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Com faculdades públicas e sem vestibular, Argentina atrai cada vez mais universitários brasileiros

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Image caption Estudantes na Universidade de Buenos Aires, que tem 4% de estrangeiros, principalmente brasileiros

A possibilidade de estudar gratuitamente no exterior sem ter que prestar vestibulares tem atraído número crescente de universitários brasileiros para as universidades argentinas – a ponto de causar incômodo em alguns setores acadêmicos do país vizinho.

Marcia Carmo, na BBC Brasil

Nos últimos anos, a presença de estudantes brasileiros de diferentes regiões passou a ser cada vez mais frequente em cidades como Buenos Aires, La Plata e Rosario, onde estão algumas das principais universidades públicas da Argentina.

Há alunos brasileiros também em universidades menos conhecidas, como a do balneário de Mar del Plata, a 400 km de Buenos Aires.

O curso de Medicina é o mais procurado pelos brasileiros, segundo assessores das instituições de ensino argentinas.

O sistema universitário argentino exige dos brasileiros apenas o diploma do ensino médio, reconhecido nos ministérios da Educação do Brasil e da Argentina, e um documento de identidade (o DNI, emitido pelas autoridades migratórias). O desempenho do aluno no ensino médio não é avaliado. No caso do DNI, o processo foi simplificado nos últimos anos, mas o agendamento para o início da emissão do documento pode demorar alguns meses.

Sem vestibular

Diferentemente das universidades brasileiras, as universidades públicas argentinas não têm limites de vagas para vários cursos, incluindo os de Medicina, de acordo com a assessoria de imprensa das instituições acadêmicas. Essa facilidade de ingresso tem sido um chamariz para estudantes brasileiros.

Outro fator de peso, segundo acadêmicos ouvidos pela BBC Brasil, é a crise econômica brasileira.

“Nos perguntamos aqui por que tantos alunos brasileiros vieram nos últimos dois ou três anos e entendemos que o período coincide com a crise no Brasil”, disse um assessor acadêmico, pedindo para não ser identificado. “Sem dúvida, o que vem ocorrendo nos últimos tempos chama a atenção”, disse outro.

A Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), a uma hora e meia de Buenos Aires, registrava em 2015 apenas 11 alunos brasileiros. Esse número saltou para 311 em 2017 e, neste ano, há 566 universitários brasileiros matriculados.

A reitoria da Faculdade de Medicina da UNLP diz que, nesse caso específico, o aumento é explicado pelo recente fim da exigência da prova de admissão, colocando em prática uma lei nacional de 2015.

“As provas (de admissão) deixaram de ser exigência para todas as universidades desde o retorno da democracia, nos anos 1980. Mas, por serem autônomas, algumas delas ainda aplicavam provas”, explica o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Hector Floriani, à BBC Brasil.

Ali, dos cerca de 4 mil alunos de Medicina, 1,5 mil são brasileiros.

A UNR, assim como a Universidade de Buenos Aires (UBA), já não exigia há anos o exame de admissão, nem mesmo para o curso de Medicina.

Para facilitar a vida dos que chegam de fora, algumas universidades ainda oferecem cursos grátis de espanhol, antes de as aulas na faculdade começarem.

A brasileira Raquel Moraes, 25 anos, estudou Engenharia durante cinco anos na Universidade de Brasília e decidiu passar para Medicina. Ela está no primeiro ano da Universidade de La Plata e conta que optou por Buenos Aires justamente pela gratuidade e facilidade de ingresso. “Tem muitos brasileiros estudando aqui”, agrega.

Críticas

No entanto, o acesso ilimitado e gratuito – que é igual para argentinos e estrangeiros – começa a despertar críticas em alguns setores acadêmicos.

Ainda de forma incipiente, há quem defenda que o acesso continue irrestrito, mas apenas para os estrangeiros que cursaram os ensinos fundamental e médio na Argentina e que provavelmente continuarão vivendo no país.

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Image caption Alguns setores acadêmicos já manifestam preocupação com a presença crescente de brasileiros, uma vez que as universidades são financiadas com dinheiro do contribuinte

“A Argentina tem mais de 20% de pobres. Não é mais um país rico. Como podemos sustentar a educação da classe média brasileira?”, questiona um assessor acadêmico.

