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Escolas particulares banem livro de Malala Yousafzai no Paquistão

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Ativista paquistanesa baleada por Talibã é considerada “ferramenta do ocidente”

Publicado no Opera Mundi

Autoridades de educação no Paquistão afirmaram neste domingo (10/11) que baniram o livro da ativista adolescente Malala Yousafzai (“Eu sou Malala”) de escolas privadas ao redor do país, afirmando que a obra mostra o devido respeito ao Islã e que a menina é uma “ferramenta do Ocidente”.

Adeeb Javedani , presidente da Associação de Gestão de Escolas Particulares Paquistanesas afirmou que a organização decidiu banir o livro de Malala das bibliotecas de 40 mil dos colégios afiliados. De acordo com ele, a menina representa o Ocidente e não o Paquistão. Kashif Mirza, da Federação de Escolas Particulares Paquistanesas, também anunciou que o livro será banido das escolas que participam da entidade.

Malala era “um modelo para crianças, mas esse livro a tornou controversa”, afirmou Mirza. “Por meio desse livro, ela se tornou uma ferramenta nas mãos do Ocidente”. Segundo ele, a obra falta com o respeito ao Islã por citar o nome do profeta Maomé sem usar o termo “paz esteja com ele” como é costume em muitos países muçulmanos.

No livro, Malala faz referência aos “Versos Satânicos”, do indiano Salman Rushdie, afirmando que seu pai os considera “ofensivos ao Islã, mas acredita fortemente na liberdade de expressão”. “Primeiro vamos ler o livro e depois por que não escrevermos nosso próprio livro em resposta?”, seu pai diz, segundo a obra.

A jovem paquistanesa também menciona no livro as minorias do seu país, como os cristãos e a comunidade ahmadi, que, segundo ela, sofrem constantes ataques.

Malala atraiu atenção global no último ano ao ser baleada na cabeça pelo Talibã por criticar a interpretação do Islã feita pelo grupo, que limita o acesso de meninas à educação. “Eu sou Malala”, escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, foi lançado em outubro deste ano.

Ao mesmo tempo em que ela se tornou uma heroína para muitos ao redor do mundo por se opor ao Talibã e se impor pela educação feminina, teorias da conspiração surgiram no Paquistão, afirmando que o tiro que levou foi uma armação para criar um ícone que o Ocidente pudesse adorar.

 

Mia Couto ganha o Prêmio Internacional Neustadt de Literatura

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Escritor moçambicano foi laureado com US$ 50 mil pelo conjunto da obra

Publicado em O Globo

Mia Couto ganhou seu segundo prêmio em 2013 Foto: JAIR BERTOLUCCI / Divulgação

Mia Couto ganhou seu segundo prêmio em 2013 Foto: JAIR BERTOLUCCI / Divulgação

NOVA YORK — O escritor Mia Couto, de Moçambique, ganhou um prêmio de US$ 50 mil (cerca de R$ 112 mil) pelo conjunto de sua obra, que inclui romances e livros de poesia.

Couto, de 58 anos, é o ganhador do Prêmio Internacional Neustadt de Literatura. A láurea foi anunciada na sexta-feira pela Universidade de Oklahoma e pela revista “World Literature Today”, publicada na escola de Norman, Oklahoma. O prêmio, que foi criado em 1969, é dado a cada dois anos. Entre os contemplados dos anos anteriores estão Gabriel García Márquez, Elizabeth Bishop e João Cabral de Melo Neto.

A obra de Couto é vasta, transitando entre diversos gêneros, do romance à crônica, do conto à poesia. Entre suas principais obras publicadas no Brasil estão “A confissão da leoa”, “Terra sonâmbula”, “O último voo do flamingo” e “Antes de nascer o mundo”, todos editados pela Companhia das Letras.Em maio deste ano, o escritor já tinha levado o Prêmio Camões, considerado o principal para autores de língua portuguesa.

