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Conheça dez pontos turísticos que ajudam a compreender a História

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Professores listaram dez locais que guardam boas informações sobre a história do Brasil e do mundo. De Ouro Preto a Paris, conheça um sugestivo roteiro para quem quer relaxar sem se desconectar dos estudos, durante as férias.

Publicado em O Globo

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Pelourinho, Bahia
Uma das maiores memórias da escravidão no Brasil, o Pelourinho, em Salvador, oferece inúmeras possibilidades para quem quer conhecer um pouco mais da cultura brasileira. Uma delas, como recomenda o professor de história do colégio pH, Luiz Antônio Simas, é a Fundação Casa de Jorge Amado, repleta de materiais ligados à religiosidade afro-brasileira e à produção do escritor. Perto dali, o público ainda pode visitar o Terreiro de Jesus, local que marca a fundação da primeira capital do Brasil.

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Colônia do Sacramento, Uruguai
A cidade mistura heranças espanholas e portuguesas em sua estrutura colonial. Por isso, é uma ótima oportunidade para se conhecer de uma só vez essas duas influências tão recorrentes na história da América Latina. A dica também é do professor Luiz Antônio.

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Museu da República, Rio de Janeiro
O roteiro também passa pelo Rio de Janeiro. O Museu da República, no bairro da Catete, é apontado pelo professor Luiz Antônio como parada obrigatória para um passeio pela história republicana do Brasil. Documentos históricos e até o quarto em que o presidente Getúlio Vargas suicidou, em 1954, fazem parte do acervo.

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Machu Picchu, Peru
A cidade mantém viva a memória do Império Inca, que, segundo o professor de história do colégio e curso pH, Luiz Antônio Simas, aparece com frequência em vestibulares. Além disso, como ele salienta, é uma ótima oportunidade para quem deseja conhecer modelos de civilização diferentes do padrão europeu, tão difundido no Ocidente.

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Centro Histórico de Ouro Preto, Minas Gerais
De acordo com o professor de história do Colégio e Curso Pensi, Marcio Branco, a cidade, que considera uma das mais belas do mundo, é uma aula viva. Um dos destaques apontados por ele é a oportunidade que o visitante tem de encontrar igrejas construídas para a elite bem perto de outras que eram exclusivas para os escravos. Isso mostra de forma bem clara a dicotomia que marcava a sociedade colonial mineradora. (mais…)

É fácil ser autor. Difícil é escrever

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Os jornalistas estão adotando a primeira pessoa na narrativa, mas ainda não acharam seu verdadeiro eu lírico

Luis Antonio Giron, na Época

Como o tempo muda e nada acontece! Antigamente, o iniciante no jornalismo, chamado de “foca”, comparecia humildemente à redação para seu primeiro dia de emprego disposto a aprender com os mais velhos. Ouvia calado até um dia poder falar. Hoje, o “foca” se apresenta ao chefe na redação de uma revista ou um jornal já botando banca: “Foca é a sua mãe”, diz, enchendo o peito. “Eu sou autor!” Mas as coisas continuam iguais. Hoje ele apenas exterioriza aquilo que seu tímido antecessor apenas calava fundo.

No jornalismo atual, é como se o autor precedesse o estilo, ao passo que o inverso parece ainda ser real. Vivemos a epidemia da “autoralidade”, esta palavra monstruosa cuja tradução teria de ser “autoria”, porém é muito simples para fazer bonito. Pensei nesse assunto durante um exaltado debate em torno do tema “como encontrar a voz do repórter” de que participei no último Fórum das Letras de Ouro Preto, na semana passada, em um painel promovido por ÉPOCA e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). A plateia, formada em sua maioria por estudantes e iniciantes, queria saber como manter a “autoralidade” em tempos de hiperinformação, fragmentação do ego, redes sociais e o diabo digital que nos carregue. O que dizer aos jovens sonhadores sem acordá-los de seu recorrente autoengano? Como construir um estilo e se transformar em autor?