O reitor Floriani, da UNR, admite que a crescente presença brasileira tem causado preocupação.

“É interessante contar com alunos estrangeiros, porque a troca é enriquecedora. Mas depende da quantidade de alunos. Mil e quinhentos (brasileiros) é um número elevado. Além disso, não existe um sistema de reciprocidade. Não imagino que uma universidade federal brasileira receba 1,5 mil alunos argentinos”, diz ele, destacando ainda que 80% do sistema universitário argentino é financiado por dinheiro público.

Segundo o reitor, algumas famílias brasileiras têm achado mais vantajoso economicamente enviar o filho para uma universidade argentina, mesmo pagando passagem e estadia, do que mantê-lo em uma universidade particular brasileira. Isso apesar de o custo de vida não estar baixo na Argentina, onde a inflação deve chegar a 20% neste ano.

Procurados pela BBC Brasil, o Ministério da Educação da Argentina e o Consulado do Brasil no país vizinho informaram não ter dados atualizados sobre estudantes brasileiros nas universidades públicas.

Em São Paulo, o ex-ministro brasileiro da Educação Renato Janine Ribeiro concorda que a gratuidade do ensino e a não existência do vestibular são os motivos que atraem os estudantes brasileiros para as universidades argentinas. “É muito difícil entrar para uma universidade pública (no Brasil), principalmente em Medicina, e as particulares são caras”, destaca.

Mesmo no ensino particular há grande discrepância de valores. O preço da mensalidade de Medicina na faculdade Barceló, em Buenos Aires, onde a presença de brasileiros é a maior entre estudantes estrangeiros, é de 7,5 mil pesos (cerca de R$ 1.250). Já a mensalidade de uma faculdade particular no Brasil pode variar entre R$ 3,5 mil e mais de R$ 7 mil.

“Temos estudantes brasileiros de vários lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, Mato Grosso e Fortaleza”, diz o Departamento de Relações Institucionais e Admissão da Barceló.

Janine afirma ainda que a tradição do ensino argentino também contribui para atrair brasileiros, lembrando que ainda é “muito baixo” (20%) o percentual de brasileiros entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior.

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Image caption Analista diz que é mais fácil entrar em universidades argentinas, mas também é mais difícil concluir cursos

Fácil entrar, difícil sair?

O especialista argentino Alieto Guadagni, membro da Academia Argentina de Educação, é um dos que tem levantado hipóteses para a maior presença de alunos brasileiros nas universidades argentinas.

“Será que esses alunos não passaram no Enem no Brasil e buscam as universidades argentinas como alternativa?”, questiona.

Ao mesmo tempo, Guadagni afirma ainda que, embora seja mais fácil ser admitido, “é mais difícil concluir a faculdade na Argentina”.

Ele cita dados oficiais de 2015 que apontam que, a cada 10 mil habitantes na Argentina, 29 estudantes concluíram a universidade (não há dados específicos sobre estudantes brasileiros) naquele ano. Sob os mesmos critérios, no Brasil foram 56 estudantes.

“Ou o ensino aqui é mais exigente ou os alunos estão menos preparados quando entram na universidade e por isso têm dificuldade de chegar ao final da faculdade”, analisa Guadagni.

Como regra própria, a Universidade de Buenos Aires, a maior da Argentina, ministra o Ciclo Básico Comum (CBC), que é o primeiro ano de estudo na instituição e vale para estudantes de todas as áreas, incluindo Medicina. O curso pode ser ministrado até à distância.

O CBC é cursado durante um ano e oferece cursos específicos paralelos, como compreensão de texto e matemática, para aqueles que apresentam dificuldades para acompanhar o ritmo das matérias. O objetivo, informou a UBA, é “nivelar” a educação dos alunos para facilitar o ensino e aprendizagem “igualitários” nas aulas.

‘Meus pais não poderiam pagar’

A brasileira Rafaela Laiz, 20 anos, começou a cursar à distância o CBC neste ano e pretende se mudar de Lajinha (MG) para a Argentina em 2019, para cursar Medicina na UBA.

“Quero ser cardiologista, mas a faculdade aqui no Brasil é muito cara, em torno de R$ 5 mil. Meus pais não poderiam pagar. Por isso, me inscrevi no CBC da UBA, e no ano que vem vou para Buenos Aires”, conta. “Já soube que a prova para revalidar meu diploma argentino aqui no Brasil é bem difícil, mas mesmo assim vale a pena.”

