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Concurso Cultural Literário (25)

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capaportadosfundos

Forçando só um pouco a analogia, pode-se dizer que a história do humor brasileiro foi uma espécie de desnudamento progressivo, e já me explico. Ele foi deixando pelo caminho peças de roupa e adereços: o colarinho largo e o nariz vermelho do palhaço de circo, a roupagem caipira e o dente preto das duplas sertanejas (no tempo em que as duplas sertanejas eram engraçadas de propósito), a maquiagem exagerada do cômico de teatro de revista, depois os estereótipos beirando o grotesco dos humorísticos da televisão, ou as caracterizações beirando o genial de um Chico Anysio, até chegar ao humor de cara limpa, sem adereços, sem roupa diferente e sem nenhum dente faltando do stand-up.

A turma do Porta não se priva de apelar, vez que outra, para fantasias – de super-heróis, de profetas barbudos, de Jesus Cristo –, mas a maior parte do seu humor é feito por pessoas normais em roupa de todo dia (em situações anormais e dementes, é verdade, mas poderiam ser você e eu). O tal desnudamento progressivo do humorismo brasileiro que deu na geração do Porta, filha da internet, também deu na valorização da palavra, no texto acima de tudo.

Nunca antes o humor brasileiro tinha sido tão ousadamente inteligente. Só posso imaginar um prazer maior do que ler estas transcrições de sketches (ainda se diz sketches?), muitos dos quais já se tornaram clássicos: participar de uma reunião de criação da turma. Mesmo com o risco de ter que sair numa maca depois de tanto rir.

Luis Fernando Verissimo

Vamos sortear 2 exemplares de “Porta dos Fundos“.

Para participar, use a área de comentários e defina em apenas uma palavra o trabalho do Porta dos Fundos.

Lembrete: se responder via Facebook, por gentileza deixe um e-mail de contato.

O resultado será divulgado dia 28/10 às 17h30 neste post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

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Parabéns aos ganhadores: Carlos Eduardo Barzotto, Fernando V. Menotti e Simone Silva. =)

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

Você é um “Ledor”? Saiba a diferença entre leitor e essa estranha classificação

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Rafhael Peixoto, no Literatortura

Este texto teve início em 2010, quando trabalhei como ledor no ENEM. Na época, não conhecia o que era o “ser ledor” e na internet era quase impossível encontrar elementos que esclarecessem as minhas dúvidas. Assim sendo, resolvi publicar o relato da minha experiência como forma de ampliar a visão que se tinha e permitir que outras pessoas pudessem ter um norte como referência. (para ler o relato, clique aqui. Três anos se passaram e a literatura em torno da questão continua escassa ou marginalizada (as margens do foro principal). Hoje, o texto serve então a outro objetivo: apresentar a figura do ledor e o processo estabelecido perante o mesmo. Sem falar, é claro, na amplitude dada ao tema, trazendo novos olhares a partir do Literatortura.

A primeira grande questão a ser trabalhada é a diferença de papeis entre o ledor e o leitor, que causa certa estranheza. Todos nós somos leitores, no sentido mais amplo da palavra. Segundo Maria Helena Martins (1982), tem-se que compreender que cada indivíduo nasce capacitado para exercer a função de leitor. Os sentidos que são concebidos aos seres humanos aos nascer permitem conhecer o mundo, o aprendizado natural, aquele que nos coloca diante do desconhecido como receptores. “Na verdade o leitor pré-existe à descoberta do significado das palavras escritas” (Martins, Maria. 1982, pág 17). A inserção do individuo no âmbito escolar vem apenas ajudá-lo a conceber com maior clareza o signo linguístico, o código lingüístico de seu povo. O ledor, por sua vez, é aquele que lê em voz alta para um outro, neste caso, para os portadores de Deficiência Visual (DV). Assim, leitor e ledor realizam o ato da leitura. Neste processo, para além do ato de leitura do signo linguístico, é preciso que observemos outras questões, tais como velocidade, tempo, dicção, altura da voz, tonalidade das palavras – habilidades que podem ser desenvolvidas em algumas pessoas, mas que passará longe de tantas outras. Logo, não é todo leitor que pode se aventurar a ser ledor.

O trabalho como ledor é também um processo que necessita compromisso e dedicação por parte daqueles que assumem tal jornada – percebe que é preciso aperfeiçoar-se para tal? Ele deve estar relacionado aos objetivos de vida que vão além da necessidade corrente de curar a si mesmo de uma patologia, como a depressão, por exemplo, quando muitas pessoas buscam a cura através do trabalho voluntário. Assim, uma vez assumido a sua posição, o ledor, junto ao leitor, estabelecerão as relações que permitam o fluxo da leitura. A relação estabelecida entre os mesmos precisa ser de empatia, respeito e diálogo.

