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Mercado de livros cresce 3% no faturamento em 2017 e registra primeira alta em quatro anos

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Os três destaques do mercado de livros no Brasil em 2017 (Foto: Divulgação)

Setor vinha de quedas de 7% (em 2015) e 9% (em 2016), aponta balanço anual. Promoções e preço médio proporcionalmente mais barato explicam resultado positivo, coordenador do estudo.

Cauê Muraro, no G1

pós quatro anos seguidos de queda e “finais infelizes”, o mercado de livros no Brasil registrou resultado positivo em 2017: o faturamento do setor subiu de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,7 bilhão – ou 3,2% (considerando a inflação). Em 2015, o recuo havia sido de 7%. Em 2016, de 9,2%. O volume de vendas agora também cresceu, indo de 40,5 milhões para 42,3 milhões de exemplares vendidos, aumento de 4,55%.

Esses números estão na edição mais recente do Painel das Vendas de Livros do Brasil, que saiu nesta sexta-feira (19). Realizado mês a mês e desta vez com o balanço do ano inteiro, o estudo é feito pela Nielsen e divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). A pesquisa baseia-se no resultado da Nielsen BookScan Brasil, que verifica as vendas em livrarias, supermercados e bancas.

“O mercado do livro tem muito o que comemorar. Desde que iniciamos a série histórica com o Bookscan, em 2013, este é o primeiro ano que vemos resultados financeiros positivos e acima da inflação”, afirma em nota Ismael Borges, que coordena a Nielsen Bookscan Brasil.

Em entrevista ao G1, Borges destaca alguns fatores sobre 2017:

*As lojas fizeram mais ações promocionais, com aumento no desconto médio do preço dos livros. “Foi um ano de grandes campanhas. Eu diria que houve uma ‘guerra de preço’, basicamente aquela briga orgânica do próprio mercado”, avalia o responsável pelo estudo;
*O livro ficou proporcionalmente mais barato, já que preço médio aumentou 1,53% (abaixo da inflação no período), indo de R$ 39,70 para R$ 40,31 (vale lembrar que no ano passado o preço médio tinha subido 8,69%, bem acima da inflação);
*A recuperação do setor não dependeu de um fenômeno editoral ou modismo (como aconteceu por exemplo em 2015, com livros de colorir) e foi “orgânica e saudável”, na descrição de Borges;
*E, diante da crise econômica, as editoras buscaram alternativas viáveis – uma delas foi uma aposta maior em escritores brasileiros. “Em 2017, a literatura brasileira teve um aumento exponencial, importante, e literatura estrangeira uma queda sensível”, afirma o coordenador do estudo.

2017 sem ‘fenômeno’, mas com Felipe Neto

Em 2015, a febre dos livros de colorir para adultos vendidos como “antiestresse” liderou as listas de best-sellers, que salvaram o mercado (ou pelo menos reduziram o efeito da queda). Fizeram sucesso títulos como “Jardim secreto” (Sextante), “Floresta encantada” (Sextante) e “Jardim encantado” (Alaúde).

Já em 2016, sentindo que a “fase colorida” estava passando, o setor apostou as fichas nos youtubers. Eles foram bem – mas ficaram longe do fenômeno anterior.

Mas e 2017? “Não teve absolutamente nada. Alguns autores se destacaram, mas nada que desviasse a curva. Não houve um ‘solista’ que tirasse o mercado do que se esperava”, diz Ismael Borges.

“O que parece uma má notícia – este fato de 2017 não terá assistido a grandes fenômenos – na verdade traz uma ótima informação: o mercado conseguiu se recuperar sem depedenter desse tipo de acontecimento, que muitas vezes parece artificial. O maior motivo para comemoração é esse.”

Ainda assim, o balanço do ano passado sentiu, sim, o efeito “youtubers”. “Eles foram muito importantes, porque inauguraram uma tendência dos editores de se voltarem para o autor nacional. E os youtubers, por serem midiáticos, eram uma alternativa muito viável”, aponta Borges.

