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Casa comprada por Elizabeth Bishop mantém viva a memória da escritora em Minas

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Localizada em Ouro Preto, a Casa Mariana serviu de residência temporária da poeta norte-americana até a sua morte, em 1979

Publicado no Uai

“Um caminhão Mercedes-Benz, enorme e novo, chega e domina a cena. Na carroceria, botões de rosa brilham, enquanto o para-choque anuncia: CHEGOU QUEM VOCÊ ESPERAVA. O motorista e o ajudante lavam o rosto, o peito, o pescoço. Lavam os pés, os sapatos, depois se recompõem.” Em duas das 16 estrofes de ‘Pela janela: Ouro Preto’, a poeta norte-americana Elizabeth Bishop expõe observações cotidianas e banais que tinha de uma certa janela da Rua Conselheiro Quintiliano. Pois foi do alto do casarão da amiga Lili Correia de Araújo, a quem o poema é dedicado, que ela observou uma residência logo abaixo. O que lhe chamou a atenção da casa, então em péssimo estado, foi o telhado, “como uma lagosta emborcada.”

Quarenta e oito anos depois dessa observação, é outra senhora de cabelos brancos quem relembra a história. Bishop comprou em 1965 a casa, datada do final do século 17, início do 18. Durante três anos, empreendeu uma extensa reforma no imóvel de 500 metros quadrados, situado numa área de 7 mil metros. Ficou com a casa até sua morte, em 1979, mesmo que nos anos finais pouco a tenha frequentado. Linda Nemer, economista e socióloga aposentada, a comprou da herdeira da poeta, Alice Methfessel, em 1982. Desde então, pouca coisa mudou. À exceção das estantes abarrotadas de livros, que ocupavam a residência, que Bishop levou para os EUA quando retornou ao país natal, em meados dos anos 1970, boa parte dos móveis continua como na época de sua moradora ilustre.

Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e Carlota de Macedo Soares (Glória Pires) no filme 'Flores Raras', de Bruno Barreto (Globo Filmes / Divulgação)

                                  Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e Carlota de Macedo Soares (Glória Pires) no filme ‘Flores Raras’, de Bruno Barreto

A passagem da poeta pelo país é retratada no filme ‘Flores raras’, de Bruno Barreto, recém-chegado aos cinemas. Mas o que está em foco na tela é a relação de Bishop com Lota de Macedo Soares, arquiteta autodidata que planejou o Parque do Flamengo. A maior parte da narrativa, baseada no livro ‘Flores raras e banalíssimas’, de Carmen L. Oliveira, é centrada no período em que as duas viveram, entre os anos 1950 e 1960, em Petrópolis e no Rio de Janeiro. Ouro Preto é relegada a alguns momentos na parte final, quando o casal visita amigos na cidade histórica. A vivência de Bishop em Minas Gerais se intensifica depois da morte de Lota, em 1967. E é essa a mulher com quem Linda Nemer e sua família conviveram muito proximamente.

Foi o irmão caçula de Linda, o artista plástico José Alberto Nemer, quem primeiramente ficou amigo dela – ele chegou a ter, na Casa Mariana (o nome é homenagem à poeta Marianne Moore, mentora de Bishop), um quarto reservado. Linda logo se tornaria também amiga. Como a família Nemer é de Ouro Preto, os laços se estreitaram. Tanto que a poeta deixou de herança para Linda cinco salas comerciais no Rio de Janeiro. Para ela, Elizabeth, como a chama, sempre foi a senhora um tanto solitária, que bebia muito, mas era de uma delicadeza a toda prova. Capaz de providenciar um tecido que vinha do Norte da Europa somente para presenteá-la (isso depois que Linda elogiou o vestido) e de ir para a cozinha para preparar algo para os amigos.

O quarto que pertenceu a Bishop é o menor dos cinco da Casa Mariana (a cama, com cabeceira do chamado “pescoço de cisne”, é utilizada por Linda hoje em outro quarto). No vidro da janela está inscrita a data de nascimento do chef Jesse Dunfod Wood (22 de outubro de 1977), que teria nascido no quarto de Bishop a pedido do pai, o pintor Hugh Diarmid Dunford Wood, fã da poeta. Mas a porta desse ambiente cai num outro muito maior, o antigo escritório da poeta, hoje transformado em quarto de hóspedes.

