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As pessoas que não deixam livros morrerem

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Gustavo Czekster, no Literatortura

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Os livros são os maiores inimigos do pensamento livre. Nenhuma expressão artística insulta mais os tiranos do que a Literatura: eles conseguem suportar a Pintura, tolerar a Escultura, torcer a cabeça com condescendência para a Música e para a Dança. No entanto, assim que inicia um regime que visa a tolher a liberdade ou os direitos de alguém, os livros são os primeiros a arcarem com as consequências. São queimados, insultados, destruídos; alguns deles são revisados, outros sofrem censuras parciais ou totais.

Livros estimulam as pessoas a pensarem por conta própria; são o germe de qualquer revolução ou questionamento da realidade.

Impossível falar deste assunto sem lembrar de “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury. A história de uma sociedade em que os livros são proibidos e o pensamento crítico é subjugado aos interesses dos poderosos continua nos assombrando. Não por parecer ficção, mas por estar cada vez mais próximo da realidade. Existe uma grande quantidade de leitores que se recusa a ler algo sob o argumento de que ouviu outras pessoas falarem que é ruim. Também não são poucas as pessoas que acham que determinados livros deveriam deixar o mercado ou serem extirpados das livrarias. Existe pouca diferença entre pensar assim e queimar um livro. Assim como existem obras de todos os tipos, existem leitores também. Não acredito na divisão entre baixa e alta literatura ou que alguém que se acostume a ler algo ruim acabe chegando aos bons livros, mas acredito que cada livro existe com o propósito de encontrar um único leitor e, se atingir outros pelo caminho, qual prejuízo pode causar? Pior do que existir livros ruins é não existir livros.

Muitos falam sobre os escritores, mas poucos lembram dos verdadeiros heróis que preservaram livros tidos como subversivos ou os salvaram da destruição. Alguns nomes chegaram ao nosso conhecimento, como Max Brod, que salvou duas vezes a obra de Kafka: a primeira, quando o escritor tcheco pediu para que ele queimasse tudo após a sua morte; a segunda, quando fugiu de Praga em 1939, após a ocupação nazista, levando consigo os escritos do outro. Na época, Brod não tinha como saber se a obra de Kafka sobreviveria à passagem dos anos, não sabia sobre a qualidade dos livros ou se eles repercutiriam em outros leitores, mas, mesmo assim, lutou para defendê-los, tanto do próprio autor quanto do avanço de um regime totalitário. Outros nomes nunca saberemos, como a primeira pessoa que caminhou pela Grécia colhendo os cantos esparsos de Homero e trazendo ao mundo a “Ilíada” e a “Odisseia” ou o compilador do “Gilgamesh” e dos “Vedas”. Pessoas que foram engolidas pelo Tempo, mas cuja preservação da literatura alheia à custa da perda da própria identidade foi nada menos do que heroica.

Se escrevo sobre o tema, é por que, recentemente, descobri a existência de Nadezhda Mandelshtam (1899-1980), escritora, doutora em Letras e professora na Rússia. Apesar de tanta qualificação, passou para a história da Literatura como a esposa do grande poeta Ossip Mandelshtam. O fato de sabermos tanto sobre Brod e tão pouco sobre Nadezhda relaciona-se tristemente ao fato da História não pertencer somente aos vencedores, mas também aos homens.

Ser considerada somente como “esposa” não faz justiça à sua real importância, é uma forma de minimizá-la. Ossip passou a vida toda entrando e saindo das prisões stalinistas, sempre por causa das suas poesias questionadoras, até o dia em que morreu em um campo de trabalhos forçados perto de Vladivostok. Nadezhda dedicou a sua existência a proteger a obra e o legado do poeta morto e, para tanto, decorou todos os poemas dele. A obra não podia ser publicada e, de acordo com aquilo que descobri (são pouquíssimas referências a Nadezhda, mas muitas a Ossip), o governo de Stalin a perseguiu de forma feroz, sabendo que, se matasse a guardiã última dos versos, mataria de vez o poeta. Alguns relatos esparsos mencionam que, em certas ocasiões, foi por uma questão de detalhe que não a capturaram. Nadezhda passou boa parte da sua vida escondendo-se e fugindo da polícia, sem poder esquecer os poemas do marido e, ao mesmo tempo, sem deixar de acalentar a própria poesia.

Em um ensaio de Joseph Brodsky, “Nadiêjda Mandelstam (1899-1980) — um obituário”, que faz parte do livro “Menos que Um”, ele descreve Nadezhda da seguinte forma: “era uma mulher baixa e magra, e com o passar dos anos foi-se encolhendo cada vez mais, como se tentasse transformar-se numa coisa sem peso, algo que se pudesse enfiar às pressas no bolso em caso de fuga. Não possuía bens materiais: nem móveis, nem objetos de arte, nem biblioteca” (tradução de Sergio Flaksman). A única coisa que Nadezhda possuía era a sua memória, onde estavam impressos os poemas do seu marido. Durante algum tempo, Stalin desistiu de calar a poesia e publicou versões adulteradas dos poemas de Ossip, mas a recordação de Nadezhda mantinha intacta a voz original do poeta.

