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Quais foram os grandes livros publicados na data de seu nascimento?

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O grande Borges afirmou, sobre um dos escritores mais presentes nesta lista: “Toda a boa literatura é uma forma de alegria, e nenhum autor me deu tantas alegrias quanto Chesterton.”

Arte de Rob Gonsalves

Arte de Rob Gonsalves

Luísa G. Ferreira, no Homo Literatus

O site espanhol Que Leer disponibilizou uma matéria associando os principais livros lançados entre 1911 e 1999 à suas respectivas datas de publicação. Como a internet faz estas matérias viajarem sem fronteiras, o Homo Literatus traz a lista de títulos já lançados no Brasil, em português e poucos ainda não lançados, com seus títulos originais. No melhor estilo migrante, com o objetivo de que nossos leitores descubram, além da data, grandes dicas de leitura.

Mate sua curiosidade literária e descubra quais livros foram publicados no ano do seu aniversário:

1911- A Árvore da Ciência (Pio Baroja)

1912- A Morte em Veneza (Thomas Mann)

1913- O Jardineiro (Rabindranath Tagore), Filhos e Amantes (D.H. Lawrence), O grande Meaulnes (Alain-Fournier), No Caminho de Swann (Marcel Proust)

1914- Dublinenses (James Joyce), Nevoeiro (Miguel Unamuno), Platero e Eu (Juan Ramón Jimenez), A Taberna Errante(G.K. Chesterton)

1915- A Metamorfose (Franz Kafka)

1916- Retrato do Artista Quando Jovem (James Joyce)

1917- Contos de amor, de loucura e de morte (Horacio Quiroga), Os Frutos da Terra (Knut Hamsun)

1918- Contos da Selva (Horacio Quiroga)

1919- Demian (Hermann Hesse)

1920- A idade da Inocência (Edith Wharton)

1921- A Tia Tula (Miguel Unamuno)

1922- Ulisses/Ulysses (James Joyce), Sidarta (Hermann Hesse), O homem que sabia demais (G.k. Chesterton)

1923- Dersu Uzala (Vladimir Arseniev), As Aventuras do Bom Soldado Švejk (Jaroslav Hasek), Bambi, história de uma vida do bosque (Félix Salten)

1924- A Montanha Mágica (Thomas Mann)

1925- O Processo (Franz Kafka), Mrs Dalloway (Virginia Woolf), O grande Gatsby (Francis Scott Fitzgerald), Seis personagens em busca de um autor (Luigi Pirandello)

1926- O Castelo (Franz Kafka), A dançarina de Izu (Yasunari Kawabata), Tirano Banderas (Valle Inclan), Confusão de Sentimentos(Stefan Zweig), O Assassinato de Roger Ackroyd (Agatha Christie), Dom Segundo Sombras (Ricardo Güiraldes)

1927- O Lobo da Estepe (Hermann Hesse)

1928- Contraponto (Adouls Huxley), O Amante de Lady Chatterley (D.H. Lawrence), Nadja (André Breton)

1929- O Som e a Fúria (William Faulkner), Adeus às Armas (Ernest Hemingway), Os sete loucos (Roberto Arlt), Dona Bárbara (Rómulo Gallegos)

1930- Enquanto Agonizo (William Faulkner), O Homem Sem Qualidades (Robert Musil)

1931- Gog (Giovanni Papini), Os Lança-Chamas (Roberto Arlt), As Lanças Coloradas (Arturo Uslar Pietri)

1932- Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)

1933- O Corcunda (Roberto Arlt), A Condição Humana (André Malraux)

1934- Trópico de Câncer (Henry Miller), Huasipungo (Jorge Icaza)

1935- História Universal da Infâmia (Jorge Luis Borges), Assassinato na Catedral (S.T. Eliot), Canaima (Rómulo Gallegos)

