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Troquei o vício em pedra pelo prazer de estudar, diz finalista da Obmep

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Eduardo Schiavoni, em UOL

“Eu posso dizer que troquei o vício em pedra de crack pelo prazer de estudar”. A frase é do adolescente Thiago*, interno em uma unidade da Fundação Casa em Ribeirão Preto que completará 18 anos em 3 de outubro.

Ele é um dos 1.522 mil menores de idade internados em instituições de recuperação a passarem para a final da Obmep (Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) e conta que, graças aos estudos, poderá recomeçar a vida. “Os números me salvaram”, disse.

Há pouco menos de dois anos na unidade de Ribeirão Preto, ele assume ter realizado “mais de 50” roubos e furtos, a maioria deles para comprar pedras de crack. Ex-viciado, o adolescente conta que morou nas ruas por quase um ano e que apenas descobriu a facilidade para a matemática depois que foi apreendido.

“Eu tinha parado de estudar com 15 anos, no primeiro colegial. Vivi na rua e acabei na Fundação Casa com 16 anos. Antes, por dez meses, fui viciado em crack. Aqui, voltei a estudar e percebi que sabia matemática. Enquanto estava na escola, fora daqui, eu não conseguia entender”, disse.

O desempenho escolar de Thiago foi tão positivo que ele está com emprego garantido assim que ganhar a liberdade. “Irei morar em uma república com mais quatro pessoas, todos ex-moradores de rua e que hoje trabalham. Também vou atrás de cursos para fazer e quero continuar a estudar, quem sabe fazer uma faculdade”, disse.

Rotina

A rotina de Thiago e de outros internos incluem aulas no período da manhã, pausas para refeições e oficinas no período da tarde. Atividades esportivas e disciplinares também são ofertadas, assim como os alunos são incentivados a participarem de projetos de estudos de disciplinas específicas, como a matemática.

“Graças a isso, podemos dizer que casos como o de Thiago, longe de serem exceções, hoje já são a regra nas nossas unidades”,. Ele conta que, na unidade Cândido Portinari, que tem 64 internos, 22 prestaram a prova, dos quais dez foram aprovados. Entre eles, quatro já estão em liberdade.

Segundo Márcio de Paula, diretor da regional de Ribeirão Preto da Fundação Casa, dados obtidos junto aos organizadores da Obmep, mostram que o índice de aproveitamento de internos da Fundação Casa chega a ser duas vezes e meia maior que o de estudantes da rede pública. “Foi assim na Olimpíada de Matemática e isso também é observado em outras disciplinas. Isso ocorre porque, como eles estão internados, então seguem uma rotina rígida na qual o estudo é tratado como prioridade”, disse.

A opção é estudar

Outro interno da Fundação Casa em Ribeirão a ter sucesso na Obmep – o adolescente Gabriel* 16, que parou de estudar aos 15 e, menos de um ano depois, acabou apreendido, concorda com o diretor. “Não tem muita opção, a gente tem que estudar. E isso é bom pra gente mesmo”, conta ele, que também foi aprovado e fez a prova da segunda fase da Obmep em 12 de setembro.

Internado depois de uma série de roubos, ele conta que matemática sempre foi a matéria preferida dele. “Eu sempre gostei de resolver os problemas. Parei de estudar e, quando entrei aqui, fiquei feliz por poder voltar a estudar”, disse.

Ele conta que o pai dele, que é pedreiro, foi o responsável por despertar a paixão pelos números. “Ele também estuda, está terminando o ensino médio. Eu chegava em casa e ele falava para eu calcular a área de uma cozinha, por exemplo, para ele saber quanto de piso precisaria comprar”, conta.

Ex-interno da Fundação Casa é premiado na Olimpíada de Matemática

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Adolescente cumpriu medida socioeducativa durante um ano e sete meses.
Cerimônia de premiação da Obmep 2014 acontece nesta segunda no Rio.

Gabriela Gonçalves, no G1

O Theatro Municipal do Rio recebe na tarde desta segunda-feira (20) a cerimônia de premiação da 10ª Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), com a presença do matemático Artur Ávila, o brasileiro vencedor da Medalha Fields, considerada o “Nobel da Matemática”. No total, participaram 18 milhões de estudantes: 6.500 ganharam medalha e 46.200, uma menção honrosa. Neste último grupo estão 37 adolescentes que cumpriam medida socioeducativa no Brasil. O G1 conversou com um deles, A. T. S., ex-interno da Fundação Casa, em São Paulo.

