volume da série Harry Potter, da britânica J. K. Rowling. O livro narra a história de um garoto órfão que vive infeliz com seus tios. Até que, repentinamente, ele recebe uma carta contendo um convite para ingressar em uma famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Estima-se que tenha vendido entre 850 e 950 milhões de cópias.

Dom-Quixote

2 — Dom Quixote
(Miguel de Cervantes)

Publicado em Madrid em 1605, “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, é composto de 126 capítulos, divididos em duas partes. O livro narra a história de Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro errante que perdeu a razão e, junto com seu fiel escudeiro Sancho Pança, vive lutas imaginárias. Estima-se que tenha vendido entre 600 e 630 milhões de cópias.

O-Conde-de-Monte-Cristo

3 — O Conde de Monte Cristo
(Alexandre Dumas)

Publicado em 1844, “O Conde de Monte Cristo é, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, a obra mais conhecida de Alexandre Dumas e uma das mais celebradas da literatura universal. O livro narra a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Quando escapa da prisão, e toma posse de uma misteriosa fortuna e arma uma plano para vingar-se daqueles que o prenderam. Estima-se que tenha vendido entre 300 e 350 milhões de cópias.

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4 — Um Conto de Duas Cidades
(Charles Dickens)

Publicado em 1859, “Um Conto de Duas Cidades”, de Charles Dickens, é um romance histórico que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição. O livro cobre o período entre 1775 e 1793, da independência americana até a Revolução Francesa. Dickens evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social. Estima-se que tenha vendido entre 280 e 300 milhões de cópias.

O-Pequeno-Príncipe

5 — O Pequeno Príncipe
(Antoine de Saint-Exupéry)

Publicado em 1943, “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, é uma das obras mais traduzidas da história. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente. Estima-se que tenha vendido entre 250 e 270 milhões de cópias. (mais…)

Biografia retrata o pai de Dumas, que inspirou ‘O Conde de Monte Cristo’

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Em texto de 1857 sobre “O Conde de Monte Cristo”, romance que lançara com sucesso 13 anos antes, o francês Alexandre Dumas (1802-70) conta como lhe surgiu a ideia da trama, um processo que teria envolvido conversas com o príncipe Jerônimo Bonaparte e uma visita à ilha italiana de Monte Cristo, habitada por cabras selvagens.

Ao final do breve ensaio, Dumas faz uma provocação: “E agora todo mundo é livre para encontrar outra fonte para ‘O Conde de Monte Cristo’ que não esta que forneci aqui, mas apenas um homem muito sagaz irá encontrá-la”.

Poderia ser apenas referência irônica às dúvidas que circulavam sobre a autoria de suas obras, já que escrevia com uma equipe de colaboradores, mas, para o historiador americano Tom Reiss, 50, o francês jogava ali uma pista para “que um dia alguém pudesse conjecturar outra origem para seu herói injustiçado”.

Certo de ser o homem sagaz imaginado pelo romancista, Reiss dedicou-se a pesquisa e a escrever “Conde Negro – Glória, Revolução, Traição e o Verdadeiro Conde de Monte Cristo”, biografia que lhe rendeu um Prêmio Pulitzer e sai agora no Brasil pela Objetiva.

O biografado não é o Alexandre Dumas conhecido por romances como “Os Três Mosqueteiros”, tampouco o filho dele, o Alexandre Dumas dramaturgo, autor de “A Dama das Camélias”, mas o Alexandre Dumas cuja história acabou ofuscada pela do filho e do neto famosos.

O general Thomas-Alexandre Dumas lutando contra o Exército austríaco em 1797, em ilustração de 1912. Leemage

O general Thomas-Alexandre Dumas lutando contra o Exército austríaco em 1797, em ilustração de 1912. Leemage

E o motivo pelo qual esse primeiro Dumas –herói de guerra na Revolução Francesa, famoso em seu tempo como seria hoje nos EUA uma estrela do futebol americano– teria sido relegado a segundo plano não poderia ser mais controverso, a julgar pela opinião de Tom Reiss.