Histórias

Detalhista, Bishop mandou vir dos EUA a grande banheira branca, que havia pertencido a um hotel. Da Inglaterra são a lareira da sala e o aquecedor do banheiro. Na sala principal, um detalhe, emoldurado, mostra a construção original da casa (pau a pique, com amarração em couro). Bem próximo está a escrivaninha que pertenceu a José Eduardo de Macedo Soares, fundador do jornal ‘O Imparcial’, precursor do ‘Diário Carioca’. Por sua antiguidade, a casa guarda histórias que não têm nada a ver com a passagem de Bishop por Ouro Preto. Há inclusive uma lenda que diz que a cabeça de Tiradentes teria sido enterrada ali – um importante maçom foi dono da casa em seus primeiros tempos e teria roubado a cabeça de Joaquim José da Silva Xavier.

Entretanto, é a passagem de Bishop que leva pesquisadores, turistas e curiosos a visitarem a Casa Mariana. Há alguns anos, Linda, que vive em Belo Horizonte, pensou em vendê-la, quem sabe para uma instituição “que fizesse dessa casa um museu da Elizabeth, que a mantivesse, a deixasse a salvo.” Como não apareceu ninguém, ela parou de pensar no assunto. “E meus sobrinhos vêm muito para cá, então fica para eles. Tenho 82 anos. O que vou fazer com o dinheiro nessa idade?” Mas se atualmente houvesse algum interesse que fizesse do memorial o lugar que ela imagina – e que Bishop, certamente, merece – Linda voltaria a pensar no caso.

A escritora norte-americana na Casa Mariana, em registro de 1970 (Arquivo/O Cruzeiro/EM/D.A Press)

A escritora norte-americana na Casa Mariana, em registro de 1970

Elizabeth por Linda

» Sem tradução

“Ela bebia muito. Às vezes chegava lá em casa carregada pelo motorista. Nessa época, em Belo Horizonte, morávamos na Rua Herval (na Serra). A gente cuidava dela. Eu saía para trabalhar o dia todo e a mamãe (uma libanesa que nunca foi fluente em português) cuidava dela. Um dia, quando cheguei, ela me falou: ‘Passei a tarde conversando com a sua mãe. Foi muito agradável’. ‘Sobre o que vocês conversaram?’, perguntei. ‘Não sei, porque ela não entendia a minha língua e eu também não entendia a dela’.”

» Amiga famosa

“Um dia, cheguei aqui e ela estava com uma caixinha de sapato amarrada com uma fita. Me disse: ‘Linda, você não faz confiança em mim, mas sou uma pessoa famosa. Se na velhice você precisar de dinheiro, venda esses papéis que vai ter um apoio’. Peguei a caixa e levei para casa. Como viajava muito, falei para mamãe, que de vez em quando dava uma limpeza e jogava papel velho fora: ‘Mamãe, esses aqui não pode jogar fora’.”

» Papéis velhos

“Uma professora veio me perguntar coisas sobre a Elizabeth. Mostrei para ela a caixa. Pois ela foi para Vassar (a faculdade norte-americana em que Bishop estudou e que hoje guarda grande parte de seu acervo) e contou dos papéis. Ligaram-me insistentemente até que concordamos que eu iria até lá levá-los. Quando cheguei a Vassar, tinha um professor de português me esperando, me hospedaram num quarto enorme na universidade. Era tão bem montado que tinha 14 lâmpadas, eu contei. Eu ficava assim porque para mim a Elizabeth era uma pessoa comum, uma amiga mais idosa, uma senhora estrangeira que tinha poucos amigos em Ouro Preto, que bebia e que a gente ajudava quando precisava. Pois a diretora da biblioteca de Vassar só deixou eu abrir a caixa numa sala que era à prova de fogo. Uns experts de Nova York viram que eram autênticos. Nós negociamos e eu os vendi por US$ 25 mil. Era uma caixa de papel velho, com ótimos manuscritos, rascunhos de poemas e reflexões.”

» Coisa de escritoras

“Antes de vir ao Brasil, uma vez ela perguntou a Marianne Moore (mentora de Bishop) o que ela queria do país. Disse para levar uma coisa vermelha. Elizabeth foi a um antiquário e achou rubis. Quando a Marianne já estava muito doente, foi visitá-la e a família falou para que escolhesse uma lembrança. Ela escolheu a abotoadura de rubi. E me deu depois. Então, fui a uma solenidade em Petrópolis com o Affonso Romano e a Marina Colasanti, muito meus amigos. Durante o jantar, bati no copo, todo mundo fez silêncio. Contei essa história e dei as abotoaduras para a Marina. ‘Coisa de escritoras, fica para vocês’.”


