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Posts tagged Os Vingadores

Game of Thrones | George R.R. Martin conta como HQ dos Vingadores influenciou os livros

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História girava em torno do Magnum

Cesar Gaglioni, no Jovem Nerd

Antes de ser um autor conhecido mundialmente, George R.R. Martin é um nerd inveterado. Em uma entrevista à Fast Company, o escritor contou como uma HQ dos Vingadores influenciou os livros das Crônicas de Gelo e Fogo, principalmente no quesito de personagens importantes morrerem e no fato de que, em Westeros, ninguém é exatamente bom ou mau:

O Magnum era um cara que se juntava aos Vingadores como um super-herói, mas ele é, na verdade, um vilão que foi criado para fingir que é um herói. Ele deveria se juntar e destruir os Vingadores quando confiassem nele, mas no momento que ele ia fazer isso, ele tem uma crise de consciência e não consegue. Ele sacrifica a própria vida e morre. Eu amo essa HQ. Olhando para trás, eu fiz isso na minha carreira inteira, antes mesmo de eu ter uma carreira.

Confira a entrevista completa:

Além da HQ dos Vingadores, Martin lista J.R.R. Tolkien como uma de suas grandes inspirações.

Martin atualmente está trabalhando em The Winds of Winter, sexto livro da saga. Posteriormente, ele ainda tem que escrever A Dream of Spring, que encerra toda a história.

As aventuras do poderoso Xangô: HQ transforma Orixás em super-heróis

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A criação: Página de "Contos de Òrun Àiyè", com lançamento previsto para junho imagem: Divulgação

A criação: Página de “Contos de Òrun Àiyè”, com lançamento previsto para junho imagem: Divulgação

Tiago Dias, no UOL

Se a Marvel se inspirasse na mitologia yorubá para criar suas histórias, o guerreiro Xangô teria uma força tão impressionante quanto Thor, defenderia a justiça tanto quanto Capitão América, e contaria com a ajuda de Oxum, Ogum e Oxossi para conquistar o trono do império africano de Oyó.

Mas não é mais necessário uma gigante do ramo para fazer explodir um novo universo nos quadrinhos. A HQ “Contos de Òrun Àiyé”, que deve ser lançada em agosto, dará aos Orixás cores e contornos de super-heróis.

“Eles têm poderes e distinções muito claras de personalidade, como os super-heróis têm. Xangô e Iansã são vermelhos. Ogun é azul e verde. Oxum é dourado”, conta o criador da história, Hugo Canuto. “Tem um código ali que dialoga muito com a figura do super-herói.”

Os Vingadores da mitologia de matriz africana: Hugo Canuto bebe na fonte dos Orixás para nova HQ imagem: Divulgação

Os Vingadores da mitologia de matriz africana: Hugo Canuto bebe na fonte dos Orixás para nova HQ imagem: Divulgação

 

Como qualquer fã de heróis que se preze, o quadrinista baiano cresceu lendo o universo de Thor, Conan e Super-Homem, personagens inspirados em mitologias distantes, mas que nunca tiveram dificuldade de assimilação por parte dos leitores brasileiros.

Caiu então a ficha na cabeça do autor, que já visitara outras culturas em “A Canção de Mayrube”, inspirada nos povos latinos: Por que o deus nórdico, na ficção da Marvel, é um super-herói e Xangô, guerreiro africano, é considerado um demônio?

“Por que aquilo que é brasileiro, que faz parte da cultura do país, é vista dessa maneira negativa e esse mesmo arquetípico da cultura euro ocidental é vista como herói?”, questiona.

"The Might Xangô" ou "O Poderoso Xangô": Homenagem a Jack Kirby deu origem ao projeto imagem: Divulgação

“The Might Xangô” ou “O Poderoso Xangô”: Homenagem a Jack Kirby deu origem ao projeto imagem: Divulgação

“The Orixás”

Com a vontade de afugentar preconceitos e fundir suas duas paixões, a cultura brasileira e as HQs, recriou em agosto passado uma capa clássica de “Os Vingadores”, com Xangô na mesma pose de Capitão América, e Ogún no lugar do Homem de Ferro.

Nascia ali “The Orixás” – uma homenagem despretensiosa ao quadrinista americano Jack Kirby, fundador da Marvel e um de suas maiores inspirações, que completaria 99 anos naquele dia se estivesse vivo.