Veja, abaixo, os três livros mais vendidos no país em 2017:

*”Felipe Neto – A trajetória de um dos maiores youtubers do Brasil” (Coquetel)
*”O homem mais inteligente da história” (Sextante), de Augusto Cury
*”Origem” (Arqueiro), de Dan Brown

Somadas, essas obras representaram 1,1% do volume de vendas, percentual considerado baixo. “Isso serve para a gente refletir que foi um ano em que os destaques não concetraram tantas vendas. Houve uma desconcentração”, avalia Borges.

Os três gêneros literários que mais venderam em 2017 foram:

*desenvolvimento pessoal;
*literatura brasileira;
*religião.

E os três gêneros que mais caíram foram:

*literatura estrangeira;
*culinária e gastronomia;
*concursos públicos.

Borges considera que “o crescimento de 2017 foi sólido também porque foi linear e bem distribuído, não teve nenhum pico no decorrer do ano, nenhum grande acontecimento”.

E o que esperar para 2018? “Agora, é manutenção desse crescimento. Não vai ser muito diferente de 2017. Vai continuar em crescimento, mas não vai ser tão maior”, prevê.

A biblioteca particular que está à venda por 7 milhões de reais

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Maristela Calil: acervo com 13 000 obras coletadas por seu pai durante décadas (Leo Martins/Veja SP)

O terceiro maior conjunto de livros do país guarda raridades como a primeira edição de O Ateneu

Laís Franklin, na Veja SP

Dona de uma pequena livraria no centro, a empresária Maristela Calil tenta há 23 anos vender uma biblioteca guardada na casa de sua família, no bairro do Ipiranga. As 13 000 obras raras, grande parte delas de temas ligados a brasilidades, foram coletadas durante décadas por seu pai, o libanês Miguel Calil, morto em 1993. Não existem estatísticas na área, mas estima-se que seja o terceiro maior acervo particular do país, atrás apenas dos reunidos pela família Safra e pelo bibliófilo José Mindlin.

A coleção contempla artigos autografados e exemplares únicos, como uma cartilha manuscrita por dom Pedro II e a primeira edição do livro de poemas Pau Brasil (1925), de Oswald de Andrade. Autenticado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), esse tesouro está disponível por 7 milhões de reais.

Além de ter um valor alto, o conjunto das obras não pode ser desmembrado em lotes nem deixar o Brasil, o que explica a demora para a venda do material, ofertado no mercado há 23 anos. “Recebi propostas dos Estados Unidos e de instituições da Turquia e do Japão, mas esse é um patrimônio nacional e deve ficar aqui”, explica Maristela, que também chegou a tratar com Fiesp e Unicamp.

Maristela Calil: acervo com 13 000 obras coletadas por seu pai durante décadas (Leo Martins/Veja SP)

Até hoje, a informação sobre a oferta só circulou entre especialistas da área. O primeiro anúncio será publicado em janeiro, na internet, dentro da nova loja virtual da Livraria Calil, que pertence a Maristela e fica no 9º andar de um prédio na Rua Barão de Itapetininga. Por lá, ela reúne outros 200 000 títulos esgotados e raros, de diferentes assuntos, e comercializa em média quarenta exemplares por dia.

Especializada em restauração, a livreira não perde a esperança de concretizar o maior negócio de sua vida. “É um sonho ver o legado de meu pai sendo preservado”, afirma.

Raridades

(Leo Martins/Veja SP)

Ainda sobre os desafios de ser professor no Brasil

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A qualidade do professor é fator decisivo para o sucesso escolar dos alunos. (Thinkstock/VEJA/VEJA)

A qualidade do professor é fator decisivo para o sucesso escolar dos alunos. (Thinkstock/VEJA/VEJA)

Como avaliar a qualidade de um professor? E como atrair e formar professores de qualidade em um país como o Brasil?

João Batista Oliveira, na Veja

A qualidade do professor é fator decisivo para o sucesso escolar dos alunos. Esta afirmação é corroborada por décadas de pesquisas sobre o tema. Lógico que isso só se aplica ao contexto escolar – as pessoas podem aprender sozinhas ou com o uso de tecnologia.

