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Posts tagged Obras De Arte

O trabalho de auto-conhecimento através dos contos de fadas

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O conto de fada numa abordagem Junguiana

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Marilene Tavares de Almeida, na Biblioteca Virtual da Antroposofia

“Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”. Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.”

A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias.

Para Jung os contos de fada têm origem nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.

Pertencem ao mundo arquetípico. O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como anima, sombra, persona, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro.

Histórias representativas do inconsciente coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana.

Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o mito, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados.

São histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade, que arrebata e controla o sujeito humano, e seu poder mágico. Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, mitos e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Por isto seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos contos de países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo porque os contos de fada interessam à psicologia analítica.

Os contos de fadas, os mitos, a arte em geral, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Apesar das contingências externas, das conjunturas sócio-político-económicas, há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”.

Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.

A criança ouve a história e ela pode levá-la a uma mudança pessoal, não porque a entenda (usando, portanto, o intelecto), mas sim porque as imagens que ela contém vão diretas ao seu inconsciente, vão “trabalhar” os seus conteúdos e resolver algum problema eventual.

Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar-se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando-se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.”

Devido ao poder e à simplicidade das suas imagens, são formas de nos ajudar a despertar e operam a diversos níveis da consciência. A análise do conto propõe-nos um atalho atraente para o interior de nós mesmos, e convida-nos a efetuar um verdadeiro trabalho de auto-conhecimento e de transformação.

Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos.

No conto A Bola de Cristal, por exemplo, o príncipe parte em busca de sua princesa que espera ser libertada. Mas quando a encontra, ela parece-lhe abominável. Então ela diz: “O que vês não é o meu verdadeiro rosto. O Grande Mágico tem-me em seu poder. Por causa dele, os homens só podem ver-me sob esta forma horrível. Se quiseres contemplar a minha verdadeira aparência, vê-me no espelho. O espelho não se deixa enganar e mostrar-te-á a minha verdadeira face”. O herói olha para o espelho e vê nele o rosto, cheio de lágrimas, da moça mais bela do mundo.

O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos. Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.

Existe em cada um de nós uma princesa encantada que achamos feia e abominável: são os nossos recalques, que vivemos sob a forma de vergonha, inveja, cólera e desencorajamento, entre outros. Se aprendermos a ver esses instintos nesse espelho de verdade que são os contos, poderemos contemplar as verdadeiras belezas que habitam em nós e que choram enquanto aguardam a sua libertação.

Essas princesas só têm um herói: nós mesmos. É a nós que compete libertar o nosso reino interior e a princesa belíssima que nos espera. É a parte mais íntima do nosso ser que encontramos no espelho dos contos e que nos conduz à libertação e ao desabrochar pleno. Existe uma identidade perfeita entre nós e o conto. O conto é a nossa história. É a encenação metafórica de aspectos nossos que ignoramos, recusamos, ou que não sabemos ver tal e qual são. Se conseguirmos penetrar no espelho e reconhecer a nossa imagem, se escutarmos o conto para nele encontrarmos aspectos concretos da nossa existência, bastar-nos-á pôr em prática as suas propostas e viver a nossa vida segundo esse modelo de verdade.

Somos feitos da mesma maneira que os contos são feitos e a função dos contos é lembrar-nos isso mesmo. Se não nos lembramos, é porque estamos sob o feitiço de um Grande Mágico, que nos subjuga, seja através de condicionamentos mentais, seja através das representações falseadas da realidade.

O conto tem por fim acordar a nossa estrutura de verdade profunda, levar-nos a experimentá-la e a pô-la em movimento, a fim de que possamos harmonizá-la com o arquétipo ideal. É ele a chave de acesso a um maior auto-conhecimento.

dica da Dy Luz

A faceta literária de Woody Allen

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Bem-sucedido diretor de cinema, Woody Allen usa a literatura para fazer experimentações narrativas.

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Sofia Alves, no Homo Literatus

Quando falamos em Woody Allen, pensamos imediatamente em obras de arte sequenciais. Seus filmes são verdadeiros clássicos do cinema mundial que enchem cinemas com um público bastante variado, de senhorinhas que avidamente o assistiam nos anos 70 aos jovens do século XXI que procuram um cinema onde bons roteiros e jazz predominem. Há, porém, um lado pouco conhecido do diretor que merece tanto destaque quanto sua filmografia: sua literatura.

