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Posts tagged O Rio

O mercador de ideias

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Maria da Paz Trefaut, no Valor Econômico

Com o Fronteiras, Fernando Schüler mostra como fazer um curso de altos estudos sem concessões ao mercado
Magro e com 1,98 m de altura, Fernando Schüler atrai olhares aonde quer que vá. “Você tem que saber quem você é”, diz, dando a entender que lida bem com o biotipo que, na adolescência, o levou a praticar salto em altura e a ser campeão brasileiro juvenil da modalidade. O tempo, gradativamente, apagou o esportista e deu lugar ao intelectual. Agora, só caminhadas junto à orla carioca, numa frequência inferior à desejável, animam o empreendedor cultural, que há sete anos criou a série de conferências internacionais Fronteiras do Pensamento.

A barba, cultivada há poucos meses, contribui para reforçar o ar sério de Schüler, de 48 anos, cientista social com doutorado em filosofia, professor e diretor do Ibmec, no Rio de Janeiro. Gaúcho, daqueles que não entendem como alguém pode não gostar de chimarrão, diz estar adorando o Rio, onde vive há menos de dois anos, desde que aceitou o convite da universidade carioca. Fora da academia, seu currículo soma passagens em órgãos públicos, secretarias de governo e pelo Ministério da Cultura, em 1995, quando foi chefe do gabinete de Francisco Weffort. O cargo político mais recente que ocupou foi como secretário de Estado da Justiça e do Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul, no governo de Yeda Crusius, entre 2007 e 2010.

Depois de militar dez anos no PT e mais alguns no PSDB, a filiação partidária deixou de interessá-lo. Nem por isso se inclui entre os petistas desiludidos. Gosta de frisar que nos seus 14 anos de experiência em gestão pública, desempenhou funções em governos de vários partidos e que sua atuação nunca foi partidária. “Sempre fui convidado a ocupar funções pelo meu preparo acadêmico e profissional. Sou uma pessoa com múltiplas atividades. Criei a orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, a Fundacine, ajudei a construir a Fundação Iberê Camargo. Me agrada a ideia de criar instituições que permanecem.”

À parte de tudo isso, o Fronteiras do Pensamento é um marco em sua carreira de administrador e gestor cultural. O evento hoje faz parte do calendário cultural de Porto Alegre, onde foi criado, e também de São Paulo, onde ocorre pela terceira vez. Neste ano, a edição paulista deixa a Sala São Paulo e migra para o Teatro Geo – Complexo Ohtake Cultural, onde o escritor peruano Mario Vargas Llosa faz a conferência de abertura no dia 17. Em Porto Alegre, o seminário será iniciado mais tarde, só em 5 de maio, pela especialista em religiões Karen Armstrong. Estrelas como o neurocientista português Antonio Damásio e o Prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta circularão pelas duas cidades ao longo do ano.

Para Schüler é sempre um mistério tentar entender por que certos projetos culturais emplacam e conseguem um tipo de demanda e outros não. Recentemente, num momento de entusiasmo excessivo, ele chegou a dizer, em uma entrevista, que gostaria que o evento fosse o “U2 do pensamento”. Confrontado com a frase, ri com embaraço e retifica a comparação de imediato. “Foi um certo exagero. Modéstia é uma coisa boa. Tomara que fosse… Na verdade, eu queria marcar um ponto de vista. Existem certos tabus no meio intelectual. Se um concerto de rock pode ser espetacular, por que uma conferência de filosofia não pode?”

O ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento nasceu de uma provocação feita pelo empresário Luiz Fernando Cirne Lima, na época vice-presidente da Copesul, empresa que viria a ser comprada pela petroquímica Braskem. Ele queria saber se era possível ou não fazer um curso de altos estudos que tivesse valor em si, no sentido de contribuir para uma sociedade melhor, e que não tivesse que fazer concessões ao pragmatismo do mercado. Foi aí que Schüler entrou em cena. Depois, ao comprar a Copesul, a Braskem garantiu, de imediato, a manutenção do projeto, que continuou como uma aliança entre muitas empresas, organizações e universidades.

‘Existem certos tabus no meio intelectual. Se um concerto de rock pode ser espetacular, por que uma conferência de filosofia não pode?’

Quanto custa o evento é algo que Schüler não diz. Afirma apenas que a venda dos ingressos (R$ 2.380 o passaporte para as oito conferências, em São Paulo, e R$ 925, em Porto Alegre, para dez) não paga nem metade dos gastos. Ele justifica a diferença de preços entre as duas cidades pelos custos mais elevados de São Paulo e diz que a gestão cultural serve, justamente, para equacionar questões como essas.

