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Glossário diferenciado

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Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

Outro dia vi um anúncio de alguma coisa que não lembro o que era (como vocês podem deduzir, o anúncio era péssimo). Lembro apenas que o produto era diferenciado, funcional e sustentável. Pensando nisso, fiz um glossário de termos diferenciados e suas respectivas funcionalidades.

Agregar: o verbo agregar, antes transitivo, destransitivou-se. O que antes pedia um objeto, agora dispensa complementos. Diz-se: esse conceito é bom porque agrega. Agrega o que? Valor, claro. Agregar é uma palavra que encarece.

Conceito: ideia que agrega.

Consciente: outra palavra que perdeu transitividade. O consciente intransitivo designava aquele que não estava inconsciente, isto é, que estava acordado. Hoje, quando se fala em consumidor consciente, não está se falando do consumidor acordado mas daquele que tem consciência de algo. Embora esse algo não esteja especificado, pressuponha que seja a “sustentabilidade”.

Diferenciado: um adjetivo que define um substantivo mas também o sujeito que o está usando. Quem fala “diferenciado” poderia falar “diferente”. Mas escolheu uma palavra diferenciada. Porque ele quer mostrar que ele próprio é “diferenciado”. Essa é a função da palavra “diferenciado”: diferenciar-se. Por diferençado, entenda: “mais caro”. Estudos indicam que a palavra “diferenciado” representa um aumento de 50% no valor do produto. É uma palavra que faz a diferença.

Funcional: algo que funciona. Ou faz funcionar. Ou tem alguma função no mundo. Mesmo que, no fundo, tudo tenha uma função no mundo. Esse adjetivo, por exemplo, tem como função encarecer o substantivo. Por “suco funcional” entenda: “suco mais caro”. Estudos indicam que a palavra funcional incrementa em 80% o valor de um produto.

Funcionalidade: função especialmente funcional.

Posicionamento: posição especialmente diferenciada.

Sustentável: a palavra “sustentável” está por toda parte. Na prática, o selo “sustentável” por si só não quer dizer nada e pode ser usado por qualquer siderúrgica, desde que ela se sustente. A palavra ecologicamente, que deveria acompanhá-la, foi convenientemente esquecida. Prefira palavras menos escorregadias, como: não-poluente ou sem agrotóxicos. A função da palavra sustentável, assim como de todas as palavras acima, é uma só: agregar. O que? Valor, claro. Sugiro uma nova tradução da obra de Milan Kundera: a sustentável leveza do ser. Vai vender que nem água funcional.

Concurso Cultural Literário (56)

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LEIA UM TRECHO

Summer Stetson não conheceu sua irmã. Sua mãe engravidou dela assim que Shannon morreu, aos 17 anos, em um terrível acidente de carro, que se chocou com uma árvore. Ao longo de sua vida, Summer acostumou-se a assistir seus pais repetirem o quanto a irmã era perfeita, amada e boa filha, e por isso sempre acreditou que fosse uma decepção para eles. Ao fazer 17 anos, recebe da tia de presente o diário que Shannon escrevia até o dia de sua morte. Ao ler aquelas páginas para saber mais sobre a irmã, acaba descobrindo alguns segredos, e a cada revelação, sobre a família e sobre si mesma, entende que a verdade pode ser, por vezes, dolorosa, mas nunca deixará de ser libertadora.

Vamos sortear 3 exemplares de “Então, conheci minha irmã“, lançamento da Gutenberg.

Para participar, registre em apenas uma palavra na área de comentários uma qualidade essencial no relacionamento entre irmãos.

Se participar pelo Facebook, deixe também seu e-mail de contato.

O resultado será divulgado no dia 7/4 às 17h30 neste post.

Boa sorte! 🙂

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Parabéns aos ganhadores: Flavia de Melo, Maxsuel e Dany Silva.

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

Cientistas estudam mulher que escreve mas não consegue ler

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Professora ‘desenha’ cada letra para entender o significado das palavras Foto: MARKO DJURICA/REUTERS

Professora ‘desenha’ cada letra para entender o significado das palavras Foto: MARKO DJURICA/REUTERS

Publicado por Extra

RIO – Um estudo da Universidade de Chicago, publicado na revista “Neurology”, pode ajudar os cientistas a entenderem como a linguagem se processa no cérebro. O artigo foi baseado no caso de uma professora de jardim de infância, identificada apenas como M.P., que sofreu um acidente vascular cerebral em outubro de 2012, embora não tivesse se dado conta do incidente. A mulher perdeu a capacidade de ler — as palavras tornaram-se símbolos indecifráveis — mas ainda era capaz de escrever e entender o que era falado, uma rara síndrome neurológica conhecida como “cegueira de palavras”.

O derrame cerebral da professora interrompeu a conexão de sua “área de linguagem” com o córtex visual. A possibilidade de que a ligação entre essas regiões seja interrompida foi descrita ainda em 1892 — seria consequência de lesões graves, como o AVC. O caso de M.P. foi considerado surpreendente porque apenas uma pequena parte da área do cérebro ligada à linguagem foi danificada, mas o dano foi significativo.

A professora, que é acompanhada pelos pesquisadores há dez meses, consegue mostrar reações emocionais ao ver palavras, mesmo sem reconhecê-las. Por exemplo, quando lhe era mostrada a palavra “sobremesa”, ela exclamava: “Eu gosto disso!”.