A ilustração foi recebida com uma onda de curtidas e compartilhamentos. Canuto criou então capas fictícias para cada Orixá e decidiu bancar um projeto de verdade. Recusou ofertas de editores e foi para o conhecido crowdfunding. A “vaquinha” iniciada em novembro bateu sua meta de R$ 12 mil logo nas primeiras semanas — e encerrou a arrecadação com R$ 40 mil.

Fundindo mundos

Hugo Canuto: "Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos" imagem: Bruno Sarrion/Divulgação

Hugo Canuto: “Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos” imagem: Bruno Sarrion/Divulgação

Na prévia de “Contos de Òrun Àiyé”, cedida pelo artista e que abre esta reportagem, é possível ver a influência dos heróis clássicos, como se Jack Kirby e Stephen “Steve” J. Ditko (responsável pela arte de “Dr. Estranho”) jogassem suas cores e influências pop em um novo mundo de super-deuses.

Mas o projeto vai além de transformar os Orixás em meros arquétipos. “A história que eu estou construindo se situa no tempo lendário, no passado mítico, em que céu [Òrun] e terra [Àiye] é um só. Não tem como ser maniqueísta. Eles são muitos complexos, não se reduzem a bom e ruim”, explica Canuto.

“Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos. Trazer algo que é tão vítima de preconceito, que é combatida por movimentos reacionários, para uma linguagem diferente e fazer com que as pessoas olhem de outra maneira”, observa o baiano. “Fiz uma ponte entre duas realidades.”

Quadrinista recria capas de HQs da Marvel com Orixás

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Capa de "The Orixas", inspirada na estética dos quadrinhos de "Os Vingadores" - Hugo Canuto

Capa de “The Orixas”, inspirada na estética dos quadrinhos de “Os Vingadores” – Hugo Canuto

 

Fã da estética de Jack Kirby, Hugo Canuto se inspirou na cultura afro-brasileiras para criar “The Orixás”

Milena Coppi, em O Globo

RIO — Inspirado nos HQs de Jack Kirby, um dos criadores do universo Marvel ao lado de Stan Lee, o quadrinista baiano Hugo Canuto recriou uma capa clássica de “Os Vingadores” e substituiu os famosos heróis da saga por divindades oriundas de religiões afro-brasileiras. Em sua versão, batizada de “The Orixás”, Xangô e Ogún trocam de lugar com Capitão América e Homem de Ferro.

— Resolvi imaginar o que aconteceria se Kirby resolvesse produzir uma saga baseada nas lendas da cultura afro-brasileira, assim como ele fazia com outras mitologias em seus quadrinhos — afirmou ele.

— Quis abordar a estética pop do quadrinho americano e trazer para a elementos da nossa cultura. Acredito que precisamos de referências próprias nesse aspecto.

A ideia surgiu despretensiosamente como forma de juntar duas de suas paixões, a cultura brasileira e os HQs, e de homenagear o quadrinista americano que, se estivesse vivo, completaria 99 anos em agosto. Mantendo a estética usada por Kirby, a versão de Hugo teve grande repercussão em sua página no Facebook.

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—Fiquei muito surpreso com a repercussão positiva das pessoas em relação aos desenhos. Muitas curtiram e se sentiram representados — declarou o quadrinista.

Há oito anos, Hugo criou o HQ “A Canção de Mayrube”, inspirada nas grandes mitologias da América. A partir desse projeto, o artista se aprofundou ainda mais no tema e levou as referências que buscou para seus trabalhos mais recentes.

— Queria fazer algo diferente, mas sempre tomando cuidado com a mensagem para não desrespeitar ninguém. Sei que algumas pessoas demonizam e atacam a cultura afro-brasileira. Mas, como artista, não posso deixar de realizar esse trabalho por conta de visões exclusivas da realidade.

Para criar a história, Hugo busca referências em livros de autores como Edison Carneiro e Pierre Verger. Ele também pretende sair de São Paulo e voltar a morar em Salvador para ficar mais próximo da cultura que o inspirou.

— Quero mergulhar nesse universo não apenas para criar um trabalho interessante, mas para não faltar com respeito. Sou um espiritualista e procuro entender todas as crenças. Como nasci na Bahia, é muito natural para mim entender várias visões de religiosidade — comentou ele.

Com os sucessos dos desenhos, o quadrinista já ensaia para transformar o projeto online em uma HQ.

— Por enquanto, vou continuar fazendo essas artes homenageando os Orixás dentro dessa estética. Mas estamos empolgados com a ideia de fazer um quadrinho. Queremos botar o projeto de pé com a ajuda de financiamento coletivo.

