Contando e Cantando (Volume 2)

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Viúva de Paulo Freire lança livro com artigos inéditos dele

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Nita Freire é a guardiã das obras de Paulo Freire Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

Publicação de Nita Freire reúne ainda discursos feitos de improviso em diferentes países

Julia Amin, em O Globo

RIO — Viúva de Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire vai lançar, em novembro, mais um livro com artigos inéditos do educador. “Pedagogia do compromisso — América Latina e educação popular” reúne transcrições de entrevistas, conferências e discursos feitos de improviso na Argentina, no Chile e no Uruguai, além de um manifesto em homenagem ao povo da Nicarágua. Nita, como é chamada, afirma que é a guardiã das obras de Freire e que lutará “até as últimas forças” para expandir o legado dele .

Para ela, o fato de Freire ser tão combatido atualmente tem relação com a forma pela qual ele entendia educação. Alfabetizar significava para ele fazer com que as pessoas se tornassem conscientes de suas posições no mundo. Depois de terem uma formação crítica, a partir da leitura e da escrita, deixariam de ser oprimidas, e estariam, de fato, inseridas na sociedade, com participação ativa nas tomadas de decisão e em assuntos do país.

— Paulo tinha necessidade de fazer um programa de educação no país porque ele viu que grande parte do povo não se sentia igual a nós, vivia à sombra porque não sabia ler e escrever. Ele disse: “Eu quero tornar todo brasileiro sujeito de sua própria história, e para isso tenho que começar a alfabetizar”. Isso foi apavorante para o regime militar. Ele não estava lá para alfabetizar e as pessoas falarem blá-blá-blá. O intuito dele era fazer com que homens e mulheres fossem conscientes de suas posições no mundo, de seu direitos e deveres — explica Nita, que dentre alguns livros de sua autoria publicou “Paulo Freire: uma história de vida”, obra vencedora do Prêmio Jabuti em 2007.

Nita também ressalta o reconhecimento mundial de Freire, com milhares de prêmios recebidos. Só de títulos de doutor honoris causa foram 46, sendo o brasileiro a ganhar mais vezes a honraria. Em 2016, Elliot Green, professor associado da London School of Economics, divulgou um estudo em que mostrou que Paulo Freire foi o terceiro pensador mais citado em trabalhos acadêmicos de língua inglesa, com 72.359 aparições.

— Paulo é um homem brilhante, ilumina educadores do mundo todo. A revolução dele não é pegar em armas, é sobre mexer com a infraestrutura do país para mudar a superestrutura. Se a parte de baixo mexe, a de cima vai mexer também — afirma Nita.

Inspirado em Harry Potter, Itália sedia Mundial de Quadribol

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Evento terá delegações de 20 países
Divulgação

Esporte até então fictício era o preferido dos alunos da escola de magia da saga. O evento ocorre em Florença com a presença de mais de 20 países

Publicado no R7

A Copa do Mundo de Quadribol, esporte praticado pelos bruxos da saga Harry Potter, será disputado entre os dias 27 e 1º de julho, em Florença, na Itália.

Organizado pela Associação Internacional de Quadribol (IQA, em inglês), em parceria com o grupo Human Company e a Prefeitura de Florença, o campeonato contará com a presença de 29 países e comemorará o aniversário de 20 anos do lançamento do primeiro livro da série.

Adaptado dos livros de J.K. Rowling, o Quadribol combina o rugby e a queimada, em um esporte que visa a velocidade e o contato.

Apelidado de Quadribol dos “trouxas”, que são os seres não-mágicos de Harry Potter, os atletas sobem em vassouras e devem acertar os “balaços”, bolas de queimada, nos outros jogadores, e as “goles”, bolas de vôlei murchas, nos alvos.

O jogo termina quando o “pomo de ouro”, representado por uma bola de tênis dentro de uma meia, é pego.

