Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Os Dois

Maurício de Souza e Ziraldo vão se unir em projeto online de estímulo à leitura

0

Os dois escritores querem usar a internet para difundir a leitura no Brasil. O programa será baseado no método Kumon de aprendizagem

Alana Gandra, no Terra

Ziraldo diz que é preciso incentivar a leitura entre as crianças Foto: Agência Brasil

Ziraldo diz que é preciso incentivar a leitura entre as crianças
Foto: Agência Brasil

Maurício de Souza e Ziraldo, dois dos escritores e ilustradores de maior alcance com o público infantil, querem usar a internet para ampliar o número de leitores no País, por meio do método Kumon de aprendizagem. Esse método de ensino foi criado na década de 1950, no Japão, pelo professor de matemática Toru Kumon, e estimula o aluno a gostar de aprender e a se sentir seguro no processo de aprendizagem.

Ziraldo disse que é preciso fazer algo diferente para que a leitura seja um hábito nacional. “Eu acho que se a gente não tomar providências para fazer um movimento agressivo para transformar o Brasil em um País de leitores, a gente vai ficar nesse rame-rame a vida inteira, botando todo ano uma legião de analfabetos no mercado”, disse o escritor e ilustrador que será homenageado na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que será aberta no próximo dia 29.

Para ele, o ser humano só fica pronto depois que sabe ler, escrever e contar (a história que leu). “Não adianta ter os cinco sentidos e ser analfabeto”, argumentou. Ziraldo que acredita que ler dá autonomia às pessoas.

Se o cara não lê, não escreve e não conta, ele não pode ser educado. Não tem condição
Ziraldo
escritor

A ideia de lançar um método Kumon de leitura começou a ser alinhavada entre os dois ilustradores e consiste em usar suas personagens principais – a Mônica, de Maurício de Souza, e o Menino Maluquinho, de Ziraldo – em um programa de televisão educativo. “Nós vamos inventar um jeito de usar o sistema online para poder fazer o brasileiro gostar de ler. É um experimento. Temos que juntar os dois caras que lidam com a criança no Brasil há mais tempo. O Maurício já sabe mexer com a televisão e eu vou explorar a competência dele”.

Para o criador do Menino Maluquinho, a escola brasileira não sabe ensinar as crianças a gostar de ler porque, em geral, as próprias professoras não foram habituadas a ler quando crianças. Ziraldo, no entanto, destaca que a educação no Brasil não chega a ser um problema. Por isso, o objetivo dele e do criador da Turma da Mônica, com o projeto do estilo Kumon, é colaborar para a formação de mais leitores no país. “Se o cara não lê, não escreve e não conta, ele não pode ser educado. Não tem condição”.

Laurentino Gomes conclui a trilogia de livros de história do Brasil de maior sucesso no país

0

Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

Como boa parte das fábulas, esta envolve reis e rainhas, príncipes garbosos a cavalo e belas donzelas.

Mas, como nenhuma destas histórias encantadas, esta tem como protagonista um experiente jornalista de Maringá (PR), que se vê tocado pelo condão mágico num estande de um entupido pavilhão do Riocentro, no Rio.

Foi nesse cenário que Laurentino Gomes, 57, viveu seu conto de fada. “Entrei numa livraria na Bienal do Rio e o meu editor disse espantado: o ‘1808’ está vendendo que nem pãozinho quente de manhã na padaria. Observe só.”

Gomes plantou os olhos numa pilha enorme de seus livros, no centro da loja. “Uma atrás da outra as pessoas pegavam um exemplar e iam para o caixa.”

O escritor Laurentino Gomes, autor de '1808' e '1822', sorri para a chegada de '1889' / Eduardo Anizelli/Folhapress

O escritor Laurentino Gomes, autor de ‘1808’ e ‘1822’, sorri para a chegada de ‘1889’ / Eduardo Anizelli/Folhapress

De pé, naquela livraria Saraiva da Bienal, ele decidiu que largaria seu emprego e se dedicaria a este filão.

A história aconteceu há seis anos –e desde então muitos Maracanãs passaram pelos caixas de todo o país. Os dois primeiros livros de Gomes, “1808” e “1822” (lançado em 2010), superaram recentemente os 1,5 milhão de exemplares vendidos.

Nesta segunda-feira, o jornalista paranaense conclui sua trilogia, que já se configura como o maior fenômeno editorial de livros de história do Brasil. Neste dia ele faz, em São Paulo, o primeiro dos 33 lançamentos do seu novo livro já marcados até o Natal deste ano.