Literatura: a força está com os nerds

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Adriano Fromer, diretor da editora Aleph, que desde 2003 se especializou na literatura de ficção científica e publica no Brasil o universo expandido de 'Star Wars'(Divulgação/VEJA)

Adriano Fromer, diretor da editora Aleph, que desde 2003 se especializou na literatura de ficção científica e publica no Brasil o universo expandido de ‘Star Wars'(Divulgação/VEJA)

Popularidade de títulos de ficção científica, fantasia e quadrinhos entre leitores adultos leva o mercado editorial e até o meio acadêmico a se render à cultura geek — e correr atrás do prejuízo

Raquel Carneiro, na Veja

Foi-se o tempo em que ser chamado de nerd era um insulto. E com a ascensão dos que são assim definidos – e que hoje comandam negócios bilionários como o Facebook – cresceu também um ambicioso mercado. Que o digam editores especializados em fantasia, quadrinhos e ficção científica, alguns dos gêneros que os discípulos de Sheldon, o carismático nerd da série The Big Bang Theory, mais consomem. Em poucos meses, editoras consolidadas como Rocco e Sextante lançaram selos específicos, e a Novo Século pôs no mercado uma série de livros da Marvel, que já representa 8% de sua receita total. E a Aleph, que há dez anos apostou tudo na ficção científica, vê agora o seu pioneirismo dar resultado. A empresa dobrou o faturamento de 2013 para 2014, cresceu 120% no primeiro trimestre deste ano e ainda projeta mais, com a volta da franquia Star Wars, que impulsiona uma série de lançamentos, a explosão de feiras de fãs como a Comic Con e a expansão sem fim dos super-heróis no mundo do entretenimento. A força, sem dúvida, está com a literatura nerd.

Mas por muito tempo se duvidou disso no país. “Ficção científica não vende no Brasil” foi a dura sentença dada pelo mercado editorial a Adriano Fromer, diretor da Aleph, em 2003, quando ele decidiu voltar a apostar no gênero que havia deixado de lado nos anos 1990. “Existia esse mantra de que ficção científica não era um bom negócio, que era um estilo limitado. O nosso trabalho foi o de mudar esse paradigma”, conta Fromer, à frente daquela que é hoje a principal editora do nicho no Brasil, responsável por tirar a poeira de autores consagrados como Isaac Asimov, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke, e de ressuscitar clássicos esquecidos, caso de Laranja Mecânica, de Anthony Burgess; Neuromancer, de William Gibson; e, um dos seus lançamentos mais recentes, O Planeta dos Macacos, do francês Pierre Boulle.

O bom catálogo, aliado a um trabalho apurado de design gráfico, pode ser apontado como a principal razão do crescimento da Aleph. “A Aleph não acertou, a Aleph trabalhou. A gente insistiu no mercado, superamos estereótipos e mostramos que a ficção científica tem profundidade. É uma literatura séria, e ao mesmo tempo divertida”, diz Fromer.

O novo trunfo da editora é o contrato assinado com a Disney para o lançamento dos títulos do universo expandido de Star Wars. A parceria começou no final do ano passado com o clássico O Herdeiro do Império, livro que abre a trilogia Thrawn, de Timothy Zahn, o primeiro autor convidado pelo criador da saga, George Lucas, a escrever sobre ela. O romance estava esgotado no Brasil desde os anos 1980, década em que surgiu. Em março, foi a vez de Kenobi, de John Jackson Miller, lançado no ano passado nos Estados Unidos. Ao todo, a Aleph planeja vinte títulos de Star Wars até 2017, com os quais espera vender 1 milhão de cópias. A quantia é plausível, em especial pelo empurrão que a volta da franquia ao cinema no fim deste ano, com Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força, deve receber. Plausível também pelo bom desempenho de O Herdeiro do Império: o livro teve 50.000 cópias vendidas desde novembro.

Outro reforço da editora para o ano é disponibilizar todo o seu catálogo em e-books, boa parte em julho e o restante até o fim do ano. “A expectativa para 2015 é voltar a dobrar o faturamento. Eu não estou preocupado com a economia do Brasil. A crise é vantagem para a editora, porque as pessoas vão ficar mais em casa, lendo livros”, brinca Fromer, otimista.