O Revalida é o exame anual realizado no Brasil para que brasileiros ou estrangeiros que cursaram Medicina no exterior possam exercer a carreira de médico no país. O exame, aplicado pelo INEP (ligado ao Ministério da Educação), é considerado exigente. Em 2016, o índice de reprovação chegou a quase 60%.

A UBA, escolhida por Rafaela Laiz, tem 300 mil alunos (40 mil em Medicina) – sendo 4% deles estrangeiros, liderados por brasileiros, que começaram a chegar em maior número a partir de 2016.

Os últimos dados disponíveis apontam que mais de 60% dos brasileiros que estudam na UBA escolhem a carreira de Medicina.

O subsecretário de Assuntos Internacionais de UBA, Patrício Conejero, diz à BBC Brasil que o destaque da instituição nos rankings universitários internacionais acaba atraindo estrangeiros.

“O acesso à universidade é igual para argentinos e estrangeiros. A presença de estudantes estrangeiros contribui para melhorar nossa performance internacional”, opina.

“A maior parte das escolas formam robôs incompetentes”, afirma Shinyashiki

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Com mais de 8 milhões de livros vendidos, Roberto é um dos palestrantes mais requisitados do país

Isabela Borrelli, no Startse

Roberto Shinyashiki é empresário, palestrante, médico psiquiatra e terapeuta, com MBA e doutorado em Administração de Empresas pela FEA/USP. Ele esteve recentemente, junto com a StartSe, nos maiores centros de inovação do mundo atrás de conhecimentos transformadores que podem ser aplicados na Educação.

Com mais de 8 milhões de livros vendidos, Roberto é um dos palestrantes mais requisitados do país. Sua visão sobre a importância das pessoas no processo de transformação de empresas e mercados é única.

Em sua palestra no Edtech Conference, Shinyashiki foi direto ao ponto sobre o que ele acha de educação hoje: “Aquela criança que tem aula [no formato atual] pensa que é um robô e pensa como um robô. Mas ele não tem inteligência artificial no robô! É preciso ler Paulo Freire e Rubens Alves. A maior parte das escolas são formadoras de robôs incompetentes”.

O formato de ensino hoje é muito criticado exatamente por não ter mudado em aproximadamente um ano. E não só por isso, mas também por não respeitar a diversidade, outro ponto levantado pelo palestrante.

“O mundo é diversidade, é alimentar essa diversidade. As pessoas querem determinar o certo, querem criar uma verdade. Parece que não dá para 10, 2, 20 pessoas estarem certas ao mesmo tempo sobre um tema. Não tem uma única forma. Lidamos com grupos de seres humanos”, afirmou o empresário.

Mais dois livros do autor de ‘A parte que falta’ serão lançados no Brasil

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Reprodução do vídeo em que Jout Jout lê o livro “A parte que falta” – Reprodução

Após ter obra viralizada em vídeo de youtuber, Shel Silverstein está entre mais vendidos do país

Publicado em O Globo

RIO – Depois de ter seu livro “A parte que falta” catapultado para o topo da lista dos mais vendidos após ser lido pela youtuber Jout Jout, o escritor americano Shel Silverstein terá outras obras relançadas no Brasil, anunciou a Companhia das Letras.

O primeiro a chegar será a continuação de “A parte que falta”. Intitulada “A parte que me falta encontra o grande O”, chega às livrarias no dia 13 de abril. De acordo com o release da editora, “leitores de todas as idades vão refletir junto com a parte que falta sobre como podemos nos transformar e descobrir como evoluir nosso amor-próprio”.

Outro livro do autor a ganhar reedição, ” “Leocadio – o leão que mandava bala”, originalmente lançada em 1963.

A editora explica que os relançamentos já estavam previstos, mas ganharam uma outra dimensão após a repercussão do vídeo de Jout Jout, que bateu a marca de 3,5 milhões de visualizações em uma semana. Desde que o vídeo foi ao ar, “A Parte que Falta” alcançou o posto de mais vendido na Amazon, à frente de títulos como “O Poder do Hábito” e “Sapiens”. Como os pedidos das livrarias aumentaram cem vezes nos últimos dias, a editora já pediu uma reimpressão do título.

