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Posts tagged O Poeta

Bienal do Rio: dos novatos aos best-sellers

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Publicano no Yahoo

Campeões de vendas costumam ser recordistas de público nos debates e bate-papos da Bienal do Livro do Rio, gerando filas e, quando se trata de literatura adolescente, comportamentos histéricos. Este ano, a feira (de 29 de outubro a 8 de setembro, no Riocentro) traz dois autores que chegaram aos milhões de exemplares vendidos: Nicholas Sparks, de Diário de Uma Paixão e Querido John, ambos vertidos em filmes, e James C. Hunter, de O Monge e o Executivo.

A autora do título erótico do momento, Toda Sua, Sylvia Day, e a roteirista dos jogos eletrônicos Assassin’s Creed, Corey May, integram o time norte-americano. São 27 os nomes internacionais, número recorde em 16 edições da bienal.

A homenagem deste ano é à Alemanha, que em outubro recebe o Brasil na Feira de Frankfurt, maior encontro do setor no mundo. Os autores que vêm de lá não são conhecidos por aqui. Os recordes de espectadores devem ficar mesmo com Sparks, a best-seller teen Thalita Rebouças e a turma do Porta dos Fundos, que sai da internet para as páginas. Eles falarão para um auditório com capacidade para 500 pessoas.

Entre as novidades está o Placar Literário, espaço para a literatura de futebol. Os leitores miúdos encontrarão personagens da Turma do Pererê e o Menino Maluquinho no Planeta Ziraldo. O Mulher & Ponto, a cargo da jornalista Bianca Ramoneda, promete novas abordagens para velhos assuntos das revistas femininas, como envelhecimento, vaidade e educação infantil. Os debatedores não são só mulheres. “Essa estranheza de termos homens debatendo assuntos femininos me agrada muito”, diz Bianca.

O disputado Café Literário homenageará os 30 anos da própria Bienal e o poeta Paulo Leminski (1944-1989). A novíssima literatura abrirá o Café. As narrativas vindas das periferias e as manifestações de rua pautaram a programação. “Teremos desde a literatura cult à que tem maior comunicabilidade com o público em geral”, conta o curador Italo Moriconi.

Os 950 expositores esperam um público de 600 mil pessoas. Os ingressos subiram de R$ 12, em 2011, para R$ 14, com meia para estudantes e pessoas com mais de 60 anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Lendo Pessoa à beira-mar

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Lendo Pessoa à beira-mar: Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli, na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty

Mediação Júlio Diniz

Cleonice Berardinelli é a mais importante estudiosa de Fernando Pessoa no Brasil e autora da segunda tese feita no mundo sobre o poeta português. Maria Bethânia tem integrado versos de Pessoa em seus espetáculos e discos há mais de quatro décadas, realizando leituras antológicas dos poemas do autor. As duas amigas, ambas condecoradas pelo governo português com a Ordem do Desassossego, se encontram para uma sessão de leitura, conversa e celebração em torno de um dos maiores escritores modernos.

dica do Moisés Lourenço

Projeto reúne os versos de Fernando Pessoa mais citados na internet

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O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro "Fernando Pessoa - Uma Fotobiografia", de Maria José de Lancastre

O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro “Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia”, de Maria José de Lancastre

Publicado por EFE [via Folha de S.Paulo]

Um site lançado no 125º aniversário de nascimento de Fernando Pessoa (1888-1935), no último dia 13, pretende descobrir quais são os versos do poeta português mais citados nas redes sociais.

Através da coleta de citações, visível na página “O Mundo em Pessoa”, uma equipe procura mostrar quais são os versos “que mais inspiram os leitores de todo o mundo”, informaram nesta quinta-feira (20) os idealizadores do estudo, a Universidade de Lisboa e o portal português sapo.pt.

O site dá não apenas as referências aos textos assinados com o nome, mas também com os vários pseudônimos que Pessoa usou durante sua carreira –que, curiosamente, são os mais lembrados na internet.

Segundo as estatísticas já disponíveis, o poema “Tabacaria”, escrito com o nome de Álvaro de Campos, é o mais popular nas redes sociais.

O pseudônimo tem mais que o dobro de referências no último mês (374) que o segundo mais repetido, “II – O meu olhar é nítido como um girassol” (128), assinado como Alberto Caeiro.

Da composição que lidera a lista, escrita em 1928, são mencionados especialmente, os versos “À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” e “Serei sempre ou que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta”.

Para os que só conhecem as frases soltas, o projeto leva o usuário ao texto original, para assim “ampliar o número de leitores e o conhecimento de sua obra”, defendem os idealizadores do projeto.