Segundo ele, o público do Fronteiras provém de estratificações de renda muito diferentes. Em Porto Alegre, por exemplo, 30% são médicos. Na capital gaúcha, também há o projeto Fronteiras Educação, que atinge 15 mil crianças com fascículos didáticos, nos quais os temas das conferências são traduzidos numa linguagem acessível para a geração Z. Mas se o ciclo de debates começou apenas como um encontro físico, a proposta é que se expanda cada vez mais no mundo digital via o site www.fronteiras.com, onde o formato é ajustado para ser consumido em tablet ou smartphone. A utopia de Schüler é que as conferências sejam acessadas tanto por um executivo que está no metrô de Nova York como por um estudante de escola da periferia de Luanda.

Na história do evento constam mais de 130 conferências, que resultaram em 17 filmes de média-metragem e outros tantos documentários. “O grande foco do Fronteiras é fazer com que o debate das ideias vá para o grande público. Não gosto da palavra democratização. Mas propomos uma ponte entre o pensamento acadêmico, científico e o mercado das ideias.” Desde o início, o pluralismo comanda a seleção de convidados, mas há alguns limites: “Jamais convidaremos o [presidente do Irã Mahmoud] Ahmadinejad. Nossa fronteira é o compromisso das pessoas com direitos humanos. Você pode ter qualquer viés cultural, mas a defesa da liberdade, da igualdade entre homens e mulheres e o direito à expressão são valores universais”.

Uma das críticas que o evento recebeu foi ter trazido grande número de defensores do ateísmo. No ano passado, enquanto o escritor suíço Alain de Botton falava de seu livro “Religião para Ateus”, ficou claro que algumas pessoas abandonavam a sala com certo ruído, em protesto. Schüler, que não é ateu e vem de uma família de formação luterana, não vê problema nisso. “É um projeto polêmico por definição, é direito das pessoas discordarem, saírem da sala.” Mas a presença, neste ano, da historiadora da religião e ex-freira Karen Armstrong, que encontrou a compaixão como um valor comum a todas as grandes religiões, é sinal de que a crítica foi ouvida.

Pessoalmente, Schüler gosta de se afastar de extremos. É um socialdemocrata, que recusa a démarche esquerda-direita. “Ela envelheceu. Não que não seja legítima e as pessoas não possam recorrer a ela, mas é uma referência que, hoje, cria mais equívocos do que soluções conceituais. É curioso, porque são termos muito difíceis de serem definidos. Como você responderia isto: ‘Quem é mais autoritária: a direita ou a esquerda’? Qual das duas nutre mais preconceitos? Depende, né?”

Nem por isso ele acredita que vivemos um processo de desilusão política. O que temos, diz, é a cultura de dizer que há um descrédito na política. “Veja só: temos uma presidente, que é respeitável, mas que faz um governo médio, muito sujeito a críticas, com mais de 70% de aprovação. Se houvesse desilusão política, como a presidente de um país que tem crescimento econômico pífio poderia ter esse índice de aprovação? No Brasil, as pessoas afirmam seu descrédito na política, mas de fato acreditam na política e nos políticos.”

Já o cansaço que há com relação às formas tradicionais da política, ele vê como um fenômeno global. Como exemplo, se refere ao ex-líder estudantil francês Daniel Cohn-Bendit, de 68 anos, o “Dany Le Rouge” do Maio de 1968, que participou do Fronteiras e com quem conviveu três dias em Porto Alegre. “Quando lhe perguntei o que gostaria de visitar na cidade, ele disse que queria ir ao Instituto Ronaldinho Gaúcho. Até ele, que foi um jovem engajado cansou, quer saber de futebol.”

Na sua visão, as pessoas não irão mais se apaixonar pela política como em algum momento fizeram, nos anos 1980, no Brasil, quando se tratava de fazer uma transição para a democracia e havia comícios com 1 milhão de pessoas pelas Diretas. “Os momentos de êxtase político são passageiros nas sociedades. Ah, o normal da política? As pessoas são inteligentes, têm outra coisa para fazer. Se interessam pela cultura, pela vida privada, pela estética.”