 

 

 

 

Nielsen BookScan vai monitorar venda de livros impressos no Brasil

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Serviço que mapeia vendas no mercado editorial cobre dez países, entre Estados Unidos, Reino Unido e Austrália

Publicado no Uai

  (sxc.hu / stockphoto)

Destacando o crescimento do Brasil como uma potência literária, os analistas de varejo da Nielsen lançam seu primeiro serviço de monitoramento da América Latina no país de Machado de Assis, Euclides da Cunha e Ferreira Gullar.

O novo serviço BookScan vai mapear os 600.000 livros impressos que são vendidos a cada semana, o que equivale a R$ 20 milhões em receitas. A Nielsen também vai comparar o preço real de venda com o preço de venda recomendado como medida de desconto aos varejistas.

Com o Brasil, o serviço BookScan cobre agora dez países, entre eles os EUA, o Reino Unido, a Irlanda, a Austrália, a Nova Zelândia, a África do Sul, além de Itália, Espanha e Índia.

Amazon, Google e Kobo abriram lojas virtuais para consumidores brasileiros no fim do ano passado, com a Apple já estabelecida de longa data no país.

 

Questão de Terapia: por que os livros “problemas” são a nova onda do momento?

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Clariana Touza, no Literatortura

Hoje vemos um crescimento gritante da temática terapia na televisão e no cinema. Seria este o começo de uma nova febre no nível vampiros fofos e 50 tons? Sessão de terapia, Go on, O lado bom da vida e Um método perigoso entre tantos outros não me deixam negar o fato. Ah, mas a temática sempre fez parte do imaginário comum. Fato. Porém, não como centro de toda a narrativa; a temática sempre foi presente, completando a dramaturgia, mas não como a base desencadeadora de todo o resto. Livros, filmes e séries sobre o tema estão caindo no gosto popular de forma nunca vista antes e isso nos faz pensar em dois pontos: por quê agora, e como estas dramaturgias vêm sendo trabalhadas de forma a agradar tanto o público?

Sessão de terapia, série exibida pelo GNT, confirma sua segunda temporada para 7 de outubro. Dirigida por Selton Mello é baseada em outra série: a israelense BeTipul, criada pelo psicanalista Hagai Levi e já teve mais de trinta adaptações feitas, entre elas para os EUA (In Treatment, também exibida aqui no Brasil pela HBO), Canadá, Argentina e Holanda.

Go on, estrelada pelo ex-Friend Matthew Perry, na qual um famoso locutor e comentarista esportivo é obrigado, pelo chefe, a participar de sessões de terapia em grupo, para superar a morte da esposa, já tem sua segunda temporada encomendada pela NBC.

O livro O lado bom da vida, trazido ao cinema pelas mãos do diretor David O. Russell no início desse ano, relata a vida do ex-interno de um sanatório que tenta retomar o lado bom da sua existência e até reconquistar a ex-esposa. Tanto o livro quanto o filme agradaram público e crítica.

Já Um método perigoso, de 2012, rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor ator coadjuvante a Viggo Mortensen, que interpreta o pai da psicanálise, Sigmund Freud. A narrativa fílmica traz como a relação entre Carl Jung e Sigmund Freud possibilitou o surgimento da psicanálise e o relacionamento de ambos com a intensa paciente Sabina Spielren.

Bom, pensemos: o que todos eles têm em comum? Além da própria questão terapêutica, todos eles trazem personagens complexos e bem-construídos, as narrativas são elaboradas e inteligentes, além do fato de todos eles trazerem excelentes representações do cotidiano, o que possibilita uma aproximação com o público. As pessoas não assistem a esse tipo de série e filme porque querem ver as estrelas, ainda que isso desperte um interesse (confesse que sempre queremos ver o resultado de Selton Mello como diretor). As pessoas veem suas questões sendo tratadas ali de forma coesa e comum, não são mais problemas distantes de pessoas fictícias. O diálogo com o público, diferente do que acontece com as ondas “50 tons” e vampiros, dita não mais o interesse pelo irreal e impossível, mas os dilemas comuns do nosso dia-a-dia. Todas as dramaturgias aqui citadas nos mostram de forma complexa, ainda que numa linguagem simples, as incertezas, medos e questões de qualquer ser humano e isso sempre foi uma questão que afligiu o homem. Como lidarmos com nossos problemas? É normal se sentir assim? Preciso de análise ou é exagero meu? Ainda que não tragam uma resposta, essas dramaturgias nos permitem tirar certas conclusões e tocam num assunto tão íntimo de forma séria. Aqui, cada problema e aflição importa e o espectador se vê pertencente a um meio-comum, não é mais um peixe fora d’água. O gosto parte por uma identificação pessoal e cada episódio, cena e página do livro funciona como um abraço e com um “eu entendo”, como uma grande sessão de terapia, e cabe a nós, espectadores, saber dialogar com o que a dramaturgia nos traz. Interessante, né? Vai ver chegou a hora de querermos falar sobre nós mesmos ainda que de forma distante, de queremos ver nosso reflexo na telinha ou na telona.

