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Jojo Moyes defende que suas histórias de amor são também políticas

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Escritora britânica Jojo Moyes vem ao Brasil pela primeira vez para encontro com fãs – Leo Martins

Escritora que mais vendeu no Brasil no ano passado vem ao país pela primeira vez

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – “O que aconteceu com a minha vida?” Essa é a pergunta que a escritora britânica Jojo Moyes se faz todos os dias ao acordar, desde que seu romance “Como eu era antes de você” (Intrínseca), de 2012, se tornou um best-seller mundial e foi adaptado para o cinema. Apesar de ter sido lançado no Brasil em 2014, o livro virou uma febre no país apenas no ano passado, na esteira do filme protagonizado por Sam Claflin e Emilia Clarke. Foram 352.330 exemplares vendidos — mais que o dobro de “Harry Potter e a criança amaldiçoada” (Rocco) —, garantindo o posto de campeão de vendas em 2016. “Depois de você” (Intrínseca), a continuação de “Como eu era…”, ficou em terceiro lugar, e Jojo foi a autora mais vendida no ano. Seus 11 livros publicados no país somam mais de 2 milhões de exemplares vendidos.

A autora repetiu mentalmente a mesma pergunta ao acordar, ontem, na suíte de um hotel cinco estrelas na Zona Sul. A vista da Praia de Ipanema nas primeiras horas da manhã deixou Jojo embasbacada e ela não conseguiu dormir mais. Na sua primeira visita à América do Sul, para dois encontros com fãs promovidos por sua editora no Rio e em São Paulo, a escritora, de 47 anos e mãe de três filhos, ainda se surpreende com a vida de autora popstar.

— Nas redações da imprensa inglesa, costuma-se dizer: seja legal com todo mundo quando você está subindo, porque você não sabe quem vai encontrar quando estiver descendo. É como eu me sinto em relação à vida — diz Jojo, que trabalhou durante dez anos como jornalista antes de se dedicar exclusivamente aos romances, em entrevista ao GLOBO, na tarde de ontem, na suíte onde está hospedada. — Esta é uma vida muito legal, as pessoas são muito legais com você. Mas, quando você é mais velho, sabe que teve muitas experiências antes de chegar ali e que isso pode acabar no dia seguinte.

SUCESSO TARDIO

A fala realista da autora não é à toa. O sucesso chegou na sua vida quando ela já não o esperava mais. Após oito livros lançados, seu editor não gostou da ideia para “Como eu era antes de você”: uma ex-garçonete consegue um emprego de cuidadora de um homem rico, inteligente e bonito que ficou tetraplégico após um acidente de moto, os dois se apaixonam, mas o mocinho não suporta a sua condição e decide pôr fim à própria vida por meio da eutanásia. A trama não tem um final feliz e aborda um assunto tabu em todo o Ocidente. Quem encorajou Jojo a seguir em frente foi seu marido, com uma frase exemplar do humor negro britânico: “Esse será o livro que finalmente vai acabar com a sua carreira”. Não só não acabou com a carreira dela como deu origem a duas continuações. Após “Depois de você”, Jojo está terminando de escrever o terceiro e último volume protagonizado pela ex-garçonete Louisa Clark.

— Eu não esperava ter nenhum leitor para “Como eu era antes de você”. Eu consigo entender por que meu editor não gostou muito da minha ideia. Eu não sabia se o livro seria publicado. Meu marido me encorajou a escrever o livro e depois pensar nisso. Eu falei que isso significava ficar um ano trabalhando sem ganhar nada. Ele respondeu que a decisão era minha. Eu escrevi “Como eu era antes de você” com a certeza de que, se ninguém quisesse publicar, eu ia colocá-lo na internet. Era uma história que eu precisava contar — diz Jojo.

A autora afirma ter ficado muito surpresa com a repercussão do livro no Brasil. Por ser um país bastante religioso, um romance que aborda a eutanásia poderia afugentar potenciais leitores. Mas não foi isso que aconteceu. Jojo afirma que foi muito cuidadosa ao escrever a história e arrisca uma explicação para tamanho sucesso:

— Eu nunca achei que o livro fosse se tornar popular num país como o Brasil. A primeira coisa que meu pai me disse quando escrevi o livro foi: “Você vai arrumar problemas”. Eu fui muito cuidadosa na escrita, busquei olhar a situação por todos os ângulos. Eu estava interessada em pensar sobre quem vive uma situação desse tipo, se você é alguém que decide colocar fim na própria vida pela eutanásia ou ama alguém que toma essa decisão. O que acontece com as pessoas que vivem uma situação dessas? Não se trata de certo ou errado.