Silverstein nasceu em 1930 em Chicago, nos Estados Unidos. Seus livros foram traduzidos em dezenas de países, mas só agora se tornou best-seller no Brasil.

Em meio à guerra, afegãos acham refúgio nos livros

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No Afeganistão, apenas 2 em cada 5 pessoas sabem ler. Mas, mesmo assim, o comércio dos livros está cada vez mais aumentando Fotos: MAURICIO LIMA/NYT

Apesar da taxa de alfabetização ser extremamente baixa no país, afegãos que sabem ler estão cada vez mais se aprofundando no universo da leitura. As editoras, consequentemente, estão crescendo e ganhando notoriedade

Publicado na Gazeta do Povo

As nozes vêm do Irã e as frutas frescas do Paquistão, apesar de serem cultivadas no Afeganistão em abundância. Os anos de ajuda financeira externa produziram salários elevados, destruindo as indústrias locais e o resultado é que a única coisa que o país não importa é ópio.

E livros.

Em uma época em que editoras sofrem em muitos países, nos últimos três anos as do Afeganistão floresceram, apesar das taxas locais de alfabetização cronicamente baixas: apenas 2 em cada 5 adultos sabem ler. Quem sabe, porém, parece estar fazendo isso com impressionante regularidade, apesar e por causa da violência no país, especialmente nos últimos tempos.

Em uma sociedade turbulenta e complicada, os livros se tornaram a melhor opção de fuga disponível.

“Acho que em qualquer lugar, mas talvez especialmente os que estão em guerra, a leitura de um livro cria uma pausa do cotidiano e isola o leitor de seu ambiente. É um fenômeno poderoso em qualquer lugar, mas no Afeganistão pode ser um meio de sobrevivência emocional”, disse Jamshid Hashimi, que dirige uma biblioteca on-line e é cofundador do Clube do Livro do Afeganistão.

Não é surpresa que as editoras ganhem dinheiro com isso. O mais notável é que uma parte importante do desenvolvimento socioeconômico afegão esteja acontecendo sem ajuda externa direta ou consultores estrangeiros.

“É um processo gerado e conduzido exclusivamente por afegãos”, disse Safiullah Nasiri, um dos quatro irmãos que dirigem a Aksos, editora que também possui várias livrarias em Cabul. Seu comentário foi deliberado, utilizando o jargão da comunidade internacional sobre a passagem das instituições dominadas pelos ocidentais para o controle afegão.

“É realmente um momento emocionante para o setor livreiro aqui. Todos os editores estão atrás de novos livros para publicar, os jovens querem encontrar novos livros para ler, escritores estão em busca de editores. É uma atmosfera dinâmica. E é independente, sem assistência estrangeira”, disse Nasiri.

Cabul, a capital do país, com uma população crescente de mais de 5 milhões, tem 22 editoras de livros, muitas com gráfica própria, outras usando gráficas locais. Várias estão espalhadas pelas 34 províncias, mesmo em áreas de guerra, como Helmand e Kandahar.

No ano passado, especialmente, muitas se expandiram, abrindo centros de distribuição no território nacional e abrindo suas próprias livrarias ou trabalhando com consignação com as independentes. Cabul tem 60 livrarias oficiais, de acordo com o governo.

Passado difícil

Nem sempre foi assim. Durante o reinado de Talibã, de 1996 a 2001, apenas duas editoras sobreviveram: a do estado e uma empresa privada, a Editora Aazem. No final de 2001, a única livraria independente ficava no Hotel Intercontinental, local de um recente ataque mortal.

Nos anos após a invasão liderada pelos EUA, livros impressos mais baratos e descaradamente pirateados do Paquistão eram tão difundidos pelo país quanto as frutas e as verduras nas feiras de Cabul.

O novo governo do Afeganistão assumiu a enorme tarefa de reconstruir o sistema educativo, dilacerado por décadas de guerra civil, seguidas por cinco anos do regime Talibã, que fechou escolas e destruiu livros de língua estrangeira – ou seja, milhões de livros didáticos impressos no Paquistão. Porém, quando a relação entre os dois países azedou, o governo passou os contratos para algumas grandes editoras afegãs.