A cerimônia de abertura, no dia 27 de junho, será no centro histórico de Florença e as disputas oficias durante os seis dias de torneio serão no Campo de Marte. O Brasil e a Itália começam a Copa ambos no grupo C.

Ao longo da semana, eventos como caça ao tesouro e visitas relacionadas ao tema invadem Florença para festejar o mundo de Hogwarts. A Human Company é o principal organizador do calendário do evento, além de hospedar os times e as equipes técnicas no novo Firenze Camping in Town, a poucos quilômetros do centro histórico.

Classe D vende até carro para fazer filho estudar fora do país e ter mais chance de emprego

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Classe D vende até carro para fazer filho estudar fora do país e ter mais chance de emprego, diz chefe da CI

Publicado no UOL

Para conseguir arcar com os custos de um período de estudos fora do Brasil para os filhos, famílias de classe econômica mais baixa chegam a abrir mão de bens como um carro, por exemplo. Quem conta é o diretor da CI Intercâmbio e Viagem, Celso Garcia, em conversa na série UOL Líderes.

Celso Garcia

Ele fala também sobre a importância de saber um segundo idioma na hora de conseguir emprego, avalia os problemas que estudantes podem ter na hora de conseguir o visto necessário para estudar fora e revela quais países estão mais abertos para receber os brasileiros.

Famílias fazem sacrifícios para filho estudar no exterior

UOL – O intercâmbio hoje é um produto só para classe média alta e classe alta?

Celso Garcia – Felizmente não mais. Não só das grandes cidades e também não só de quem tem muito dinheiro. Temos clientes da classe D que nos procuram. Eles investem nisso também. É muito comum sabermos que o pai está vendendo o carro dele para pagar o intercâmbio do filho, e é muito bonito ver isso.

Você vê que são famílias de poder econômico limitado, mas o pessoal vê como investimento. Muitas vezes o pessoal trabalha, mora com a família e vai juntando um dinheirinho, porque sabe que muitas vezes o idioma é mais importante na empregabilidade do que fazer um curso universitário de qualidade ruim ou fazer uma pós-graduação ou extensão universitária que não agrega nada.

A grande carência que nós temos no Brasil hoje é saber falar mais idiomas. Muitas pessoas perdem oportunidades porque não conseguem colocar no currículo que têm um nível superior de conhecimento do inglês ou do espanhol, que não é só o básico. Isso faz uma grande diferença na empregabilidade.

Vocês atendem mais o público jovem ou o público mais velho?

É muito focado ainda no jovem. E o curso de idioma continua sendo o carro-chefe desse segmento. No Brasil, nós ainda temos uma carência muito grande de as pessoas saberem falar um segundo idioma: estima-se que menos de 4% da população brasileira domine um segundo idioma, além do português.

Quando você compara com qualquer outro país que está mais inserido ou que quer se inserir na comunidade internacional, esse é um gap muito grande que nós temos que cobrir.

As empresas de intercâmbio fazem um trabalho importante, mas depende de muito mais do que isso. Depende das escolas, do governo e do interesse das pessoas em aprender um segundo idioma.

Muitas vezes a pessoa não leva a sério o idioma quando está na escola e chega lá na frente, na hora de fazer o vestibular ou na hora de conseguir um emprego, vai ver que perdeu a vaga porque havia outra pessoa com um pouquinho de conhecimento do espanhol ou de inglês, e isso realmente faz uma grande diferença.

O que nós temos de tendência é que o pessoal da terceira idade cada vez mais está abocanhando, está entrando nesse mercado também, porque é uma oportunidade muito legal de viajar.

Existem vários programas hoje em dia em que você pode fazer um curso de idioma com história da arte, curso de idioma com culinária, com esportes, com golfe, com hipismo. Existe uma gama grande para que a pessoa possa complementar a experiência.

Como a crise econômica afetou o negócio de intercâmbio?

