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Posts tagged Oliver Sacks

12 livros para despertar o interesse pela ciência nas crianças

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(Foto: Yellow | flickr | creative commons)

(Foto: Yellow | flickr | creative commons)

 

Publicado na Galileu

Todo grande cientista um dia já foi uma criança. Se invertermos essa constatação óbvia, chegamos a uma ideia um pouco mais interessante: toda criança um dia pode se tornar um grande cientista. Não é estimulante pensar que, no futuro, aqueles pequenos seres humanos podem realizar grandes feitos para a ciência, ganhar um Nobel ou até protagonizar o próximo grande salto do conhecimento humano? Às vezes, tudo o que eles precisam é de um empurrãozinho na curiosidade e na imaginação para que se apaixonem pela ciência e optem por seguir carreiras na área. E nada melhor que um bom livro para fornecer esse estímulo.

Para elaborar essa lista de livros que despertem nos pequenos o interesse pela ciência, pedimos a ajuda de nossos leitores do Facebook. Eles sugeriram diversos clássicos da literatura que cumprem esse papel – e nós separamos algumas das obras aqui.

Confira abaixo, e veja todas as indicações no fim do post:

– 20 Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne (indicação de Eduardo Fernandez)

– A Magia da Realidade, de Richard Dawkins (indicação de Gabriel Bergamaschi)

– George e o Segredo do Universo, de Stephen e Lucy Hawking (indicação de Matheus Gontijo)

– Cosmos, de Carl Sagan (indicação de Melissa Florencio)

– Tio Tungstênio, de Oliver Sacks (indicação de Nêmora Backes)

– O Homem que Calculava, de Malba Tahan (indicação de Emerson Tomé)

– O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (indicação de Andreia Alexandre)

O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder (indicação de Romulo Mansur)

– O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte (indicação de Rita Burnatowiski)

– O Livro dos Porquês, vários autores (indicação de Nathan dos Santos)

– O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams (indicação de Thiago Prochnow)

– Albert Einstein e seu Universo Inflável, de Mike Goldsmith (indicação de Amanda Carolina)

Um passeio pela obra de Oliver Sacks

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O neurocientista inglês, morto no mês passado, desbravou questões fascinantes sobre o cérebro humano e compartilhou essas histórias em dezenas de livros. Revisitamos suas principais obras para mostrar o que aprendemos com elas

Publicado no M de Mulher

Ainda criança, Oliver Sacks não sabia o que responder quando lhe perguntavam o que seria quando crescesse. Às vezes, dizia que viraria médico — o pai era clínico geral e a mãe, cirurgiã. Outras, escritor — na adolescência, um de seus clássicos literários favoritos era o calhamaço Ulysses, do irlandês James Joyce. Mal sabia que, no futuro, seria respeitado justamente por aliar as duas profissões. Como médico, formou-se em Oxford, na Inglaterra, mas, desde 1965, passou a trabalhar nos Estados Unidos. Nos últimos anos, lecionava Neurologia e Psiquiatria na Universidade Columbia, em Nova York. Como escritor, lançou 13 livros. O mais famoso deles, Tempo de Despertar, foi adaptado para o cinema em 1990, com o ator Robin Williams interpretando o papel do neurologista britânico.

Sacks recebia cerca de 10 mil cartas por ano. A maioria trazia relatos de portadores de distúrbios neurológicos. Muitos desses pacientes — que ele não via como coitados e, sim, como heróis — viraram personagens de seus livros. Os casos eram os mais variados: iam de autismo e daltonismo a surdez e enxaqueca. Em comum, o fato de que todos esses sujeitos, sem exceção, se enredaram na difícil arte de se adaptar a condições adversas. “Podemos aprender muito com os infortúnios dos meus pacientes. As descrições do problema de um podem soar familiares para outros, que podem se sentir confortados se as histórias transmitirem resiliência. Escrevo, em parte, para dizer que nada é o fim do mundo”, disse Sacks.

Fizemos um passeio pela obra e trajetória do médico-escritor, vítima de um câncer cerebral e morto no dia 30 de agosto deste ano.

Alucinações (“A Mente Assombrada”, 2012) – Pelo menos 10% da população já teve algum tipo de alucinação. É o que garante Oliver Sacks em um de seus principais livros. As mais comuns são ouvir o próprio nome ou o toque do celular. Se considerarmos aquela fase intermediária entre o sono e a vigília, a porcentagem pode chegar perto de 100%. Mas há outros tipos: pessoas cegas tendem a ter alucinações visuais e deficientes auditivos, musicais. O próprio Sacks, depois de ficar cego do olho direito, passou a ter alucinações geométricas. “Alucinações não são sinônimo de loucura”, tranquiliza. “Em geral, são causadas pela superativação dos circuitos cerebrais responsáveis pela percepção dos sentidos”, ensina.