“1889”, lançamento da Globo Livros, trata de temas pouco afeitos ao “hit parade” das livrarias: fim da monarquia, abolição da escravatura e começo da República.

Mas a tiragem inicial não faz feio nem para obras de vampiros, romances soft-porns ou histórias de bruxos. Serão 200 mil exemplares, o dobro da primeira fornada de “Harry Potter 3” e mais de seis vezes o número de largada de outra obra bem-sucedida recente sobre a história do Brasil, a biografia “Getúlio”, de Lira Neto.

Mais do que o tema perfeito, Laurentino Gomes parece ter encontrado o tom adequado para abordá-lo.

“Obras como ‘1808’ não trazem nada de novo. Mas Laurentino achou uma maneira muito atraente de apresentar esses episódios da história para o grande público”, opina um dos principais historiadores do país, José Murilo de Carvalho.

“Consolido a bibliografia sobre estes episódios históricos numa visão jornalística, para o leitor não especializado no tema”, corrobora Laurentino Gomes.

No terceiro livro, ele lança mão mais uma vez (e garante que será a última) de uma de suas armas secretas: a fórmula de usar como título um ano emblemático da história do país, que aparece em letras enormes na capa, e um subtítulo longo e bem-humorado que resume os principais fatos a serem descritos.

O subtítulo de “1889” é: “Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.

Os personagens (por ordem de aparição) são d. Pedro 2º, marechal Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Tal como nos best-sellers anteriores, Gomes colore a trajetória deles com um farto repertório de histórias pitorescas (veja abaixo).

Algumas são puros gracejos, mas outras revelam características centrais da história política nacional.

Numa carta a um sobrinho, escrita um ano antes que ele liderasse a derrubada do império, o grande herói republicano, o alagoano Deodoro da Fonseca, dizia o seguinte: “República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia”.

MUSA DA REPÚBLICA

Gomes diz que mesmo quando liderou o grupo de militares que depuseram o governo de d. Pedro 2º, no 15 de novembro de 1889, Deodoro, primeiro presidente do país, ainda não tinha clareza se era a favor da República.

“Como outros episódios decisivos de nossa história, este envolveu uma mulher”, brinca o autor.

Anos antes, Deodoro havia se encantado pela donzela gaúcha Maria Adelaide Andrade Neves, a baronesa do Triunfo. Mas ela preferiu os atributos de Gaspar Silveira Martins, político que virou inimigo do militar.

“Deodoro só optou pela República na madrugada do dia 16, quando ele soube que d. Pedro havia chamado Silveira Martins para substituir o ministro recém-deposto”, diz.

Como sublinha enfaticamente em seu livro, a República brasileira foi anunciada com status de um regime “provisório”.

E o primeiro governo, também provisório, foi decidido no Instituto dos Meninos Cegos, instituição no Rio que era presidida pelo professor Benjamin Constant.

“As manifestações recentes no país estão ligadas a isso. Quando foi criada a República não se discutiu as regras do jogo republicano. Isso só começou a ser feito há um par de décadas”, afirma Gomes.

*
A TRILOGIA

‘1808 – Como uma Rainha Louca, um Príncipe Medroso e uma Corte Corrupta Enganaram Napoleão e Mudaram a História de Portugal e do Brasil’ (2007)
Editora Planeta
Prêmios Jabuti de Livro Reportagem e Jabuti de Livro do Ano 2008; Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras
Vendas mais de 1 milhão de exemplares

1822 – Como um Homem Sábio, uma Princesa Triste e um Escocês Louco por Dinheiro Ajudaram D. Pedro a Criar o Brasil – um País Que Tinha Tudo para Dar Errado’ (2010)
Editora Nova Fronteira
Prêmios Jabuti de Livro do Ano 2011
Vendas 527 mil exemplares

1889 – Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil’
Editora Globo Livros
Quanto R$ 44,90 (416 págs.) e R$ 26,91 (e-book)
Lançamento segunda, às 18h30, na Livraria Cultura (av. Paulista, 2073, tel. 0/xx/11/3170-4033)

*

A HISTÓRIA DO BRASIL PELO MÉTODO CURIOSO
Alguns episódios pitorescos descritos em “1889”

CAVALO DADO
O primeiro beneficiário da República do Brasil foi um cavalo. Usado pelo marechal Deodoro da Fonseca na madrugada da proclamação da República, o animal foi depois “aposentado do serviço militar por serviços relevantes prestados ao novo regime”