Na verdade, esse segmento não retrata muito a economia como um todo. Ele é um projeto de investimento das pessoas. As pessoas não se programam hoje para viajar na semana que vem, no mês que vem, para fazer um intercâmbio.

Normalmente há um intervalo de 90 dias pelo menos, entre a decisão da pessoa de chegar a uma loja da CI e embarcar, porque é um processo que vem maturando na cabeça do interessado.

Quando o mercado realmente não está tão favorável, ocorre um processo que nós chamamos de represamento: as pessoas deixam de ir agora, mas não desistem da viagem. Elas acabam adiando um semestre ou um ano.

Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2015, quando tivemos um aguçamento da crise. Nós ainda tivemos um resultado satisfatório porque vínhamos de uma maré boa, mas no ano de 2016 realmente caiu. Felizmente não tivemos decréscimo, conseguimos um crescimento de 4%. Mas no ano passado já tivemos um crescimento de 20% nas vendas, o que é muito positivo quando você olha a economia como um todo.

Com o desemprego, os profissionais veem o período sem trabalho como uma oportunidade de fazer curso e voltar para o mercado com uma bagagem melhor?

Muitas pessoas que procuram a empresa estão na iminência de sair do seu trabalho ou já saíram. Elas veem realmente que é uma oportunidade única para poder se desenvolver. Lógico que há aqueles que querem ir para fora, que vão para fora [do país] e procuram ficar, mas essa não é uma oportunidade que acontece para todos. A grande maioria vai para se desenvolver mesmo.

A questão do idioma é sempre o ponto número um. As pessoas às vezes chegam ao nível de gerência na empresa ou até têm oportunidade de subir, mas não têm o idioma. Mas também há muitas pessoas que vão para fora para fazer a especialização ou um complemento na área de formação: se a pessoa é formada em administração vai fazer uma extensão em finanças ou em marketing.

Existe uma gama muito grande de oportunidades para quem tem uma formação e quer melhorar isso, e ter uma experiência fora do país tem um peso muito grande no currículo.

A empresa tem sido procurada por pessoas ou famílias que querem se mudar de vez do Brasil?

Tem sido procurada. Felizmente, já senti uma queda no segundo semestre do ano passado. Em 2015 e meados de 2016, essa procura era maior. Mas como eu falo sempre: é muito difícil. Às vezes a pessoa quer ir para fora, mas não está preparada, porque você precisa de um visto, precisa de um lugar para ficar.

Normalmente a pessoa vem nos procurar porque o visto para educação é sempre mais factível do que se mudar e tentar trabalhar. Essa realidade existiu e continua existindo, mas eu acho que, à medida que a economia melhora, isso vai arrefecendo. É um processo normal de crise que já aconteceu outras vezes, mas, como cada vez mais pessoas perdem o medo de ir para fora, acaba tendo uma espiral crescente.

Isso é parte do processo, e eu acho que não é uma exclusividade do Brasil. Todos os países vivem ciclos econômicos. Assim como nós tivemos alguns anos atrás aquele boom no Brasil, em que vieram milhares de espanhóis para cá, vieram portugueses, vieram pessoas de todos os países praticamente. Existe no mundo todo uma influência muito grande desse atrativo do momento econômico. Isso não é diferente aqui.

Com a tecnologia, as pessoas têm se virado bem sozinhas. Hoje é possível organizar uma viagem, indo atrás de escola, hospedagem, passagem. Por que alguém vai precisar de uma agência de intercâmbio?

Uma viagem de intercâmbio não é uma viagem de duas semanas ou dez dias. Quando você vai fazer um programa educacional, vai ficar numa casa de família ou num dormitório estudantil, ou mesmo numa escola em que você vai ficar seis semanas, oito semanas ou períodos maiores, você precisa de uma referência, precisa de mais informações.