Dono de filmes com diálogos ácidos, mas ao mesmo tempo delicados quanto aos sofrimentos da vida, o diretor possui uma grande capacidade de articulação de ideias com fina amarração, como podemos observar em seus roteiros. Tal talento extrapola o cinema e chega até a literatura. Sua escrita, como dita pelo próprio, é apenas um hobby. É algo para se fazer ao anoitecer, quando a exaustão de filmar seus longas bate e há a necessidade de um frescor que somente as palavras no papel podem trazer.

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A maioria dos livros publicados por Woody Allen é de contos. Nas breves histórias que o cineasta conta, podemos observar o seu famoso senso de humor vívido e ácido que também o notabilizou nas telas grandes – apenas como curiosidade, Allen declarou que Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, está entre seus cinco livros preferidos. O diretor manifestou em diversas entrevistas o seu gosto pela literatura, por lhe permitir experimentar antes de levar novas histórias para o cinema. Segundo o próprio, sua notabilidade como cineasta diminui a permissividade com qualquer inovação estética diretamente em seus enredos. Por isso, a literatura tornou-se grande aliada de suas experimentações.

Há, inclusive, alguns fãs do autor que leram seus livros e conseguiram perceber tais experimentações literárias em seu cinema. Em um de seus livros de contos, chamado Que loucura!, Allen escreveu uma história denominada O caso Kugelmass. A curiosidade encontra-se na similaridade entre a história e o enredo do filme Meia Noite em Paris, lançado muitos anos depois. As histórias contêm algumas diferenças pequenas, mas apresentam as mesmas ideias e conteúdo, evidenciando então o poder que Woody delega à literatura quando se trata de tentar algo novo.

Woody Allen (centro) no set de filmagem de Meia Noite em Paris

Woody Allen (centro) no set de filmagem de Meia Noite em Paris

A fugacidade do cinema de Woody Allen não passa despercebida em sua literatura. Seus livros são recheados de histórias gostosas que permitem que voltemos atrás algumas páginas para saborearmos novamente tal genialidade, coisa que o timing cinematográfico muitas vezes não permite. Seja nas telas, nas páginas ou nas trilhas sonoras, Woody Allen é um gênio das palavras ditas e implícitas.

Livro e exposição resgatam pioneiros da edição artesanal no país

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Se hoje editoras artesanais como a carioca A Bolha e a paulista Mínimas são vedetes, com seus livros cuidadosamente trabalhados, no extenso cenário de casas independentes do país, devem isso a nomes como os dos poetas João Cabral de Melo Neto, Geir Campos e Thiago de Mello, que nos anos 50 mostraram que livros podem ser obras de arte –sem custar uma fortuna.

Numa época em que o apuro gráfico não era uma preocupação de editores, atentos apenas ao conteúdo –à exceção de pioneiros como José Olympio, no cenário não artesanal–, eles e alguns poucos colegas abriram as portas para edições em pequena escala, com atenção especial para o papel escolhido, a tipologia, a diagramação e a capa.

Um recorte desse movimento foi realizado pela produtora editorial Gisela Creni, da Companhia das Letras, como dissertação de mestrado em história na USP, nos anos 1990, e ganha agora edição caprichada em livro, com apoio da Fundação Biblioteca Nacional, pela editora Autêntica. Com a parceria, foi possível disponibilizar o livro, todo colorido, por R$ 39,90.

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

“Editores Artesanais Brasileiros” investiga a produção caseira de João Cabral de Melo Neto (sob o selo O Livro Inconsútil), Manuel Segalá (Philobiblion), Geir Campos e Thiago de Mello (Hipocampo), Pedro Moacir Maia (Dinamene), Gastão de Holanda (O Gráfico Amador, Mini Graf e Fontana) e Cleber Teixeira (Noa Noa).

EXPOSIÇÃO
A obra originou exposição homônima, sob curadoria de Cristina Antunes, em cartaz na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária da USP, cujo acervo foi usado para a pesquisa de Gisela Creni.