HERANÇA JORNALÍSTICA

Jojo acredita que herdou do jornalismo esse interesse pelas experiências extraordinárias das pessoas comuns. A maioria de suas protagonistas são mulheres da classe trabalhadora. Cuidadoras, faxineiras, garçonetes, que, em geral, aparecem na literatura apenas como vítimas de assassinatos ou obcecadas por bolsas de marca, segundo ela. A autora conta que se identifica com as suas personagens.

— É muito importante para mim contar essas histórias porque eu fui essa mulher. Hoje não mais, mas eu já fui como elas — lembra Jojo. — Se você escreve ficção nos tempos atuais e ignora o fato de que, para muitas pessoas, ganhar dinheiro suficiente para viver é uma preocupação diária, então não acho que você esteja refletindo a vida. Eu tento narrar a vida comum, mas ao mesmo tempo introduzir alguns elementos dos contos de fada, da magia, do extraordinário. É nisso que eu estou interessada.

Bastante ativa nas redes sociais, não é difícil encontrar publicações da autora sobre temas quentes da política atual, como as eleições na França, anteontem, a disputa partidária inglesa e a saída do Reino Unido da União Europeia. Jojo recusa o rótulo de autora de “histórias de amor” e afirma que a política está sempre presente. A cada vez que começa a escrever um romance, ela pensa que tipo de mensagem aquela história vai passar:

— O pessoal é político. Se escrevo um livro de não ficção sobre como os ricos estão ficando mais ricos e os pobres, mais pobres, quem vai ler? E se eu escrevo um livro sobre uma mulher com um filho talentoso que merece uma chance melhor na vida, e um homem que teve todas as oportunidades, mas não conseguia ver isso? O que acontece quando essas duas visões de mundo se encontram? — questiona, referindo-se à trama de “Um mais um” (Intrínseca). — Na Europa, há uma enorme falta de empatia com a posição do outro. A ficção tem o papel de promover a empatia. Eu não consigo imaginar como ser um autor e não tocar na política.

5 livros para entender o Brasil de 2017

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Líderes do PCC que deram início a rebelião no Rio Grande do Norte (Josemar Goncalves/Reuters)

Líderes do PCC que deram início a rebelião no Rio Grande do Norte (Josemar Goncalves/Reuters)

 

Especialistas em direito, sociologia e ciência política indicaram obras para explicar as consequências do ano de 2016 para o país neste ano

Clara Cerioni, na Exame

São Paulo – Após um 2016 cheio de reviravoltas, o que esperar de 2017? No ano passado, vimos a conclusão do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e as novas propostas para educação e saúde do novo presidente Michel Temer. Além disso, o final do ano foi marcado pela explosão de rebeliões nos presídios.

Para que você não seja pego de surpresa em 2017, EXAME.com conversou com professores de ciência política, direito e sociologia para saber quais livros explicam o Brasil atual.

Veja abaixo a lista completa:
Junto e misturado: uma etnografia do PCC

 

Nesta obra, indicada por Paulo de Tarso, pesquisador sobre o sistema carcerário do país, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, o leitor é apresentado ao universo do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A leitura é necessária para entender o que acontece dentro dos presídios brasileiros, que nas últimas semanas têm sido palco de diversas rebeliões e massacres.

De acordo com o pesquisador, o livro esclarece a incapacidade do Estado em controlar os presídios brasileiros e explica o desenvolvimento histórico da maior organização criminosa do Brasil.

“Essas organizações, ao perceberem o afastamento do Estado de suas responsabilidades, passaram a se organizar e se articular como substitutos. Em simples palavras, fenômenos como o PCC são consequências da falta do governo de suas funções básicas no sistema carcerário”, diz o pesquisador.