Ryan King (Mattew Perry) e seu grupo de terapia

Ryan King (Mattew Perry) e seu grupo de terapia

O porquê dessa temática justo hoje é um drama um pouco mais profundo (brincadeirinha à parte!). A palavra hoje é entendida devido a um processo que vem se desencadeando e amadurecendo há três anos. Atualmente, passamos por um paradoxo cultural. O padrão de vida está lá em cima e as pessoas parecem mais tristes e deprimidas do que nunca. Por quê? Eis a questão: estamos nos afastando muito das pessoas por causa das tecnologias, levamos uma vida online mais intensa do que a real e aí, ficamos sozinhos e tristes. Além disso, somos tão cobrados a fornecer resultados nesse brainstorm global que quando não o fazemos, ficamos frustrados. Mas sejamos sinceros: às vezes não parece que falta tempo para algo? Por outro lado quando paramos, ficamos perdidos e como dizem “cabeça vazia é instrumento do Diabo”. Cabeça cheia também. O que fazermos com tanta informação se temos que dar resultados rápidos e de forma coesa? Bom, esse grande paradoxo social deixa as pessoas deprimidas e o número de pessoas com algum transtorno psicológico cresceu muito nos últimos anos e você certamente conhece alguém que toma remédio indicado pelo psiquiatra. Esse grupo de pessoas aflitas encontrou algum vestígio de luz nessas dramaturgias e as grandes empresas televisivas e fílmicas, que sabem muito bem vender, viram ali sua mina de ouro. A aflição da sociedade geral dá margem para as grandes empresas venderem seus produtos e ainda agrada ao público. Essa reciprocidade tem dado certo, os dois lados estão ganhando de alguma forma: nós espectadores encontramos um conforto quando enxergamos nossos problemas postos ali e eles enchem seus cofrinhos, todos felizes.

Só espero que as próximas séries, filmes e livros que tragam a questão terapia mantenham o nível criativo e bem-feito. Não queremos mais uma febre que caia no ridículo e no comercialmente gritante e artificial. Uma temática tão boa não merece sofrer um processo de depressão (irresistíveis esses trocadilhos) no nível Crepúsculo.

Pais criam cadernos virtuais para tornar mochila de filho mais leve

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Aplicativo para iPad teve 9 mil downloads em três meses.
Casal já recuperou 8% do investimento na criação do Studying Pad.

Studying Pad (Foto: Reprodução da internet)

Studying Pad (Foto: Reprodução da internet)

Lilian Quaino, no G1

Ver o filho de 10 anos carregando todos os dias a mochila pesada com o material escolar fez uma promotora de Justiça e um advogado se tornarem empreendedores em soluções de tecnologia, investindo numa área bem distinta da formação em direito. Maria Juliana de Brito Santos Moysés e seu marido Luiz Antônio Moysés Junior, preocupados com as reclamações do filho João Victor, resolveram pensar num aplicativo para o iPad do garoto que substituísse os cadernos. A ideia vingou e hoje é usada por toda a família, até pela pequena Maria Fernanda, de 7 anos.

O casal que vive em Moramos em Nova Lima, cidade vizinha a Belo Horizonte (MG), bateu na porta da IDS Tecnologia, maior parceira Apple do Brasil, e encomendou o aplicativo, que a empresa mineira desenvolveu em cerca de 90 dias. Disponível para download por qualquer pessoa na Apple Store desde janeiro, o Studying Pad já é o sétimo mais baixado na categoria educação na loja virtual. A versão gratuita vem com dois cadernos, mas o estudante pode comprar a extensão com pacotes de até oito cadernos.