Mais adeptos – Além da ficção científica, fantasia e quadrinhos são gêneros bastante apreciados pelos nerds. É o caso de títulos como a série Sandman, de Neil Gaiman, graphic-novel que já vendeu mais de 30 milhões de cópias na mundo – no Brasil, quem publica a trama é a Panini, que não divulga dados de venda -, e da série best-seller As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, publicada pela editora Leya. Os cinco calhamaços gigantescos, que deram origem à série de TV Game of Thrones, já venderam juntos mais de 3,5 milhões de exemplares no Brasil, e cerca de 25 milhões no mundo. A meta da empresa é chegar a 4 milhões de cópias comercializadas até o fim deste ano. Parece fácil.

Criada há quinze anos, a Novo Século é outra que acertou na aposta da fantasia. Os títulos do filão nerd representaram no ano passado 8% do faturamento da editora. E o percentual tende a crescer, já que em 2014 a empresa fechou um contrato com a Marvel para lançar quinze romances sobre super-heróis dos quadrinhos – o formato agrada a autores e leitores porque permite um maior desenvolvimento da trama e dos personagens. Alguns dos títulos são baseados em histórias de gibis, outros são tramas originais. O primeiro da coleção a chegar por aqui foi Guerra Civil, adaptado da HQ de mesmo nome, que também inspira o terceiro longa do Capitão América. Lançado em novembro, o livro se esgotou, causou filas gigantescas na feira de cultura pop Comic Con Experience, em dezembro, e chegou à terceira reimpressão.

O contrato com a Marvel rendeu também à Novo Século os títulos Homem-Aranha entre Trovões, X-Men: Espelho Negro e, o mais recente, Homem de Ferro: Vírus. Em três meses, os quatro livros venderam mais de 40.000 exemplares e ajudaram a fazer da série Marvel o carro-chefe da editora, que tem um catálogo imenso, composto de cinco selos distintos. “Nossas atenções estão totalmente voltadas para a série. O público nerd é muito específico, exigente e demanda um grande cuidado”, diz Lindsay Gois, coordenadora editorial da Novo Século.

No caso do acordo com a Marvel, a editora se beneficia do esforço do estúdio americano, que tem investido cada vez mais em filmes e séries de TV, bem como na sua divulgação. O próximo título previsto é Vingadores: Todos Querem Dominar o Mundo, inédito no Brasil, que será lançado no começo de maio com gancho em Vingadores: Era de Ultron, o segundo episódio da franquia, que estreia na próxima quinta-feira. O acordo entre Novo Século e Marvel prevê lançamentos até 2017, mas pode ser estendido (box ao lado).

O crescimento do estilo também levou editoras a criar selos especiais para abrigar a literatura nerd, caso da Rocco e da Sextante, que há cerca de um ano lançaram o Fantástica Rocco e a Saída de Emergência Brasil. Ambas já tinham boas experiências com o filão: a Rocco é quem publica o pop Harry Potter, além das distopias Jogos Vorazes e Divergente. E a Sextante é a responsável pela “bíblia” dos nerds, a série O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos no Brasil desde 2004.

“Com a chegada ao mercado de trabalho de uma geração que cresceu consumindo quadrinhos, super-heróis e outros produtos culturais associados ao conceito do ‘nerd’, houve uma demanda maior por todo tipo de item ligado a esse universo”, diz Larissa Helena, editora do selo Fantástica Rocco. Com o aumento da demanda, os geeks passaram a ser mais valorizados pelo mercado – e também se tornaram mais populares. “O segmento geek tem crescido expressivamente mundo afora, e passou a ser parte da cultura pop atual”, diz Marcio Borges, diretor de marketing da Panini, especializada em quadrinhos.

Academia se rende – A professora nova-iorquina Mary Elizabeth Ginway veio ao país nos anos 1980 para completar seu doutorado em espanhol e português e se interessou por livros de ficção científica brasileira. O estudo foi o cerne do livro que ela lançaria em 2005, Ficção Científica Brasileira: Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro (Devir), no qual analisa o gênero antes, durante e depois do regime militar. Quando ela trouxe a pesquisa completa ao Brasil, em 2004, percebeu uma resistência da academia nacional. “Nos EUA, existem estudos sérios de ficção científica desde os anos 1970. A evolução foi lenta, mas hoje existem centenas de disciplinas universitárias sobre ficção científica como gênero, além de diversas teses”, conta Mary Elizabeth, que dá aula na Universidade da Flórida.