Autor: Karina Blondi / Editora: Terceiro Nome
A miséria governada através do sistema penal

 

Outra indicação do pesquisador Paulo de Tarso é o livro “A miséria governada através do sistema penal”. Nesta obra, o especialista destaca a produção teórica do Instituto Carioca de Criminologia, sobre questões básicas do sistema carcerário brasileiro. De acordo com Tarso, essa obra permite entender a evolução dos problemas causados pela ausência de uma política pública nas prisões. Além disso, o livro apresenta o quadro da criminalização da pobreza.

“O Estado idealizou que bastaria a população ter mais acesso econômico para resolver todas as questões sociais e criminais do país, mas não foi isso que aconteceu.”

Autor: Alessandro de Giorgi / Editora: Revan
Juventude e Ensino Médio

 

O governo Temer apresentou em setembro uma proposta para reformar o Ensino Médio no Brasil, que deve ser votada pelo Senado no começo de fevereiro. Para entender quais podem ser as consequências dessas mudanças na educação, o professor Marcos Villela Pereira, da Escola de Humanidades da PUCRS indicou o livro “Juventude e Ensino Médio”.

De acordo com o especialista, essa obra pode auxiliar a comunicação entre professores e estudantes por apresentar um panorama dos jovens do país e questionar por que se deve repensar o Ensino Médio nos dias de hoje.

Autores: Juarez Dayrell; Paulo Carrano; Carla Linhares Maia / Editora: UFMG
Impeachment: instrumento da democracia

 

Esta obra, indicada pelo professor de direito da PUCRS José Carlos M. da Silva Filho explica o processo do impeachment, pela visão de diversos advogados e juristas do Brasil. O livro esclarece os mecanismos e os conceitos judiciais usados para embasar o pedido e o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Autor: Instituto dos Advogados de São Paulo / Editora: IASP
A difícil democracia – reinventar as esquerdas

 

O processo de impeachment que se arrastou pelo ano de 2016 foi decisivo para consolidar o enfraquecimento do Partido dos Trabalhadores (PT) e auxiliar a ascensão de figuras políticas alinhadas com a direita. Por isso, para este ano, de acordo com o professor de direito da PUCRS, o desafio de partidos de esquerda é “reinventar o conceito e os posicionamentos desta política”.

A obra indicada pelo especialista aborda este tema pela visão de um cientista político, que propõe uma reflexão sobre experiências sociais e políticas atualmente.

Professores e currículo têm de estar alinhados, diz educador de Cingapura

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Lee Sing Kong, 65, liderou mudanças na formação de professores em Cingapura

Lee Sing Kong, 65, liderou mudanças na formação de professores em Cingapura

 

Renata Cafardo, na Folha de S.Paulo

O reconhecimento que já aparecia na economia chegou à educação para Cingapura, pobre ex-colônia inglesa que é hoje um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Seus estudantes, pela primeira vez, apareceram no topo dos rankings do Pisa, a mais importante avaliação internacional de educação. A prova tem questões de ciência, leitura e matemática e é feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A pequena nação asiática deixou para trás antigos campeões do Pisa, como China e Finlândia. Os resultados foram divulgados em dezembro.

“A chave do sucesso é que todos os componentes do sistema educacional precisam estar alinhados. Se muda o currículo, a formação de professores precisa mudar também”, contou à Folha, Lee Sing Kong, 65, um dos responsáveis pela transformação do ensino no país.

Em 2009, o Ministério da Educação de Cingapura determinou que as escolas precisavam formar estudantes “para serem relevantes no século 21” e remodelou todo o sistema com esse objetivo. Entre as habilidades que tinham que ser desenvolvidas estavam o forte pensamento crítico, a boa comunicação e o trabalho em grupo.

Lee liderou a mudança no instituto de formação de professores do país, ligado ao ministério. “Antes da aula, o aluno já procura no Google o tópico que será estudado. E faz perguntas muito difíceis. O professor precisa compreender esse cenário e entender como os estudantes aprendem.”

Mas a base para o êxito atual no Pisa começou a ser construída assim que o país se tornou uma República, em 1965. Até então, quase metade dos jovens abandonava a escola. Um sistema flexível passou a permitir que crianças com dificuldade tivessem mais tempo para terminar os ensinos fundamental e médio. Bons profissionais foram atraídos para a carreira de professor, que teve o salário equiparado ao de um engenheiro.