O adolescente parou os estudos ainda no ensino fundamental para trabalhar. Durante o período em que ficou internado, em uma unidade na Zona Sul da Capital, ele voltou a ter aulas e concluiu o primeiro ano do ensino médio. Sem ter aulas preparatórias para a Obmep, o jovem teve a nota mais alta da unidade – no total 542 internos da fundação chegaram à segunda fase do torneio.

“Eu fiquei feliz [quando soube da menção honrosa]. Foi um passo muito grande para mim ter conseguido terminar a prova. Tentei fazer a prova com tudo o que eu aprendi aqui dentro”, conta o jovem.

O gosto por fazer cálculos, porém, não se estende às regras do português. “Eu fiz a olímpiada de português, mas não passei. Eu gosto mesmo é de educação física e matemática. Das outras matérias eu não gosto muito, não. Prefiro fazer contas, pensar. A matemática faz a gente pensar muito e eu consigo raciocinar.”

Volta às aulas

A. foi desinternado em março deste ano, após cumprir um ano e sete meses de medida socioeducativa por roubo. Hoje, planeja fazer carreira e voltar aos estudos. “Eu trabalho com descarregamento de carga. Eu tenho que terminar a escola, mas não tem vaga. Ficaram de ver se conseguem para este meio de ano, mas acho que no ano que vem tem.”

De acordo com a pedagoga Kátia Martins de Aguiar, que há tres anos trabalha na Fundação Casa, a olimpíada é uma forma de medir o desenvolvimento do aluno e de motivá-lo. “Essas competições são um incentivo, é muito bom para eles. Proporciona a procura de um sentido, de reconhecer o próprio potencial. Faz com que eles possam se apoiar nos estudos e ver que este é o caminho”, afirma.

Filho de uma doméstica e sem contato com o pai, A. pretende mudar sua vida para crescer junto com a namorada e a filha de quase dois anos. “Quero crescer na vida, ser alguém, dar orgulho para a minha mãe, família, minha filhinha.”

Defasagem escolar

Segundo balanço da Fundação casa, 9.965 adolescentes cumprem medida socioeducativa em 148 centros no estado de São Paulo

Para Aguiar, a defasagem escolar é muito comum entre os adolescentes que são internados. “Eles não frequentaram a escola, se evadiram, e aqui dentro acontece a escola. Estes adolescentes têm que amadurecer e pensar no porquê estão aqui. Eles não podem simplesmente (mais…)

Trigênias: Filhas de agricultores do ES se tornam campeãs de matemática

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Publicado em Folha de S.Paulo

A chance de uma gravidez naturalmente resultar em trigêmeos é de aproximadamente uma para cada dez mil. Encontrar trigêmeas que sejam, as três, nota dez em matemática é, comprovadamente, muito mais difícil que ganhar na Mega Sena.

Fábia, Fabiele e Fabíola Loterio, 15, são do distrito de Rio do Norte, em Santa Leopoldina, interior do Espírito Santo (46 km de Vitória) e conseguiram o notável feito de ganharem, as três, medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) de 2014.

Apenas 500 de um total de 18.192.526 inscritos de todo o país conseguiram o ouro (0,0027%). As trigêmeas são de uma família humilde de agricultores. “Não sei de onde vem essa capacidade, mas a gente fica muito feliz e orgulhosa”, diz a mãe das garotas, Lauriza, 52.

O caminho até lá foi uma batalha. Em 2011, quando estavam no sexto ano do ensino fundamental, as três “só” ganharam menção honrosa. Em 2012, Fabíola ganhou a primeira medalha da família –de bronze. As irmãs ganharam novamente menção honrosa.

Além da medalha, Fabíola conquistou uma vaga no PIC (Programa de Iniciação Científica Júnior) do ano seguinte e começou a participar de reuniões mensais em Vitória para aprender uma matemática mais sofisticada e, entre outras coisas, a forma correta de se “escrever a lógica” do raciocínio, explica Luzia Casati, professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo que coordena o programa no Estado.