ORA, POMBAS
Banido do país que governou por 49 anos, três meses e 22 dias, d. Pedro 2º estava em alto mar quando viu a última porção de terra nacional. Ele escreveu num papel “Saudades do Brasil”, atado às pernas de um pombo-correio. A ave voou alguns metros e caiu em seguida no mar

NASCE UMA ESTRELA
Quando o Império caiu, o neto de d. Pedro 2º, príncipe d. Augusto, estava em um navio, em uma viagem de volta ao mundo. O comandante recebeu ordens de que a bandeira deveria ser alterada. Como não havia ainda o novo desenho, o telegrama mandava que sobre a Coroa imperial fosse costurada uma estrela vermelha. E assim foi

Elmore Leonard (1925-2013) e a glória

0

1

Sérgio Rodrigues, no Todoprosa

A morte do escritor americano Elmore Leonard, hoje, aos 87 anos, me levou a buscar um post de pouco menos de um ano atrás (que vai reproduzido abaixo na íntegra) em que saudei sua chegada a uma certa glória literária oficial, na forma de uma condecoração da National Book Foundation e do lançamento de seus livros pela Library of America. A conclusão era a de que o reconhecimento, merecido, era melhor para o establishment do que para Leonard – embora fosse bom para os dois. Essa impressão é ainda mais forte hoje.

*

Fiquei muito feliz com a notícia (em inglês) de que o escritor americano Elmore Leonard, 86 anos, autor de um punhado dos melhores romances policiais e de faroeste de todos os tempos, vai receber a medalha da National Book Foundation pelo conjunto da obra, uma honraria que costuma ser abiscoitada por escritores mais “sérios” como John Updike, Gore Vidal e Toni Morrison. Além disso, a Library of America reunirá seus policiais em três volumes de capa dura.

Pode ser que esses passos no sentido da canonização não signifiquem muita coisa para o ex-publicitário recluso que vive há décadas de seus livros, produzidos ao ritmo de um por ano e em muitos casos adaptados para o cinema e a TV. (Fala-se muito em “Jackie Brown”, um Tarantino menor, mas meu Leonard cinematográfico preferido é Get Shorty/“O nome do jogo”, de Barry Sonnelfeld.)

Estamos falando de um sujeito avesso a qualquer tipo de pose, que projeta uma imagem de artesão e que nunca precisou reivindicar o título de “intelectual” para se levar a sério. De todo modo, as homenagens de agora não são propriamente uma surpresa. Elmore Leonard virou uma instituição cultural americana, ganhou elogios públicos de ninguém menos que Saul Bellow e certa vez ouviu de Martin Amis que “sua prosa faz Raymond Chandler parecer desajeitado”.

Recebê-lo em suas fileiras com medalha e tudo significa muito mais, com certeza, para o mainstream das letras americanas, que desse modo demonstra uma saudável abertura sobre as muitas faces do fazer literário.

O homem é comercial? Muito. É também um baita escritor, um subversivo do maniqueísmo que costuma engessar a literatura de gênero, um estilista do inglês ianque – frequentemente intraduzível, o que prejudica sua apreciação por aqui – e um mestre do ritmo narrativo que dá a impressão de ter em casa como enfeite de aparador a pedra filosofal do pulso da história, aquilo que outros escritores tateiam a vida inteira para encontrar e perder de novo.

Pode-se dizer de Leonard, sem mudar uma vírgula, o que Chandler disse de Dashiell Hammett: “Ele tinha estilo, mas seu público não sabia disso, porque o estilo vinha numa linguagem que não se supunha capaz de tais refinamentos”.

Sim: eu também gosto de literatura “difícil”. Também sei que, às vezes, dificuldades abissais se escondem sob a facilidade aparente. Isso é bem mais difícil de perceber, mas quem gosta de dificuldade não perde nada por tentar.

Inveja de Eça de Queiroz teria motivado criação de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’

0

Marco Rodrigo Almeida, na Folha de S.Paulo

Uma certa mulher de olhos oblíquos e dissimulados não é o único mistério da obra de Machado de Assis (1839-1908).

Muita página já foi gasta com a dúvida torturante: Capitu traiu ou não Bentinho, o ciumento narrador de “Dom Casmurro” (1899)?

Mas um outro dilema, ainda mais antigo e, aparentemente, tão insolúvel quanto, atormenta alguns professores e pesquisadores: o que explica o salto abissal de qualidade de Machado a partir de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, em 1880?

João Cezar de Castro Rocha, crítico e professor de literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, dedicou-se a essa questão, com lupas de detetive, na última década. O resultado está no livro “Machado de Assis: Por Uma Poética da Emulação”.