A educação hoje é a segunda área com mais investimentos do governo. Perde apenas para defesa.

Lee foi um dos palestrantes deste mês na Academia de Ciências de Nova York, uma das mais importantes organizações científicas do mundo. O educador hoje ocupa o cargo de vice-presidente da Nanyang Technological University, universidade pública que abriga o único instituto de formação de professores do país.

Ele diz não haver contradição entre o esforço para formar jovens com pensamento crítico e a situação política de Cingapura. O país é governado há décadas pelo mesmo partido, elogiado pela eficiência e incorruptibilidade, mas acusado de restringir liberdades.

Cingapura tem 5,5 milhões de habitantes. Suas 369 escolas atendem 450 mil estudantes, metade da rede municipal de ensino de São Paulo.

Folha – Como o resultado do Pisa foi recebido no país?
Lee Sing Kong – Ficamos felizes porque ele mostrou que estamos indo no caminho certo. Mas não faremos nenhum evento específico para festejar. O Pisa não é o objetivo da nossa educação, queremos educar nossos alunos para serem relevantes no século 21.

Que mudanças foram feitas para que eles passassem a ser formados dessa maneira?
Fizemos uma grande revisão em 2009 e desenvolvemos uma modelo de formação de professores para o século 21. O estudante agora é o centro da educação. O aprendizado no século 20 era passivo, hoje é ativo. Nós temos que permitir que os alunos sejam responsáveis pelo seu próprio aprendizado e os professores são os facilitadores, não o principal fornecedor de conteúdo.

Uma das competências que desenvolvemos foi ensinar com questionamentos corretos, com perguntas, ajudando a criança no processo do conhecimento. Isso faz com que desenvolvam um pensamento extremamente crítico.

Como é a formação na prática?
Criamos as chamadas salas de aula colaborativas em nosso instituto que forma professores. As ferramentas para o século 21 (colaboração, empreendedorismo, pensamento crítico, comunicação) não podem ser adquiridas em ambiente de conhecimento passivo. Então, nossos estudantes se sentam em grupos. Quando se tornam professores, levam essa experiência para a escola.

Formamos um thinking teacher (professor pensador), que sabe como se adaptar, inovar e reconfigurar a sala de aula. Ele precisa escolher o melhor jeito de ensinar cada assunto. Além disso, 35% do tempo do currículo é para prática nas escolas, com supervisão de professores seniores.

Vocês identificaram também um novo perfil de aluno.
Os alunos hoje gostam de aprender com experimentos, imagens interessantes, participando do processo e se conectando em grupo. Professores precisam criar atividades em que os jovens realmente façam parte. O conhecimento está em qualquer lugar. Antes da aula, o aluno já procura no Google o que será estudado e faz perguntas muito difíceis. O professor precisa compreender o cenário e entender como os estudantes aprendem.

O Pisa mostrou que os estudantes de Cingapura estão entre os mais motivados para estudar. Como conseguir isso?

Primeiro, é preciso mostrar a relevância do estudo. Depois, trazer para a sala de aula problemas do mundo real, para eles pensarem e aplicarem o conhecimento. Por exemplo, ao ensinar fotossíntese, dizemos por que ela é relevante, ou seja, porque muito da sua comida é produzida por meio dela.

Mas os professores também precisam estar motivados para fazer mudanças.

Desde os anos 90, passamos a mensagem de que o professor é crucial no desenvolvimento do país. O Ministério da Educação aumentou o salário de um professor inicial para se tornar igual ao de um engenheiro. Havia poucas oportunidades para ele ser promovido, apenas o caminho administrativo. Mas há ótimos professores que não querem ser diretores. Criamos a carreira de professor master e sênior, com salários equiparados aos do diretor. Aos poucos, a sociedade começou a reconhecer o valor deles.

No Brasil, o governo está criando uma Base Curricular Nacional. Como fizeram isso?
Se vamos viajar, precisamos saber bem o destino. Em Cingapura, ele é o que chamamos de Resultados Desejados da Educação (Desired Outcomes of Education).

