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Cultura brasileira invade Frankfurt às vésperas da Feira do Livro

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Desde o final de agosto, cidade alemã abre seus museus, bibliotecas, cinemas e praças públicas para receber programação paralela das artes brasileiras.

Publicado no DW

Graffiti da brasileira Fernanda Talavera diante da sede do Deutsche Bank em Frankfurt

O outono de 2013 chegou à Alemanha com gosto de Brasil. Ao menos em Frankfurt, é essa a sensação que o cidadão experimenta ao andar pelas ruas e se deparar com edifícios, muros, tapumes e até calçadas que, como num passe de mágica, viraram galerias de arte a céu aberto.

A poucos dias do início da Feira Internacional do Livro, que acontece de 9 a 13 de outubro e tem o Brasil como país homenageado, coube a 12 artistas de street art brasileiros a tarefa de “inaugurar” a presença brasileira na grande mídia alemã, com destaque no noticiário cultural.

Ainda que os eventos da programação paralela tenham começado bem com a música – em shows de Zélia Duncan, Criolo, Guinga, Lucas Santtana, Jards Macalé e Jorge Mautner, entre outros –, foram artistas como Alexandre Orion, Tinho, Herbert Baglione e Onesto que ocuparam as páginas dos cadernos de cultura dos principais diários alemães e até da televisão.

Zelia Duncan foi uma das artistas brasileiras a se apresentar na cidade alemã

Um dos trabalhos mais comentados foi o graffiti de Fernanda (Fefe) Talavera, de São Paulo, realizado num suporte pouco usual: a envidraçada e suntuosa fachada do arranha-céu do Deutsche Bank, um dos bancos mais poderosos do mundo.

Fefe diz que se sentiu em casa, apesar do convite inusitado. “Senti-me perturbada. Havia exposto antes em dois lugares em Berlim, em 2006, um deles uma casa abandonada, onde um grupo de artistas organizou uma exposição chamada Atitude. A outra foi um live painting (pintura performática) com um amigo músico, num evento chamado Party Arty”.

Admiradora do grafiteiro alemão Boris Hopek, Fefe criou um dragão alado num mosaico colorido, de corpo formado por cédulas de dinheiro. Indagada se seria menos excitante pichar um banco como artista convidada, afirmou: “Sempre que é possível criar o que você quer, é interessante, em qualquer situação. As escolhas feitas pela curadoria do museu [de Carolin Köchling, do museu Schirn Kunsthalle] foi excelente. Admiro os artistas que foram convidados, ainda que outros talentosíssimos tenham ficado no Brasil”.

Além de Fefe, outra artista que está expondo seu graffiti em Frankfurt é Jana Joana, que atuou ao lado de Vitché, num grupo que tinha ainda Rimon Guimarães, Nunca, Speto, Gais e Zezão.

Sem clichês

Show de Lucas Santtana, Jards Macalé e Jorge Mautner foi em homenagem à Tropicália

O que mais chama a atenção na programação cultural paralela que brasileiros e alemães vêm organizando é a opção em superar os clichês associados à cultura brasileira.

Para Antonio Carlos Martinelli, representante do Ministério da Cultura do Brasil, os shows surpreenderam muito o público alemão, principalmente o concerto de Fabiana Cozza realizado com uma das mais importantes big bands alemãs, a hr (da emissora Hessischer Rundfunk). “No show de Criolo, vi muitos alemães mais velhos, animados e impactados com o poder da performance desse novo rapper”, afirma.

Entre os programas que estão por vir, Martinelli destaca o projeto PUZZLE, de Felipe Hirsch. “Ele é um dos mais audaciosos e provocadores diretores brasileiros da atualidade em teatro, ópera, cinema e vídeo.” O curador ressalta também o apoio de instituições como o Sesc São Paulo e a Funarte, além da Biblioteca Nacional e de diversos órgãos de cultura alemães.

Cultura cosmopolita

Os alemães estão tendo a oportunidade de descobrir um Brasil cosmopolita, que dialoga com a arte internacional nas mais diversas linguagens.

O artista plástico Hélio Oiticica terá a mais ampla retrospectiva de sua obra exposta em Frankfurt e a mesma Schirn Kunsthalle exibirá, de 2 de outubro a 5 de janeiro de 2014, a mostra Brasiliana, dedicada exclusivamente a instalações realizadas no período de 1960 até a atualidade (com trabalhos de Cildo Meireles, Maria Nepomuceno, Lygia Clark e Ernesto Neto, entre outros).

Nomes como o quadrinhista Fernando Gonzales, criador do ratinho Níquel Náusea, verdadeiro clássico das comics brasileiras, e Rogério Duarte, designer, poeta e um dos mentores do movimento Tropicalista, estarão se apresentando em encontros abertos ao público.