Não sabemos se, no início, era a saudade do marido morto que a fez tomar a decisão de preservar a obra dele na própria memória. O que não temos dúvida é que, com o tempo, a lembrança do amor se esvaneceu, mas os poemas não. O que pode ter começado como um ato de amor a alguém, logo se transformou no ideal maior: preservar a voz de um poeta ao custo da própria vida.

Brodsky afirma que, se existe um substituto para o amor, é a memória, pois memorizar é restabelecer a intimidade. Penso ser um pouco mais do que amor: Nadezhda preservava os poemas de Ossip por saber que homens e mulheres morrem, mas palavras nunca. Se hoje lemos Ossip, é por que Nadezhda não desistiu da Literatura, mesmo atravessando desertos gelados, rios pérfidos repletos de água negra e se escondendo em pequenas cidades longe do alcance do inimigo. Mais do que escritores, a Literatura é feita com as vozes de milhares de anônimos que decoram frases e trechos de livros e nunca os deixam morrer, não importa qual seja o regime totalitário, o silêncio alheio ou a violência que deseje subjugá-lo.

Existe Vida e existe Literatura e, às vezes, a Literatura precisa ser maior do que a própria Vida. Portanto, é imperativo nunca esquecer Nadezhda e as incríveis pessoas que não deixam os livros morrerem. As bibliotecas só existem graças ao seu sacrifício voluntário.

Garoto de 10 anos já leu ‘Odisseia’ e ‘Ilíada’

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Andréa Lemos, na Folhinha12356584

Renato Barreiros, 10, aprendeu na escola um pouco sobre a Guerra de Troia e leu em sala de aula partes do poema “Odisseia”. Ele fala da viagem do guerreiro Ulisses de volta para a casa, depois do fim da guerra.

Empolgado com essa história e com vontade de entendê-la melhor, Renato pediu para o pai comprar “Ilíada”. Esta é uma versão adaptada para crianças do texto escrito por Homero, o mesmo autor de Odisseia. Em “Ilíada”, o leitor fica sabendo que a guerra começou por causa do rapto da rainha Helena pelo príncipe de Troia.

“Esse livro é muito interessante. As histórias são um pouco complicadas, mas a linguagem é fácil e tem ilustrações”, conta. Renato já leu outros livros sobre mitologia. “Eu gosto bastante desses temas.” Dá para perceber!

Sugestões de filmes para introdução à Literatura

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Imagem Google

André Gazola no Lendo.org

A Literatura tem muito em comum com o Cinema. Diversos são os filmes cujo roteiro baseia-se em obras literárias de grande — ou nem tanto — sucesso, a fim de levarem para as telas as imagens que estavam apenas na imaginação dos que se aventuraram entre as páginas de um livro.

Sabemos da dificuldade que as escolas têm para introduzir aos alunos, principalmente os de Ensino Médio, obras literárias que exigem mais que apenas a simples absorção passiva das palavras — principalmente por muitas serem realmente difíceis até para leitores experientes. As principais dificuldades têm ocorrido no primeiro ano do Ensino Médio, afinal é nesse estágio que ocorre o primeiro contato dos alunos com esse tipo de leitura. Nesse sentido, vale a pena pensar em diferentes estratégias para atrair a atenção dos estudantes para a leitura, ainda que tenhamos que recorrer a outras mídias para isso.

Pensando dessa forma, o cinema nos chega como aliado, uma vez que está repleto de boas opções, tanto da Literatura Brasileira quanto da Estrangeira. Por essa razão, hoje publico uma lista de sugestões de filmes para professores de Literatura utilizarem em sala de aula como forma de motivarem seus alunos para adentrarem no mundo da leitura. Não é uma lista tão grande, mas pode servir de base para trabalhos riquíssimos. Aproveite e não esqueça de deixar outras sugestões nos comentários.

 

O Leitor

Com direção de Stephen Daldry, esse filme produzido em 2008 é baseado no romance do escritor alemão Bernhard Schlink. Relata a história de amor entre uma mulher de origem humilde e um jovem estudante. O filme foca, especificamente, como a relação entre eles se estabelece por causa do amor pelos livros e como a capacidade de ler modifica a visão de mundo. É importante selecionar os trechos do filme que apresentem essa relação, excluindo outras de cunho sexual que não são adequadas ao espaço de sala de aula.

Troia

Filme do diretor Wolfgang Petersen, de 2004, é baseado no épico Ilíada, de Homero, retratando a viagem dos gregos até Troia e a luta entre gregos e troianos. É uma boa maneira de aguçar o interesse dos alunos para o tema e levá-los a reconhecerem uma série de personagens ilustres do enredo, baseados em um clássico da literatura universal.

(mais…)

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