1936- Absalão, absalão! (Willian Faulkner), E o Vento Levou (Margaret Mitchell), Auto-de-Fé (Elias Canetti), Os Paradoxos da Mr. Pond (G.K. Chesterton)

1937- O Hobbit (J.R.R. Tolkien), Ter e Não Ter (Ernest Hemingway), O País das Neves (Yasunari Kawabata)

1938- A Náusea (Jean-Paul Sartre)

1939- Finnicius Revém (James Joyce), As Vinhas da Ira (John Steinbeck), Palmeiras Selvagens (Willian Faulkner), O Sono Eterno (Raymond Chandler),Trópico de Capricórnio (Henry Miller), O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie)

1940- Por Quem os Sinos Dobram (Ernest Hemingway), A Invenção de Morel (Adolfo Bioy Casares), O Zero e o Infinito (Arthur Koestler), O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)

1941- Entre os Atos (Virginia Woolf), Os Filhos de Matusalém (Robert A. Heinlein)

1942- O Estrangeiro (Albert Camus), Viagem ao Fim da Noite (Louis-Ferdinand Céline)

1943- O Jogo das Contas de Vidro (Hermann Hesse)

1944- Ficções (Jorge Luis Borges), O Anão (Pär Lagerkvist)

1945- A Revolução dos Bichos (George Orwell), Viagem à Alcarria (Camilo José Cela)

1946- História de uma Escada (Antonio Buero Vallejo), O Senhor Presidente (Miguel Ángel Asturias)

1947- A Peste (Albert Camus), À Sombra do Vulcão (Malcolm Lowry), A Espuma dos Dias (Boris Vian), O Diário de Anne Frank (Anne Frank)

1948- Confissões de uma Máscara (Yukio Mishima), O Túnel (Ernesto Sábato)

1949- O Aleph (Jorge Luis Borges), 1984 (George Orwell), Homens de Milho (Miguel Ángel Asturias), O Segundo Sexo (Simone de Beauvoir), O Homem que Calculava (Malba Tahan)

1950- Crônicas Marcianas (Ray Bradbury), A Vida Breve (Juan Carlos Onetti), Eu, Robô (Isaac Asimov), Barabbas (Pär Lagerkvist), Nadíe encendia las lampadas (Felisberto Hernández), O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (C.S. Lewis)

1951- Bestiário(Julio Cortázar), O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry), O Homem Ilustrado (Ray Bradbury), Molloy (Samuel Beckett), Malone morre (Samuel Beckett), O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger), Memórias de Adriano (Marguerite Yourcenar), Fundação (Isaac Asimov), O Criador de Gorilas (Roberto Arlt), A Colméia (Camilo José Cela)

1952- O Velho e o Mar (Ernest Hemingway), Esperando Godot (Samuel Beckett), Mil Origames (Yasunari Kawabata), Confabulário (Juan José Arreola)

1953- Chão em Chamas (Juan Rulfo), Fahrenheit 451 (Ray Bradbury), O Longo Adeus (Raymond Chandler), O Inominável (Samuel Beckett)

1954- O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien), O Senhor das Moscas (William Golding), Uma Fábula (William Faulkner), O Mestre do Go (Yasunari Kawabata), O Som da Montanha (Yasunari Kawabata), Bom Dia, Tristeza (Francoise Sagan)

1955- Pedro Páramo (Juan Rulfo), Lolita (Vladimir Nabokov), O Fim da Eternidade (Isaac Asimov)

1956- Final do Jogo(Julio Cortázar)

1957- Fim de Partida (Samuel Beckett), Pé na Estrada (Jack Kerouac), Doutor Jivago (Boris Pasternak), O Barão nas Árvores (Italo Calvino)

1958- Bonhequinha de Luxo (Truman Capote)

1959- As Armas Scretas (Julio Cortázar), O Tambor (Günter Grass), A Trégua (Mario Benedetti), The Sirens of Titan (Kurt Vonnegut), Tropas Estrelares (Robert A. Heinlein)

