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Posts tagged obra literária

Obras literárias pernambucanas apostam em erotismo, dramas pessoais e biografias

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Vem por aí lançamentos de Camila Wander, Stéphane Chao e Raimundo Carrero, Antônio Campos e Ana Maria de Araújo Freire

Da esquerda para a direita: Clarice Freire, Camila Wander e Raimundo Carrero lançam livros neste ano. Crédito: Colagem/Diario de Pernambuco

Da esquerda para a direita: Clarice Freire, Camila Wander e Raimundo Carrero lançam livros neste ano. Crédito: Colagem/Diario de Pernambuco

Fellipe Torres, no Diário de Pernambuco

A protagonista é impotente, meio burra. O par romântico tem poderes de sedução quase paranormais. Ao se encontrarem, sexo, sexo, sexo… e chega ao fim Cinquenta tons de cinza. Apesar da crítica antecipada disparada contra o enredo, a pedagoga Camila Wander, 26, estará na estreia do filme, daqui a um mês. Vai observar a “concorrência”.

Há dois anos, a recifense leu e reprovou o best-seller de E.L. James (100 milhões de cópias vendidas). Achou falso, americanizado. Na internet, disponibilizou de graça a própria história erótica, com personagens bem brasileiros, “normais, inteligentes”. Quatro milhões de leituras depois, a autora diz ter sido disputada por oito editoras. Em março, lança nacionalmente O safado do 105, com tiragem entre três e cinco mil cópias.

Se o caso da pernambucana soar inverossímil, basta lembrar a trajetória da escritora britânica. Até 2010, não havia publicado absolutamente nada, e em pouco tempo fez sucesso na web com versão erótica do drama Crepúsculo. Feitos os ajustes necessários, surgiu a trilogia. Segundo a Forbes, E.L. James lucrou US$ 95 milhões em 2013 e US$ 10 milhões no ano passado. “Depois do boom de Cinquenta tons, o gênero se consolidou. Abriu espaço para muita gente. Publicar uma autora com esse perfil, ainda mais do Nordeste, é um ótimo sinal para o mercado”, diz a editora de ficção da Planeta, Márcia Pereira.

Outro estreante na literatura produzida no estado, Wander Shirukaya fez o caminho contrário. Principal vencedor do 2º Prêmio Pernambuco de Literatura, o morador de Itambé, na Mata Norte, foi primeiro consagrado pela crítica especializada. Em janeiro, o livro Ascensão e queda chega ao público, em edição da Cepe. Hoje professor de inglês, ele rememorou os anos de guitarrista de banda de rock para engendrar o romance, que acompanha a decadência de um grupo após o suicídio do líder.

Embora seja permeada de referências à cultura pop, a narrativa se concentra nas maneiras de lidar com a morte de um ente próximo. Revela, ainda, a relação entre o desejo da fama e as frustrações naturais da carreira. “Atuar como músico me fez encarar diferente o glamour vendido pela mídia, lidar com a demora ou com a falta de reconhecimento, seja no rock ou na literatura”. O prêmio do Governo do Estado também vai editar livros de Helder Herik, Tadeu de Melo e Rômulo César Lapenda.

+Vem por aí

Romances

O ensejo de Valentina, de Adriano Portela. Segundo romance do escritor é protagonizado por mulher que confunde devaneios com vida real. A narrativa distópica desvela os problemas sociais de um império. Entre os personagens, Jorge Luiz Borges e Gilberto Freyre. A fábula de Dualina e Mar de sangue, de Arnaud Matoso. O escritor publica pela Chiado Editora duas ficções. Uma narra o resgate de um surfista por uma sereia. A outra, ambientada em 2016, imagina ataques de tubarão na orla do Recife.

A editora de livros artesanais Mariposa Cartonera anunciou coleção com dez obras de escritores brasileiros contemporâneos. Até agora, o único anunciado foi o pernambucano Marcelino Freire. A publicação será possível a partir de financiamento coletivo pela plataforma www.kickante.com.br.

Não ficção

Boa Vista – Berço das artes plásticas pernambucanas, de Jacques Ribemboim e Wilton de Souza. A obra mostra como o bairro no centro do Recife foi o epicentro do furacão cultural que tomou conta da cidade entre os anos de 1930 e 1980.

Nordestes, de Stéphane Chao e Raimundo Carrero. Em coautoria com o agente literário, o escritor pernambucano revela a literatura nordestina muito além do regionalismo e mostra os caminhos tomados pela produção de grandes autores.

Paulo Freire – Uma história de vida, de Ana Maria de Araújo Freire. O selo Paz & Terra reedita a biografia do educador pernambucano reconhecido internacionalmente, escrita pela viúva de Paulo Freire.

O escritor e advogado Antônio Campos prepara biografia do avô, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar. A trajetória pessoal e política será contada em três volumes ilustrados, pela Editora Carpe Diem.

Livro não é presente de Natal

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Cláudia de Villar, no Homo Literatus

Quais são as pessoas que compram um livro para presentear a sua mãe, sua namorada, um cunhado ou um amigo-secreto ou oculto de sua firma? E, para colocar mais lenha na fogueira, quem, realmente, gostaria de ganhar um livro de presente nesse Natal? Quem ficaria feliz? Ou quem ficaria decepcionado?

Eis aí o X da questão. Livro é sinônimo de felicidade? A maioria das pessoas, ao se dirigirem às compras, pensa em adquirir algo que proporcione alegria à pessoa a qual será presenteada, mas o impasse ocorre na possibilidade de contentamento, do prazer de causar impacto e satisfação. Quem presenteia quer causar boa impressão (eis que falo aqui de presente e não de uma lembrancinha), quer que o agraciado demonstre surpresa, que exiba o presente ganho na data festiva para os seus colegas com orgulho, que faça o seu semelhante sentir inveja, dessa forma, muitos travam ante a possibilidade em comprar um livro. Muitos nem cogitam essa hipótese, descartando, sumariamente, a palavra livro de seu dicionário natalino. Livro não é algo que cause inveja. Livro não é presente de Natal.

Por outro lado, temos a criatura que está aguardando o seu presente de Natal. Será que ela tem o desejo de ganhar um livro? Será que naquela listinha de amigo oculto da firma ela escreve, entre as possibilidades de presente, a opção livro?

Quantos pedidos de livro o Papai Noel recebe das crianças? Dos jovens e dos adultos? Quem, entre os terráqueos comuns (não os já acometidos pelo vírus da leitura) almeja ganhar um belo exemplar de uma obra literária? Será que o Senhor Noel não se surpreenderia com um pedido de um livro nessa Era Digital?

Por fim, eis que o Natal se aproxima, deixando para segundo plano a união familiar, o pensamento em Cristo e a importância de seu nascimento, colocando num pedestal a corrida desenfreada às compras do prazer, da luxúria, do amor negado durante todo o ano ao próximo e coloca os mortais na obrigação de comprar o seu perdão, juntamente com a possibilidade de garantir a absolvição de seus pecados através do presente de Natal.

E você, o que quer ganhar de Natal? Que tal um livro?

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