A ajuda externa patrocinou o sistema escolar, e então o setor de livros didático incentivou a indústria de publicação de livros. Milhões precisaram ser impressos em um curto período de tempo, por isso a Aazem e algumas outras empresas investiram em suas próprias gráficas, que ficavam ociosas quando a temporada de publicação didática acabava. A partir disso, as novas editoras começaram a traduzir livros ocidentais do inglês para o dari e o pachto, as duas principais línguas locais.

Outras editoras surgiram, alugando as gráficas das empresas maiores.

“Havia muita curiosidade, o desejo de conhecer o mundo e saber como as pessoas veem o Afeganistão. A indústria do livro é um fenômeno crescente que tenta satisfazê-lo”, disse Davood Moradian, diretor-geral do Instituto Afegão de Estudos Estratégicos, organização de pesquisa cujo campus pitoresco, o Forte das Nove Torres, é o local preferido para os eventos de novos lançamentos.

Os primeiros livros publicados aqui eram títulos de não ficção sobre o Afeganistão, escritos por autores ocidentais, e venderam tão bem que isso acabou criando uma disputa por negócios. Livros como “Ghost Wars: The Secret History of the CIA, Afghanistan and Bin Laden From the Soviet Invasion to September 10, 200”, de Steve Coll, e “The Envoy: From Kabul to the White House, My Journey Through a Turbulent World”, de Zalmay Khalilzad, entraram para a lista dos mais vendidos aqui.

“Havia uma demanda reprimida imensa de muitos anos sem livros novos”, disse o Dr. Ajmal Aazem, pediatra cujo pai fundou a editora que leva seu nome. A Aazem está publicando obras o mais rapidamente possível, limitando-se apenas pela falta de tradutores qualificados do inglês para as línguas locais. A meta de 2017-18 da editora é imprimir três novos títulos por dia, 1.100 por ano, número enorme para qualquer editora.

Clientes na Aksos, uma editora que tem várias livrarias em Cabul, AfeganistãoMAURICIO LIMA/NYT

Sua sede é enfeitada com cartazes em tamanho natural das capas de livros recentes, e a livraria está cheia de volumes dispostos artisticamente em pilhas helicoidais ou exibidos nas estantes com versões em inglês e persa. O chão da loja foi erguido para acomodar as prensas no andar abaixo, fazendo uma espécie de plataforma com poltronas confortáveis.

Lançar um livro no idioma original é muito mais rápido do que traduzi-lo, por isso as maiores editoras começaram a encomendar obras originais pela primeira vez em muitos anos. A Aksos até começou uma espécie de versão afegã da Amazon, vendendo livros através de sua página no Facebook, entregando-os no mesmo dia pelos correios por cerca do equivalente a US$0,50 por exemplar em Cabul. Os afegãos muitas vezes não têm conexão com a internet nem computadores pessoais em casa, mas os jovens educados geralmente têm Facebook no smartphone.

Pirataria

A pirataria permanece endêmica. Recentemente, mesmo alguns dos títulos da própria livraria da Aksos eram cópias piratas de livros populares.

Os editores estão preocupados:

“Normalmente, vendo mil cópias de vários de nossos livros, e os piratas vendem quatro mil exemplares da mesma obra a preços mais baixos. O governo precisa se esforçar mais para evitar isso”, disse Aazem.

As autoridades começaram a fazer cumprir as leis dos direitos autorais, há muito tempo ignoradas, de acordo com Sayed Fazel Hossain Sancharaki, responsável pelas editoras no Ministério da Informação e Cultura. “Nos últimos quatro meses, tivemos quatro ou cinco casos de direitos autorais”, disse ele. Uma loja de fotocópias foi fechada recentemente pelo governo por estar copiando livros impressos.

Percebendo que “The Envoy”, o livro de memórias de 2016 de Khalilzad, o afegão-americano que foi embaixador dos EUA no Afeganistão e no Iraque, venderia bem aqui, Aazem se apressou em adquirir os direitos de publicação em dari e pachto. Ele estava determinado a oferecer um livro de melhor qualidade a um preço menor e inundar o mercado, antes que os piratas pudessem fazê-lo, mas a Aksos conseguiu publicar primeiro uma versão em pachto, sem ter direito a isso, vendendo mil cópias em três dias, segundo ele.