“A ideia surgiu quando trabalhei com [o poeta e editor] Augusto Massi na antologia Artes e Ofícios da Poesia [Secretaria Municipal de Cultura/Artes e Ofícios, 1991]. Comecei a entrar em contato com esses nomes e percebi que todos tinham uma característica em comum: todos se autopublicavam e trabalhavam com esmero as próprias edições”, ela conta.

Todos também se preocupavam em editar autores da mais alta qualidade, especialmente nomes que ainda não eram tão reconhecidos como hoje, como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles.

“O próprio Thiago de Mello se autopublicou, o João Cabral, e ambos vieram a ser reconhecidos como grandes escritores. Só depois alguns desses livros hoje centrais para a literatura brasileira ganharam edições comerciais”, diz Gisela.

Cada capítulo inclui um levantamento inédito da produção de cada um desses editores, além de, na maior parte do caso, vir acompanhado de depoimentos dos retratados, que contam suas visões pessoais dessa história.

‘CROWDFUNDING’
Há curiosidades como o modelo de financiamento trabalhado por editoras como a Hipocampo, que antecipou o modelo hoje conhecido como “crowdfunding”, com obras sendo produzidas a partir de um pagamento prévio dos interessados.

A autora não pôde falar com todos os editores –João Cabral, por exemplo, à época da pesquisa, informou não ter condições de dar entrevista (viria a morrer em 1999)–, mas conseguiu depoimentos emocionados como o de Thiago de Mello, que explicitou o orgulho do serviço prestado como editor, do qual não tinha a dimensão na época.

Para Gisela, esse trabalho pioneiro inferferiu não só na produção de casas artesanais hoje como na das maiores editoras do país, inclusive a própria Companhia das Letras onde ela trabalha, já que o bom acabamento passou a ser dissociado da ideia de uma edição cara demais.

“Além de terem sido responsáveis por um salto na qualidade da produção editorial no país, essa é uma história intimamente ligada à história da poesia brasileira”, ela conclui.

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

EDITORES ARTESANAIS BRASILEIROS
AUTORA Gisela Creni
EDITORA Autêntica
QUANTO R$ 39,90 (160 págs.)
EXPOSIÇÃO em cartaz na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária da USP; de seg. a sex., das 9h30 às 18h30, e sáb., das 9h às 13h

“‘Guernica’ é o despertar de um transe”, diz o historiador T.J. Clark na Flip

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A partir de fotografias, britânico explica processo criativo do pintor espanhol Pablo Picasso

Aline Viana, no Último Segundo

O crítico e historiador britânico T.J. Clark deu uma aula sobre o processo criativo do pintor espanhol Pablo Picasso nesta quinta-feira (4) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Durante sua fala na mesa “Olhando de novo para ‘Guernica’, de Picasso”, o historiador apoiou sua análise nas fotografias que a mulher do pintor, Dora Maar, tirou do quadro durante todas as fases de sua execução.

Aline Viana T.J. Clark participa de mesa na Flip 2013

Aline Viana
T.J. Clark participa de mesa na Flip 2013

A obra, que tem dimensões de 7,82m x 3,50m e representa o bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em abril de 1937, foi elaborada e concluída em pouco mais de um mês e se tornou uma das principais obras de arte do século 20.

“Os três anos que precederam ‘Guernica’ são complexos e difíceis para Picasso. Ele ficou meses sem pintar nada, fazendo gravuras, jogando todas as suas energias numa poesia esquisita e, ao meu ver, muito ruim. ‘Guernica’ é o despertar a esse transe”, revelou Clark.

AP O quadro 'Guernica', de Pablo Picasso

AP
O quadro ‘Guernica’, de Pablo Picasso

Para Clark, Picasso impôs vários desafios a si mesmo durante a execução do quadro. “[A obra] teria que ser retratada isolando os indivíduos como o terror isola as pessoas, mas em num espaço comum. A privacidade havia sido dilacerada. A sala dava lugar à rua. As pessoas teriam que estar de fato caindo pelas janelas, gritando. Havia o imperativo de tornar a dor pública. Significa situar isto no mundo exterior, encarnar a dor, torná-la real, material. São imperativos (criativos) nobres e a necessidade eventual do quadro de responder a esses imperativos é o que lhe dá vida tão longa”, analisou o historiador.

