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Paperman – Assista ao curta da Disney indicado ao Oscar

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Gustavo Magnani, no Literatortura

1Como fez bem a Disney ao divulgar o seu curta metragem que vai nos extras de Detona Ralph!. Não apenas porque acho que seja uma boa jogada de marketing para “fortalecer” o curta no gosto popular, mas, como faz bem a Disney sendo Disney, ou sendo Pixar, já não sei mais quem é quem e qual é qual.

Num mundaréu de talentos, a Disney sabe integrar grandes ao seu trabalho, possibilitando diversas obras memoráveis – curtas e longas metragens. Paperman é tão sutil e mágico que o seu único defeito é ser curto demais. Os dois protagonistas se diferem tanto do resto dos outros humanos que a arte me soa impecável. A falta de fala é comum em curtas metragens, pois, pelo tamanho, dificilmente chega a ser cansativo – por exemplo, Wall-e demora mais de 10 minutos para ter a primeira fala – e, mais uma vez, é um recurso que cai com excelência na produção.

Para quem já viu: tinha certeza absoluta que o aviãozinho que nela chegaria seria o do beijo, mas, não. Os roteiristas optaram por um caminho inusitado, levando-o para um beco de outros aviões, para, então, criar o “paperman”.

A trama acompanha um jovem solitário que conhece uma bela garota durante uma manhã enquanto espera o trem para o trabalho.

John Kahrs e Kristina Reed dirigiram o curta em animação tradicional, exibido nos cinemas antes de Detona Ralph e fará parte dos extras da edição em DVD; Blu-ray do filme (que será lançada em 5 de março nos EUA).

A cerimônia de entrega do Oscara contecerá em 24 de fevereiro, com apresentação de Seth MacFarlane. [retirado de omelete]

Torturadores de palavras

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Luciano Pires, no Café Brasil

Este texto é de 2009. Mas precisa ser relido já.

Olha que história sensacional recebi por email: Judy Wallman é uma pesquisadora na área de genealogia nos Estados Unidos. Durante a pesquisa da árvore genealógica de sua família deu de cara com uma informação interessante. Um tio-bisavô, Remus Reid, era ladrão de cavalos e assaltante de trens. No verso da única foto existente de Remus (em que ele aparece ao pé de uma forca) está escrito: “Remus Reid, ladrão de cavalos, mandado para a Prisão Territorial de Montana em 1885, escapou em 1887, assaltou o trem Montana Flyer por seis vezes. Foi preso novamente, desta vez pelos agentes da Pinkerton, condenado e enforcado em 1889.”

Acontece que o ladrão Remus Reid é ancestral comum de Judy e do senador pelo estado de Nevada, Harry Reid. Então Judy enviou um email ao senador solicitando informações sobre o parente comum. Mas não mencionou que havia descoberto que o sujeito era um bandido.A atenta assessoria do Senador respondeu desta forma:

“Remus Reid foi um famoso cowboy no Território de Montana. Seu império de negócios cresceu a ponto de incluir a aquisição de valiosos ativos eqüestres, além de um íntimo relacionamento com a Ferrovia de Montana. A partir de 1883 dedicou vários anos de sua vida a serviço do governo, atividade que interrompeu para reiniciar seu relacionamento com a Ferrovia. Em 1887 foi o principal protagonista em uma importante investigação conduzida pela famosa Agência de Detetives Pinkerton. Em 1889 Remus faleceu durante uma importante cerimônia cívica realizada em sua homenagem, quando a plataforma sobre a qual ele estava cedeu.”

Não é sensacional? Palavras e números podem ser torturados pra dizer o que o torturador quiser!

Portanto, é indispensável se preparar para os discursos, matérias e reportagens com os quais você se depara diariamente. E esse processo de preparo começa com o estudo, com a leitura. Quem não lê não está preparado para assistir televisão, por exemplo. É a leitura que nos ajuda a construir um repertório suficiente para embasar nossas reflexões, enriquecer nossas comparações, orientar nossos julgamentos e refinar nossa capacidade de tomada de decisão.

Através da leitura tomamos contato com as idéias de homens e mulheres que ao longo da história trataram dos problemas que nos afligem. Com a leitura aprendemos como o mundo funciona e como o homem se comporta em sociedade. Aprendemos sobre po-lí-ti-ca.

Através da leitura e do estudo é possível desenvolver uma espécie de “sexto sentido” para perceber os malabarismos dialéticos, a tortura das palavras. No mínimo isso ajuda a não fazer papel de trouxa.

Sem leitura, repertório e pensamento crítico nos tornamos reféns dos torturadores profissionais de palavras. E então um “não”passa a significar “sim”. E vice versa. Erros viram acertos. Ladrões são tratados como empresários. Planos eleitoreiros são vendidos como a salvação da pátria. Terroristas passam por refugiados. Corrupção vira caixa dois. Assassinos transformam-se em vítimas.

Ah, ia me esquecendo! Em vez de simplesmente acreditar e repassar, decidi ler e estudar. E descobri que a história de Judy, Harry e Remus Reid é falsa. É uma mentira que circula pela internet há mais de dez anos…

Viu só?

dica do Rogério Moreira

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