Nasiri, o proprietário da Aksos, que também traduz um título novo por semana, mais ou menos, negou que a sua empresa publique livros pirateados. E, também, reclamou da pirataria.

Brasil vira membro oficial do grupo de elite da matemática mundial

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Matemática (Foto: Pixabay)

 

Nathan Fernandes, na Galileu

A União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês) acaba de aprovar a entrada do Brasil no Grupo 5, que reúne a elite das nações que desenvolvem pesquisas na área da matemática.

A partir de agora, o país dialoga com igualdade e se equipara a potências como Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

“Começamos a trabalhar nisso em junho de 2017, enviando uma candidatura que expõe por que merecemos entrar no grupo”, explica Marcelo Viana, diretor-geral do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) em entrevista à GALILEU.

O documento relata, entre outras coisas, as pesquisas que são feitas no país, além do nível das pós-graduações, publicações de livros na área e os esforços em conjunto com a mídia e através de eventos para a popularização da disciplina.

“Mas acho que uma das coisas mais espetaculares foi a conquista da Medalha Fields [o Nobel da matemática] pelo Artur Avila, em 2014”, opina Viana — que, em 2016, foi laureado com o Grand Prix Scientifique Louis D., principal prêmio científico da França.

“O fato de eu ter tido uma formação brasileira, inclusive ter feito doutorado aqui, indica que o Brasil pode formar um matemático no nível máximo profissional, é como se fosse um selo de qualidade”, reconhece Artur Avila. “Mas claro que a matemática não se faz só com uma pessoa, meu trabalho também é impactado pelo trabalho dos meus colegas.”

O presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Paulo Piccione, também destaca outros esforços feitos na área da educação. “Um exemplo é o incentivo que damos para a participação das mulheres nas pesquisas matemáticas”, explica ele.

“A ciência brasileira tem um problema grande de gênero, mas felizmente tivemos uma melhora nesse sentido. Além disso, hoje se produz dez vezes mais pesquisas do que produziamos na década de 1980.”

(Foto: Galileu)

Neste ano, que faz parte do Biênio da Matemática 2017-2018 — uma série de iniciativas nacionais e internacionais para estimular, popularizar e fomentar melhorias no ensino da matemática no país —, o Brasil também sedia o Congresso Internacional de Matemáticos, em agosto.

“Não é coincidência que apresentamos a candidatura numa fase já muito avançada da organização do Congresso, foi intencional”, explica Viana. “Isso porque não se trata apenas de mostrar que o Brasil é bom em matemática, mas também de mostrar que temos uma comunidade madura, capaz de organizar um evento complexo do tipo.”

A conquista marca uma batalha de mais de 60 anos do país pelo reconhecimento mundial. O Brasil é membro da IMU desde 1954, quando ingressou no Grupo 1, dois anos depois da fundação do IMPA. Em 1978, subiu para o Grupo 2, onde permaneceu até 1981, quando mudou novamente de nível. Em 2005 ingressou no Grupo 4 e só agora alcançou o Olimpo dos matemáticos.

“É o primeiro país do hemisfério sul a fazer parte do grupo de elite e, se não me engano, o único que entrou no Grupo 1 e foi galgando posições até o topo”, diz Piccione.

O reconhecimento acontece no mesmo ano em que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) sofre um corte de 19% no orçamento em relação a 2017.

Para Marcelo Viana, não é possível fazer ciência sem um apoio consistente: “Há o risco de estragarmos tudo por causa do corte? Sim. Então espero que essa conquista notável chame atenção de quem tomas decisões importantes para continuar investindo na área”.

Afinal, quem ganha é a sociedade como um todo. “Quando o Brasil ganhou a Copa de 1958, nós passamos a ser vistos como uma potência no futebol, isso mudou a nossa auto-imagem e mudou valorização do jogador brasileiro. É o que acontece e vai acontecer com os matemáticos”, afirma Viana.

Artur Avila, no entanto, acredita ainda existir um longo caminho a ser percorrido. “A tradição matemática no Brasil é recente, é necessário intensificar essa tradição e criar uma diversificação geográfica. Somos uma país enorme, não precisamos ter recursos tão concentrados no sudeste. Precisamos também formar pessoas em áreas que não estão sendo representadas, de forma que a matemática aqui abranja a diversidade de países como a França.”

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