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Conheça o homem que transformou uma livraria em um conglomerado de tecnologia

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(Foto: Reprodução)

Publicado no Olhar Digital

É difícil imaginar que uma simples livaria online se transformaria em um dos maiores conglomerados de tecnologia do mundo. Foi sob o comando de Jeff Bezos, o maior bilionário do mundo na faixa etária dos 40 aos 49, que a Amazon deixou de ser apenas uma das pioneiras do comércio eletrônico para se tornar uma empresa que desenvolve hardware e provê serviços em nuvem.

Bezos tem hoje um patrimônio estimado em US$ 28,8 bilhões, figurando na 15ª posição do ranking das pessoas mais ricas do mundo. Nascido em 1964, com o nome Jeffrey Preston Jorgensen, no entanto, embora nunca tenha sido pobre, teve uma infância simples e sempre estudou em escolas públicas. Sua família por parte de mãe era dona de um rancho de 100 km² no Texas, aonde Bezos ia durante as férias para visitar seu avô e “trabalhar” como veterinário, vacinando e até mesmo castrando gado e realizando outras tarefas rurais.

Mesmo com esta fascinação pelo campo, nunca deixou de mostrar interesse por tecnologia, tanto que seu diploma, conquistado na respeitada Universidade de Princeton, teve foco em engenharia elétrica e ciência da computação. Após graduar-se, em 1986, assumiu empregos em instituições financeiras, aproveitando a demanda crescente por profissionais de TI. Antes de fundar a Amazon, era vice-presidente de uma empresa de investimentos em Wall Street, a D. E. Shaw.

Vida na Amazon
ReproduçãoFoi apenas em 1994 que Jeff Bezos, percebendo a popularização da internet, decidiu aproveitar o mercado ainda inexplorado e as previsões de crescimento do comércio eletrônico em até 2.300%, e lançou o site Amazon.com. A escolha por livros em vez de quaisquer outros produtos se devia à demanda global por literatura, e pelo baixo custo. O nome foi decidido por representar algo exótico e lembrar a quase infinitude das águas do rio Amazonas, além do fato de que a letra “A” o colocaria no topo dos sites de busca por causa dos resultados em ordem alfabética. Antes, porém, Bezos havia pensado no nome “Cadabra.com”, descartado após o fundador perceber a semelhança da palavra com “cadáver”.

A implantação de sua ideia foi impecável. Após dois meses, o site já arrecadava US$ 20 mil por semana, mas, mesmo assim, o plano de negócios era de longo prazo. Bezos não previa lucros nos primeiros anos da empresa, o que gerava desconfiança por parte de possíveis investidores. O site só avançaria no último trimestre fiscal de 2001, acumulando receita de US$ 1 bilhão, mas com lucro de apenas US$ 5 milhões.

Mesmo com a lentidão na apresentação de resultados positivos, o otimismo em torno do negócio era grande, tanto que em 1999 o criador da Amazon foi escolhido como o homem do ano pela revista Time. Após a oferta pública inicial, o valor das ações da empresa rapidamente aumentou 40 vezes, aproveitando o embalo da bolha “pontocom”, elevando a fortuna de Bezos para a casa dos US$ 12 bilhões. Após o estouro da bolha, no início dos anos 2000, e falência de inúmeras empresas de internet, houve uma desvalorização brusca e o patrimônio do CEO caiu para US$ 2 bilhões.

ReproduçãoDesde então, Bezos investiu na diversificação das atividades de sua empresa. Desde 2000 não são vendidos apenas livros. A Amazon se tornou uma plataforma para outros lojistas e vendedores individuais anunciarem seus produtos, aproveitando seus serviços de gerenciamento de dados. Em 2006, a companhia passou a apostar no oferecimento de serviços de computação em nuvem por meio da Amazon Web Services (AWS).