Em uma viagem de mais longa duração, as pessoas procuram muito a segurança também. E não há diferença de custo. Se você for comprar direto de uma escola, vai pagar o mesmo preço que paga para a CI. Mas o aluno vai ter que arrumar um jeito para mandar o dinheiro, às vezes não tem o cartão de crédito, vai ter de fazer transferência.

No Brasil e na maioria dos países de que temos conhecimento, as agências de intercâmbio têm um horizonte bastante grande pela frente. Mas, além disso, temos criado cada vez mais produtos que vinculam os estudantes. Temos programas de intercâmbio teen em que os alunos saem em grupos desde o Brasil. É um negócio que você não compra pela internet, tem que estar dentro de um grupo para ir.

Assim como esses produtos, há outros em que procuramos cada vez mais vincular a uma segurança maior, que muitas vezes é o que o pai de classe média e classe média alta quer para os filhos.

Violência assusta estudantes interessados em vir para o Brasil

UOL – Vocês também têm um serviço de recepção de estudantes estrangeiros. As notícias da crise e também da violência afetam de alguma forma essa parte do negócio?

Celso Garcia – Bastante. Desde o início da CI, nós sempre trouxemos estudantes para cá. Temos alguns programas de estágios, programas esportivos, curso de idiomas também, e já tivemos uma demanda muito maior de estrangeiros querendo vir para o Brasil do que nós temos hoje.

Realmente nesse item houve uma queda bastante importante, cerca de 30% na nossa demanda, se eu pegar nossos anos dourados – dez anos atrás para agora –, as pessoas têm um pouco de preocupação de vir para o Brasil.

Sempre digo que o trabalho que nós fazemos é muito positivo para o país, porque as pessoas vêm para cá e elas veem que não é assim. Infelizmente a imprensa no mundo todo tem essa preocupação de colocar muitas coisas. Não sai quase nada de bom sobre o Brasil na imprensa. Mas o pessoal vem pra cá e realmente gosta muito da experiência aqui.

Temos a avaliação dos alunos que vêm, e é impressionante a mudança de percepção que eles têm do Brasil depois que ficam um período conosco aqui. Eles vêm para programas de um a seis meses no geral –há casos até superiores a isso–, e é impressionante a mudança de percepção deles depois da experiência.

O brasileiro também se preocupa com a segurança quando vai estudar no exterior?

É muito interessante isso, porque o brasileiro não se preocupa com segurança. Não sei se porque vivemos aqui numa situação sempre de ter de estar atento, sempre ter de estar preocupado, já temos essa vivência no dia a dia. Então não é um fator que chame a atenção na hora da escolha.

Mas, infelizmente, problemas de segurança você tem em todos os países, até nos desenvolvidos. Temos muitos casos de brasileiros que são furtados, mas faz parte do processo. Não é nada que vai impedir alguém de viajar.

E sempre orientamos que é preciso estar atento: você pode ir a Londres, Nova York, qualquer cidade, você tem que estar atento. Não dá para abandonar a bagagem, deixar sua mochila em um lugar e ir tomar um cafezinho no outro. São cuidados que temos de ter em qualquer país, em qualquer cidade.

Pergunto isso também principalmente porque a maioria do público é de jovens, às vezes saindo do Brasil pela primeira vez, sem os pais…

A orientação que sempre damos é essa: estar atento. Assim como no Brasil, não podemos chegar a uma praça, deixar a mochila num canto e jogar bola no outro. Sempre tem que estar ligado, porque as coisas acontecem em qualquer lugar.

E muitas vezes quando a pessoa vai, nos nossos programas de estágio, para alguma área que é mais conflituosa, logicamente há toda uma preocupação de orientação, a organização que vai receber no país também vai dar as orientações corretas, mas basicamente nada que coloque em risco o programa de intercâmbio.

Qual é o perfil dos estudantes que vêm para o Brasil?