Os EUA e as biografias: “A vida de uma pessoa pública pertence a todos nós

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No mercado editorial americano, o ramo do “não autorizado” é próspero em best-sellers. Historicamente, a maior revolta contra uma obra foi de Frank Sinatra

Publicado no IG

No mercado literário americano costuma-se dizer que quem quer ler a verdade a respeito de uma celebridade deve procurar pela biografia não autorizada escrita por algum jornalista de boa reputação. Nesse tipo de obra é possível ficar sabendo, por exemplo, que a apresentadora Oprah Winfrey teve romances secretos com mulheres, comercializou seu corpo na adolescência, e, por conta da falta de dinheiro para Barbies, brincava de casinha com duas baratinhas (aquelas mesmo de oito pernas e duas anteninhas – e bem vivas) que ela batizou de Melinda e Sandy. Tudo isso está no livro “Oprah”, escrito em 2010 por Kitty Kelley, renomada como uma das maiores especialistas no ramo do “não-autorizado” americano, mas provavelmente não estaria em uma biografia autorizada. Já quem procura por caminhos coloridos para idolatrar ainda mais seus herois, e só ouvir o lado A de suas histórias, deve buscar a biografia autorizada.

As biografias não autorizadas circulam livremente no mercado americano, mas, ainda assim, lançar uma biografia sem autorização prévia do biografado nos Estados Unidos pode dar muita dor de cabeça, e elas chegam na forma de ações judiciais movidas pelo “dono” da história.

Reprodução
Capa do livro que Kitty Kelley levou três anos para escrever e que Sinatra não pôde impedir

Quando, em 1983, soube que sua biografia não autorizada, “His Way”, estava sendo escrita pela mesma Kelley, Frank Sinatra acionou seus advogados para tentar impedir: alegava invasão de privacidade.

Um ano depois, o próprio Sinatra retirou a ação, e teve que engolir as mais de um milhão de cópias que inundaram as livrarias. Foram 22 semanas na lista de “mais vendidos”.

Para escrever a obra, Kelley passou três anos revirando documentos oficiais do governo americano (material relacionado à máfia e gravações secretas) e entrevistando mais de 800 pessoas do convívio do cantor. Ouviu família, colegas de trabalho e amigos.

Na introdução do livro, ela esclarece: “Tentei diversas vezes entrevistar Frank Sinatra para este livro. Durante um período de quatro anos, enviei várias cartas e nunca obtive resposta. Passei a ligar e escrever para seu editor, Lee Sotters. De novo, nada de resposta. Então fiz diversos telefonemas para o advogado do sr. Sinatra, Milton Rudin, e enviei várias cartas.(…) Em 21 de setembro de 1983, antes mesmo que uma palavra fosse escrita, Frank Sinatra abriu um processo para impedir este livro de ser publicado.” O valor do processo, esclarece ela mais adiante, era de 2 milhões de dólares. “Ele disse que só ele, e apenas ele, ou alguém indicado por ele, poderia escrever a história de sua vida.”

Reprodução
A “verdadeira história” da princesa Diana, o maior best-seller do ramo das não autorizadas

O livro de Sinatra continua sendo das biografias mais vendidas da história, atrás apenas das biografias não autorizadas da princesa Diana, de Elvis Presley, de Elizabeth Taylor e de Michael Jackson (a indústria não fornece os números exatos).

Não autorizadas são maioria entre os 10.000 lançamentos de 2012

O gênero “biografia” está entre os que mais cresceram nos últimos dez anos (60%), perdendo apenas para segmentos como “economia” e “tecnologia” em um mercado que movimenta anualmente 15 bilhões de dólares (cerca de 33 bilhões de reais), segundo o *BookStats. Em 2012, dez mil novas biografias chegaram às prateleiras norte-americanas (Fonte: *Bowker). Dentro desse número, a quantidade de obras não-autorizadas é maioria. Na loja virtual amazon.com, a oferta de biografias prova isso: entre as autorizadas, há 1.310 opções. A lista das não autorizadas tem 1.713 títulos. Há algumas não autorizadas tão criativas que surgem em formatos pouco ortodoxos, como gibis: Steve Jobs , Adele , Eminem e Lady Gaga ganharam suas versões HQ coloridas e não autorizadas, assim como Zac Efron e Justin Bieber .

