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Posts tagged Origens

Mammy, de ‘E o vento levou’, vira heroína de romance

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‘Ruth’s journey’ narra as origens da ama de leite do filme de 1939.
Hattie McDaniel, que fez o papel, foi a primeira negra a ganhar o Oscar.

Hattie McDaniel (esq.) e Vivien Leigh em cena de '...E o vento levou' (Foto: Divulgação)

Hattie McDaniel (esq.) e Vivien Leigh em cena de
‘…E o vento levou’ (Foto: Divulgação)

Publicado por G1

“Mammy”, a simpática e teimosa escrava que cuidava com zelo de Scarlett O’Hara em “… E o vento levou”, virou a personagem principal de um romance lançado com o consentimento dos herdeiros da escritora Margaret Mitchell, que publicou seu famoso livro em 1936.

O livro “Ruth’s journey” (A jornada de Ruth, em tradução livre), escrito por Donald McCaig e publicado este mês nos Estados Unidos pela Atria Books, não é uma continuação de “… E o vento levou”, e sim a história que o precede, a chamada “prequência”.

“É a reconstrução da vida de uma personagem famosa, cuja contribuição não foi devidamente apreciada ainda”, declarou à AFP o escritor americano de 74 anos.

No livro de Mitchell, que inspirou o filme cult de mesmo nome e que celebra este ano o 75º aniversário, Mammy sequer tem um nome real, afirma ainda o autor.

Mitchell chegou a ser acusada de racismo, mas, “na época, seria provavelmente impossível que uma escritora branca considerasse os negros tão importantes ou reais como os brancos”, explicou McCaig.

É assim que “Mammy” vira Ruth, em referência ao personagem bíblico que é símbolo da fé e fidelidade.

A partir de uma menção às origens francesas da ama de leite de Scarlett, o autor imaginou a infância em Saint-Domingue – ex-colônia francesa que virou o Haiti – da futura babá, uma órfã acolhida por um casal de franceses.

Expulsos pelos levantes separatistas, o casal se exila nos Estados Unidos, em Savannah (Geórgia), onde a francesa fica viúva e volta a se casar, dando à luz Ellen Robillard, a futura senhora O’Hara, mãe de Scarlett.

“Mammy” viverá sua própria vida antes de se ocupar e se dedicar à pequena Scarlett.

Metade da história

“Houve milhares de ‘mammys’ no sul americano, muitas delas não tinham nome (nos romances), milhares de mulheres que criaram como seus os filhos dos brancos ricos”, explica ainda o autor.

“Para mim, a ausência da voz de Mammy, de sua história, de sua personalidade em ‘… E o vento levou’, foi um grande vazio, é como se o livro contasse a metade da história”, complementou.

“A babá é uma personagem trágica, mas que jamais perde a esperança. É determinada e muito digna, mas não é uma rebelde”, conclui.

A história do livro, cuja terceira parte é narrada do ponto de vista da escrava, termina justamente uma semana depois da famosa festa do início do romance de Margaret Mitchell.

A pedido dos herdeiros de Mitchell, McCaig escreveu em 2007 “O clã de Rhett Butler”, também derivado de “… E o vento levou”, e que conta os tormentos amorosos de Scarlett e Rhett durante a Guerra da Secessão.

Junto a “Scarlett”, de Alexandra Ripley e publicado em 1991, este é um dos únicos dois romances até agora autorizados pela família de Mitchell, que faleceu em 1949.

O maior desafio ante um livro icônico “é ser respeitoso com o original e, ao mesmo tempo, ter algo extra a acrescentar”, comentou o autor, acrescentando ter trabalhado com uma grande liberdade por parte dos herdeiros de Mitchell.

O livro é dedicado a Hattie McDaniel, a primeira atriz negra americana a ganhar um Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1939 por sua brilhante interpretação de Mammy no filme baseado no livro.

Livro investiga mistérios das bruxas na Espanha

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Um novo livro publicado por uma antropóloga na Espanha investiga as práticas e crenças da bruxaria no país nos séculos 16 e 17 e revela mais detalhes sobre os seus segredos e mitos, como o das vassouras voadoras.

Juanjo Robledo, na BBC

As bruxas na Espanha dos séculos 16 e 17 atuavam como curandeiras

As bruxas na Espanha dos séculos 16 e 17 atuavam como curandeiras

Brujas, Magos e Incrédulos en la España del Siglo de Oro, de María Lara Martínez, também investiga como os adeptos da bruxaria enfrentaram a Inquisição espanhola.

A imagem da bruxa que se popularizou ao longo dos séculos é a da mulher idosa, meio corcunda, com nariz longo, rosto coberto de verrugas e dedos ossudos que dissecam sapos para preparar poções mágicas.

Havia bruxas que se encaixavam nessa descrição, mas também havia bruxas “brancas” (praticantes de magia branca, ou bruxas “do bem”), bruxos e magos. Quem eram e quais eram seus segredos?

Laboratórios

Na Espanha dos séculos 16 e 17, a maioria das pessoas acreditava que bruxas voavam e se reuniam num local chamado Baraona, um campo na província de Soria (centro-norte da Espanha) que ainda tem a reputação de ser um ponto magnético.