Sempre tive pudor de usar a primeira pessoa do singular, embora a esteja usando agora que está tudo liberado e não tenho nenhuma reputação a perder. Muita gente imagina que basta escrever “eu” para virar autor, repórter, articulista, crítico, ensaísta. Talvez eu tenha passado a pensar assim também, embora sem muita convicção. Talvez eu me veja também como membro do clero do “jornalismo literário” – outra expressão imprecisa que mais exalta certos indivíduos do que diz a verdade. Dessa forma, o clamor do estilo não sai mais apenas da garganta dos escritores, como também dos jornalistas – que nunca foram considerados dignos de receber a alcunha de escritores sabe-se lá por que – e de seus atuais sucedâneos, blogueiros e tuiteiros.

Todo mundo quer ser alguém na vida da escrita – e migrar seus textos da blogosfera ou do papel perecível para a presumível eternidade do livro. A consequência é o perigo da hiperpopulação de egos no mundo da comunicação. Todos escrevem qualquer coisa, mas poucos merecem ser chamados de autores. O problema é que, em um mundo onde o joio virou o trigo, bons e maus autores estão cada vez mais misturados e indistinguíveis.

Como se não bastasse, os meios de comunicação digital incentivaram a aparição do gigantesco coral de bilhões de vozes. O Twitter é o maior transmissor de opiniões e notícias irrelevantes jamais cogitado. O Facebook forneceu identidade e deu eco a muita gente que, felizmente, prefere ficar nos games da rede social. Antigamente evitava-se dar voz ao imbecil. Hoje, imbecis ou não, todos possuem um meio de expressão e de autopromoção. O imbecil é o herói emergente da autoralidade…

Então, para que servem o jornalista propriamente dito, o jornalista pré-literário, diante de tantas mudanças? Ele diferia até pouco tempo atrás do autor porque ele era um apanhador de fatos. transformava-os em notícia, de acordo com os vários subgêneros jornalísticos: entrevista, reportagem, artigo, resenha etc. O tema impunha o gênero a ser adotado. As redações eram as melhores escolas de estilo e escrita criativa. Agora os registros de linguagem e de veracidade se confundem, e é impossível distinguir um ficcionista de um não-ficcionista, um romancista de um repórter. Os cursos universitários de ficção criativa talvez sejam responsáveis pela lambança. Afinal, acadêmicos odeiam jornalista. Para eles, não passam de subliteratos. E agora com a internet, o veículo primordial da transmissão de notícias, a verificação da realidade se tornou impraticável.

É fácil ser autor. Difícil é escrever. As festas literárias o comprovam.

O jornalismo, por isso, talvez seja um profissão fadada à extinção – pelo menos o jornalismo que conhecemos até o final dos anos 1990. Por enquanto, agoniza mas não morre, como o samba segundo Nelson Sargento. Alguns jornalistas poderão sobreviver. Para tanto, precisam se dar conta de pelo menos três fatos. Em primeiro lugar, não há mais diferença entre textos online e offline, entre papel e internet. A versão em papel se tornou uma espécie de produto nobre, que surge no ambiente universal da internet. Em segundo, a influência dos meios de comunicação tradicionais – jornal, revista, televisão – ainda é efetiva, mas está diminuindo, à medida que os fóruns de opinião se organizam em “trend topics” e os anúncios se transferem para a internet. Por fim, bem ou mal, hoje todo mundo comenta notícias instantaneamente, a concorrência só aumenta.

Para vencer em mundo tão turbulento, o jornalista precisa se antecipar aos “trend topics” e, se não consegue o furo, lidar com a notícias de modo a surpreender o leitor para despertá-lo da letargia em que está enredado pelo excesso de mensagens. É se transformar em uma espécie de autor de verdade (não um arremedo) com voz própria que, além de ser original, se faça ouvir. Ele tem que apurar, conferir, editar e ilustrar uma notícia, mas sobretudo precisa se reinventar e reinventar a forma de elaborar a notícia. Deve inovar de acordo com os novos meios – por que não, por exemplo, escrever uma grande reportagem nos 140 caracteres de um tuite? E tem que ser rigoroso e relevante, e ser lembrado no ambiente hiperveloz de informações que logo caem no esquecimento.

O jornalista não pode cair na tentação de virar um autor de ficção. Deve contentar-se em escrever romances de não-ficção, termo forjado por Truman Capote em 1966, com o hoje clásssico A sangue frio. Seu dever é mostrar ao leitor e ao público que o mundo real continua a existir – e que a realidade é mais complexa do que a vida online faz crer.