Já o poeta e agitador cultural Chacal, uma das maiores referências da chamada Geração Mimeógrafo surgida nos anos 70 (e revelada pela ensaísta Heloísa Buarque de Hollanda em seu livro 26 Poetas Hoje, de 1975), estará montando em Frankfurt seu monólogo autobiográfico Uma história à margem, que ele vem apresentando no Brasil. Seu relato, que passa pelos tempos em que participava do coletivo Nuvem Cigana, da experiência com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, e do núcleo que fundou o Circo Voador, no Rio de Janeiro, chegou a ser traduzido para o alemão, em versão assinada por Patricia Sojka.

Os espectadores que estiveram presentes nos concertos à beira do rio Meno, no Palmengarten, ou no espaço alternativo Portikus, onde estreou em 21 de setembro a exposição Capacete, com o badalado show do guitarrista e performático Arto Lindsay, parece já terem aprendido uma coisa sobre o Brasil: que vale a pena deixar se surpreender por um país que ainda aguarda para ser descoberto pelos estrangeiros.

 

Distrito escolar nos EUA troca livros e cadernos por laptops a 24 mil alunos

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‘Conversão digital’ foi feita nas 42 escolas de Huntsville, no Alabama.
Segundo o distrito, proficiência em matemática subiu de 48% para 78%.

Sala de aula no distrito escolar de Huntsville: só o laptop na carteira (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Sala de aula no distrito escolar de Huntsville: só o laptop na carteira (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Ana Carolina Moreno, no G1

Um distrito escolar nos Estados Unidos decidiu mergulhar de cabeça na “conversão digital” há um ano e, hoje, colhe frutos como o aumento da proficiência dos alunos e a redução dos casos de indisciplina. No início do ano letivo de 2012-2013, o distrito de escolas de Huntsville, no Alabama, aboliu os livros didáticos e os cadernos em 100% de suas 42 escolas, que têm 24 mil alunos. Eles foram trocados por laptops para todos os alunos e professores, que podem levar o equipamento para casa. Os computadores foram equipados com um currículo digital que inclui, além de livros eletrônicos, conteúdo interativo e multimídia.

No caso das crianças da pré-escola ao segundo ano, tablets com aplicativos educacionais são guardados nas salas de aula e usados de acordo com a atividade preparada pelo professor. Para garantir a conectividade, o distrito instalou wifi nas escolas e nos ônibus escolares. Além disso, a maioria das salas de aula foram equipadas com lousas inteligentes.

Segundo Rena Anderson, diretora de engajamento comunitário do distrito, isso tudo foi feito sem o aumento do orçamento das escolas. “Nós redirecionamos o orçamento, gastando o que normalmente usamos em livros didáticos, por exemplo”, afirmou ela ao G1.

Os resultados preliminares deixaram todos no distrito “muito surpreendidos”, contou Rena. Três vezes ao ano (no outono, inverno e primavera no Hemisfério Norte), todos os alunos do primeiro ao último ano do ensino básico passam por um teste em matemática e leitura. Desde a implantação do sistema 100% digital, os resultados melhoram a cada avaliação. De acordo com Rena, entre o outono de 2011 e a primavera de 2013 a porcentagem média de alunos de todos os anos proficientes em matemática subiu de 48% para 78%.

No quesito leitura, a média de proficiência era de 46% no outono de 2011. No último teste, feito na primavera de 2013, ela subiu para 66%. O resultado representa a média de todos os alunos dos doze anos do ciclo básico (do 1º ao 12º ano).

Alunos mais novos ganham tablets; os maiores, laptops; no ônibus, wifi garante o acesso à web (Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Alunos mais novos ganham tablets; os maiores,
laptops; no ônibus, wifi garante o acesso à web
(Foto: Divulgação/Huntsville City Schools)

Modelo para o país

Rena afirma que muitas escolas já estão fazendo a migração digital, mas Huntsville foi, segundo ela, o primeiro distrito escolar a fazer isso para todas as suas escolas de uma vez. “Dois anos atrás, começamos um programa-piloto com todos os alunos do sexto ano. Todo eles receberam um netbook para levar para casa. Depois daquele primeiro ano, tudo pareceu dar certo, e decidimos que iríamos pular com os dois pés”, explicou ela.

Huntsville agora virou inspiração para outras regiões dos Estados Unidos, e Rena afirma que suas escolas recebem cerca de 100 visitantes por mês de outros distritos, interessados em conhecer de perto a experiência. Segundo ela, o governo da Flórida atualmente estuda implantar o sistema em todas as escolas do estado. Rena sugere a todos os visitantes que não tenham medo de “se adaptarem aos tempos”.

A princípio, a maior resistência veio dos pais, que não sabiam como poderiam ajudar seus filhos a irem bem na escola. Por isso, oficinas foram feitas para mostrar como os pais também teriam acesso, mesmo no computador de casa, às aulas, lições de casa, boletins e relatórios de frequência.