Neste post, tentaremos responder três perguntas: (1) em que consiste a qualidade do professor, (2) como formar e (3) como atrair professores de qualidade em um país como o Brasil. No próximo, trataremos de como estabelecer carreiras atraentes.

A qualidade do professor é aferida por quatro indicadores. O primeiro refere-se ao nível de qualidade de sua formação geral – tipicamente demonstrada pelo sucesso escolar. No Brasil, um bom indicador seria a nota no ENEM, por exemplo. O segundo refere-se ao preparo para o ensino de uma turma ou disciplina específica. Na literatura internacional, o indicador mais utilizado é o grau de conhecimento do professor a respeito dos conteúdos que ele ensina. Por exemplo: para um professor com turmas do 6o ao 9o ano é mais importante conhecer a fundo os conteúdos deste período. Para um professor de pré-escola é fundamental conhecer em detalhe os processos de desenvolvimento infantil. Tudo isso é muito mais importante do que obter graus mais avançados como mestrado ou doutorado. O terceiro indicador refere-se à capacidade prática de o professor usar estratégias eficazes de ensino em sala de aula. Essas estratégias também são bem mapeadas na literatura científica e adequadas a diferentes disciplinas e níveis de ensino. Estudos nesta área mostram que raramente um professor despreparado é capaz de dominar bem as metodologias – não existe forma sem conteúdo. O quarto indicador é a prova de fogo – como é o desempenho dos alunos desse professor no curto e longo prazo.

Esses indicadores ilustram o grande desafio para melhorar a educação no Brasil: ficamos presos no 1o indicador. A maioria dos nossos professores de séries iniciais situa-se no decil inferior da distribuição nas notas do ENEM. Nas licenciaturas, a variedade de desempenho é maior, mas raramente eles situam-se acima do nível médio de desempenho. Nos países educacionalmente desenvolvidos, os professores são recrutados entre os 30% melhores de sua geração. Nos últimos quarenta anos, as autoridades educacionais brasileiras vêm tentando, sem sucesso, diferentes estratégias de “capacitação e “formação em serviço” – para ensinar tanto conteúdos quanto metodologias. Não existe qualquer evidência de que isso funcione – e já foram quarenta anos e bilhões de reais gastos nisso. Também não funciona aumentar o nível de exigência de titulação – pois a matéria prima e a qualidade da formação não se alteram.

Resta abordar a segunda pergunta: como atrair professores de qualidade? A experiência de outros países é o único guia, mas ela precisaria ser adaptada à história e à realidade brasileira. A equação completa inclui uma variedade de políticas articuladas.

Um primeiro passo consistiria em atrair jovens situados entre os 30% melhores do ensino médio – com notas em torno de 700 pontos no ENEM. Uma alternativa é atrair jovens já formados com esse perfil e que queiram mudar de profissão. O segundo passo consistiria na formação. A experiência internacional aponta para modelos muito diferentes – o que é comum é a qualidade: pessoas talentosas bem formadas têm mais chances de se tornarem bons professores. Não há uma receita única. O detalhe importante é o conhecimento profundo dos conteúdos que o professor vai ensinar – não importa o curso que ele tenha feito.

O terceiro passo consistiria na indução – ou seja, assegurar estágio probatório em escolas bem organizadas, de boa qualidade e sob a supervisão de professores experientes e competentes no uso e ensino de estratégias comprovadamente eficazes de manejo de classe de diferentes faixas etárias e ensino de disciplinas específicas. Este é um gigantesco desafio, no caso brasileiro, tanto pela falta de pessoas experientes para servir como tutores e pela falta de escolas em condições de servirem como plataformas adequadas quanto, sobretudo, pela falta de convicção e conhecimento das evidências sobre o que efetivamente funciona. Nos países desenvolvidos, cerca de 50% das pessoas não passa nesse estágio – o que demonstra não apenas o rigor com que é ministrado, mas os desafios de ser professor.

O quarto passo consiste em oferecer remuneração atraente. Trataremos disso no próximo post.