“Os franceses excluíram o general Dumas da história porque não podiam enfrentar a verdade de que o homem por trás dos maiores heróis de sua ficção era negro”, diz o biógrafo em entrevista por e-mail.

“O escritor Dumas tentou fazer com que o pai fosse reconhecido. Sempre que fez isso, foi rejeitado –embora fosse um dos mais famosos autores da França em seu tempo. Era simplesmente inaceitável que uma minoria racial ocupasse posição central na literatura francesa.”

O principal retrato contemporâneo do general Dumas anterior à biografia de Reiss foi publicado nos anos 1950 por Andrés Maurois –uma parte menor da biografia “Le Trois Dumas”, que contava a história das três gerações.

PENHORA

Thomas-Alexandre Davy de la Pailleterie nasceu em 1762, na colônia francesa de Saint-Domingue (atual Haiti), filho de um marquês branco e uma escrava negra.

Vendido temporariamente como escravo pelo pai na adolescência –o marquês o penhorou para pagar uma viagem à França, mas depois o resgatou–, Alex foi criado na elite parisiense antes de cortar laços com a família e passar a usar o sobrenome da mãe, Marie-Cessette Dumas.

Sem o título de nobreza, o jovem mestiço entrou para o Exército como soldado raso e, em poucos anos, tornou-se um general, no comando de mais de 50 mil homens.

Alguns de seus feitos, anotados por autores da época, lembram os do Barão de Munchausen, cujos relatos absurdos inspiraram o clássico de Rudolf Erich Raspe (1736-94) –num deles, Dumas aparece a cavalo agarrando uma viga no teto e se erguendo do chão com cavalo e tudo.

Relatos descrevem a ocasião em que Dumas venceu três duelos num dia –o que, para Reiss, foi “quase certamente a base para uma das cenas mais cômicas e bem conhecidas de ‘Os Três Mosqueteiros’, em que d’Artagnan desafia Porthos, Athos e Aramis para duelos numa tarde”.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

A inspiração para “O Conde de Monte Cristo” seria mais óbvia –voltando à França após ajudar Napoleão Bonaparte a conquistar o Egito, o general quase naufragou e acabou numa masmorra numa ilha no Mediterrâneo.

A carreira meteórica do general foi interrompida depois do período no calabouço e de Dumas criticar a campanha de Napoleão no Egito, o que o tornaria desafeto do líder.

A escritora Heloisa Prieto, especialista na obra do romancista, diz que não há consenso sobre essas inspirações. Ela lembra que o principal colaborador de Dumas, Auguste Maquet, era quem fazia as pesquisas para ele.

Mas, diz, é inegável que “o general Dumas era uma figura onipresente para o filho, cujas obras tratam do sujeito excluído, que tem de lutar por um lugar, do resgate dos valores da cavalaria”.

No Brasil, onde apenas cerca de dez dos mais de 600 títulos de Dumas já foram publicados, pode ser mais difícil buscar outras referências. Para os próximos anos, estão previstas duas continuações de “Os Três Mosqueteiros”, “Vinte Anos Depois” (que retrata um retorno tardio do quarteto) e “O Visconde de Bragelonne”, pela Zahar, que vem publicando obras do francês desde 2004.

MEMÓRIAS

O romancista foi fonte central para Reiss, ao dedicar ao pai cerca de 200 páginas de suas memórias, mas o biógrafo teve de descontar os exageros do filho. “O general era bom demais para ser real. E todos os textos repetiam o que o filho disse sobre ele”, diz Reiss, que checou tudo em arquivos militares.

Entre os textos inéditos que pesquisou, estão os arquivos dos três Dumas mantido num cofre no museu da família em Villers-Cotterêt, onde o romancista nasceu.

Quando chegou à vila francesa, Reiss descobriu que ninguém sabia a combinação do cofre. Conseguiu anuência do vice-prefeito para arrombá-lo e fotografar o que conseguisse por duas horas –antes de a polícia chegar.

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