Novo livro reúne correspondência amorosa de Fernando Pessoa

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Edição lançada hoje traz as cartas entre o poeta português e Ofélia Queiroz, sua única namorada conhecida

Fernando Pessoa enviava cartas para a namorada como Álvaro de Campos, um de seus heterônimos Reprodução

Fernando Pessoa enviava cartas para a namorada como Álvaro de Campos, um de seus heterônimos Reprodução

Publicado em O Globo

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” Fernando Pessoa (1888-1935), autor desses versos, sob o heterônimo Álvaro de Campos, quem diria, também escreveu cartas de amor — ridículas. No bom sentido, claro. Pessoa chamava a namorada de “nininha” e até escrevia imitando voz de bebê. Agora, essa delicada troca de palavras entre o poeta e sua única namorada conhecida, Ofélia Queiroz (1900-1996), surge reunida em uma edição especial. “Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz — Correspondência amorosa completa (1919-1935)” (Editora Capivara) chega às livrarias brasileiras ao mesmo tempo em que é lançado na Casa Fernando Pessoa, em Portugal. Justamente hoje, no dia dos namorados.

Após a morte de Pessoa, Ofélia guardou a correspondência dele por mais de 40 anos em uma caixa de bombons.
Em 1978, ela veio a público e revelou ter namorado o poeta. Naquele ano, o pesquisador português Davi Mourão Ferreira publicou as 51 cartas escritas por ele, mas ninguém imaginava que o poeta também havia preservado as cartas enviadas por ela. Em 1996, a família de Pessoa publicou 110 delas, de um total de 270. Ano passado, a pesquisadora Manuela Parreira da Silva cruzou as missivas das duas edições.

Até aqui, 160 cartas estavam inéditas. O novo livro é uma iniciativa do colecionador Pedro Corrêa do Lago e de sua mulher, a pesquisadora Beatriz Corrêa do Lago. Em 2002, os dois compraram as cartas de Pessoa em um leilão. Anos depois, procuraram a família do poeta e adquiriram as cartas escritas por Ofélia. Para organizá-las e escrever as notas, chamaram Richard Zenith, uma das maiores autoridades na obra de Pessoa.
— Agora, podemos ter mais detalhes sobre os hábitos do poeta e do namoro. Há um valor biográfico — diz Zenith, que escreve um novo livro sobre o poeta, ainda sem data de publicação.

Sozinhos no escritório

A correspondência entre Pessoa e Ofélia começou como um flerte de bilhetes discretos, trocados no meio do escritório de um primo do poeta. Ele traduzia textos do inglês e francês; ela era datilógrafa. Quando Ofélia foi fazer entrevista para o emprego, já o achara engraçado: ele vestia um “chapéu de aba” e trazia as calças para dentro das meias. Durante a entrevista dela, Fernando Pessoa dava um sorrisinho. Ou pelo menos era assim que Ofélia se lembrava do encontro.

Ainda segundo o relato que ela faria mais tarde, um dia faltou luz no escritório, justo quando os dois estavam sozinhos. O poeta deixou um bilhete na mesa dela: “Peço-lhe que fiques.” Ofélia se preparava para sair, quando Pessoa se aproximou e começou a declamar os versos de Shakespeare em que Hamlet se declara para Ofélia: “Meço mal os meus versos; careço de arte para medir os meus suspiros; mas amo-te em extremo.” E puxou-a pela cintura, dando-lhe um beijo. A troca de cartas propriamente ditas começou ali.

Sempre especulou-se sobre a suposta homossexualidade de Pessoa. Mas é possível ver que ele realmente esteve envolvido com Ofélia, embora não haja, nas cartas, qualquer sugestão de que o casal tenha feito sexo algum dia. Ele gostava dos “jinhos” (beijinhos) enviados por ela nas cartas. Chegou até a desenhar um mapa com o caminho mais longo para deixá-la em casa, para ficar mais tempo com ela.

Na correspondência também há tristeza, porque Ofélia amou muito mais. Ela escreveu 270 cartas; ele, só 51. Em várias, a moça reclama dos sumiços de Pessoa, da ausência de cartas e telefonemas. E dá sermão quando ele abusa da bebida. A datilógrafa quer se casar, mas o poeta quer se dedicar à sua arte. Ela chega a assinar uma missiva como “Ofélia Pessoa (quem me dera)”.

— É uma história um tanto melancólica de um homem que não tinha a capacidade de amar no sentido habitual. Do outro lado, uma jovem ingênua, que não vê outro destino para si diferente do casamento tradicional. A literatura e o amor nem sempre jogam o mesmo jogo — afirma Eduardo Lourenço, filósofo e crítico literário português, que assina o prefácio do livro.

Em 20 de novembro de 1920, Pessoa termina com Ofélia. Numa carta melancólica, em que diz não mais amá-la: “Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e (…) conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil.” Em seguida, o que parece uma referência à literatura: “O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existência a Ofelinha nem sabe, e está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam.”