A questão acima, ou seja, como as pessoas se comprometem por motivos às vezes equivocados, foi uma das questões pontuadas por Robenildo Nascimento no documentário “Lendo Vozes”. A película fala sobre a relação entre o leitor x ledor e o processo estabelecido por ambos, trazendo depoimentos de pessoas com deficiência visual e ledores. Outra questão ainda pontuada pela mesma é o olhar social para a pessoa com deficiência visual. Destacada no documentário, a questão é apresentada quando o DV coloca que o trabalho como ledor permite ao individuo ressignificar o olhar para a pessoa cega. Em sua reflexão, ele questiona porque a pessoa cega ocupa este lugar no imaginário social, como uma figura que necessita de ajuda, e de como as pessoas pensam no DV como um ser não escolarizado. Acreditam, por exemplo, que a leitura se dará com revistas em quadrinhos e não com material teórico, não visualizando o portador de necessidades especiais cursando um mestrado, doutorado ou graduação.

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Esta reflexão permitirá entender a necessidade do ledor para auxiliar o leitor deficiente visual na leitura de textos, bem como ser compreendida a partir do contexto social em que vivemos. Segundo a Fundação para cegos Dorina Nowill, no Brasil existem cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 528.624 pessoas cegas e 6.056.654 com grande dificuldade para enxergar. Apesar do elevado número de pessoas com deficiência visual, o que determina de certa forma a necessidade do papel do profissional ledor é a baixa produtividade de material em Braille e a difícil capacitação das pessoas para a sua leitura – através da escolarização. O sistema educacional não está preparado para recepcionar de forma adequada este público, assim sendo, muitas vezes a exclusão do individuo de um processo educativo amplo faz com que o nível de educação formal dado a estas pessoas seja baixo – isto não implica dizer que ela não exista. É preciso lembrar também que não é necessária apenas a inserção, mas que sejam dadas as ferramentas necessárias para a sua permanência – acessibilidade, treinamento dos professores, etc. Para além do material produzido em Braille, que é difícil de encontrar e armazenar, existem outras ferramentas tecnológicas utilizadas para captação do material escrito produzido. Existem programas, por exemplo, que fazem a leitura do texto escrito. O problema destas tecnologias, contudo, é a linearidade da leitura, diferente do ledor, que estará ali para ler, reler, alternar os parágrafos, dar ênfases e variação de vozes de acordo a necessidade do leitor.

Desta forma, é preciso compreender que, apesar das dificuldades encontradas e das limitações impostas pela deficiência visual, há um mundo que precisa e deve ser explorado por todos nós. Que percebamos a real necessidade de inserção deste público e que aprendamos a ver o mundo desta outra perspectiva.

Para encerrar a matéria – apesar de acreditar que ainda existam inúmeras colunas em branco neste assunto, tive essa semana à oportunidade de ver um vídeo chamado “As cores das flores”, que fala sobre a inserção do individuo com DV em escolas – muito interessante, por sinal, e que acredito ser capaz de nos ajudar a refletir não somente sobre esta temática, mas também sobre outros processos do cotidiano. Assistam:

Para este texto, utilizei como referencia o texto “Qualquer maneira de ler vale a pena: Sobre leituras, ledores e leitores cegos” de Luciene Maria da Silva; o livro “O que é leitura”, de Maria Helena Martins; e o documentário “Lendo Vozes”, também de Luciene Maria; Os dados estatísticos foram obtidos através da fundação Dorina Nowill.

Padre deixa o inferno para trás

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Kairós sobe, Inferno desce e a internet vira livro

Cassia Carrenho, no PublishNews

kairos capa4acapa 3.inddO livro Kairós (Principium) voltou a subir no altar, mandando Inferno (Arqueiro) para o 3º lugar da lista geral. Em 2º lugar assumiu A culpa é das estrelas (Intrínseca), que já havia discretamente fincado seu pé nas primeiras posições. O interessante é que a diferença das vendas entre os três primeiros foi bem pequena. Do 1º para o 2º lugar, a diferença foi de apenas 75 exemplares; do 2º para o 3º lugar, 236.

Mas um novo fenômeno vem sacudindo as listas do PublishNews: sucessos do YouTube. Começou com o lançamento do livro Porta dos fundos (Sextante), na semana passada, que nessa ganhou a companhia do Não faz sentido (Casa da Palavra/LeYa), do vlogueiro, ator e engraçadinho Felipe Neto.

A lista infantojuvenil é a que menos mudou nos últimos meses. O eterno livro de miss, O pequeno príncipe (Agir), não apenas não some nunca da lista, como chegou essa semana ao 1º lugar. Outra curiosidade é a concentração de autores na lista infanto-juvenil: dos 20 livros, 6 são do autor Jeff Kinney, com a série Diário de uma banana (Vergara&Riba), outros 6 de Rick Riordan, com a série do herói Percy Jackson (Intrínseca) e 3 livros são da autora Paula Pimenta, dois da série Minha vida fora de série (Gutenberg), e O livro das princesas (Galera Record) em que é co-autora.

Outras novidades na semana foram: em ficção Amante finalmente (Universo dos livros); autoajuda, Bolsa blindada (Thomas Nelson Brasil) e A arte da sabedoria (BestBolso).

No ranking das editoras, as três primeiras posições mantiveram-se iguais: Sextante, Record e Intrínseca, respectivamente.

27 dicas para escrever bem

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1. Vc. deve evitar abrev., etc.

2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.

5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?

9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.

11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma ideia.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Use a pontuação corretamente o ponto e a virgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!

25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

*Observação: a dica 17 não vale para textos técnicos.

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