Já os alunos mostraram retorno imediato ao novo sistema. Com a liberdade de progredirem em seu próprio ritmo, o engajamento dos estudantes às aulas aumentou e, com isso, os atos de indisciplina diminuíram. De acordo com um relatório disponível no site oficial do distrito, nove semanas após a conversão, o número de alunos que receberam alguma suspensão por mau comportamento caiu 45%.

Além do currículo digital, Huntsville também testou diversos filtros para garantir que os estudantes não se distraiam navegando pela internet. Atualmente, eles adotaram um sistema que bloqueia conteúdos como redes sociais e jogos nas máquinas dos alunos, mas os permite na dos professores. Além disso, o professor pode acessar, em seu laptop, a tela do computador de um aluno, para saber o que ele está fazendo. Por fim, o filtro bloqueia os serviços de e-mail nos computadores dos estudantes durante o dia, para evitar que eles desperdicem tempo trocando mensagens, mas permite seu uso após o horário escolar, quando eles levam o laptop para casa.

Nos ônibus escolares que fazem as rotas mais compridas, também foram instaladas conexões sem fio. Assim, os estudantes podem estudar, fazer lição de casa ou se entreter no caminho para casa. O distrito ainda lista, em seu site, os hotspots de internet em locais públicos e privados da cidade, para facilitar o acesso dos alunos à rede.

Custos da conversão digital*:

Laptops, currículo e treinamento: R$ 1.020 por aluno (por ano)

Infraestrutura: R$ 440 por aluno (gasto pontual)

*Fonte: Distrito Escolar de Huntsville, Alabama

Remanejando custos

São quatro os tipos de gastos que o distrito teve para fazer a conversão digital: os equipamentos individuais dos estudantes, o conteúdo didático digital, a infraestrutura de internet e o treinamento de professores. Em vez de comprar os computadores, eles são alugados por um período de três anos, já que até o fim do contrato novos e melhores modelos estarão disponíveis.

O custo por aluno por ano desse aluguel é de US$ 245 (cerca de R$ 540). O currículo digital que será instalado nos computadores portáteis custa US$ 120 dólares por aluno por ano (cerca de R$ 260).

Já o treinamento dos professores, que inclui o acompanhamento e assessoramento in loco do trabalho dos docentes, custa US$ 100 por ano por aluno (cerca de R$ 220). Por fim, Rena explica que há um custo para aumentar a banda da internet e expandir a rede de conexão sem fio, pago uma vez só, no valor de US$ 200 por aluno (cerca de R$ 440).

No total, o custo por aluno por ano gasto no sistema 100% digital para a sala de aula é de R$ 1.020, ou cerca de R$ 24,5 milhões, no caso de todo o distrito de Huntsville, mais o investimento de R$ 10 milhões em infraestrutura.

Para o cientista e professor Rob Kadel, do Centro de Pesquisas de Aprendizagem Online e Rede de Inovação da Pearson nos Estados Unidos, os custos não são necessariamente altos se for levada em conta a economia feita com a conversão. Ele estima que uma escola do ensino médio no país gaste, em média, 150 mil folhas de papel por ano em cartazes e recados para os pais, sem contar os equipamentos como impressoras e máquinas de fotocópia, e os cartuchos de tinta usados para a produção de material impresso.

Segundo o pesquisador, que nos próximos vezes vai aplicar uma série de testes para avaliar o desempenho dos alunos de Huntsville, a alfabetização é um dos poucos momentos em que os cadernos ainda estão presentes na sala de aula, mas as crianças aprendem a escrever em letra cursiva ao mesmo tempo em que também começam a praticar a digitação.

Rob Kadel, pesquisador norte-americano (Foto: Divulgação/Pearson)

Rob Kadel, pesquisador norte-americano
(Foto: Divulgação/Pearson)

Professores facilitadores

Kadel, que veio ao Brasil nesta semana para falar sobre tecnologia educacional, explicou ao G1 que, mais do que a mudança de equipamentos, é necessário promover uma mudança cultural dentro da sala de aula antes de esperar resultados concretos da tecnologia.

“Não é só aprender sobre como clicar nesse botão ou como abrir aquele site, mas como pensar sobre quais são as maneiras mais eficazes para usar esses computadores”, disse ele, que sugere aos gestores escolares primeiro decidirem o que querem fazer com a tecnologia para depois decidir que equipamento comprar.

Segundo ele, também é necessário engajar os professores, que muitas vezes ficam apreensivos a respeito de sua função na sala de aula. Para Kadel, a tecnologia permite que o docente acompanhe com mais facilidade o progresso individual de cada aluno e, por isso, seu papel passa a ser mais o de um facilitador: para os estudantes mais avançados, os currículos digitais permitem que eles vão comprovando o domínio dos conteúdos e avançando sem precisar esperar os demais. Já no caso dos alunos com alguma dificuldade, o professor pode dar um atendimento diferenciado e garantir que eles aprendam.

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