Em 2007, a Amazon criou o produto que hoje é o mais vendido de seu site: o leitor de e-books Kindle, inovação que marca a primeira empreitada da companhia no ramo de hardware. Já em 2011, a empresa decidiu entrar de vez na briga de dispositivos ao lançar o tablet Kindle Fire e se colocou em disputa com gigantes como a Apple.

Bezos possui atualmente 19% das ações da Amazon, que são sua principal fonte de dinheiro. Desde sua fundação, já vendeu cerca de US$ 2 bilhões em papéis da companhia.

Outras atividades
Como Sergey Brin, cofundador do Google, Jeff Bezos também é um entusiasta da exploração espacial. Tanto é que, em 2000, fundou a Blue Origin, que tenta promover o turismo espacial com um custo relativamente baixo.

O fundador da Amazon também observa o mercado para novas oportunidades de investimento. Ele foi um dos primeiros investidores do Google, quando o negócio ainda não tinha a proporção atual, e também colocou seu dinheiro na Airbnb, rede social criada em 2008 para facilitar o aluguel de apartamentos ou quartos para viajantes.

Ele ainda é um apoiador da liberação do casamento de homossexuais, mesmo não sendo gay. Junto com sua esposa, Mackenzie Bezos, doou cerca de US$ 2,5 milhões para a realização de um referendo para a legalização do casamento gay no estado de Washington, nos EUA, onde mora com seus quatro filhos.

No Brasil, livro é produto de elite, diz entusiasta dos e-books

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Leonardo Pereira, no Olhar Digital

Campus Party proporciona discussão sobre futuro do mercado editorial e como o digital se adapta a isso

Leonardo Pereira/Olhar Digital

Leonardo Pereira/Olhar Digital

A Campus Party criou uma situação curiosa ao promover um debate sobre livros digitais no palco que leva o nome de Johannes Gutenberg. Foi ele o inventor da impressão por tipos móveis, que possibilitou o desenvolvimento da imprensa e revolucionou o setor editorial no mundo. Nesta quarta-feira, 30, ao comentar a coincidência, o consultor editorial Carlo Carrenho, do Publishnews, disse que ela é mais do que oportuna, pois o alemão promoveu um momento de ruptura na história da humanidade – basicamente o que acontece hoje em relação ao mercado editorial.

Assim como a invenção de Gutenberg, o livro digital leva informação a quem tem dificuldade de obtê-la. Antes dos tipos (basicamente carimbos em formato de letras), a cultura escrita era extremamente restrita, mas passou a se abrir porque a reprodução foi facilitada; com os e-books é a mesma coisa: o consumidor não precisa esperar que a obra recém-lançada chegue à livraria mais próxima. Porque ele nem precisa da livraria.

Este cenário, obviamente, incomoda livrarias, distribuidoras e transportadoras, que veem uma clara ameaça aos negócios. “Nenhum dos principais players do mercado ganha dinheiro com livro digital, pelo contrário, tem muita gente perdendo”, disse Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, em que 3% das vendas de livros já correspondem a obras em formato digital.

Segundo Hubert Alquéres, vice-presidente de Comunicações da Câmara Brasileira do Livro (CBL), todos os envolvidos no setor editorial estão focados no digital, ainda mais depois da chegada de Amazon e Google e do lançamento do Kobo pela Livraria Cultura. “Se o Brasil estava ainda muito cauteloso de entrar nesse mundo, percebe-se que agora é um caminho sem volta.”

Democratização da leitura

Os dados mais recentes da CBL dizem que o preço médio do livro no Brasil é de R$ 10 – em 2011, quando foram vendidos 470 milhões de exemplares, o mercado faturou R$ 4,8 bilhões. Sergio, então, fez as contas: um tablet bem básico pode ser comprado por R$ 400, portanto, 40 obras já valeriam o investimento. O problema, comentou, começa na questão da durabilidade: “O tablet, na mão do aluno, dura seis meses. O livro impresso dura dez.”