Para superar sua incapacidade após o AVC, a professora inventou um método de leitura. Ao ver uma palavra, M.P. direciona sua atenção à primeira letra, que ela não consegue reconhecer. Ela, então, desenha cada letra do alfabeto, até ver aquela cujo traçado é idêntico ao que está na palavra que ela tenta entender. “Esta é a letra M”, declara, após desenhar as letras do alfabeto. Depois de aplicar o mesmo exercício com outras letras, ela arrisca uma interpretação: “A palavra é ‘mãe’”.

A palavra costurada de Francesca Capone

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A artista americana borda fragmentos de textos e cria uma enigmática arte visual

Alice Sant’Anna em O Globo

Aos 26 anos, Francesca cria inusitados experimentos entre bordados e literatura Divulgação

Aos 26 anos, Francesca cria inusitados experimentos entre bordados e literatura Divulgação

RIO – Quando nos deparamos com uma página, imediatamente procuramos decifrar o que está escrito. Mas e quando estamos diante de um fragmento em outra língua? Ou em outro alfabeto? O trabalho da artista americana Francesca Capone, de 26 anos, procura embaralhar essas ideias: ao costurar na tela um bloco do que seria a mancha gráfica do texto, ela transforma a área ocupada por palavras em peça de arte visual. Assim, quem observa o bloco deve ao mesmo tempo olhar o texto e ler a imagem.

— Procuro levar em conta a natureza modular dos alfabetos, os blocos de textos, os parágrafos, as manchas e o modo como usamos as frases e os espaços para compor nosso alfabeto em palavras, frases, poemas, ensaios — explica Francesca. — A linha entre o desenho e a grafia é tão tênue que me interessa explorar em um só trabalho a mudança consciente que acontece quando reconhecemos um texto em oposição a quando reconhecemos uma imagem.

Como resultado desses experimentos, Francesca lançou o livro “Weaving language” e inaugurou uma exposição homônima no início deste ano na galeria End of Century, em Nova York. Trata-se de um dicionário visual e textual que procura explicar suas escolhas: quais estruturas bordadas servem para os verbos, quais cores são usadas para os substantivos e os adjetivos, quais tramas são costuradas para as preposições etc.

— Sou descendente de italianos, e as mulheres da minha família aprenderam o alfabeto a partir do bordado. Minha bisavó era capaz de bordar qualquer texto no tecido, incluindo diferentes fontes, e até em itálico. O conhecimento dela da linguagem era usado principalmente para o tecido, e não para a literatura.

Formada pela RISD (Rhode Island School of Design) em Têxtil, Francesca está cursando o mestrado em Literary Arts na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Para comemorar o aniversário de 250 anos desta instituição, a artista foi convidada a elaborar um painel de seis metros de largura, que será exposto em janeiro. Ela vai trabalhar sobre um poema dos americanos Keith e Rosmarie Waldrop — ao reproduzir o texto à exaustão, o resultado final será um borrão ilegível.

— É uma homenagem a Keith e Rosmarie, figuras de importância imensurável na poesia americana desde o início da década de 1960. O poema “Light travels” contém muitas noções sobre passagem de tempo, tanto no conteúdo quanto na forma. É enumerado, e em toda sequência a estrofe da seção anterior se repete na seguinte, numa estrutura de movimento, desenvolvimento e repetição. Esses temas aparecem quando manipulo o texto, a tal ponto que o poema se torna uma obra visual, repetido até se apagar.

Concurso Cultural Literário (32)

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capa o caçador de pipas
LER UM TRECHO

Publicado em mais de 70 países e com a marca de mais de 2 milhões de exemplares vendidos apenas no Brasil, o aclamado livro O caçador de pipas, romance de estreia de Khaled Hosseini, está de volta em nova edição. O romance narra a tocante história da amizade entre Amir e Hassan, dois meninos que vivem no Afeganistão da década de 1970. Durante um campeonato de pipas, Amir perde a chance de defender Hassan, num episódio que marca a vida dos dois amigos para sempre. Vinte anos mais tarde, quando Amir está estabelecido nos Estados Unidos, após ter abandonado um Afeganistão tomado pelos soviéticos, ele retorna a seu país de origem e é obrigado a acertar as contas com o passado.

Transformado em filme em 2007 pelo diretor Marc Forster, o romance há 10 anos emociona leitores de todo o mundo. A nova edição publicada pela Globo Livros traz um prefácio especial do autor, no qual ele fala sobre a semelhança entre a ficção de O caçador de pipas e sua própria realidade — depois de 27 anos exilado nos Estados Unidos, e já tendo concluído seu primeiro romance, Khaled Hosseini retornou a Cabul e passou por algumas das mesmas experiências vividas pelo personagem Amir ao regressar a sua cidade natal. A edição também conta com nova tradução, de Claudio Carina, e nova capa, assinada por Victor Burton.

Representante da Organização das Nações Unidas desde 2006, Hosseini faz dos seus livros não apenas uma narrativa sensível e encantadora, mas também um canal de denúncia, desabafo e engajamento social necessário para o debate de grandes questões morais e humanitárias que afetam o século XXI.

Em maio de 2013 a Globo Livros publicou O silêncio das montanhas, que já vendeu mais de 200 mil exemplares e se mantém na lista dos livros mais vendidos desde seu lançamento.

Vamos sortear 3 exemplares da novíssima edição comemorativa de “O caçador de pipas“, megasucesso do escritor Khaled Hosseini.

Para participar, defina este livro usando apenas uma palavra.

Se participar pelo Facebook, por gentileza deixe um e-mail de contato.

O resultado será divulgado dia 18/11 às 17h30 neste post e no perfil  @livrosepessoas do Twitter.

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Parabéns aos ganhadores: Eduardo Batista, Mariana Lisboa Marques e Vanessa Correa.

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

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