Nós sabemos como queremos educar nossos alunos. Eles têm que ter habilidades para serem relevantes no tempo em que vivem (integridade, pensamento crítico, curiosidade, amor a Cingapura). Só quando estabelecemos isso, pudemos falar sobre qual currículo era necessário. Quais atividades e avaliações.

Nosso currículo é sempre revisado, quando se inclui tópicos, outros são tirados. Assim, os professores têm tempo suficiente para pensar em maneiras de aplicá-lo. E o mais importante é que os professores passaram a ser treinados assim também.
A chave do sucesso é: todos os componentes do sistema educacional precisam estar alinhados. Se o currículo vai para um lado, a formação dos professores vai para outro e avaliação para outro, como vai ter impacto? Se muda o currículo, a formação de professores precisa mudar também.

Isso é mais fácil de fazer em um país pequeno. Como ter essa integração em um país como o Brasil?
Não se pode teletransportar um modelo de um lugar para outro porque o contexto é diferente. Mas a lição que aprendemos aqui é: sim, somos um país pequeno e podemos trabalhar juntos, mas precisávamos planejar bem. No Brasil, você tem vários níveis de administração, estadual, municipal, você precisaria fazer isso talvez nesses níveis.

Outra discussão no Brasil é a flexibilização do currículo no ensino médio. Como é em Cingapura?
No ensino médio há vários caminhos vocacionais que os estudantes podem escolher. Alguns vão para o caminho mais acadêmico, outros para os práticos. Mas podem mudar se quiserem, o caminho não é um fim. O estudante pode fazer a formação prática e depois ir para os estudos acadêmicos.

O governo fala em pensamento crítico, mas Cingapura é visto como um país onde não há liberdade de expressão.
Essa é uma impressão errada. Somos um país multirracial, onde a harmonia e a paz são muito importantes. Um cidadão precisa respeitar o outro, respeitar a diversidade.

O que o governo desencoraja é falar coisas que podem afetar questões sensíveis na religião, por exemplo. Isso não é controlar sua liberdade de expressão, é uma maneira de manter harmonia e paz.

Então, os estudantes devem desenvolver pensamento crítico mesmo que seja para criticar o governo?
Claro, tem muita crítica ao governo no Facebook e o governo desliga o Facebook? Não. Os estudantes precisam saber como o mundo está se desenvolvendo e como eles vão se posicionar para se adaptar ao mundo.

RAIO X

Cargo atual Vice-presidente da Nanyang Technological University (EUA)

Cargo anterior Ex-diretor do Instituto Nacional de Educação (de 2006 a 2014)

Formação Biólogo e educador

Um mundo na palma da mão

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kindle

Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

“E-books’ têm um longo caminho a percorrer no país, mas podem se tornar uma ponte entre pessoas que ainda não leem e o universo dos livros

Cora Rónai | O Globo

No último fim de semana foi lançado no Píer Mauá um novo salão do livro carioca, a LER. Fui para lá sem ter ideia do que ia encontrar e fui agradavelmente surpreendida por um evento bonito, arejado, cheio de boas ideias e com um jeito de feirinha artesanal. As grandes editoras ficaram restritas aos estandes das livrarias, e com isso as pequenas, que, em geral, somem na Bienal, ganharam destaque; a cenografia aproveitou a locação ao máximo e contribuiu com detalhes curiosos, como uma chuva de flores aqui, um teto de guarda-chuvas virados ali, quadros com perguntas provocadoras que eram respondidas pelos visitantes em papeizinhos coloridos autocolantes. Havia até uma exposição de encantadores vestidos de livros da Analu Prestes, que cria as coisas mais lindas em papel.

Perto de uma das entradas, duas divisórias formavam um recanto que lembrava uma biblioteca, com a imagem de estantes cheias de livros — mas ali havia mais do que folhas ilustradas coladas nas paredes. É que as lombadas exibiam QR codes que, capturados por smartphones, levavam a links de onde se podiam baixar as obras para um leitor Kobo, gratuitamente. Aquele espaço despretensioso, que à primeira vista parecia apenas decorativo, oferecia um verdadeiro tesouro para os visitantes.