1960- O Sol é para Todos (Harper Lee), Um Cântico para Leibowitz (Walter M. Miller)

1961- A Casa das Belas Adormecidas (Yasunari Kawabata), O Estaleiro (Juan Carlos Onetti), Sobre Heróis e Tumbas (Ernesto Sábato), Solaris (Stanisław Lem), Catch-22 (Joseph Heller)

1962- Histórias de Cronópios e de Famas (Julio Cortázar), Laranja Mecânica (Anthony Burgess), Os Funerais da Mamãe Grande (Gabriel Garcia Marquez), O Homem do Castelo Alto (Philip K. Dick), Voando Sobre um Ninho de Cucos (Ken Kesey), A Morte de Artemio Cruz (Carlos Fuentes), Aura (Carlos Fuentes), O Século das Luzes (Alejo Carpentier), O Caderno Dourado (Doris Lessing)

1963- A Cidade e os Cachorros (Mario Vargas Llosa), O Jogo do Mundo (Julio Cortázar),V (Thomas Pynchon)

1964- Beleza e Tristeza (Yasunari Kawabata), Uma Questão Pessoal (Kenzaburo Oe)

1965- Três Tristes Tigres (Guillermo Cabrera Infante), O Lugar Sem Limites (José Donoso)

1966- Paradiso (José Lezama Lima), A Casa Verde (Mario Vargas Llosa), Todos os Fogos o Fogo (Julio Cortázar), A Sangue Frio (Truman Capote), O Leilão do Lote 49 (Thomas Pynchon), Cinco Horas com Mario (Miguel Delibes)

1967- Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez), A Brincadeira (Milan Kundera), O Mestre e Margarida (Mikhail Bulgakov)

1968- O Caçador de Andróides (Philip K. Dick), 2001: Uma Odisséia no Espaço (Arthur C. Clarke)

1969- Conversa no Catedral (Mario Vargas Llosa), Ubik (Philip K. Dick), O Poderoso Chefão (Mario Puzo), O complexo de Portnoy (Philip Roth), Boquinhas Pintadas (Manuel Puig), Hasta no verte, Jesús mío (Elena Poniatowska)

1970- O Informe de Brodie (Jorge Luis Borges), Juan Salvador Gaviota (Richard Bach), O Olho Mais Azul (Toni Morrison), Ringworld (Larry Niven), Um Mundo para Julius (Alfredo Bryce Echenique)

1971- Nossa Gangue (Philip Roth), Carteiro (Charles Bukowski), Medo e Delírio em Las Vegas (Hunter S. Thompson)

1972- Os Próprios Deuses (Isaac Asimov), Encontro com Rama (Arthur C. Clarke)

1973- Pantaleão E as Visitadoras (Mario Vargas Llosa), Momo (Michael Ende), O Arco-íris da Gravidade (Thomas Pynchon), Café-da-Manhã dos Campeões (Kurt Vonnegut)

1974- Abaddon Destruidor (Ernesto Sabato)

1975- O Outono do Patriarca (Gabriel García Márquez), O Livro de Areia (Jorge Luis Borges), Terra Nostra (Carlos Fuentes)

1976- O Beijo da Mulher Aranha (Manuel Puig)

1977- Tia Júlia e o Escrevinhador (Mario Vargas Llosa), O Iluminado (Stephen King)

1978- Mulheres (Charles Bukowski), A vida: modo de usar (Georges Perec), Casa de Campo(José Donoso)

1979- A História Sem Fim (Michael Ende), A Zona Morta (Stephen King),O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams), A Escolha de Sofia (William Styron)

1980- A Confederação dos burros (John Kennedy Toole), O Nome da Rosa (Umberto Eco), Gostamos Tanto da Glenda (Julio Cortázar)

1981- Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel García Márquez), A Guerra do Fim do Mundo (Mario Vargas Llosa), Filhos da Meia-Noite (Salman Rushdie), A vida exagerada de Martin Romagna (Alfredo Bryce Echenique)

