Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Os HotéIs

Hotéis criam áreas de leitura para reter hóspedes e ganhar mais

0

Livros estão sendo colocados em áreas de destaque, como lobbies e bares, para deixar o ambiente mais confortável para seus clientes, principalmente os mais jovens

Publicado no iG

Em muitos quartos de hotel materiais para leitura se tornaram extremamente raros – abra a gaveta da escrivaninha e talvez encontre uma bíblia, ou uma edição das Páginas Amarelas. Porém, alguns hotéis estão começando a ver os humildes livros sob um novo ponto de vista, à medida que buscam novas formas de convencer os hóspedes, especialmente os mais novos, a passar mais tempo nos lobbies e bares.

Cada vez mais, os hotéis guardam livros em áreas de destaque, realizando encontros e leituras com a presença dos autores. Embora a tendência tenha surgido em hotéis-butique, hotéis como o Library Hotel, em Nova York; o Heathman Hotel, em Portland, Oregon; e o Study at Yale, em New Haven, Connecticut estão espalhando a ideia pelas redes.

Daniel Rosenbaum/The New York Times
Hóspedes em um espaço reservado para leitura com livros sobre presidentes e esportes no hotel Renaissance, em Washington

Para essas redes, uma biblioteca – ou, ao menos, a impressão de uma – permite que o lobby passe de um lugar formal para uma atmosfera mais caseira, algo que clientes mais jovens sempre procuram. Adam Weissenberg, vice-presidente dos grupos de viagem, hospitalidade e lazer da Deloitte, afirma: “Minha impressão é a de que isso está relacionado a uma mudança no público”. E acrescenta que “viajantes mais jovens querem fazer parte da comunidade”.

Assim como qualquer outra mudança em um hotel, sempre existe a questão financeira. A receita com os quartos subiu 6,3% em 2012, comparada com o ano anterior, mas o faturamento com comida e bebida subiu apenas 2,3%, de acordo com a PKF Hospitality Research Trends.

Para os hotéis, o desafio é convencer os hóspedes a gastar mais tempo – e dinheiro – nos restaurantes e bares, ao invés de se aventurarem do lado de fora. O hotel Indigo Atlanta-Midtown, por exemplo, tem um espaço separado no lobby chamado de Biblioteca, com livros, jornais e café. O Indigo Nashville Hotel também possui uma área similar a uma biblioteca.

A Country Inns and Suites, que conta com 447 hotéis na rede, fechou um acordo exclusivo com a Penguin Random, conhecido como “Read It and Return Lending Library” (Biblioteca ‘Leia e Devolva’, em tradução livre), que permite que os hóspedes emprestem um livro em um endereço e devolvam em outro, quando voltarem a se hospedar na rede. Scott Meyer, vice-presidente sênior do Country Inns, explica que o objetivo é dar aos hóspedes – 40% dos quais estão viajando a negócios – “algo que eles não esperam”.

Desde o início de julho (uma versão desse programa havia estreado em 2001), o hotel oferece romances de Dean Koontz, Steve Berry e outros autores da Random House, além de livros infantis. Um blog corporativo mostrava um trecho do último de Koontz, “Deeply Odd”, publicado em março. Os livros de ambos os autores à disposição na rede fazem parte dos títulos mais antigos do catálogo. Berry ficou entusiasmado com a nova divulgação de seu trabalho. Ele se referiu ao método como “a forma mais simples, eficiente e despojada de colocar livros nas mãos dos leitores”.

Daniel Rosenbaum/The New York Times
Redes de hotéis estão apostando em espaços para leitura para atrair hóspedes jovens aos ambientes comuns

Em junho, o Hyatt Magnificent Mile, em Chicago, terminou uma reforma completa que inclui um bar cheio de livros e revistas, além de alguns computadores. Marc Hoffman, COO da Sunstone Hotel Investors, proprietária do hotel, conta que também levou o conceito da biblioteca para outros hotéis da rede, incluindo o Renaissance Washington, D.C., Downtown Hotel, que tem livros sobre presidentes e esportes; para o Newport Regency Beach Hyatt, na Califórnia; e o Boston Marriott Long Wharf, onde afirmou que livros sobre os Boston Celtics, sobre pesca e baseball são os mais populares. “Estamos criando espaços onde as pessoas possam relaxar”, diz.

Livrarias e sites que vendem livros para hotéis relatam um crescimento nos negócios. A livraria Strand, em Nova York, por exemplo, vende livros para o Library Hotel e o Study at Yale, bem como para hotéis em Dallas, Houston, Nova Orleans, e Filadélfia, entre outros. Jenny McKibben, chefe das contas corporativas da loja, estima que 60% das vendas para clientes corporativos são feitas para hotéis e empresas de design que trabalham para hotéis.

Segundo Jenny, antes da recessão, entre 15 e 20 hotéis ligavam todos os anos para encomendarem livros. Agora, com os hóspedes mais interessados e novas tecnologias que permitem que os hotéis confiram fotos e listas de títulos, o número de hotéis que fazem encomendas subiu para 40 ao ano. “Esse é o novo item de luxo”, afirma a respeito dos livros.

Enquanto isso, hotéis-butique tornam a experiência nas bibliotecas ainda mais personalizada. No Library Hotel, em Nova York, onde cada andar tem um número designado de acordo com o sistema decimal de Dewey e os quartos têm livros que acompanham essa classificação, foi realizado um concurso de haicais em abril para celebrar o Mês Nacional da Poesia.