“Em três meses já foram mais de 9 mil downloads. Pedimos para criarem também uma versão em inglês. O Brasil é o maior usuário, em segundo lugar vêm os EUA. Canadá, Inglaterra e Portugal também já aderiram ao aplicativo”, comemora Juliana, empreendededora de primeira viagem.

Ela afirma que ainda este ano o aplicativo será desenvolvido para Android.

Studying Pad aberto (Foto: Reprodução da internet)

Studying Pad aberto (Foto: Reprodução da internet)

Juliana explica que os cadernos são muito funcionais, têm agenda sincronizada com o horário das aulas, cronograma de aulas, possibilidade de inclusão de fotos, aplicativo para desenhos, digitação por toque ou por teclado conectado via Bluetooth. O estudante pode ainda imprimir ou exportar o conteúdo em formato PDF para compartilhar as aulas com outros colegas.

Ela lembra que o aplicativo serve para alunos de todas as categorias – do ensino fundamental até concurseiros – ou para qualquer pessoa que goste de ter seus textos organizados e arquivados. Ela mesma tem cadernos do Studying Pad para suas receitas.

“O aluno marca na agenda o dia e o horário da aula de matemática e o aplicativo, naquela hora, já abre o caderno de matemática. O aplicativo permite imprimir e enviar por e-mail. Tem ainda um sistema de busca por palavra”, explica Juliana.

A pequena Maria Fernanda com o Studying Pad (Foto: Arquivo pessoal)

A pequena Maria Fernanda com o Studying Pad
(Foto: Arquivo pessoal)

A empreendedora já recuperou 8% do investimento que fez ao encomendar o aplicativo – ela ganha da Apple um percentual a cada download feito. Juliana explica que pagou à IDS um preço que considerou justo pelo desenvolvimento do produto e disse que o investimento, que não revelou, é acessível a qualquer família de classe média.

“A gente apostou. Não entendemos nada disso. Levamos a ideia à IDS e pedimos para desenvolverem o aplicativo. Fizeram fielmente tudo que eu sugeri”, disse Juliana.

O diretor responsável pela área técnica e estudo de novas soluções da IDS, Patrick Tracanelli, diz que a próxima etapa é firmar parcerias com instituições de ensino para usar o aplicativo como ferramenta pedagógica. Ele explica como desenvolveu o produto:

“Fazemos a entrega de um aplicativo em aproximadamente 90 dias. É um processo minucioso que consiste em algumas etapas, como definição do escopo com o cliente, orçamento, desenvolvimento do mapa de funcionalidades, criação da interface e identidade visual, adequação e criação de frameworks, entre outras. A pessoa torna sua ideia realidade e ainda consegue uma fonte de renda pois, para cada download, 70% do valor vai para ela e o restante para a Apple”.

João Victor e o pai Luiz Antônio usando o aplicativo (Foto: Arquivo Pessoal)

João Victor e o pai Luiz Antônio usando o aplicativo
(Foto: Arquivo Pessoal)

Patrick acredita que o Studying Pad tem potencial para se tornar uma grande rede social de aprendizado, focado no processo de negócio das escolas.
“Nossa intenção não é só usar a tecnologia como existe hoje, facilitando tarefas que já existiam antes, mas criando um novo ambiente de estudo, trazendo de fato a tecnologia para o processo de ensino”, disse o executivo.

Para Juliana, a questão ambiental também pesa a favor do aplicativo: “A natureza agradece a economia de papel”.

Na cama com Kennedy

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Aos 69 anos, Mimi Alford, que na juventude foi estagiária na Casa Branca, conta nos moldes de literatura erótica a sua relação com o ex-presidente dos EUA

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Antonio Carlos Prado e Ivan Claudio, na Isto É

SEM ROMANTISMO
Kennedy e sua amante Mimi: quando ela foi embora, uma semana antes
do assassinato do presidente, ele a presenteou com broches e colares