1982- A Casa dos Espiritos (Isabel Allende), Paisagens Depois da Batalha (Juan Goytisolo)

1983- O Enteado (Juan José Saer), Vida e Época de Michael K. (JM Coetzee)

1984- A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera), O Amante (Marguerite Duras), Neuromancer (William Gibson)

1985- O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel Garcia Marquez), Cidade de Vidro (Paul auster), Meridiano de sangre (Cormac McCarthy), Ruído Branco (Don DeLillo), O Perfume (Patrick Süskind), Amada (Toni Morrison), O Jogo do Exterminador (Orson Scott Card)

1986 – A cidade dos Prodígios (Eduardo Mendoza), A Coisa (Stephen King)

1987- Norwegian Wood (Haruki Murakami), Notícias do Império (Fernando del Paso), A Fogueira das Vaidades (Tom Wolfe), Angústia (Stephen King), Red Sorghum (Mo Yan)

1988- A Imortalidade (Milan Kundera), O Alquimista (Paulo Coelho)

1989- Palácio da Lua (Paul Auster),Como Água para Chocolate (Laura Esquivel), Os Pilares da Terra (Ken Follett)

1990- Uma Casa no Fim do Mundo (Michael Cunningham), O Cair da Noite (Isaac Asimov), O Dia do Curinga (Jostein Gaarder)

1991- O Evangelho Segundo Jesus Cristo (José Saramago), El Jinete Polaco (Antonio Muñoz Molina), O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder)

1992- Doze Contos Peregrinos (Gabriel García Márquez), Leviatã (Paul Auster), Todos os Belos Cavalos (Cormac McCarthy), Um Coração Tão Branco (Javier Marías)

1993- Morte nos Andes (Mario Vargas Llosa), Quando já não Importa (Juan Carlos Onetti), A Paixão Turca (Antonio Gala), Trainspotting (Irvine Welsh)

1994- Do Amor e Outros Demônios (Gabriel García Márquez), Amanhã, na batalha, pensa em mim (Javier Marías)

1995- Crônica do Passaro de Corda (Haruki Murakami), Santa Evita (Tomás Eloy Martínez), Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago), Não me Espere em Abril (Alfredo Bryce Echenique)

1996- Pulp (Charles Bukowski), Clube da Luta (Chuck Palahniuk), Estrela Distante (Roberto Bolaño), O Capitão Alatriste (Arturo Pérez Reverte)

1997- Pastoral Americana (Philip Roth), Mason e Dixon (Thomas Pynchon), Todos os Nomes (José Saramago)

1998- A Identidade (Milan Kundera), Os Detetives Selvagens (Roberto Bolaño), As Partículas Elementares (Michel Houellebecq), Meu nome é Vermelho (Orhan Pamuk)

1999- Sputnik, meu amor (Haruki Murakami), Desgraça (J.M. Coetzee)

Fotógrafo registra em livro os últimos anos do pai e o declínio de sua memória: “Dias com meu pai”

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Monique Almeida, no Literatortura

Tomado por extrema sensibilidade, do tipo que normalmente nos leva a recuperar a fé na humanidade, o fotógrafo Phillip Toledano realizou uma tocante experiência ao lado de seu pai.

Em 2006, com o falecimento de sua mãe, ele finalmente foi capaz de perceber o real estado mental de seu pai. Apesar de não ter Alzheimer, o senhor sofria de perda de memória recente e, após a ida ao funeral, Phillip era obrigado a relatar diversas e diversas vezes que a senhora havia morrido.

Visto que o homem já estava com 97 anos e nessas condições, o fotógrafo optou por contar que a mãe estava em Paris, cuidando de um irmão doente. Isso amenizava a dor de ambos e, por conta da questão da memória, decidiu também que registraria seus momentos com o pai.