A grande maioria das pessoas que viajam conosco tem até 35 anos. E quem vem de fora para cá também. É muito esse público entre 20 e 30 anos que vem para fazer um estágio, um trabalho voluntário ou uma clínica esportiva. É a demanda que existe para o Brasil. É lógico que depois querem conhecer nossas praias, querem conhecer a Amazônia, Foz do Iguaçu, que são os ícones que representam o Brasil fora daqui.

Temos um programa interessante com a Europa, os países nórdicos, Alemanha, Suíça, que têm muito interesse no Brasil. Os Estados Unidos também. Temos programas com as universidades em que trazemos estudantes para cá, eles vêm em grupo, ficam fazendo aulas de português, estágios em empresas, durante o período de quatro a seis semanas. São programas que permitem uma visão maior do que somente vir para cá como turista.

E quais as áreas de estágio mais buscadas por estudantes brasileiros?

Existem os programas em que você faz o idioma e pode trabalhar também, e esses programas não estão muito vinculados à formação da pessoa. Mesmo que seja uma pessoa formada aqui, você chega lá e consegue uma oportunidade para trabalhar em um restaurante ou em um evento ou num parque de diversões.

Normalmente a pessoa vai para estudar e pode trabalhar. Durante esse período em que vai estar com o visto, ela pode trabalhar legalmente. Quando a CI começou, 30 anos atrás, não existia esse tipo de visto. O brasileiro ia para fora e trabalhava ilegalmente, procurava fazer algum tipo de bico. Hoje, felizmente, existem vários países que aceitam receber estudantes com visto que permite trabalhar legalmente 20 horas por semana.

Por outro lado, há outros programas de estágio vinculados à área de formação. Nós temos muitas vagas na área técnica, científica, na parte de TI (tecnologia da informação). Toda essa área ligada a desenvolvimento de software atrai muitos jovens. Talvez no somatório de todos, a parte de business seja a mais relevante, mas a parte técnica, científica é muito relevante também.

Problemas na entrada em um país estrangeiro: é possível evitar?

UOL – Não são raras as notícias de jovens com problemas ao chegar em outro país. O que você diria que precisa ser feito antes de uma viagem para evitar esse tipo de problema?

Celso Garcia – O principal ponto é: não existe ilusão. A CI tem pouquíssimos casos de vistos que não são aceitos, porque fazemos todo um processo de orientação e discutimos claramente com o cliente: qual é o objetivo da sua viagem?

Os países têm total autonomia para negar um visto para quem for. E muitas vezes dizemos que um número xis de pessoas vai ter o visto negado. Às vezes nem seria o caso de ter o visto negado, mas existe uma técnica dos países que faz parte do processo negar alguns vistos.

Uma família, ao procurar uma oportunidade fora, deve procurar uma empresa que seja idônea, que vai saber orientar corretamente, que vai saber dizer qual é o risco que essa pessoa tem de, eventualmente, ter ou não seu visto negado.

A preparação da documentação é muito importante também. Por isso nós temos uma empresa que faz parte do nosso grupo que é uma consultoria em visto, porque notamos que muitas vezes, [por causa da] falta de preparo na documentação ou da maneira como o processo é feito, a pessoa acaba tendo o visto negado.

Então é isso o que eu coloco principalmente: procure uma assessoria adequada, procure uma empresa que vai saber realmente orientá-lo de forma adequada. E muitas vezes nós falamos para o cliente: você não tem o perfil para viajar. Temos que ter o profissionalismo para poder dizer isso.

Quem não tem perfil para viajar?

Todos os órgãos dos governos, principalmente aqueles que trabalham com visto, são treinados para identificar as pessoas que querem migrar para o país. Nenhum país vai emitir um visto de turista ou visto para estudo, que é a grande maioria dos nossos casos, se ele tem a preocupação de que aquele candidato ao visto tem a intenção de ficar no país. Esse é o principal ponto: nós somos uma empresa de intercâmbio, não somos uma empresa de exportação de pessoas.