Para mim, oferecia também um retrato, difícil de capturar, da convivência entre as duas espécies de livros com que convivemos. Depois de muita polêmica e até do temor de que, um dia, substituiriam os seus irmãos de papel, os e-books começam a se firmar não como ameaça a um universo estabelecido, mas como uma alternativa a mais para quem gosta de ler.

Na noite anterior à minha ida à LER, eu havia, por acaso, jantado com uma amiga editora. A certa altura, a conversa se desviou para os livros eletrônicos, que ela relutantemente confessou ler, mais ou menos como quem confessa uma traição. Hoje já não encontro mais quem não leia e-books — até minha mãe, que nos seus 92 anos nunca quis saber de computadores ou smartphones, é fã do Kindle, onde consegue aumentar o tamanho das letras.

Há alguns anos, quando os e-books apareceram, imaginava-se que eles tomariam todo o mercado, num fenômeno não muito diferente do que aconteceu quando a televisão surgiu, e os catastrofistas previram que ela ia acabar com o cinema. Este ano, pela primeira vez, as vendas de e-books caíram, mas o seu mercado continua forte: prevê-se que, em 2018, eles responderão por um quarto dos livros vendidos no mundo. Nos Estados Unidos, 13% dos leitores já leem mais e-books do que livros em papel, e 15% dizem ler mais ou menos a mesma coisa nos dois formatos. No Brasil, onde 30% dos entrevistados numa pesquisa realizada em meados do ano confessaram que jamais compraram um livro na vida, os e-books ainda têm um longo caminho a percorrer, sobretudo do ponto de vista da tecnologia: a maioria das pessoas sequer ouviu falar em leitores como o Kindle ou o Kobo.

Ainda assim, os e-books têm tudo para fazer uma boa ponte entre as pessoas que (ainda) não leem, e o mundo fabuloso dos livros. Cada smartphone ou tablet espalhado pelo mundo tem o potencial de virar uma biblioteca mágica, que acompanha o dono aonde for. Na LER, vi alguns adolescentes escaneando os QR codes das lombadas de mentirinha, e fiquei muito feliz — eles estão no bom caminho.

Nível de escolaridade dos pais influencia rendimento dos filhos

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Nível de escolaridade dos pais influencia rendimentos dos filhos, segundo IBGE. (Foto: Divulgação)

Nível de escolaridade dos pais influencia rendimentos dos filhos, segundo IBGE. (Foto: Divulgação)

 

Dado é de complemento da Pnad de 2014, do IBGE.
Presença da mãe em casa contribui para maior nível de escolarização.

Daniel Silveira, no G1

O nível de escolarização dos pais influencia na formação profissional e nos rendimentos dos filhos. É o que apontam os dados suplementares da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014 divulgada nesta quarta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento considerou diversos indicadores relacionados ao grau de instrução, formação profissional e renda dos pais para analisar a mobilidade sócio-ocupacional dos filhos. “A estrutura familiar parece ter uma importância muito grande em relação tanto ao nível de instrução dos filhos quanto aos índices de alfabetização”, disse a gerente da pesquisa, Flávia Vinhaes.

O levantamento abrange entrevistas realizadas em 2014 com 58 mil pessoas de 16 anos ou mais. Foram consideradas as posicionais sócio-ocupacionais dos pais e mães quando os entrevistados tinham 15 anos de idade.

De acordo com a pesquisa, o rendimento dos filhos está associado ao grau de escolaridade dos pais. Em 2014, a média de rendimentos do trabalho de pessoas com nível superior completo cujas mães não tinham instrução era de R$ 3.078, chegando a R$ 5.826 para aquelas com mães com ensino superior completo.

Já em relação ao pai, o rendimento médio do trabalho de pessoas com nível superior era de R$ 2.603 quando o pai não tinha instrução, chegando a R$ 6.739, no caso de pessoa cujo pai tinha nível superior.

Para pessoas com ensino médio completo, o rendimento médio variava de R$ 1.431, quando a mãe não tinha instrução, a R$ 2.209, para aquelas cuja mãe tinha nível superior; e de R$ 1.367, para aquelas cujo pai não tinha instrução, a R$ 2.884,00 no caso de o pai ter nível superior.