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Mimi Alford é uma senhora americana de 69 anos e sete netos. Acaba de lançar o seu primeiro livro no qual se lê em um de seus trechos: “Notei que ele se aproximava cada vez mais. Podia sentir a sua respiração no meu pescoço (…)
Ele estava bem na minha frente (…) colocou suas mãos nos meus ombros e me guiou em direção à beira da cama. Lentamente, desabotoou a parte de cima de meu vestido (…) ele pressentiu que era a minha primeira vez (…).” A escrita segue por esse caminho, e dá para o leitor imaginar por onde vai e para onde vai. Há, no entanto, uma dobra no lençol da história que põe a nu o motivo do sucesso que o livro vem fazendo junto ao público e à crítica de todos os EUA. Mimi não é uma autora que descobriu, somente agora, septuagenária, o seu talento para a ficção erótica, nem se trata de uma velhinha assanhada. Ela é o arquivo, em primeira pessoa, daquilo que até recentemente era o mais enterrado segredo de alcova do ex-presidente americano John Kennedy, assassinado em 1963 aos 46 anos. Durante 18 meses ela foi amante do presidente, e na maioria das vezes ele se relacionou sexualmente com ela, durante o dia, sob os lençóis que na noite anterior dividira com a então primeira-dama Jackie Kennedy. Detalhe da obra: “o presidente nunca beijou na boca”.

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NA CASA BRANCA
Kennedy despacha com sua equipe de imprensa, da qual Mimi (à dir.) fazia parte:
estresse curado com natação e amantes na piscina da sede do governo

O livro se chama “Era uma Vez um Segredo – Meu Caso com o Presidente John F. Kennedy” (no Brasil, editora Objetiva).
Mimi conta que tinha 19 anos e era virgem quando se relacionou pela primeira vez com o chefe de Estado que publicamente apontava mísseis para a Baía dos Porcos e secretamente disparava seus hormônios pela Casa Branca – e dizia a seus assessores “ela dorme feito um bebê”, enquanto traçava planos bélicos ou de paz. Nessa época Mimi acabara de ser contratada como estagiária do Departamento de Assessoria de Imprensa da sede do governo, era inexperiente profissional e sexualmente e, no quesito beleza, não chegava aos pés de outra famosa amante do presidente, a atriz Marilyn Monroe. Mas a Casa Branca tem lá os seus mistérios, vai saber, tem sua química própria, e o certo é que Kennedy olhou para ela e daí por diante, quase todos os dias, caiu na piscina da ala residencial para relaxar. Era ele cair, e a assessora “foca” caía também. O primeiro mergulho começou assim: o “assessor especial para assuntos de alcova”, que, segundo a autora, se chamava Dave Powers, disse-lhe uma tarde ao pé do ouvido: “O presidente vai à piscina. Aceita lhe fazer companhia?” Sim, Mimi aceitou, era o seu quarto dia de trabalho. Nos vestiários, um detalhe chamou-lhe a atenção: a coleção de maiôs dos mais diversos tamanhos, o que a fez concluir que, não só na política mas também nas dimensões das mulheres, o presidente era sim democrata.

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ESTADO E ALCOVA
Mimi revela no livro que o presidente apontava mísseis para a Baía dos Porcos
e disparava hormônios na Casa Branca ao mesmo tempo

A água da piscina era mantida a 32 graus (prescrição médica para as dores nas costas de Kennedy), e quando eles emergiram desse mergulho de estreia ele a convidou para uma “visita guiada” pelo segundo andar da Casa Branca.
Dois daiquiris, e então veio o mergulho sem água, no quarto de Jacqueline “decorado em azul-claro”.

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LIVRO BOMBA
Mimi conta em seu livro todo o envolvimento que teve com Kennedy:
“Foi tudo sexual”

Kennedy gostava da água, e Mimi lembra que foi numa sessão de hidromassagem que veio à tona a porção voyeur do presidente com quem se relacionou até uma semana antes de ele ser assassinado: Kennedy ordenou-lhe que fizesse sexo oral em Powers (o alcoviteiro da piscina, lembra?) porque “ele estava um pouco tenso”. Detalhe: o presidente fez questão de ficar olhando a felação. Mimi decidiu contar agora toda a sua história porque fora citada em uma biografia de Kennedy publicada há dez anos. Não conta quanto recebeu para pôr na tela do computador e imprimir as suas memórias, mas dá para se ter uma ideia, já que um produtor de filmes lhe ofereceu US$ 1 milhão pelos direitos. “Não me arrependo de nada que fiz”, escreve Mimi. “Nosso relacionamento foi sexual.” Quando a coisa esfriou, ela decidiu se casar com um amigo do interior americano e disse adeus ao presidente, que a presenteou com dois broches de ouro e diamante, colares e um bilhete no qual dizia: “Calorosa consideração e profunda gratidão.” Tudo protocolar. Como já foi dito, o presidente não beijava na boca.

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