Hoje, felizmente, nós temos grandes oportunidades que são os países que aceitam que a pessoa vá para trabalhar e estudar. E para esses países, na verdade, o visto é bem mais flexível. Você chega ao país com a proposta de trabalhar, mas legalmente, você não vai para o subemprego, para ‘ir ficando’. Até porque muitos desses países permitem que o brasileiro fique por cinco, seis, sete anos com visto de estudante, trabalhando.

A grande maioria das pessoas que nos procuram vai para um programa de curso de idioma, na faixa de seis a oito semanas –quem fica menos tempo, fica duas semanas. E ela vai e volta porque tem a vida dela aqui, estuda aqui, trabalha aqui, e usa esse período das férias escolares ou as férias do trabalho para desenvolver o seu idioma.

Mas também existem aquelas pessoas que querem ficar um tempo maior fora, e esse é o programa ideal: a pessoa vai trabalhar, vai estudar e ficar legalmente no país.

Qual o maior erro uma pessoa interessada em estudar no exterior pode cometer e como evitar?

O maior erro é querer comprar simplesmente a oportunidade. Existem oportunidades? Claro, existem programas interessantes, na própria CI nós temos promoções, descontos. Isso é que é importante comparar: aonde eu estou indo é realmente uma opção consciente, eu peguei informações? Eu sei de alguém que foi para lá e teve sucesso? As mídias sociais hoje, felizmente, estão cheias de depoimentos. A pessoa deve se organizar e ver muito bem onde ela vai comprar e o que ela vai comprar, para não fazer uma opção errada.

Cinco escritoras latino-americanas com menos de 50 anos para ler agora

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A cena literária latino-americana está de vento em popa. Jovens escritores têm se destacado em diversos países com livros que chamam atenção do público e da crítica.

Alessandra Monterastelli e Mariana Serafini no Jornal Tornado

Para celebrar o mês da mulher, em função do Dia Internacional de Luta das Mulheres, selecionamentos cinco jovens escritoras que chamaram atenção neste cenário. Uma argentina, duas chilenas e duas brasileiras.

Por que fizemos este recorte de “menos de 50 anos”? Porque a crítica especializada costuma dividir por idade, nicho e países os escritores ao cataloga-los em listas e decidimos destacar os jovens, a fim de apresentar ao leitor brasileiro o que há de inédito na literatura latino-americana.

Veja a lista na íntegra

Samanta Schweblin

(foto de Alejandra López)

A argentina Samanta Schweblin inaugurou sua trajetória literária com o livro de contos “Pássaros na boca”. Logo de estreia chamou a atenção da crítica argentina que chegou a compará-la ao mestre dos contos Julio Cortázar. Recentemente ela publicou seu primeiro romance, Distância de Resgate, e mostrou a que veio mais uma vez.

Literatura fantástica da melhor qualidade, com pitadas de ironia, característica muito peculiar dos escritores argentinos. O escritor peruano Mário Vargas Llosa destacou a potência narrativa da obra de Schweblin.Vale a leitura dos dois livros que estão disponíveis em português no Brasil.

Lina Meruane

Lina Meruane é um dos nomes da literatura contemporânea chilena ao lado de Alejandro Zambra e Paulina Flores (a próxima da lista). Completamente diferentes dos argentinos, esta safra de escritores chilenos apresentam uma narrativa seca, concisa e centrada em temas do cotidiano.

Com vários livros publicados, Lina foi considerada pelo escritor chileno Roberto Bolaño “um dos grandes nomes da literatura contemporânea” de seu país. No Brasil, foi lançado em 2015 o romance Sangue no Olho, pela editora Cosac Naify. O livro ainda está disponível para compra.

Paulina Flores

Paulina Flores tem apenas uma obra publicada e já figura entre os nomes aclamados pela crítica especializada no Chile e na Europa. Apesar da pouca idade (30 anos), ela apresenta uma narrativa bastante particular, inspirada em outros grandes escritores da cena chilena.