Mario Vargas Llosa no Fronteiras do Pensamento    cultura divulgacao

O escritor Mario Vargas Llosa fará a conferência de abertura no dia 17, em São Paulo; em Porto Alegre, começa em 5 de maio com a especialista em religiões Karen Armstrong
Fato é que Schüler não parece muito convincente quando diz que seu desejo de voltar à política é zero. Ao longo da conversa mostra que essa não é uma certeza: “Olha, a gente nunca sabe o que pode acontecer no futuro…”, diz, rindo. “A minha relação com a política é muito feliz, muito positiva, os quatro anos em que fui secretário de Justiça e Desenvolvimento Social [RGS] foram uma experiência extraordinária. Então, quando você tem uma experiência positiva assim, no fundo, sempre deixa uma porta aberta. Mas não é algo que eu procuro. Não me seduz o poder, a carreira política ou a ideia de disputar votos. Ou de participar de um tipo de debate, que muitas vezes não agrega nada do ponto de vista pessoal.” E arremata com uma frase de efeito: “Li muito Montaigne para me seduzir pelo poder”.

A sua paixão declarada é a gestão pública. Foi gestor público federal, estudou gestão cultural na Universidade de Barcelona. O que lamenta é que o tema da política pública seja muito desvalorizado no Brasil. “Há uma brutal patrimonialização do sistema político sobre a gestão pública. E se confunde muito os interesses públicos com os da máquina pública. Falta a carreira de especialista em política pública.”

Pela experiência que tem como gestor cultural, Schüler acha necessário desburocratizar o sistema de incentivos fiscais. “Nos EUA, o cidadão aporta recursos no Metropolitan Museum, registra a doação e abate de seu imposto a pagar. No Brasil é preciso enviar um projeto para Brasília, que leva meses para ser aprovado. O sistema anglo-saxônico, com fundos de ‘endowments’, fundações privadas com ampla autonomia e sustentabilidade financeira, e pouca interferência estatal, incentiva doações e é superior ao nosso.”

Ainda que se considere um intelectual híbrido, que combina a academia, o ensino e a gestão de projetos, Schüler tem um modus vivendi típico de intelectual. Não gosta de falar da vida privada e o máximo que revela é que mora sozinho. Sua biblioteca com 1.800 livros, a maioria de história, filosofia, arte e literatura, é um item essencial do apartamento. “Não abro mão de ter um escritório grande e silencioso em casa, onde passo a maior parte do tempo. Dizem que a atividade intelectual exige que, em algum momento, você tenha gosto pela solidão.”

Fora os livros, os bons vinhos são um de seus poucos luxos. Consumista? Nem um pouco. “Me identifico muito com o livro do Max Weber, ‘A Ética Protestante’ e o ‘Espírito do Capitalismo’. Não sou um capitalista, mas tenho um estilo de vida quase minimalista. Uso o mesmo sapato até gastar.” O terno é um item essencial de sua indumentária, e Schüler se recusa a despir o paletó quando está sendo fotografado. “Sem paletó vocês vão tirar minha identidade”, brinca, e conta que o terno se tornou um hábito tão vital que o usa mesmo quando não tem reunião alguma. Depois, quase em tom confidencial, mostra o quanto é avesso a modas ao revelar que seu terno está tão surrado que tem alguns furos no tecido.

Por seu trabalho no Fronteiras, Schüler tem colecionado elogios. Até mesmo Adauto Novaes que, nos anos 1980 iniciou ciclos de debate que fizeram sucesso como “O Olhar”, “O Desejo” e vários outros, acha o trabalho de Schüler importante e necessário. Mas permite-se uma sugestão: “Gostaria que o Fronteiras do Pensamento se voltasse um pouco para a questão das mutações, do mundo em transformação. Vivemos uma revolução tecnológica, científica e digital. Estamos um pouco à deriva. Falta quem fale disso, boa parte dos pensadores tendem a lidar com velhos conceitos”.

Jovens improvisam ‘bibliotecas’ em pontos de ônibus no Rio

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Passageiros podem pegar e trocar livros em estantes espalhadas na cidade.
Projeto ‘Troque 1 livro’ está espalhado por 10 locais da Zona Sul.

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Bibliotecas improvisadas no Rio pelo projeto “Troca 1 livro” (Foto: Divulgação)

Publicado por G1

Por iniciativa de um grupo de cinco jovens, alguns pontos de ônibus da Zona Sul do Rio de Janeiro se transformaram em bibliotecas itinerantes. Os caixotes usados nas feiras livres viraram estantes de livros, que abrigam obras de Vladimir Nabokov a Jorge Amado, passando por contos infantis e escolares, que podem ser trocados e lidos gratuitamente pelos passageiros nos longos engarrafamentos da cidade.

O designer Vitor Sento Sé, um dos autores do projeto intitulado “Troque 1 livro”, explica que o objetivo da ação é desenvolver o potencial criativo da cidade. “Queremos melhorias e ideias inovadoras para o Rio. Nesse início, 100 livros foram doados por amigos. Queremos expandir para outros locais, como a Zona Norte e o Subúrbio”, conta o jovem de 30 anos.

