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Escola deve priorizar lado criativo da matemática, diz ‘Nobel’ brasileiro

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Publicado no UOL

O ensino fundamental deveria destacar o lado criativo da matemática, na opinião do pesquisador brasileiro Artur Avila, ganhador de uma Medalha Fields – prêmio que é frequentemente chamado de “Nobel da matemática”.

O prêmio foi considerado a mais importante distinção científica já conquistada por um brasileiro.

Em entrevista à BBC Brasil, Avila afirmou que a matéria é apresentada de forma pouco interessante, o que pode afastar crianças talentosas da carreira científica.

“Na atividade real, fazer matemática é uma coisa extremamente criativa”, disse.

O pesquisador, que divide o seu tempo entre o Rio de Janeiro e Paris, afirmou que ele mesmo só se deu conta do apelo da profissão ao participar de uma Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

O evento abriu as portas de uma carreira vertiginosa, que o levou a completar um doutorado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – o Impa, com sede no Rio – aos 21 anos.

Impulso à matemática
“Eu tinha outras coisas que me interessavam, mesmo em ciências. Foi só quando eu compreendi que tinha tanta criatividade em matemática que eu escolhi de fato esta direção”, disse, por telefone, de Seul, na Coreia do Sul, onde participa do Congresso Internacional de Matemática (CIM).

Para ele, além do orgulho pela conquista do prêmio mais prestigioso do planeta em matemática, o Brasil vive um momento importante para o seu campo.

Em 2017, o país sediará a Olimpíada Internacional de Matemática pela primeira vez.

No ano seguinte, acontecerá no Rio o próximo CIM, o maior evento da área, em que são anunciados os vencedores da Medalha Fields.

Avila, vencedor de diversos outros prêmios internacionais – entre eles, uma medalha de ouro na OBM e distinções das sociedades Europeia e Brasileira de Matemática – admitiu ter ficado surpreso com a honraria.

A medalha é dada apenas a pesquisadores com menos de 40 anos, cujos trabalhos sejam considerados fundamentais para o avanço da matemática, e por isso, é mais comum que os laureados estejam próximos da idade limite.

No entanto, Avila tem apenas 35 anos, e ainda poderia ser escolhido para o prêmio de 2018.

“Fiquei surpreso”, disse.

Na entrevista à BBC, o matemático se mostrou ligeiramente incomodado com a frequente comparação da Fields com o Nobel.

“A medalha Fields é difícil, não se pode usar isso como parâmetro. Para se ter uma ideia, a Alemanha tem só uma. Ou seja, não tem 10 ou 20 medalhas Fields por país”, disse.

Por isso mesmo, para ele é “bem mais estranho que não exista um Nobel nas outras áreas do que não ter existido uma medalha Fields para o Brasil até agora”.

Oportunidades
Uma possível razão para isso, segundo Avila, seria a escassez de recursos para ciência no Brasil.

Pelo menos no campo dele, os próximos anos apresentarão grandes oportunidades para o governo.

“E mesmo em outros níveis e talvez estimular pessoas a considerarem a carreira”, completou.

Para isso, o governo deveria refletir sobre a “maneira certa” de incentivar a ciência.

“Não é muito caro, creio, fazer ciência, dentro de todo o orçamento que têm”, afirmou. “Embora o Brasil já faça matemática em um nível elevado em certos campos, ainda há muito para ser feito em questão de estender as áreas de atuação neste nível e também levar a produção matemática a outras áreas do país.”

Para isso, evidentemente, o Brasil precisará de novos matemáticos. Mas essa é realmente uma carreira é viável para quem também busca segurança?

“É uma carreira de classe média, de bom nível no Brasil, talvez mais que na França”, disse.

Avila acrescentou que há diversas compensações adicionais, além é claro da satisfação de se fazer aquilo que se gosta.

Ele diz que a matemática garante bastante liberdade e é uma carreira pouco hierarquizada.

“Não tem que lidar com chefe, você decide no que vai trabalhar e como vai obter resultados. Você pode adaptar o modo de trabalhar às próprias características.”

Trata-se de pontos positivos para o carioca, que gosta de pensar nas soluções de complexos problemas abstratos andando de bermuda na praia.

Brasil conquista cinco medalhas em Olimpíada Internacional de Matemática

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Equipe brasileira foi formada por seis estudantes e um professor - Divulgação

Equipe brasileira foi formada por seis estudantes e um professor – Divulgação

Ao todo, 560 estudantes de 101 países participaram da competição

Publicado em O Globo

RIO – Se na Copa do Mundo nossa seleção teve resultado decepcionante, o mesmo não se pode dizer do time de estudantes brasileiros que participaram da 55ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, da sigla em inglês), na África do Sul. Ao todo, os alunos conquistaram cinco medalhas, sendo três de prata e duas de bronze.

Com isso, o Brasil ocupou a 34ª posição no ranking geral por países com 122 pontos. No topo da tabela está a equipe da China, com 201 pontos, seguida pelos Estados Unidos, com 193 e Taiwan, com 192. Ao todo, 560 estudantes de 101 países participaram da competição.

As provas ocorreram dos dias 8 e 9 de julho, na Universidade da Cidade do Cabo. Em cada dia, os estudantes tiveram 4h30 para resolver três problemas de matemática, selecionados a partir de diferentes áreas da matemática do ensino médio como álgebra, análise combinatória, geometria e teoria dos números.

Murilo Corato Zanarella, 16 anos, Rodrigo Sanches Ângelo, 18 anos, de São Paulo e Daniel Lima Braga, 16 anos, do Ceará, tiveram o melhor desempenho da equipe brasileira garantindo as medalhas de prata, enquanto Victor Oliveira Reis, 17 anos, de Pernambuco e Alexandre Perozim de Faveri, 17 anos, de São Paulo, voltaram ao país com as medalhas de bronze. Alessandro de Oliveira Pacanowski, 18 anos, do Rio de Janeiro recebeu uma menção honrosa.

Voltando da África do Sul com uma medalha de bronze no peito, Victor Oliveira Reis coleciona conquistas em competições de matemática mundo afora. Em três anos de treino, ele já subiu ao pódium em olimpíadas na Romênia, Colômbia, Paraguai, dentre outros lugares. Ano passado, foi prata na Olimpíada Internacional.

– Fico feliz porque pelo menos conseguimos dar uma alegria em competições para o Brasil – diz o Victor, que está de malas prontas para estudar na Cornell University, nos Estados Unidos, em agosto.

MELHOR DA AMÉRICA LATINA

As medalhas conquistadas neste ano são apenas mais um exemplo de um histórico de resultados positivos do Brasil na competição. Desde 1979, ano em que os brasileiros participaram pela primeira vez, conquistamos 110 medalhas, sendo nove de ouro, 33 de prata e 68 de bronze, o que o torna o país latino-americano com o melhor retrospecto na história da competição.

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