As fotos são emocionantes, trazendo, na simplicidade do registro de detalhes do cotidiano, o visível amor e a devoção que Phillip tinha por seu progenitor. O livro “Days with my father”, com o ensaio que durou três anos, está disponível na amazon, assim como é possível acessar o website que oferece o projeto completo. (Aqui!)

Confira algumas das fotos abaixo:

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Eu amo momentos como esse.

Por um pequeno instante, quase tudo parece normal de novo. Minha mãe não está morta, e não estamos fingindo que ela foi pra Paris.

Ela saiu para a loja, mas vai voltar rapidamente.

Quão doce isso seria.

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Meu pai era muito engraçado.

Eu pus esses pequenos cookies em seu peito, e ele disse: “Olha minhas tetas”

Como você não pode rir?

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Então, meu pai faleceu ontem.

Eu fiquei a noite toda com ele, segurando sua mão, escutando sua respiração, me perguntando quando seria seu fim. Ele morreu em sua cama, em casa, com Carla e eu próximos a ele.

Nos últimos três anos, eu estive esperando. Com medo de que ele morresse enquanto eu estivesse fora. Eu não queria que ele fosse sozinho, ou cercado por estranhos, ou plugado a máquinas. Eu sei que soa estranho. Mas eu estou muito agradecido pela forma que aconteceu.

Eu me sinto um sortudo por ter passado os últimos três anos. Por não ter mais nada pra dizer. Por saber que nós amamos um ao outro, nus, sem constrangimento. Por ter sentido seu orgulho por minhas realizações. E ter descoberto o quanto engraçado ele era.

Que incrível, incrível presente.

Tico, o coveiro escritor

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Natália Albertoni no jornal Folha de S. Paulo

Título original: Coveiro do cemitério da Consolação já prepara terceiro livro sobre criaturas atormentadas

Francisco Pinto de Campos Neto, 54, o Tico, sepulta cadáveres de dia e concebe personagens ao anoitecer.

De segunda a sexta, das 9h às 16h, é coveiro no cemitério da Consolação, no centro. As horas livres são gastas na produção do seu terceiro livro, que tem o remorso como mote.

Tico já publicou duas coletâneas de contos: “Elas etc.” e “As Núpcias do Escorpião”, cheias de histórias de criaturas atormentadas –como a menina abusada pela tia e o paraplégico apaixonado por um travesti.

Em 1980, Tico passou em letras na USP, mas não terminou a faculdade. Trabalhou como revisor na área e, inquieto, fez de tudo um pouco: assistente de caminhão, porteiro de boate gay, pintor de parede…

A vida foi ficando difícil, e ele acabou indo morar na rua. Tinha 34 anos quando foi internado pela primeira vez, numa instituição particular, por conselho do irmão mais velho –Tico tinha virado um copo de álcool Zulu. “Passava dias bebendo e cheirando pó.”

Foi confinado 20 vezes por causa do vício, em clínicas privadas e públicas. Está sóbrio há dez anos –por força de vontade, não à força pelas intervenções médicas, acredita.

No ano passado, o homem que desde menino sonhava em viver de literatura viu um cartaz da prefeitura: concurso para sepultador. Conseguiu dinheiro emprestado e se inscreveu.

Também em 2012, foi acolhido por Robson Padial, 48 –é dele o Sarau do Binho, projeto itinerante que reúne artistas da periferia paulistana.

Tico conheceu ali a Agência Popular de Fomento à Cultura Solano Trindade, que financiou uma tiragem de 500 exemplares de “As Núpcias” (restam apenas cem cópias).

Livro e resultado do concurso saíram quase ao mesmo tempo. “Encontrei um cantinho para morar e consegui pagar o primeiro aluguel com a venda dos livros”, afirma.

Fernando Pastorelli/Folhapress
Coveiro do cemitério da Consolação já prepara terceiro livro sobre criaturas atormentadas
Coveiro do cemitério da Consolação já prepara terceiro livro sobre criaturas atormentadas

CONHECIMENTO DE CAUSA

Das dez histórias d'”As Núpcias”, quatro se passam em manicômios. A temática rendeu a Tico, em maio, o 5º Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos.