Projeto começou em 10 pontos de ônibus (Foto: Divulgação)

Projeto começou em 10 pontos de ônibus
(Foto: Divulgação)

No primeiro dia do projeto, que teve início na quarta-feira (3), dez pontos de ônibus receberam as bibliotecas improvisadas. Os livros podem ser retirados e entregues na Rua Cosme Velho, na altura do Colégio São Vicente, na Praça Santos Dumont, na Gávea, na Rua da Passagem, em Botafogo, na Rua Jardim Botânico, na altura do Parque Lage, e em Ipanema, na esquina das ruas Garcia d´Ávila e Joana Angélica.

“Sabemos que na França e na Alemanha existe esse conceito de livros nos pontos de ônibus, mas lá não tem essa ideia de trocar, que é o mais legal do projeto”, diz o arquiteto e urbanista Hugo Rapizo, 28, um dos autores da iniciativa.

Além de Vitor e Hugo, integram o projeto o arquiteto André Almeida, o fotógrafo Marcelo Braga e o designer Jonas Dihel. Os jovens também são os criadores do programa “Simplicidades”, que promove exposições e atividades na cidade através do financiamento coletivo na internet.

dica do João Marcos

Focado em formação de pessoas e de acervo, Museu de Arte do Rio abre na sexta-feira

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Fabio Cypriano e Marco Aurélio Canônico, na Folha de S.Paulo

Um museu voltado à formação, tanto de pessoas quanto de um acervo público de obras de arte. Essa é a missão a que se propõe o Museu de Arte do Rio (MAR), que abre as portas na sexta-feira (1º), aniversário da cidade, em evento para convidados, incluindo a presidente Dilma Rousseff.

Primeiro dos quatro museus públicos que o Rio vai ganhar nos próximos anos –os demais são o do Amanhã, o da Moda e o novo Museu da Imagem e do Som–, o MAR ocupa dois prédios na zona portuária, que serão abertos ao público a partir de terça.

A integração entre arte e educação é a meta do museu: não por acaso, visitantes entram no espaço pelo prédio da Escola do Olhar –área educativa que atenderá alunos e professores da rede pública– para chegar às exposições.

Fachada do Museu de Arte do Rio (MAR), na praça Mauá, na zona portuaria do Rio de Janeiro; o museu será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

Fachada do Museu de Arte do Rio (MAR), na praça Mauá, na zona portuaria do Rio de Janeiro; o museu será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

“É um museu da cidade para sua população”, diz Paulo Herkenhoff, 63, diretor cultural do MAR. “Se for bom para a rede pública, será bom para os cidadãos e os turistas.”

Planejado para abrigar coleções privadas em exposições temporárias, a instituição mudou de característica com a chegada de Herkenhoff e passou a ter como meta criar um acervo próprio.
O MAR estreia com cerca de 3.000 obras, entre elas uma escultura de Aleijadinho, a primeira na coleção de um museu carioca, e um quadro de Tarsila do Amaral.

Suas quatro exposições inaugurais, no entanto, ainda são baseadas em coleções particulares, como as do casal Fadel e a de Jean Boghici –reduzida por um incêndio que atingiu a cobertura do colecionador no ano passado.

EXEMPLO DA PINACOTECA

Erguido ao custo de R$ 79,5 milhões, o MAR é uma parceria da prefeitura com a Fundação Roberto Marinho, à qual o município destinou cerca de R$ 62 milhões, por serviços nos dois prédios.

Do custo total, R$ 14 milhões vieram por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac); o museu tem a Vale e as Organizações Globo como patrocinadoras.

Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Paes, além de impulsionar a revitalização da zona portuária, o museu foi pensado para dar ao Rio “um equipamento parecido com a Pinacoteca de São Paulo.”

“A prefeitura não tinha nenhum museu de porte. O MAR permite, nesse primeiro momento, pelo menos expor acervos privados que estavam escondidos por aí”, diz.

A decisão de deixar a administração a cargo de uma OS (Organização Social), escolhida por edital, faz parte da estratégia de “institucionalizar” o museu, deixando-o menos sujeito às mudanças no comando da cidade.

A OS vencedora foi o Instituto Odeon, de Minas Gerais, que receberá R$ 12 milhões anuais da prefeitura. O contrato vale por dois anos, renovável por mais três. Para manter as atividades artísticas e educativas, buscará mais R$ 13,6 milhões via Lei Rouanet –o montante, já autorizado, está em fase de captação.

Por contrato, o MAR deve atender um mínimo de 2.000 professores da rede pública e receber ao menos 200 mil visitantes em seu primeiro ano.