Além disso, a banda larga brasileira não é das melhores e a penetração é muito baixa, sem contar o fato de que a parcela da população com acesso doméstico ao computador ainda é baixa. Mas nada disso convenceu Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol.

“Livro no Brasil é produto de elite. Há em Buenos Aires (Argentina) mais livrarias do que no Brasil inteiro, e sabe quanto vai custar um device daqui a alguns anos? R$ 100”, disse ele, lembrando que embora grupos como o comandado por Sergio façam “esforços legítimos” em prol da difusão da leitura, o ideal é o digital, que por não ter empecilhos físicos teoricamente chega a todos os cantos. “Vivemos um divisor de águas, estamos diante de um fato novo, inegociável.”

A briga do device

Há dois anos, antes que os gigantes olhassem para cá, a Vivo e o Grupo Gol lançaram a Nuvem de Livros, que disponibiliza obras a clientes da operadora por uma assinatura semanal. O modelo dispensa o uso de um Kobo ou Kindle e Roberto garante que o brasileiro pulará uma etapa ao adquirir o tablet, ao invés do e-reader, outra hipótese que desagrada livrarias.

Sergio, da Cultura, afirmou que aparelhos como iPad dificultam a concentração, deixam a leitura mais lenta e comprometem a absorção do conteúdo. Por outro lado, Roberto atacou que os e-readers servem, na realidade, para fidelizar o consumidor e fazer com que ele compre produtos ou serviços mais caros futuramente. A Amazon, por exemplo, poderia usar o cadastro de quem adquiriu livros para oferecer televisores.

Com o tablet você baixa o formato que quiser e pode comprar obras interativas, vídeos, jogos e outros tipos de aplicativos. “Para o brasileiro que lê dois livros por ano não faz sentido ter um leitor digital”, disse Carlo, do Publishnews. Mas um aparelho específico pode ajudar a prender o cliente por limitar os formatos de arquivo que podem ser lidos ali, criando um cenário parecido com o que instituiu o iTunes quando o MP3 foi popularizado.

Quando a Apple fez com que a música digital caísse no gosto das pessoas, a indústria fonográfica levou uma chacoalhada. As primeiras a sentirem o impacto foram as empresas maiores, o que deve ocorrer com o mercado editorial. Se o brasileiro pular direto para o tablet, não há como força-lo a comprar de uma loja específica.

Impresso tem futuro?

“O livro impresso ainda vai durar um tempo; alguns tipos, como os de arte, existirão sempre – por outro lado, os digitais vão tomar cada vez mais espaço”, opinou Carlo.

Para ele, as editoras não serão impactadas, desde que façam apenas seu serviço original. ”O que acontece é que muitas editoras viraram distribuidoras, e como a ruptura é na distribuição, essa editora está com problema, porque o autor agora publica direto, sem passar por ninguém. As editoras que souberem fazer a transição estão salvas.”

Hubert, da CBL, acredita que no futuro o mercado será reorganizado de forma que existam grandes empresas de conteúdo – “se vai ser para impresso ou digital, não importa”. O papel deve continuar forte, mas sem ser o principal meio de consumo; tanto que até o governo, principal comprador de livros do país, já está migrando para o digital (saiba mais aqui). Segundo ele, como o brasileiro tende a se apegar rapidamente a novas tecnologias – como aconteceu com celular ou as eleições, hoje totalmente eletrônicas -, o e-book deve se consolidar rapidamente.

Mais leitores

Pesquisas dizem que pessoas que compraram e-readers ou passaram a consumir obras em formato digital começaram a ler mais por causa disso. Outras afirmam que quem não era leitor, se tornou um. Nada disso, porém, garante que essa novidade pode fazer com que o brasileiro leia mais.

Há, de acordo com Carlo, um fator determinante: a cultura. E ela só mudaria em corrente. “O que é mais determinante para criar um leitor é pai e mãe”, ressaltou. “Ter pais que leem forma leitores.”

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