Seu livro de estreia, Qué Verguenza ainda não foi publicado no Brasil em português, mas está disponível em espanhol. A seleção de contos diz que devemos ficar de olho nesta jovem escritora.

Luisa Geisler

A gaúcha Luisa Geisler começou a se destacar cedo. Já aos 19 anos de idade ganhou o Prêmio Sesc de Literatura na categoria conto, pelo seu livro de estreia, “Contos de Mentira”!. Com esta obra também foi finalista do Prêmio Jabuti.

Aos 21 ela foi a mais jovem escritora a figurar na antologia de contos “Os melhores jovens escritores brasileiros”, da revista literária britânica Granta. Sua obra mais recente, o romance “Luzes de emergência se acenderão automaticamente”, foi publicada pela editora Alfaguara.

Natalia Borges Polesso

Entre o conto e a poesia, Natalia se destacou já com seu livro de estreia “Recortes para álbum de fotografia sem gente”. Sua obra mais recente, Amora, venceu o prêmio Jabuti de 2016.

Amora é composto por contos que narram, sob diversas perspectivas, relacionamentos amorosos entre mulheres. Alguns são narrados em primeira pessoa, expondo os sentimentos e pensamentos das personagens de maneira simples, mas de forma extremamente tocante, fazendo com que haja uma identificação imediata da leitora. Além disso, diversas reflexões são trazidas à tona, desde temáticas sociais (como o preconceito) até inseguranças e dilemas íntimos. Curiosidade infantil, sedução passageira e longas relações são abordadas, de forma natural, as vezes com humor e as vezes de forma dramática, mas sempre contribuindo para que o livro seja um expoente na forma como retrata a relação entre mulheres.

“A escola não pode espelhar a sociedade, a escola deve mudar a sociedade”, diz ministro sueco em passagem por Porto Alegre

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Gustav Fridolin pedalou por Porto Alegre no fim de semanaLauro Alves / Agencia RBS

Gustav Fridolin pedalou por Porto Alegre no fim de semanaLauro Alves / Agencia RBS

Gustav Fridolin esteve na Capital no último fim de semana e conversou com GaúchaZH

Larissa Roso, no Gaucha ZH

Em dois anos, todas as crianças suecas estarão estudando programação de computador a partir do 1º ano do Ensino Fundamental. A reforma curricular em curso na nação nórdica – onde o ensino é gratuito para todos, da pré-escola à universidade – também prevê foco no desenvolvimento das habilidades que permitem que os alunos sejam capazes de diferenciar fatos e mentiras, as fake news, na internet. Ministro da Educação da Suécia e professor de História de formação, Gustav Fridolin, 34 anos, esteve em Porto Alegre no último final de semana para participar da programação da 63ª Feira do Livro, na qual seu país é um dos homenageados.

Fridolin também é porta-voz do Partido Verde, atualmente no governo, e ativista da causa ambiental. Aproveitou a estadia na Capital para um passeio de bicicleta pelas ruas do Centro, da Cidade Baixa e do Bom Fim. Ao final da pedalada, comentou que é possível perceber um interesse das autoridades em criar alternativas de locomoção na cidade, mas que “ainda há desafios”.

As crianças suecas vão começar a estudar programação de computadores a partir do primeiro ano da escola primária. Por quê?

Muitas já fazem isso. Em 2019, passará a ser obrigatório. Isso faz parte de um projeto mais amplo: a reforma do nosso currículo também inclui habilidades digitais para que os alunos se tornem aptos a prestar atenção nas fontes de informação da internet, separar fatos de mentiras, notícias de propaganda. Isso é necessário por duas razões: as escolas deveriam preparar todos os seus jovens cidadãos para serem cidadãos democráticos. Para isso, você precisa entender a sociedade, tomar decisões bem embasadas, ser capaz de refletir sobre as informações. Para mudar o mundo, você precisa entender o mundo, e programação é uma das coisas que, a exemplo de eletricidade ou infraestrutura, afetam nossa vida diária. Se você não entender isso, não poderá entender a sociedade, e se não entender a sociedade não poderá mudá-la. A outra razão é que habilidades digitais e de programação são necessárias no mercado de trabalho.