Presença familiar
A pesquisa mostrou também que a presença do pai ou da mãe no ambiente doméstico influencia diretamente na escolaridade dos filhos. “O fato dos filhos morarem com a mãe ou com o pai e a mãe teve uma forte influência no índice de formação”, afirmou Flávia Vinhaes.

Segundo a pesquisa, o índice de alfabetização foi menor entre aquelas pessoas que não moravam com a mãe. A taxa de alfabetização daqueles que moravam com a mãe quando tinham 15 anos de idade chegou a 92,2%, enquanto entre aqueles que não moraram com a mãe na mesma idade foi de 88,1%.

Em relação ao grau de instrução, a pesquisa mostrou que foi maior a taxa dos filhos se instrução que moravam somente com o pai aos 15 anos de idade (16,2%). Os menores percentuais das pessoas sem instrução foi observado entre aqueles que moravam com ambos os pais ou somente com a mãe (10,8% e 10,3%, respectivamente.

Ainda segundo a pesquisa, mais da metade dos filhos (51,4%) tiveram ascensão sócio-ocupacional em relação à mãe, enquanto 47,4% tiveram ascensão em relação ao pai.

Segundo a gerente da pesquisa, Flávia Vinhaes, não há pesquisa anterior para se poder comparar os dados. Ela destacou, no entanto, ser possível afirmar que a ascensão a ascensão tanto no nível de escolaridade quanto de renda está relacionada com a estrutura doméstica.

“Não é só com a estrutura ocupacional ou nível de instrução dos pais, mas com o ambiente doméstico, com os estímulos que os filhos recebem. Não é só uma dependência de renda, não é o capital econômico só que influencia econômico social cultural pessoal. Uma criança que recebe atendimento dos pais, um

Questionada sobre por que filhos que moraram só com a mãe tiveram maior ascensão quanto ao nível de instrução, Flávia Vinhaes esclareceu que a pesquisa não tem base de apoio para fazer esta análise. Todavia, ela sugeriu que os cuidados maternos podem ter maior peso na formação sócio-cultural dos filhos que os paternos.

“Uma criança que recebe atendimento dos pais, que é estimulada pelos pais através de um ambiente familiar que propicie isso, que gere algum desenvolvimento cognitivo, ela vai ter uma posição no mercado de trabalho e uma posição social melhor do que uma criança que não teve esses estímulos, esses cuidados. Eu imagino que seja por isso que a importância [da presença da mãe] é tão fundamental”, ponderou.

Primeiro emprego
A pesquisa mostrou ainda que o nível de instrução formal e a ocupação profissional dos pais refletiu o ingresso dos filhos no mercado de trabalho. Considerando aqueles que moravam com o pai, 73,9% dos filhos começaram a trabalhar antes dos 17 anos de idade.

Quanto menos instrução demandava a ocupação profissional do pai, mais cedo o filho começou a trabalhar. A maioria dos filhos (59,6%) cujo pai era trabalhador agrícola, por exemplo, ingressou no mercado de trabalho antes dos 13 anos de idade. Entre os filhos de pais que trabalhavam por conta própria ou que não tinham carteira assinada, 46,6% começaram a trabalhar também antes dos 13 anos de idade.

Entre aqueles que moravam apenas com a mãe, a pesquisa não identificou diferenças relevantes quanto ao ingresso no mercado de trabalho. A maioria (76,6%) dos que moravam apenas com a mãe começou a trabalhar também até os 17 anos. A grande maioria cuja mãe era trabalhadora agrícola (65,9%) também começou a trabalhar antes dos 13 anos de idade.

Outro dado apontado pela pesquisa é em relação aos filhos que reproduziram as ocupações profissionais dos pais. Do total de entrevistados, 33,4% seguiu no mesmo ramo dos pais.

A ocupação que teve maior ingresso dos filhos seguindo a dos pais foi na área das ciências e das artes (46,1%), seguidas pelas áreas dos trabalhadores agrícolas (34,9%), da produção de bens e serviços e de reparação e manutenção (31,4%), e de serviços (26,2%). A área de dirigentes em geral foi seguida por 19,4% dos filhos.

Ainda segundo a pesquisa, 47,4% dos filhos melhoraram suas condições de trabalho em relação aos pais, enquanto 17,2% ocuparam postos de trabalho com rendimento menor e vulnerabilidade maior.

 

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