Falando à BBC, Martínez, professora da Universidad a Distancia a Madrid (UDIMA), disse que as distâncias eram imensas na Espanha daquele período e que a comunicação era extremamente difícil.

Ainda assim, documentos da Inquisição oriundos de pontos diferentes da península ibérica tinham muitos pontos em comum. Por exemplo, um tema recorrente nos textos são relatos de que as bruxas voavam, ela explicou.

Martínez diz ter passado seis anos fazendo pesquisas para seu livro.

“O objetivo era traçar as origens da heterodoxia na Espanha num período em que o país era o defensor do dogma católico. O cristianismo não aceita videntes ou profetas, o ultimo foi São João Batista. Ainda assim, sempre há aqueles que se sentem depositários do oráculo de Deus – as bruxas”, disse.

A pesquisa ressalta o gênero feminino porque “a mulher naquele período era relegada, não tinha acesso a universidades e tinha de encontrar formas de se instruir. Elas atuavam como curandeiras”.

Suas casas eram laboratórios para experimentos com plantas, poções e remédios. Daí, talvez, darem margem a fantasias e histórias misteriosas como a ideia de uma vassoura voadora.

Fórmula para voar

Quem se aproximasse de uma bruxa corria o risco de morrer ou, simplesmente, voar. Algumas cobriam seus corpos com uma mistura de plantas alucinógenas como beladona ou mandrágora.

Com suas propriedades narcóticas, as plantas criavam no usuário a impressão de estar levitando.

Consigo, carregavam uma vassoura – objeto tradicionalmente associado às mulheres – embebida na mesma poção mágica.

“Elas tinham bom conhecimento das propriedades das plantas. Sabiam a diferença entre uma dose certa e uma dose letal. Havia bruxas boas, procuradas quando alguém estava doente”, explicou Martínez.

“Mas também havia as más. Bruxas malvadas não podiam ser contrariadas. Havia casos de pessoas que procuravam uma bruxa branca para serem curadas de um feitiço ruim”.

Martínez cita o caso de uma bruxa de um lugar chamado Villar del Aguila, na província de Cuenca (centro da Espanha), tida como uma santa.

“Ela dizia ter uma relação mística com Cristo. O povo da cidade carregava-a, nos ombros, para a igreja. No entanto, ela acabou morrendo nas prisões da Inquisição”.

María Lara Martínez pesquisou a bruxaria durante seis anos

María Lara Martínez pesquisou a bruxaria durante seis anos

Bruxos, Astrólogos e Magos Falsos

Bruxas e bruxos faziam profecias sobre o futuro de uma pessoa: vida ou morte, saúde ou doença, penúria ou prosperidade.

“Diferentemente das mulheres, os homens tinham uma formação mais livresca e universitária. Não somente na Espanha, mas em cidades de toda a Europa, governantes e líderes religiosos exigiam a presença de feiticeiros e magos para predizer seu futuro.”

Havia bruxas e magos que acreditavam realmente ter poderes. Outros, como o mago Jerome Liébana, fingiam.
Tido como conhecedor da fórmula da invisibilidade, Liébana tentou enganar o Duque de Olivares, braço direito do rei Filipe 4º.

“Ele disse que nas praias de Málaga havia um tesouro escondido. Que havia um gênio esperando por ele embaixo da terra. Após dias de escavações, finalmente se deram conta da mentira. Liébana foi julgado e mandado para a cadeia”, disse a escritora.

No entanto, o mago conseguiu escapar. “Foi seu último truque. Digamos, assim, que ele conseguiu se safar.”
Nem todos tiveram tanta sorte.

O astrólogo Torralba, o cientista Miguel Servet (condenado à fogueira por defender a teoria da circulação pulmonar do sangue) e milhares de bruxas foram julgados e condenados.

“Se não tivesse havido a Inquisição, a Justiça civil as teria perseguido. Não houve perseguições apenas na Espanha, mas também em outros lugares da Europa. Bruxas eram vistas como rebeldes, revolucionários que poderiam transformar as comunidades”, explica Martínez.

País das Bruxas

À medida que se aproxima o século 18, o número de casos julgados pela Inquisição diminui. O Iluminismo começa a dissipar as histórias de bruxas.

Um caso anterior, o das bruxas de Zugarramurdi, em Navarra (província no norte da Espanha), chama a atenção pela maneira como as autoridades locais lidaram com a questão.

Naquele período, Navarra era conhecida como o país das bruxas.

“A igreja ameaçou excomungar qualquer pessoa que, tendo um bruxo como vizinho, não o denunciasse. A partir daí, começou uma avalanche de acusações, algumas até por crianças. Qualquer um era acusado por qualquer razão.”

“Diante da quantidade de acusados, o inquisidor Alonso de Salazar y Frías decidiu fazer vista grossa. Ele disse que não havia bruxos nem bruxas na área até que se começasse a falar deles”.

Depois de seis anos de pesquisas, restam muitos mistérios a desvendar, disse Martínez.

“Há um ditado na Galícia (região no noroeste da Espanha) sobre as meigas, uma espécie de bruxa boa”, contou a pesquisadora.

E completou: “Que elas (as bruxas) existem, existem. Posso dizer que existiram e que existem”

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