Agora, a passos lentos, as universidades brasileiras começam a abrir espaço para estudos que envolvem viagens do tempo, distopias, ogros e até bruxos adolescentes. “A fantasia e a ficção científica começaram a crescer nas universidades há cerca de oito anos, e de uns três anos para cá o assunto tomou força”, conta Karin Volobuef, professora especializada em literatura fantástica na Unesp em Araraquara, no interior de São Paulo. Segundo Karin, personagens clássicos como Drácula e Frankenstein e o autor J. R. R. Tolkien são os temas favoritos em dissertações de mestrado e doutorado. Porém, o bruxinho Harry Potter tem aos poucos ocupado o seu lugar na academia, como tópico de trabalhos de conclusão de curso.

“A literatura fantástica discute valores como amizade, lealdade e fé, com simbologias mais profundas, além de abarcar dimensões psicológicas, éticas e morais. Já a ficção científica explora âmbitos sociais com mais detalhes”, diz Karin. “Essa literatura foi por muito tempo, e ainda é para alguns, vista como escapista e superficial, presa a padrões, repetitiva. Mas, na verdade, ela tem um forte substrato mítico e filosófico, que passa por diferentes linhas de pensamento, geralmente com viés critico. Não existem limites geográficos e temporais para a fantasia e ficção científica. É uma manifestação cultural que se reinventa a toda hora.” Fãs e editoras concordam – e aplaudem. A força, como se vê, está mesmo com os nerds.

Aos 91 anos, criador da Marvel continua a expandir seu universo

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Stan Lee na prèmiere de "Homem de Ferro 3" em Hollywood

Piya Sinha-Roy, na Reuters

LOS ANGELES (Reuters) – O diretor emérito da Marvel Entertainment, Stan Lee, pode estar em sua nona década de vida, mas isso não o impede de expandir seu império criativo, e ele espera captar o interesse de uma nova geração de crianças com um novo espectro de super-heróis de todas as formas e tamanhos.

Lee, de 91 anos, criador de franquias de quadrinhos e cinema como Homem-Aranha, Os Vingadores e X-Men, está com sua atenção focada na produtora “Stan Lee Kids Universe”, dedicada ao público infantil, e na edição de novas histórias para crianças em livros, programas de TV e plataformas digitais.

O mais recente personagem a entrar nesse universo é Dex T-Rex, um dinossauro azul que gosta de criar confusões mas aprende uma séria lição quando suas ações tornam-se prejudiciais aos outros. Ele aparece no livro chamado “Dex T-Rex: The Mischievous Little Dinosaur” (“Dex T-Rex: o Pequeno Dinossauro Travesso”, em tradução livre), escrito e ilustrado pela ilustradora de primeira viagem Katya Bowser, para crianças com menos de 10 anos.

“Crianças nessa idade apreciam qualquer história com coisas interessantes acontecendo, mas você pode colocar uma moral na história, e isso é bem melhor”, disse Lee durante uma sessão de autógrafos do livro em Los Angeles, no fim de semana. “Você tenta fazer isso de um jeito divertido e não de um jeito professoral.”

Mais de 100 pessoas, tanto adultos como crianças, fizeram fila na livraria para ver Lee. Novos fãs foram conquistados por filmes da Marvel como “Capital América”, “Thor” e, mais recentemente, “Guardiões da Galáxia”, todos nos quais ele faz uma breve aparição. A Disney é dona da Marvel.

“Por causa do sucesso desses filmes, muitas pessoas me conhecem, então se eu faço livros como este, eles estão dispostos a experimentá-lo”, disse Lee.

Muitos dos filmes da Marvel são dominados por papéis masculinos, e tanto críticos como fãs têm pressionado por mais personagens femininos no universo Marvel. Embora os livros de Lee para crianças frequentemente usem a imagem de animais, segundo ele “é claro que teremos representantes de todos os tipos diferentes” de pessoas.

Em outubro, a Marvel apresentará uma personagem feminina como Thor, em um esforço para atrair novos leitores e ter apelo entre mulheres e garotas.

A companhia de Lee, a POW (Purveyors of Wonder), fez uma parceria com novos artistas e ilustradores para o Universo Infantil, produzindo livros como “Monters vs. Kittens” (“Monstros versus Gatinhos”), “Hero Petz” e “Rockstar Super Diva”, com foco em meninas.

Lee acredita que as personagens podem ser adaptadas para cinema e TV, e ele tem um projeto de animação em andamento para o próximo ano.

“As histórias que eu sempre tentei fazer foram interessantes, provocativas e empolgantes o bastante para chamar a atenção de alguém”, disse ele.

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