Aqui há professores em greve e recebendo salários parcelados. Em geral, os melhores alunos não querem lecionar. Como é a vida de professor na Suécia?

Tem sido um desafio também para nós. Nossa população infantil está crescendo, em grande parte devido a crianças que nascem na Suécia, o que é ótimo, mas também porque estamos recebendo crianças vindas de zonas conflagradas, como Síria e Afeganistão, e também é fantástico que possamos fazer isso. Mais crianças demandam mais professores, então temos trabalhado duro para que mais pessoas queiram se tornar professores. Vemos algumas tendências positivas: mais professores permanecem na profissão, há professores que estavam em outras carreiras e voltaram para o magistério, mais profissionais de outras áreas estão se tornando professores. Para quem não tem habilidades pedagógicas, oferecemos a possibilidade de aprendê-las. Mas a falta de professores ainda é um problema. Temos investido no aumento de salários e na contratação de equipes assistentes.

Um bom professor é o principal fator para o sucesso de um estudante?

Sim. E ter tempo com esse bom professor também. É isso que faz desse o melhor trabalho do mundo, quando você tem as condições adequadas: estar lá no momento em que outra pessoa se dá conta de que está aprendendo, de que conseguiu entender algo que achava que era impossível. Isso é fantástico. Meu trabalho é assegurar que mais momentos como esse aconteçam nas escolas suecas.

Os brasileiros não leem muito. Vocês leem.

Focamos muito nisso: todas as crianças têm que ler. Ler mais na escola e também em casa, com os pais lendo com seus filhos. Na semana passada, tivemos (no ano letivo) o intervalo de outono, que renomeamos para intervalo da leitura no ano passado. Já podemos ver mudanças: aumentou em 20% o número de livros juvenis vendidos, especialmente para a faixa de leitores de 12 a 15 anos, e as bibliotecas relatam mais visitas nesse período. Temos trabalhado com sindicatos de trabalhadores para fazer com que os pais leiam mais. Sabemos que é importante que uma criança leia com seu pai, e também é importante que ela veja seu pai lendo.

A Suécia é um dos líderes em produção científica. No Brasil, por causa da falta de verba, muitos cientistas estão desistindo da pesquisa ou se mudando para outros países. Considerando-se o desenvolvimento econômico e social, qual você acredita ser a importância da ciência?

É difícil pensar em algo mais importante do que educação e ciência para o desenvolvimento da nossa sociedade, especialmente quando tantas coisas estão mudando. A maneira como vivemos e trabalhamos, organizamos a sociedade, viajamos, nos comunicamos uns com os outros, obtemos eletricidade, usamos nossos recursos, tudo isso vai mudar nas próximas décadas. Os países que encontrarem soluções de que o resto do mundo está precisando, para transportes e energia verde, por exemplo, vão prevalecer. Os países que não conseguirem vão depender das soluções dos outros.

Qual é o seu maior desafio como ministro da Educação de um país com um nível educacional muito bom?

Acabar com a desigualdade. Muito já aconteceu, mas muito ainda precisa ser feito. O que vemos em quase todos os países é uma desigualdade crescente. A desigualdade econômica afeta as escolas. Se não interrompermos esse ciclo, haverá um grande risco para nossa economia, nossa segurança e nossa democracia. Temos que garantir que todas as crianças tenham uma boa educação para assumir o controle de suas vidas. O maior e mais importante investimento para quebrar a desigualdade é através da educação. A escola não pode se contentar em espelhar a sociedade, a escola está lá para mudar a sociedade, para construir um futuro melhor.

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