Milhares de professores se opõem à reforma de educação proposta pelo governo mexicano . Reuters

Milhares de professores se opõem à reforma de educação proposta pelo governo mexicano . Reuters

 

No último domingo, seis pessoas morreram durante confrontos entre professores e a polícia no Estado mexicano de Oaxaca. Pelo menos 100 pessoas ficaram feridas, incluindo muitos policiais.

Leire Ventas, na BBC Brasil

Este protesto, organizado pela combativa facção de Oaxaca da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Ensino (CNTE), o principal sindicato da categoria do México, foi apenas o capítulo mais recente na resistência de um amplo setor da categoria em aceitar reformas educacionais introduzidas pelo governo em 2013.

Entre as medidas, a mais polêmica é a introdução de um sistema de avaliação do desempenho dos professores.

Os professores do México não são os únicos a resistir a esse tipo de iniciativa. No Chile também houve protestos quando , em 2006, foi introduzida uma medida parecida.

Entretanto, “a maioria dos países com bons resultados educativos avalia seus professores”, diz Cristián Cox Donoso, especialista em estratégia docente do Escritório Regional de Educação da Unesco para a América Latina e o Caribe.

É o caso de Xangai, Cingapura, Hong Kong e Japão, que aparecem nas primeiras posições do Programa Internacional para Avaliação de Estudantes (Pisa), utilizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para comparar o desempenho e matemática, ciência e leitura de meio milhão de adolescentes de 15 anos em 65 países, incluindo o Brasil.

A China tem um sistema complexo de avaliação de professores

A China tem um sistema complexo de avaliação de professores

 

Em Xangai, por exemplo, assim como no resto da China, existe um complexo sistema destinado a medir a qualidade dos professores. Os critérios gerais se estabelecem a nível nacional, detalham-se ao nível local, e cada escola é encarregada de levar a cabo as avaliações.

E as avaliações têm ainda critérios como integridade profissional e valores do professor, não apenas habilidades.

O processo tem autoavaliações, questionários dirigidos a colegas, alunos e pais, mas também leva em conta os resultados acadêmicos de seus alunos.

Os dados são enviados ao governo central.

“A China quer redefinir o sistema para fazê-lo mais científico”, diz Vivian Stewart, autora do livro A World-Class Education: Learning from International Models of Excellence and Innovation, que analisa iniciativas internacionais bem-sucedidas no campo da educação.

Stewart também elogia o sistema de avalição de professores em Cingapura. No país asiático, a avaliação anual é obrigatória desde 2005 para todos os professores. Ela leva em conta não apenas os resultados acadêmicos, mas também as iniciativas pedagógicas do professor, as contribuições para seus colegas e sua relação com os pais de alunos e organizações comunitárias.

E, durante três momentos do ano, o plano de aulas de cada professor é vistoriado pelo diretor ou sub-diretor da escola.

No Japão, cada professor estabelece objetivos junto à direção da escola no início do ano, e no final do ano tem seu desempenho avaliado.

Durante o ano, aulas são supervisionadas por grupos de professores – e em alguns casos por inspetores e mesmo autoridades via vídeo. Em Hong Kong, as escolas realizam avaliações anuais, que o governo revê a cada três anos.
Informalidade

Mas nem todos os sistemas são tão formais. Na Finlândia, país que segue sendo um importante referencial educacional a nível internacional, embora tenha perdido posições nas últimas edições do PISA, a maneira de medir o desempenho dos professores é diferente.

A Finlândia tem sistema de avaliação mais informal e baseado na confiança

A Finlândia tem sistema de avaliação mais informal e baseado na confiança

 

No início da década de 90, o paíes europeu aboliu o sistema de inspeção escolar e hoje as avaliações têm lugar na própria escola, com base em conversas entre o professor e o diretor. (mais…)