Grandes editoras do país apostam em revelações da cena literária de Minas Gerais

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Autores comemoram a chance de escrever para o Brasil

Carlos de Brito e Mello, Mário Alex Rosa e Ana Martins Marques: de olho na vitrine nacional  (cristina Horta/EM/D.A Press)

Carlos de Brito e Mello, Mário Alex Rosa e Ana Martins Marques: de olho na vitrine nacional

Carlos Herculano Lopes, no Uai

Ter o livro publicado por uma grande editora garante ao escritor duas certezas: o trabalho será bem distribuído, sobretudo num país de dimensões continentais como o Brasil, e atrairá o olhar mais generoso da mídia. Atualmente, três autores de BH comemoram a chance de ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais: Carlos de Brito e Mello, Ana Martins Marques e Mário Alex Rosa. Os dois primeiros passaram a integrar o elenco da Editora Companhia das Letras. O “passe” de Rosa agora é da Cosac Naify.

Mineiro de São João del-Rei e há alguns anos morando na capital, Mário Alex lançou, no ano passado, o volume de poemas ‘Ouro Preto’ pela belo-horizontina Scriptum. “Minas tem editoras representativas e que estão crescendo muito, como a UFMG, a Autêntica e a própria Scriptum. Mas é muito bom publicar por uma empresa mais conhecida, sobretudo no caso de autores ainda pouco divulgados”, diz o poeta. Seu novo livro, ‘Via férrea’, acaba de ser lançado pela paulista Cosac Naify.

As estreias de Carlos de Brito e Mello e de Ana Martins Marques também se deram pela Scriptum. Em 2009, ela lançou ‘Vida submarina’, com poemas vencedores do Prêmio de Literatura Cidade de Belo Horizonte e saudado por nomes como Fabrício Carpinejar e Armando Freitas Filho. Ana revela que não sabe como foi parar na paulista Companhia das Letras, que publicou seu ‘Da arte das armadilhas’ no ano passado.

“De algum modo, ‘Vida submarina’ chegou às mãos do crítico paulista Davi Arrigucci Jr., que teria recomendado meu trabalho à editora. Em 2010, eles me convidaram para participar de uma coleção de poesia contemporânea e, no ano seguinte, saiu ‘Da arte das armadilhas’”, relembra Ana.

Embora reconheça que atualmente está mais fácil publicar, a escritora pondera que a distribuição continua sendo a “pedra no sapato” da maioria dos autores. “O livro chega mais facilmente às prateleiras, a imprensa tende a prestar mais atenção em nomes lançados por editoras maiores”, diz.

A experiência na Companhia das Letras vem sendo muito boa, afirma ela, contando que as editoras Marta Garcia e Heloisa Jahn, que hoje trabalham na Cosac Naify, foram importantes no processo de seleção de textos. A dupla a ajudou a chegar à forma final de ‘Da arte das armadilhas’. “Meu livro recebeu alguma atenção na imprensa. Ele jamais será best-seller, mas tem circulado razoavelmente entre as pessoas que se interessam por poesia”, comemora.

O belo-horizontino Carlos de Brito e Mello é saudado pela crítica como um dos nomes mais importantes da ficção surgidos ultimamente no estado. Seu primeiro livro, o volume de contos ‘O cadáver ri dos seus despojos’, foi lançado em 2007. Com o romance ‘A passagem tensa dos corpos’ – com o qual venceu o Prêmio Jovem Escritor, concedido pelo governo de Minas Gerais –, ele chegou à Companhia das Letras dois anos depois. Além de receber resenhas elogiosas nos jornais, o livro ficou entre os finalistas de prêmios respeitados como o São Paulo de Literatura, o Portugal Telecom e o Jabuti.

Este ano, a Companhia das Letras vai lançar o segundo romance de Carlos. Sob o título provisório de ‘A cidade, o inquisitor e os ordinários’, ele não traz a morte de forma tão marcante como ocorreu em ‘A passagem tensa dos corpos’. “Essa será sempre uma questão e voltará a aparecer em obras futuras. Em meu novo romance, a morte serve apenas como referência específica, mas não como acontecimento ou experiência”, antecipa Carlos. A “indesejada das gentes”cedeu lugar à discussão moral promovida pelo inquisitor, encarregado de investigar e julgar os modos de vida ordinários dos moradores de uma cidade.

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