A obra trata de abuso de medicamentos, punição e abandono. Nenhum personagem é real, mas o autor escreve com conhecimento de causa.

“O que fazem lá é uma lobotomia química. Me emocionei muito com ‘Bicho de Sete Cabeças’ [filme de 2001 com Rodrigo Santoro]. Daquilo mostrado, só não vivi o choque elétrico.”

Para ele, é necessário batalhar pela luta antimanicomial, mas também ter cuidado com a atual “psiquiatrização” dos sentimentos.

“Você sai de qualquer posto de saúde com [medicação] tarja preta. O Binho costuma falar que qualquer farmácia é uma biqueira [ponto de venda de drogas]. E deve estar dando lucro, porque fica aberta 24 horas.”

O coveiro-escritor acha que “os remédios trazem uma felicidade de plástico que interessa à indústria farmacêutica. Com a cabeça cheia de Rivotril, o cara não questiona nada”.

Até a onda de protestos no país não seria a mesma, diz. “Imagina se esses manifestantes tomassem Lexotan… Eles estariam dando risada.”

Francivaldo Gomes, 45, administrador do cemitério, não sabia que tinha um artista entre os funcionários. “Temos 30 personagens famosos enterrados. Para um lugar que tem tradição em cultura, é ótimo ter um sepultador-escritor.”

‘SEM FRESCURICE’

“É um livro sem embromação nenhuma. Não é sofisticado, fantasioso… Vai direto ao ponto. Uma obra que interessa a quem realmente gosta de ler, quer saber algo sobre o cotidiano, sobre a cidade. Fiquei realmente preso a tudo que se refere a São Paulo, principalmente ao centro, que o autor descreve muito bem, sem “frescurice”. É um título que merece muito respeito dos leitores. Eu daria nota 8,5 para o escritor. E olha que sou muito rigoroso com notas. Para chegar a 10 tem que ser Edgar Allan Poe.” José Mojica Marins, o Zé do Caixão

Para comprar o livro, escreva para [email protected].

Batman ‘sai do armário’ em novo livro

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‘Erotic lives of the superheroes’ retrata o personagem como um gay ‘egocêntrico’, ‘narcisista’ e ‘perverso’
Na obra, o herói vive um romance decadente com Robin

Publicado em O Globo

Capa do livro do italiano Marco Mancassola Divulgação

Capa do livro do italiano Marco Mancassola Divulgação

LONDRES – O Batman “saiu do armário” e se revelou um homossexual de meia idade que passa algumas noites com rapazes e se senta perto de Elton John em jantares de caridade – pelo menos é o que acontece em uma nova obra.

Os rumores sobre o mascarado que combate crime em Gotham City foram confirmados em “Erotic lives of the superheroes” (Vidas eróticas dos super-heróis, em tradução livre), que retrata Batman e Robin como um casal gay em crise e com uma vida sexual monótona.

Escrito pelo autor italiano Marco Mancassola, o romance imagina como seria as obsessões eróticas do Super-Homem, do Senhor Fantástico e da Mystique enquanto eles envelhecem e seus poderes diminuem. Aclamado na Itália, o livro, que gira em torno de um misterioso assassinato, chega ao Reino Unido nesta semana.

Ao retratar o Batman como um gay assumido, Mancassola explicitou inclinações que existiam sutilmente na história do personagem. Grant Morrison, que escreveu os quadrinhos do herói para a DC Comics, disse que “ele é heterossexual, mas a base de todo o conceito é totalmente gay”. George Clooney, que interpretou o Homem Morcego no fracasso de 1997, “Batman & Robin”, disse que ele teve a intenção de fazer com que o personagem parecesse gay.