A opção por organizar a obra em um padrão hexagonal em um padrão de luz e sombras foi decidida no meio da produção. “Sempre houve críticos que detestaram a geometria de ‘Guernica’, que a consideravam acadêmica. Penso que Picasso queria produzir uma atividade tonal pesada, que contrabalançasse a luz e sombra. ‘Guernica’ sofre imensamente o preço da fama”, concluiu o historiador.

Focado em formação de pessoas e de acervo, Museu de Arte do Rio abre na sexta-feira

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Fabio Cypriano e Marco Aurélio Canônico, na Folha de S.Paulo

Um museu voltado à formação, tanto de pessoas quanto de um acervo público de obras de arte. Essa é a missão a que se propõe o Museu de Arte do Rio (MAR), que abre as portas na sexta-feira (1º), aniversário da cidade, em evento para convidados, incluindo a presidente Dilma Rousseff.

Primeiro dos quatro museus públicos que o Rio vai ganhar nos próximos anos –os demais são o do Amanhã, o da Moda e o novo Museu da Imagem e do Som–, o MAR ocupa dois prédios na zona portuária, que serão abertos ao público a partir de terça.

A integração entre arte e educação é a meta do museu: não por acaso, visitantes entram no espaço pelo prédio da Escola do Olhar –área educativa que atenderá alunos e professores da rede pública– para chegar às exposições.

Fachada do Museu de Arte do Rio (MAR), na praça Mauá, na zona portuaria do Rio de Janeiro; o museu será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

Fachada do Museu de Arte do Rio (MAR), na praça Mauá, na zona portuaria do Rio de Janeiro; o museu será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

“É um museu da cidade para sua população”, diz Paulo Herkenhoff, 63, diretor cultural do MAR. “Se for bom para a rede pública, será bom para os cidadãos e os turistas.”

Planejado para abrigar coleções privadas em exposições temporárias, a instituição mudou de característica com a chegada de Herkenhoff e passou a ter como meta criar um acervo próprio.
O MAR estreia com cerca de 3.000 obras, entre elas uma escultura de Aleijadinho, a primeira na coleção de um museu carioca, e um quadro de Tarsila do Amaral.

Suas quatro exposições inaugurais, no entanto, ainda são baseadas em coleções particulares, como as do casal Fadel e a de Jean Boghici –reduzida por um incêndio que atingiu a cobertura do colecionador no ano passado.

EXEMPLO DA PINACOTECA

Erguido ao custo de R$ 79,5 milhões, o MAR é uma parceria da prefeitura com a Fundação Roberto Marinho, à qual o município destinou cerca de R$ 62 milhões, por serviços nos dois prédios.

Do custo total, R$ 14 milhões vieram por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac); o museu tem a Vale e as Organizações Globo como patrocinadoras.

Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Paes, além de impulsionar a revitalização da zona portuária, o museu foi pensado para dar ao Rio “um equipamento parecido com a Pinacoteca de São Paulo.”

“A prefeitura não tinha nenhum museu de porte. O MAR permite, nesse primeiro momento, pelo menos expor acervos privados que estavam escondidos por aí”, diz.

A decisão de deixar a administração a cargo de uma OS (Organização Social), escolhida por edital, faz parte da estratégia de “institucionalizar” o museu, deixando-o menos sujeito às mudanças no comando da cidade.

A OS vencedora foi o Instituto Odeon, de Minas Gerais, que receberá R$ 12 milhões anuais da prefeitura. O contrato vale por dois anos, renovável por mais três. Para manter as atividades artísticas e educativas, buscará mais R$ 13,6 milhões via Lei Rouanet –o montante, já autorizado, está em fase de captação.

Por contrato, o MAR deve atender um mínimo de 2.000 professores da rede pública e receber ao menos 200 mil visitantes em seu primeiro ano.

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

O Museu de Arte do Rio (MAR) será inaugurado na sexta-feira, 1º de março

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