Por falar em Bieber, esse ilustra bem a predileção do mercado de livros por astros em ascensão. Quando o garoto explodiu no showbiz, dezenas de biografias não autorizadas foram preparadas, algumas prontas em questão de semanas e, claro, de qualidade duvidosa. Aqueles que se retiram do showbiz também despertam a sanha. As mortes de Whitney Houston e Michael Jackson geraram várias biografias não autorizadas em questão de semanas. Mas o recorde fica com a morte de Elizabeth Taylor , em 2011, que abriu espaço para cinco biografias lançadas por grandes editoras americanas. Em uma das obras ficamos sabendo que a diva fez um ménage a trois com o presidente John F. Kennedy e o ator Robert Stack, informação que uma “autorizada” muito provavelmente não teria.

Biógrafos chegam a receber R$ 1,5 milhão de adiantamento

Reprodução
Umas das não autorizadas de Elizabeth Taylor, das estrelas favoritas dos biógrafos

Alguns autores especializados em biografias não autorizadas, como Kelley (Jacqueline Kennedy Onassis, Nancy Reagan, Elizabeth Taylor, Oprah), chegam a receber adiantamentos de um milhão e meio de reais, o que mostra que, mesmo com o risco de processos judiciais movidos pelo biografado, a ousadia compensa. Ainda assim, são bissextos os casos em que o biografado vai à Justiça alegando “invasão de privacidade” e ganha a causa como, no Brasil, aconteceu com Roberto Carlos, que conseguiu uma ordem judicial para que sua biografia não autorizada, “Roberto Carlos em Detalhes”, fosse recolhida das lojas (os livros hoje estão sob seu poder, embora ninguém saiba onde).

Nos Estados Unidos, um dos raros vitoriosos nesse âmbito foi o escritor recluso J.D Salinger (“O Apanhador no Campo de Centeio”), que justificou a ação dizendo que cartas que escreveu seriam usadas em uma biografia não autorizada que estava sendo escrita a seu respeito, e que isso invadia sua privacidade. Depois de algumas discussões mediadas por um juiz, as cartas foram retiradas; e a biografia lançada. Outros pesos pesados como Oprah Winfrey, George Bush , Ronald Reagan e Tom Cruise não puderam fazer nada além de espernear: suas biografias não autorizadas foram lançadas a despeito das caras-feias, dos pedidos para que fãs não as comprassem e de poucas e frustradas tentativas de investidas judiciais.

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O que vale mais, o escritor ou o livro?

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José Roberto Torero no Correio do Brasil

Escritorxlivro

Nos últimos anos, a figura do escritor tem ganhado mais importância que sua obra.

O que é mais importante, o criador ou a criatura?
Eu prefiro a criatura. Não me importa muito se um autor tem 18, 68 ou 118 anos, se é um office-boy, um acadêmico ou uma striper, se nasceu na Mooca, em Londres ou em Pokhara, a cidade-lago do Nepal.

O que me importa é o livro. Mas muitos preferem o escritor.

É claro que tem o seu sabor saber quem escreve uma obra. Eu mesmo, quando pego um livro na livraria, dou aquela olhada na orelha para ver a foto do autor e ler sua biografia. Mas isso deve ser apenas a cereja do bolo, não seu recheio; deve ser apenas uma nota de rodapé, não a cabeça da reportagem.

O culto à personalidade tem crescido tanto que em várias resenhas você fica sabendo onde nasceu o escritor, com quem ele é casado e o escândalo que deu em sua adolescência, mas quase nada sobre a obra.

A orelha está sendo mais valorizada do que as páginas do livro.

O cartunista Laerte, por exemplo, é brilhante desde os tempos da editora Oboré, quando fazia ilustrações para sindicatos, mas nunca ganhou tanto destaque quanto depois de praticar o crossdressing.

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