Letícia, de 17 anos, é a única brasileira a participar da Olímpiada Internacional de Biologia na Dinamarca (Foto: Arquivo pessoal/Letícia Pereira de Souza)

Letícia, de 17 anos, é a única brasileira a participar da Olímpiada Internacional de Biologia na Dinamarca (Foto: Arquivo pessoal/Letícia Pereira de Souza)

Nascida no interior de São Paulo, Leticia mora em Fortaleza há 2 anos.
Esta é a terceira competição internacional da estudante.

Gabriela Gonçalves, no G1

Nascida em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, Leticia Pereira de Souza, de 17 anos, mora em Fortaleza há quase dois anos. O objetivo é se preparar para faculdade de biologia molecular nos Estados Unidos. Mas, antes disso, a jovem será a única brasileira a participar da Olímpiada Internacional de Biologia na Dinamarca, que começa neste domingo (12). Mais de 60 países participarão da olímpiada e cada um deles será representado por quatro concorrentes. No vídeo acima, gravado pela jovem no aeroporto, antes de embarcar rumo ao torneio, ela dá dicas para quem quer seguir o mesmo caminho.

Esta é a terceira olímpiada internacional de que Leticia participa. A primeira foi na Índia e ela ganhou medalha de prata na classificação geral. A segunda foi no México, quando ela ficou com uma medalha de ouro.

Ao todo, a estudante já participou de oito competições. “Desde que eu comecei é uma paixão. A cada ano eu participo de três ou quatro. Eu gosto muito de competições. Me desafia”, ressalta a jovem.

Com o sonho de ser pesquisadora, Letícia deixou os pais no interior e se mudou para um pensionato, no qual mora com outros 30 estudantes. “No começo, meus pais ficaram preocupados, principalmente por ser caro. Mas eles viram que [a universidade americana] é um bom ambiente e lá eu teria mais incentivo e possibilidades”, afirma.

Para alcançar seus objetivos, a estudante tem se dedicado bastante. Pela manhã, estuda disciplinas fora de sua grade de estudos. Na parte da tarde, tem aulas regulares e, à noite, tem aulas especificas para a competição. “Quando eu chego em casa, por volta das 21h30, eu descanso, ligo para os meus pais.”

A preparação para a olímpiada é diferente do que os estudos para o vestibular. “Primeiro eu leio os livros-base e faço pelo menos um simulado por dia. As paredes do meu quarto estão cheias de resumos colados”, conta a jovem.

Letícia terá dois dias de provas. A primeira será prática e terá quatro grandes áreas de biologia abordadas. No segundo dia, as provas são teóricas com uma prova dissertativa e outra de “verdadeiro ou falso”.

Plano B
Apesar da saudade da família, Letícia acredita que esta experiência seja boa para se habituar com a distância.

“No começo foi muito difícil, mas como eu quero morar fora, tenho que me acostumar. Vai ser bom para mim futuramente. É um sacrifício necessário”, afirma a jovem.

A estudante já começou a fazer as provas para ingressar nas universidades americanas. Caso não consiga a aprovação, Letícia seguirá tentando ano que vem.

“As brasileiras eu só vou prestar para valer no ano que vem. A minha prioridade é passar nos Estados Unidos.”

Mesmo sabendo muito bem o que quer, Leticia tem um plano B: ciências físicas e biomoleculares na USP de São Carlos. Aos 16 anos, a estudante foi aprovada nas duas fases do curso. “Ano passado eu prestei como treineira mesmo e passei. Cheguei a ser chamada, mas meu foco é outro.”

Neste ano, a estudante prestará vestibulares brasileiros apenas como treino. “Eu vou fazer Fuvest, Enem e ITA só para me testar e saber como está meu desenvolvimento escolar. Mas mesmo que eu passe, não vou me inscrever”, ressalta.