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

(mais…)

Manoel de Barros comemora 96 anos hoje

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Imagem: Skoob

Publicado por Perfil Universitário

O poeta Manoel de Barros completa nesta quarta-feira, 19 de dezembro, 96 anos de idade. Ele é uma das grandes vozes da poesia brasileira. Seu universo não é nada urbano, o que resulta, a princípio, no efeito de estranheza para quem vive em grandes cidades.

O cenário da qual parte sua voz é o da floresta, do mato embrenhado, das extensões dos rios. A natureza é humanizada, a ponto de não a diferenciarmos do homem. O poeta se fixa nos bichos, nas plantas, nas águas e nas coisas “desimportantes”, banalidades do cotidiano, para criar uma atmosfera mágica que cativa a sensibilidade de quem lê.

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em 19 de dezembro de 1916, no Beco da Marinha, beira do rio Cuiabá. Com oito anos foi para o colégio interno em Campo Grande e depois para o Rio de Janeiro. Não gostava de estudar até descobrir os livros do padre Antônio Vieira. Em 1941 formou-se em Direito, mas desistiu da profissão talvez por timidez e nervosismo.

Filiou-se à Juventude Comunista. Preso durante uma pichação em pleno Estado Novo, livrou-se da cadeia quando a dona da pensão em que morava, pediu para qaue não levassem o menino que havia escrito um livro. O livro que não foi publicado, mas salvou-o da prisão foi “Nossa Senhora de Minha Escuridão”.

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dica da Luciana Leitão

Prêmio ‘caça’ escritores nas escolas brasileiras

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Entre os premiados estão um poeta de 12 anos do RN e uma jovem de 17 que denuncia ‘o roubo de água do rio’ no AP

Ocimara Balmant, em O Estado de S. Paulo

Sábado foi a primeira vez que o menino Henrique Douglas de Oliveira, de 12 anos, saiu de seu Estado natal, o Rio Grande do Norte. Morador da pequena cidade de José da Penha, com pouco menos de 6 mil habitantes, ele foi com a mãe para Brasília.

Na ida, ele já tinha motivo para comemorar: era um dos finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa. Mas a volta, amanhã, será ainda mais feliz. Além da medalha, ele leva um notebook, uma impressora e a convicção de que seus versos e rimas são de qualidade. Seu poema Ô de casa?! foi um dos campeões desta edição do evento. Venceu numa concorrência acirrada. Do País todo, foram enviados 48 mil textos de 5.092 municípios sobre o tema O Lugar Onde Vivo.

“Fiquei feliz porque eu não sabia que estava tão bom”, diz Henrique. “Mas não foi de uma hora para a outra. Eu fiz, fui relendo e trocando as palavras por outras melhores, até ficar satisfeito.”

Os textos concorreram em quatro categorias – poema, memória literária, crônica e artigo de opinião. Estudantes do 5.º e 6.º anos do fundamental concorreram com poemas, os do 7.º e 8.º, com memórias. As crônicas foram escritas pelos alunos do 9.º do fundamental e do 1.º do ensino médio, e os artigos pelos dos dois últimos anos do médio.

Foi nessa última categoria que Ana Lina de Oliveira, de 17 anos, foi premiada. Moradora de Macapá, seu texto Os Piratas do Amazonas denuncia o tráfico de águas na Região Norte do País. “Estão economizando, furtando a nossa água para transportá-la para a Europa e Ásia, já que a dessalinização de águas do oceano custaria mais caro.” A ideia veio de uma curiosidade antiga. “Sempre quis saber o que os navios faziam no meio do rio. Fui atrás e descobri. Espero que minha denúncia surta efeito.”

As escolas nas quais estudam os 20 selecionados receberão laboratórios de informática, com dez microcomputadores e uma impressora, projetor e telão, além de livros para a biblioteca.

Missão

A Olimpíada de Língua Portuguesa nasceu em 2002, com o nome Escrevendo o Futuro, um programa da Fundação Itaú Social. Em 2008 se tornou política de educação do governo federal e foi renomeado.

O modelo é bianual, com os anos pares dedicados para mobilização e premiação de professores, alunos e escolas e os ímpares para formação presencial e a distância de professores e educadores das secretarias de educação. A intenção é qualificar profissionais para que eles trabalhem cada vez melhor o estímulo à leitura e a produção de textos.

“Neste ano, a qualidade dos textos evoluiu muito. Isso mostra que a proposta da Olimpíada – que não é um concurso, mas um programa que capacita professores –, produz resultados”, diz o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias.

imagem: Internet

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