A homossexualidade é apenas um aspecto da vida erótica e secreta do Batman, de acordo com Mancassola. Ele afirmou ao “The Independent”: “Batman sempre teve um lado obscuro. O fato de a minha visão sobre o personagem evocar formas estranhas de fetichismo e sexo extremo não deveria causar surpresa.”

“Narcisismo é o seu abismo interior. Ele deixou que sua única história de amor verdadeiro falhasse porque se apaixonou pelo mistério da juventude – aquele tipo de estado inacessível e fugaz que ele enxerga nos olhos dos jovens”, acrescentou.

Os advogados da DC Comics podem não gostar muito da releitura do Batman como um fetichista, mas o autor disse: “Não houve intenção de chocar ou ofender ninguém. ‘Vidas eróticas dos super-heróis’ é só uma tentativa de explorar a complexa humanidade de um grupo de personagens.”

Em outro episódio de diversidade, a DC Comics já reiventou a Batwoman como uma lésbica judia, em uma espécie de remake de 2006. A sexualidade da Mulher-Gato de Anne Hathaway em “O Cavaleiro das Trevas ressurge” também foi tema de discussões.

O autor admite que existem fãs ferrenhos dos quadrinhos que “não conseguem me perdoar pelo que fiz aos seus amados personagens. Isso é verdade especialmente quando se trata do Batman, que é o personagem menos bonzinho do livro. Ele é egocêntrico, ridiculamente vaidoso e perverso em algum nível. Mas, na verdade, eu o retratei do jeito que eu gosto dele. Ele é humano. Ele personifica a tragédia na qual a sociedade contemporência transformou o envelhecimento.”

Concurso Cultural Literário (5)

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A teologia é para todos

Um dos maiores obstáculos para aqueles que se dedicam aos estudos teológicos é a complexidade dos escritos acadêmicos. Charles C. Ryrie aceitou o desafio de tornar acessível aos leitores as mais complexas e importantes questões da teologia sistemática sem banalizá-la.

O texto simples e preciso, a diagramação moderna e envolvente, o uso de quadros e diagramas e os diversos índices para consulta fazem de Teologia básica um guia indispensável para aqueles que desejam usufruir os conhecimentos de um dos maiores teólogos do nosso tempo.

O Dr. Ryrie nos conduz numa viagem fascinante pela teologia cristã e visita os principais temas que nos permitem entender melhor porque cremos no que cremos, tais como:

– Deus
– O Homem
– A Bíblia
– Os Anjos
– O Diabo
– Demônios
– O Pecado
– Jesus Cristo
– A Salvação
– O Espírito Santo
– A Igreja
– O Porvir

Por sua clareza e precisão, Teologia básica alcança não somente estudantes de Teologia, bem como professores de religião, líderes e todo aquele que valoriza o saber teológico.

O Dr. Ryrie, conhecido por ter elaborado as anotações que tornaram uma notável contribuição ao entendimento de Deus. Graças ao seu esforço, o leitor não poderá dizer que o estudo da teologia é para poucos. Agora, de fato, o conhecimento teológico está ao alcance de todos!

Sobre o autor:
Charles C. Ryrie foi professor emérito do Seminário Teológico de Dallas, no qual fez seu mestrado e doutorado. Possui títulos em nível de doutorado pela Universidade de Edinburgo (Escócia) e pelo Seminário Teológico da Universidade Drew, em Nova Jersey. Ele é autor de dezenas de livros e das anotações de A Bíblia Anotada, publicada pela Editora Mundo Cristão.

Vamos sortear 2 exemplares de “Teologia Básica“.

Para participar é só responder: Por que é importante estudar Teologia?

O resultado será divulgado no dia 26/8, às 17:30h, nesse post e no nosso perfil do twitter: @livrosepessoas.

Participe! =)

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Parabéns aos ganhadores: Roberta Borges e Rodrigo Lima. =)

Os ganhadores precisam enviar seus dados completos em até 48 horas para [email protected]

 

 

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