O PIC envolve atividades feitas pela internet. Fabíola passava o que aprendia para as irmãs e usava uma LAN house para entregar as lições, já que não tinha computador.

Em 2013, subiram de categoria ao ir para o oitavo ano. A prova ficou mais difícil, mas o resultado foi o mesmo de 2012: bronze para Fabíola. Fabiele ficou sem medalha, mas teve nota para se matricular no PIC. Fábia conquistou vaga e bolsa de R$ 100 mensais no “corpo a corpo”, indo com as irmãs assistir às aulas.

“Foi no PIC que eu aprendi matemática de uma maneira interessante e comecei a me apaixonar por ela, além de encontrar pessoas que compartilhavam do mesmo sentimento”, conta Fábia.

DISCIPLINA EM ALTA

Andréia Biasutti, professora das trigêmeas no ginásio, diz que o sucesso das meninas fez aumentar o interesse por matemática na escola da cidade: em 2014, outros três estudantes obtiveram menção honrosa na Obmep.

Dentro de casa, as trigêmeas também têm um bom exemplo: aos 23 anos, a irmã Flávia, após se formar em farmácia e concluir o mestrado, está no doutorado e trabalha em um projeto que visa recuperar movimentos em pacientes que tiveram AVC.

Flávia é uma das primeiras pessoas de Santa Leopoldina (de apenas 12 mil habitantes) a atingir esse nível de formação. Conseguiu ainda menção honrosa na Obmep, em 2007, quando cursava o segundo ano do ensino médio.

Para ir diariamente à faculdade, na cidade vizinha de Santa Teresa, Flávia percorria 30 km de moto. Mais ao norte, o distrito de São João do Petrópolis foi o destino das mais novas, onde fica o Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo) do município.

Elas passaram em primeiro, segundo e terceiro lugares para cursar o ensino médio profissionalizante em agropecuária. Moram no alojamento do campus e vão para Santa Leopoldina aos fins de semana ver a família.

Não sobra tempo para hobbies devido à rotina de estudos. Elas se acostumaram a ficar longe de casa. “Mesmo assim sinto falta da minha mãe”, conta Fábia.

A conquista das trigêmeas serve de incentivo para mais meninas se interessarem pela disciplina e pela competição, opina César Camacho, diretor do Instituo Nacional de Matemática Pura e Aplicada –que organiza a olimpíada.

Em 2014, apenas 19% dos medalhistas de ouro eram meninas, apesar da participação de 50% do sexo na segunda fase da olimpíada. As trigêmeas estão pensando seguir carreira e fazer graduação, é claro, em matemática. Pelo desempenho em 2014, elas devem receber as medalhas de ouro na segunda-feira (20), no Theatro

Municipal do Rio de Janeiro, com a presença do matemático brasileiro Artur Ávila, pesquisador do Impa e ganhador da Medalha Fields, o “nobel” da matemática.

Escola pública do DF é premiada três vezes em Olimpíada de Matemática

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A estudante Luísa Karoline participa do projeto "Matemática todo dia" do CEM (Centro de Ensino Médio) 9 de Ceilândia (DF). "Por morarmos em uma região pobre de Brasília, somos criados a nos formar e procurar um emprego simples. Agora, faculdade, mestrado e doutorado estão presentes cada dia mais em nossos planos", afirma (Foto: Roberto Jayme/UOL)

A estudante Luísa Karoline participa do projeto “Matemática todo dia” do CEM (Centro de Ensino Médio) 9 de Ceilândia (DF). “Por morarmos em uma região pobre de Brasília, somos criados a nos formar e procurar um emprego simples. Agora, faculdade, mestrado e doutorado estão presentes cada dia mais em nossos planos”, afirma (Foto: Roberto Jayme/UOL)

Jéssica Nascimento, no UOL

Muito esforço, motivação e amor pelos estudos. Segundo alunos e profissionais do CEM (Centro de Ensino Médio) 9 de Ceilândia (DF), este é o verdadeiro segredo para manter o título de colégio premiado três vezes na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas).

O primeiro título veio em 2007, fruto da inclusão do projeto “Matemática todo dia” que ocorre no turno contrário às aulas, todas as quintas-feiras entre 19h e 22h. Desde a criação, a iniciativa já atendeu mais de 350 alunos.