Steven Perles, advogado internacional que trabalha em Washington e figurinha carimbada no hotel, não participou do concurso, mas durante uma temporada recente, refletiu sobre a escolha de local. “Os livros são parte importante do que chama a atenção”, diz, embora tenha ficado no quarto designado para as línguas eslavas e não entendeu nada do que os livros diziam. Ainda assim, ele dá uma nota alta ao hotel pelos serviços prestados

A Powell’s Books, em Portland, Oregon, fornece livros para o Heathman Hotel, que fica na cidade. Os autores que se apresentam na biblioteca ou no Arlene Schnitzer Concert Hall, e que ficam no hotel, sempre passam pelo ritual de assinar a obra mais recente e acrescentá-la à coleção do hotel. O hotel tem quase 2.100 obras assinadas pelos autores, incluindo Saul Bellow, Stephen King e Greg Mortenson. Os hóspedes podem entrar na biblioteca todas as noites.

Alguns hotéis passaram a realizar leituras com os autores. Pouco antes da segunda posse do presidente Obama, Lewis Lapham, editor da Lapham Quarterly e ex-editor da Harper’s Magazine, leu trechos do livro “A Presidential Miscellany”, de sua autoria, no Saint Regis Hotel, em Washington.

O Algonquin Hotel, em New York, deseja tirar proveito de sua rica história literária, enchendo uma das suítes com livros da editora Simon & Schuster. Em uma noite recentemente, mais de 125 pessoas se reuniram no lobby principal do hotel para ouvir Chuck Klosterman, jornalista, ensaísta e colunista de ética do “The New York Times”, para a leitura do livro ” I Wear the Black Hat “, publicado pela Simon & Schuster.

Hoffman conta que os livros do hotel poderiam se tornar souvenires. Ele explica que todos os livros tinham o nome do hotel e admitiu que alguns dos hóspedes os levavam para casa. “Desejamos que eles se lembrem da viagem, de como se divertiram, e que voltem para cá”, diz.

Os hotéis que inspiraram Agatha Christie

0

AGATHA CHRISTIE: ALÉM DE ESCRITORA, UMA VIAJANTE INCANSÁVEL (FOTO: AGÊNCIA EFE)

Publicado originalmente na Época Negócios

Agatha Christie é conhecida como “a rainha do mistério”. Mas além de escritora de sucesso, foi também uma incansável viajante. O gosto pelas viagens começou com sua mãe, mas foi acentuado com a ajuda de seu primeiro marido, o aviador Archie Christie, que a levou para muitos lugares, e de seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, com quem participou de expedições e escavações no Oriente Médio durante quase 30 anos.

Por viajar tanto, parte dos livros da escritora foram produzidos em hotéis. Alguns exemplos? “A Morte no Nilo”, de 1937, foi escrito no sugestivo hotel Old Cataract, cuja localização marca o final do fértil vale do Nilo e o início do grande deserto núbio, em Assuã, no Egito.

O Old Cataract, construído em 1889, já serviu de hospedagem para ilustres personagens, desde o czar Nicolau da Rússia até o primeiro-ministro britânico Winston Churchill. Foi lá que Howard Carter descansou após descobrir a tumba de Tutancâmon. Até hoje, o lugar mantém todo o seu encantamento colonial luxuoso e seu terraço à beira do Nilo, de onde se contempla um dos pores-de-sol mais belos do mundo, com a ilha Elefantina e o mausoléu de Aga Khan no horizonte.

INTERIOR DO HOTEL OLD CATARACT, QUE DURANTE SEUS ANOS DE HISTÓRIA RECEBEU HÓSPEDES COMO AGATHA CHRISTIE, O CZAR NICOLAU DA RÚSSIA E WINSTON CHURCHILL (FOTO: AGÊNCIA EFE)

“O Caso dos Dez Negrinhos” e “Morte na Praia” foram escritos no Burgh Island Hotel, construído em uma minúscula extensão de terra que fica isolada pela maré durante metade do dia (nada mais adequado como palco para uma narrativa repleta de misteriosos assassinatos).

O BURGH ISLAND HOTEL INSPIROU OS LIVROS ‘O CASO DOS DEZ NEGRINHOS’ E ‘MORTE NA PRAIA’ (FOTO: AGÊNCIA EFE)

O Burgh Island Hotel, de 1929 oferece uma vista espetacular e uma inesquecível decoração “art déco”. Segundo o estabelecimento, Agatha Christie gostava de escrever em uma pequena parte independente do hotel, chamada “The Beach House”. Ela era uma hóspede tão assídua que um dos quartos recebeu o nome de “Christie”.

Em Toquay, cidade natal da escritora, localizada no sudoeste da Inglaterra está o The Imperial Hotel, construído em 1866, que beira as águas do Canal da Mancha, e onde dormiram desde Napoleão III ao rei Edward VII. A escritora também usou o local como inspiração para alguns romances.

PERA PALACE ISTAMBUL: AQUI, ERA NO QUARTO 411 QUE AGATHA CHRISTIE SE HOSPEDAVA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Na Turquia está o Pera Palace de Istambul. Construído pelo arquiteto franco-turco Alexander Vallaury, em 1892, o hotel combina em seu interior os estilos neoclássico,”art nouveau” e oriental. O lugar serviu de pouso para viajantes do Expresso do Oriente, entre eles, a própria Christie.

O hotel rende sua particular homenagem à escritora dando seu nome a um de seus restaurantes, o “Agatha”. Foi no Pera Palace, mais especificamente no quarto 411 que a escritora se hospedou várias vezes e escreveu o original de “Assassinato no Expresso do Oriente” (1934).

Go to Top