Alzheimer e Parkinson (“A Mente Assombrada”, de 2012) – Oliver Sacks se dizia fascinado com o poder terapêutico da música. Não importa se era Verdi, Mozart ou Beethoven. Certas vezes, um paciente que não conseguia andar começava a dançar. Em outras, um sujeito que não sabia falar desandava a cantar. Por isso Sacks aconselhava seus pacientes a ouvir muita música. No caso dos portadores de Alzheimer, melodias que lhe sejam familiares, capazes de despertar memórias. Em se tratando de pessoas com Parkinson, toda e qualquer canção é bem-vinda. “O fluxo irregular do movimento dos parkinsonianos pode melhorar muito com a música, embora ela não precise ser familiar ou evocativa”, justifica.

Amusia (“Alucinações Musicais”, 2007) – Profundo apreciador de música clássica, Oliver Sacks costumava dizer que o homem é o único animal dotado de ritmo. Por esse motivo, interessou-se pelo estudo da amusia — nome dado à incapacidade de distinguir sons, reconhecer melodias ou cantar afinado. “Che Guevara foi um exemplo famoso de amúsico: viam-no dançando mambo enquanto a orquestra tocava tango”, relata. Em 5% dos casos, a amusia é congênita. Nos demais, é adquirida, provável resultado de lesões cerebrais. O próprio Sacks relata, nos anos 1970, pelo menos dois episódios de amusia adquirida, decorrentes de fortes crises de enxaqueca.

Autismo (“Um Antropólogo em Marte”, 1995) – Quando assumiu a Ala 23 do hospital Bronx State, em Nova York, Sacks passou a cuidar de pacientes autistas. Logo, procurou descobrir a área que mais lhes despertava interesse. Para John e Michael, era a matemática. Para Nigel, a música. Para Steve, a botânica. “Alguns autistas podem ter atrasos no desenvolvimento e certa incapacidade de entender o código social, mas eram plenamente capazes e talvez até superdotados em outros aspectos”, recorda. O título do livro, aliás, foi baseado numa frase dita pela bióloga autista Temple Grandin, da Universidade do Colorado: “A maior parte do tempo eu me sinto um antropólogo em Marte”.

Cegueira (“O Olhar da Mente”, 2010) – Oliver Sacks costumava usar o poeta inglês John Milton e o escritor argentino Jorge Luís Borges como exemplos de pessoas que conseguiram, de alguma maneira, superar as limitações trazidas pela deficiência visual. “Apesar do desespero inicial da perda de visão, algumas pessoas encontram a plenitude de seu poder criativo do outro lado da cegueira”, relata. No último capítulo do livro, Sacks descreve casos de cegos que encaravam a deficiência não como uma maldição, mas como benção. Graças à famosa plasticidade do cérebro, eles desenvolveram tanto os demais sentidos que, de tão independentes que estavam, abriram mão do uso da bengala e do cão-guia. (mais…)

Neurologista e escritor Oliver Sacks morre aos 82 anos

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Oliver Sacks despertou debate após texto publicado no NYT - Walter Carvalho

Oliver Sacks despertou debate após texto publicado no NYT – Walter Carvalho

Autor do livro ‘O homem que confundiu sua mulher com um chapéu’ enfrentava câncer havia nove anos

Publicado em O Globo

NOVA YORK — O neurologista e escritor britânico Oliver Sacks morreu neste domingo em decorrência de um câncer, aos 82 anos. O escritor, que ficou famoso com livros como o “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, usava seus casos clínicos, pacientes e as doenças que tratava para refletir sobre a consciência e a condição humana. Sua assistente pessoal, Kate Edagr, confirmou que Sacks morreu em sua casa em Nova York.

Em artigo publicado no jornal “New York Times” em fevereiro, o neurologista anunciou que um melanoma em seu olho havia se espalhado para o fígado e que ele estava nos estágios finais de um câncer terminal. Ele enfrentava a doença havia nove anos.

Como médico e escritor, Sacks alcançou um nível de notoriedade raro entre os cientistas. Mais de um milhão de cópias de seus livros foram vendidas nos Estados Unidos, o seu trabalho foi adaptado para cinema e teatro, e ele recebe cerca de 10 mil cartas por ano.

Seu livro “Despertares”, de 1973, sobre um grupo de doentes com casos raros de encefalite, foi levado aos cinemas em 1990, sendo protagonizado por Robin Williams e Robert De Niro.

Sacks foi um cronista ávido de sua própria vida. Em seu livro de memórias, “Tio Tungstênio”, ele escreveu sobre sua infância, sua família médica, e as paixões químicas que despertaram seu amor pela ciência.

Num pequeno intervalo de sua carregada agenda em Nova York, o neurologista participou da Bienal do Livro do Rio e deu palestras em São Paulo, em 2005.

RELATO EMOCIONANTE

No artigo intitulado “My own life” (Minha própria vida), Sacks abordou a recente descoberta de que um terço de seu fígado havia sido tomado por metástases.

“Sinto-me grato por terem sido concedidos nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou cara a cara com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado e, apesar de seu avanço poder ser retardado, este tipo particular de câncer não pode ser interrompido. Cabe a mim agora escolher como viver os meses que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, mais profunda, mais produtiva que posso”, escreveu Sacks no texto publicano no “NYT”.

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