O professor argumenta que o pulo do gato que propiciou a passagem do “Machadinho” do início da carreira ao “Machadão”, nome maior da literatura brasileira, teve origem na rivalidade com o português Eça de Queiroz (1845-1900).

Eça de Queiroz (à esq.) e Machado de Assis / Lézio Junior

Eça de Queiroz (à esq.) e Machado de Assis / Lézio Junior

Tudo teria começado em fevereiro de 1878, quando “O Primo Basílio”, de Eça, foi publicado no Brasil. A relação adúltera de Luísa com o primo e as críticas demolidoras aos costumes da burguesia de Lisboa escandalizaram leitores dos dois continentes.

Machado, em dois artigos publicados em abril do mesmo ano, fez severas restrições à trama. Apontou falhas estruturais, condenou a inconsistência psicológica de Luísa e descreveu a relação entre os primos como “um incidente erótico, sem relevo, repugnante, vulgar”.

“A análise de Machado foi considerada um dos pontos altos de seu exercício crítico, mas é esteticamente tradicional e moralmente conservadora”, diz Castro Rocha.

Quando publicou os dois ensaios sobre Eça, Machado era autor de quatro romances (“Ressurreição”, “A Mão e a Luva”, “Helena” e “Iaiá Garcia”), “corretos, regulares e medíocres”, na visão do professor. “São histórias de corte tradicional, em que todos os elementos são esclarecidos pelo narrador.”

Mas o furação Eça apareceu no meio do caminho do comedido escritor brasileiro. Para Castro Rocha, a consagração de um escritor mais moço e que também escrevia em português agudizou a insatisfação de Machado com seus próprios romances e o levou a uma reformulação radical.

Em dezembro de 1878, seriamente enfermo, o “bruxo do Cosme Velho” partiu para uma temporada em Nova Friburgo. Voltou de lá, três meses depois, com o primeiro esboço de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, furacão ainda mais avassalador que o de Eça.

A narrativa do “defunto autor”, irônica, fragmentária, inventiva, foi um divisor de águas na literatura nacional e inaugurou a grande fase do autor nos contos e romances (“Quincas Borba”, “Dom Casmurro”).

A chave para essa reinvenção, defende Castro Rocha, está na “poética da emulação” do título de seu estudo. Machado abasteceu-se do cânone literário (em “Brás Cubas”, o caldeirão inclui a Bíblia, Xavier de Maistre, Sterne, Shakespeare e muito mais) de forma despudorada, criando a partir disso uma obra inovadora.

Teria Machado, então, escrito sua primeira obra-prima com a pena da galhofa, a tinta da melancolia e os papiros da inveja? “Inveja no sentido de produzir algo tão bom quanto. Trata-se de uma rivalidade estética com Eça que o levou a se arriscar. A tese é controversa, e não tenho a pretensão de que seja a única explicação. Machado é complexo demais para ser resumido”, diz.

dica do João Marcos

Personagem Artemis Fowl saltará dos livros para as telas

0

Os oito volumes com o personagem Artemis Fowl, de autoria do irlandês Eoin Colfer, foram publicados entre 2001 e 2012 e venderam mais de 21 milhões de exemplares no mundo todo

Publicado no Administradores

artemisfowlArtemis Fowl, um gênio do crime milionário de apenas 12 anos que faz sucesso em uma série literária juvenil, vai virar personagem de cinema, disseram as produtoras Walt Disney Studios e Weinstein Company.

O filme abrangerá os dois primeiros livros da série e será adaptado por Michael Goldenberg, roteirista de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”. A filmagem ainda não começou, e a data de lançamento não foi anunciada.

Os oito volumes com o personagem Artemis Fowl, de autoria do irlandês Eoin Colfer, foram publicados entre 2001 e 2012 e venderam mais de 21 milhões de exemplares no mundo todo.

A produção marca uma retomada na parceria entre a Disney e os fundadores da Weinstein Company, os irmãos Harvey e Bob Weinstein. Eles também foram os criadores da produtora Miramax, que pertenceu à Disney até 2010.

Os irmãos deixaram a Miramax em 2005, por causa de desentendimentos com a Disney, e então fundaram a Weinstein Company, conhecida por suas produções baratas e aclamadas pela crítica, como “O Discurso do Rei”.

“Se vocês me dissessem há cinco anos que eu estaria produzindo um projeto com a Disney, eu diria que vocês são loucos”, disse Harvey Weinstein em nota.

Go to Top