Segundo a professora Paula Nishikawa, a vitória não causou espanto.

“Trabalhamos arduamente durante três anos com os alunos, sabíamos que essa luta iria nos trazer recompensas. No entanto, quando soubemos do resultado foi uma emoção que tomou conta de toda a escola”, explica a professora de matemática.

Jogos de raciocínio lógico, filmes e aulas interativas fazem parte da rotina dos alunos no projeto. O diretor do CEM 9 José Gadelha conta que os estudantes participam por vontade própria e não faltam a nenhuma aula.

“Os estudantes mais velhos trazem os mais novos, participam ativamente como voluntários. Nossos ex-alunos que já estão na UnB (Universidade de Brasília) também fazem questão de frequentar o projeto”, diz.

Luísa Karoline, Douglas Alves, Cleverson Messias, Luana Soares, Everton Fernandes e Adeson Willard, todos entre 16 e 17 anos receberam menção honrosa da OBMEP.  Já Edgar Sampaio, conseguiu a medalha de prata. Para ele, foco e disciplina fazem a diferença na hora de fazer a prova.

“Estudo diariamente 3h e também refaço os testes. Quero ser professor de matemática ou engenheiro aeroespacial”.

Quebrando barreiras

A idealizadora do projeto Alessandra Lisboa, 40 anos, se emociona ao falar da iniciativa. Ela conta que o “Matemática Todo Dia” nasceu de uma inquietação pessoal de como mudar a relação da matéria no colégio e como auxiliar os jovens a irem mais longe.

“Pensar que uma escola inserida num contexto de vulnerabilidade social, que tinha tudo para dar errado e que está dando certo, sendo transformada, e provando transformações na vida dos estudantes é algo maravilhoso”.

A estudante Luísa Karoline, 16, ressalta a importância do projeto na vida acadêmica. Ela agora, poderá sonhar de verdade com um futuro promissor. “Por morarmos em uma região pobre de Brasília, somos criados a nos formar e procurar um emprego simples. Agora, faculdade, mestrado e doutorado estão presentes cada dia mais em nossos planos”.

Os alunos também reclamam da falta de incentivo em outras escolas. Segundo eles, muitos professores passam apenas o básico e não se preocupam em mostrar a matemática aplicada no dia-a-dia. “Temos que olhar por trás dos números e saber o que significa a história e o contexto de uma equação, por exemplo.

Consigo resolver diversos problemas na minha vida utilizando a matéria”, diz Douglas.

Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas premia 6.500 estudantes

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Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas

Akemi Nitahara, no UOL

O Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada) divulgou hoje (28) o resultado da décima edição da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas). A competição teve 18 milhões de participantes e foram premiados 6.501 estudantes, sendo 501 com medalha de ouro, 1.500 de prata e 4.500 de bronze, além de 42.043 menções honrosas. No ano passado, foram 6 mil medalhistas.

A atividade ocorre desde 2005 e tem os objetivos de incentivar o estudo da matemática e revelar talentos. A coordenadora da Obmep, Mônica Souza, lembra que o trabalho não se restringe às provas da competição.

“Nós já temos resultados, porque a Obmep não se resume só às provas, é todo um acompanhamento do aluno. O aluno premiado com medalha é convidado a participar do Programa de Iniciação Científica Júnior. Depois que ele termina o ensino médio e entra na faculdade pode concorrer à bolsa do Programa de Iniciação Científica e Mestrado. Com isso nós temos um acompanhamento desse aluno, nós queremos incentivar esse aluno a seguir carreira científica”, disse.

Mônica explica que, para isso, o Impa oferece diversos materiais de suporte aos alunos e professores. “Além desse acompanhamento do aluno, nosso objetivo também é prover as escolas com material de qualidade, todas as escolas têm acesso na base pública da Obmep ao banco de questões, solução das provas. Agora nós temos o Portal da Matemática – vídeos com aulas que abrangem do sexto ano do ensino fundamental ao ensino médio”.

Este ano, participaram alunos de 46.712 escolas de 5.533 municípios, o que corresponde a 99,41% das cidades brasileiras. As provas da primeira fase foram aplicadas em maio e da segunda, em setembro. A lista dos premiados pode ser consultada no site www.obmep.org.br.

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