Os dois se reencontram nove anos depois, em 1929. Fernando Pessoa já é um quarentão, e Ofélia também está mais madura. Desse período em diante, as cartas dele trazem uma prosa mais parecida com o estilo que o consagrou.

Mas o poeta era um fingidor. Na mesma época, insere uma nova “pessoa” no relacionamento: seu heterônimo Álvaro de Campos, que é contra o namoro. Os sumiços dele continuam, só que dessa vez a culpa é de Álvaro de Campos, que lhe “toma” os papéis e canetas .

Numa das cartas, o heterônimo escreve: “Excelentíssima Senhora Dona Ofélia de Queiroz, um abjeto e miserável indivíduo chamado Fernando Pessoa, meu particular e querido amigo, encarregou-me de comunicar a V.Ex.ª — considerando que o estado mental dele o impede de comunicar qualquer coisa, mesmo a uma ervilha seca (exemplo da obediência e da disciplina) — que V. Ex.ª está proibida de: (1) pesar menos gramas, (2) comer pouco, (3) não dormir nada, (4) ter febre, (5) pensar no indivíduo em questão.”

O curioso: mais de uma vez, Ofélia relata ter encontrado Álvaro de Campos ou recebido um telefonema dele. No começo, ela odeia o heterônimo; depois, tenta cooptá-lo para se aproximar de Pessoa. Envia papel e canetas por ele para o poeta.

‘Preso e incomunicável’

Em 1931, como tentativa de se afastar de Ofélia, Pessoa bota em ação outro heterônimo: Ricardo Reis. Reis não escreve cartas, mas Ofélia diz ter recebido ligações dele. Em 1931, ela afirma: “Escrevo-lhe para dizer que me telefonou hoje um cavalheiro anunciando-se Ricardo Reis, e que vinha da sua parte para me participar que o Nininho estava preso e incomunicável e que só apareceria no princípio de março.” Entre 1932 e 1935, eles só se cumprimentam nos aniversários.

No “Livro do desassossego”, escrito pelo semi-heterônimo Bernardo Soares, o personagem poético que mais se assemelha ao Pessoa real, Soares diz só ter sido amado uma vez. Pode ser uma referência a Ofélia. Já o poema “Todas as cartas de amor são ridículas”, de Álvaro de Campos, foi escrito em 1935, um mês antes da morte do poeta. Nele, afirma: “Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor/ É que são/ Ridículas.”

Primeira edição da “Granta” em Portugal traz cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa

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Mafalda de Avelar, na Folha de S.Paulo

O mundo vai conhecer hoje cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa (1888-1935).

Eles serão publicados na primeira edição portuguesa da revista literária “Granta”, que sai hoje em Portugal, à qual a Folha teve acesso.

O jornalista Carlos Vaz Marques, diretor da publicação, confessa que andava há muito tempo à procura de um bom mote para lançar a “Granta” em Portugal.

“Quando estes inéditos de Pessoa apareceram, pelas mãos dos pesquisadores pessoanos Carlos Pittella-Leite e Jerónimo Pizarro, a razão estava mais do que justificada.”

O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro "Fernando Pessoa - Uma Fotobiografia", de Maria José de Lancastre (Reprodução)

O poeta Fernando Pessoa, em 1929, em do livro “Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia”, de Maria José de Lancastre
(Reprodução)

Pizarro selecionou um dos sonetos para que fosse publicado, em primeira mão, na “Ilustrada”. Elegeu aquele intitulado “Alma de Côrno”.

“Possivelmente, estes são os últimos sonetos de Pessoa escritos em português que ainda estavam por ser descobertos”, revela Pizarro.

“Há 25 mil documentos do autor guardados na Biblioteca Nacional de Portugal, mas nossa pesquisa leva a crer que não há mais sonetos inéditos em português entre eles. Há, sim, sonetos em inglês, em francês…”, diz.

O trabalho sobre as obras de Fernando Pessoa casa, em plenitude, com o tema desta primeira edição portuguesa da “Granta”: “Eu”.

O volume, lançado pela editora portuguesa Tinta da China, presente também no Brasil, traz textos de Saul Bellow, Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe, Rui

Cardoso Martins, Orhan Pamuk e Valério Romão, entre outros.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

PONTAPÉ

A publicação teve o seu pontapé inicial no Brasil. Foi em Paraty (RJ), durante a Flip, que Bárbara Bulhosa, editora da Tinta da China, conheceu o diretor da “Granta” britânica, John Freeman.

“Eu e a Bárbara já tínhamos pensado em editar uma revista literária”, explica Marques. “Soube que existia a ‘Granta’ do Brasil e trouxe um exemplar da mesma para Portugal.”

A “Granta” surgiu em 1889 como uma revista de um grupo de estudantes da Universidade de Cambridge. Já “lançou” nomes como Salman Rushdie, Martin Amis, Julian Barnes, António Lobo Antunes e Gabriel García Márquez.

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