Uma Dobra do Tempo ganhará uma nova edição nacional

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Publicação chega ao país este mês

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

A HarperCollins Brasil vai lançar uma nova edição do clássico da ficção científica Uma dobra no tempo. A obra da autora Madeleine L’Engle foi lançada em 1962 e é composta por cinco livros, que acompanham a família Murray e suas aventuras através do espaço e do tempo. O primeiro volume chega às livrarias em novembro. Confira:

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A publicação conta a história dos irmãos Meg e Charles Wallace, que fazem parte de uma família excêntrica. O pai vivia recluso em suas pesquisas e desapareceu misteriosamente depois de um de seus experimentos com a quinta dimensão. Ele disse que faria uma viagem a trabalho para o governo americano e nunca retornou.

Até que em uma noite chuvosa, os irmãos Murry recebem a visita de uma criatura estranha, que sabe dos segredos da pesquisa da família e diz conhecer uma maneira de resgatar seu pai. Ao lado do visitante e do amigo Calvin O’Keefe, eles decidem embarcar em uma viagem extraordinária através do tempo, entre criaturas fantásticas e novos mundos jamais imaginados.

Juntos, eles devem enfrentar suas inseguranças e descobrir como impedir a expansão da Escuridão, uma força maligna que irá tomar conta de todo o universo. Uma dobra no tempo é uma aventura clássica, que serviu de inspiração para grandes autores da ficção científica e da fantasia contemporânea.

O livro será adaptado para o cinema pela Disney. O longa estreia em março de 2018 e será estrelado por grandes nomes como Reese Witherspoon, Oprah Winfrey e Chris Pine.

Professora que ensinou índios na língua-mãe é a Educadora do Ano

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Os alunos da classe multisseriada de 1º a 5º ano de Elisângela falam paiter suruí (Felipe Antonio Fotografia/VEJA.com)

Os alunos da classe multisseriada de 1º a 5º ano de Elisângela falam paiter suruí (Felipe Antonio Fotografia/VEJA.com)

Elisângela Dell-Armelina Suruí criou material didático na língua paiter suruí para educar crianças indígenas e foi eleita a melhor professora do país

Marina Rappa, na Veja

A professora Elisângela Dell-Armelina Suruí subiu ao palco do Prêmio Educador Nota 10 na noite de segunda-feira, 30, para receber o título de Educador do Ano, em evento realizado pela Fundação Victor Civita. Emocionada, disse “muito obrigada” ao público em paiter suruí – a língua materna dos índios da tribo nabekodabadakiba, em Rondônia. O gesto faz clara referência ao trabalho feito pela educadora com os pequenos índios da região.

Nascida em Ji-Paraná, a aproximadamente 370 quilômetros de distância da capital de Rondônia, Elisângela foi trabalhar como voluntária na aldeia próxima a Cacoal, cidade do interior do estado. Isso foi suficiente para que, dezesseis anos depois, ela realizasse um importante projeto de alfabetização dos índios na língua-mãe das crianças da Escola Sertanista Francisco Meireles.

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Durante o trabalho de ensinar aos pequenos a escrever e ligar palavras a objetos, Elisângela sentiu falta de um material que ensinasse o paiter suruí, já que os livros dados pelo governo eram em português. Surgiu assim a ideia de confeccionar um caderno de escrita e atividades com textos simples na língua-mãe das crianças, com figuras que pudessem ser coloridas e nomeadas. Tudo feito pelos alunos – que vão do 1º ao 5º ano.

“Eles se viram naquele livro. Em um dia, eles se questionavam sobre quem fazia aqueles livros bonitos que chegavam de tão longe para a escola deles e, em outro, eram os produtores do próprio conhecimento. Isso não tem preço”, conta a professora.

Agora, a melhor educadora brasileira espera que seu projeto seja levado adiante – e auxilie não apenas as aldeias que falem o paiter suruí, mas as outras que também possuem dificuldade de encontrar material de alfabetização nas línguas indígenas. “O caderno pode ser usado não apenas na minha aldeia, mas servir como molde para que outros professores consigam ensinar a língua materna aos alunos. Espero que, com o prêmio, isso sirva como referência”, afirma Elisângela após receber o troféu de Educador do Ano de 2017.

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