Posts tagged palavras

Caneta, papel e WhatsApp

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Durante cinco dias, troquei o teclado pelo bloquinho para descobrir o que estamos perdendo com o fim da escrita à mão

OLHA O TORPEDO: DURANTE ESSA EXPERIÊNCIA, MANDEI MENOS DE UM TERÇO DO NÚMERO DE MENSAGENS QUE MANDARIA NORMALMENTE (FOTO: JULIA RODRIGUES/EDITORA GLOBO)

OLHA O TORPEDO: DURANTE ESSA EXPERIÊNCIA, MANDEI MENOS DE UM TERÇO DO NÚMERO DE MENSAGENS QUE MANDARIA NORMALMENTE (FOTO: JULIA RODRIGUES/EDITORA GLOBO)

Thiago Tanji, na Revista Galileu

Era sexta-feira, 4 de julho, dia de Brasil x Colômbia na Copa do Mundo, e o grupo criado pelos meus amigos de infância no WhatsApp estava movimentado. Eu também queria dar meus pitacos sobre o jogo, mas tive que me conter. É que, em vez de simplesmente digitar meia dúzia de palavras ou mandar um emoji mal-educado sempre que o Fred (não) encostava na bola, precisei recorrer a outro método para me comunicar: pegava uma caneta, anotava a mensagem em um bloquinho, tirava uma foto e, enfim, enviava a imagem para o pessoal. Foi assim durante longos cinco dias. O objetivo era entender na prática o que estamos perdendo ao deixar de escrever à mão.

Uma série de estudos recentes mostrou que diferentes regiões do cérebro são ativadas com muito mais intensidade quando você escreve um texto à mão do que quando ele é digitado no teclado. Mas uma pesquisa encomendada pelo site britânico Docmail constatou que, em média, os adultos passam até 41 dias seguidos sem rabiscar nada. Ao receber as primeiras mensagens manuscritas no WhatsApp, algumas pessoas continuaram o chat normalmente, provavelmente pensando se tratar de um hábito excêntrico ou um problema com meu smartphone. Os mais chegados, no entanto, xingaram minha letra e ainda tiraram onda, dizendo que era tudo uma pegadinha armada pelos editores de GALILEU (nota do editor: imagina!).

Precisei explicar a eles que a experiência tinha fins nobres e foi inspirada no relato da designer americana Cristina Vanko, que, interessada em exercitar sua caligrafia, propôs a ela mesma o desafio de não enviar mensagens utilizando o teclado do celular durante uma semana.

Durante a experiência, Cristina enviou cem mensagens, número bem inferior à média de 500 textos trocados a cada semana por jovens americanos de 18 a 24 anos. “Esse projeto me ajudou a perceber como somos dependentes desse tipo fácil e rápido de comunicação”, ela conta. Minha média de mensagens também recuou bastante durante os cinco dias de abstinência: foram só 32, contra mais de cem que enviaria normalmente. E foi fácil perceber a diferença entre digitar um texto e escrevê-lo de próprio punho: a impossibilidade de corrigir as falhas instantaneamente nos obriga a pensar nas palavras com mais cuidado e acabamos nos expressando melhor.

GARRANCHOS: RECEBI RECLAMAÇÕES DOS AMIGOS E ATÉ DO DIRETOR DE REDAÇÃO DE GALILEU (A PARTE DO ALMOÇO ÀS 11H30 É BRINCADEIRA) (FOTO: REVISTA GALILEU)

GARRANCHOS: RECEBI RECLAMAÇÕES DOS AMIGOS E ATÉ DO DIRETOR DE REDAÇÃO DE GALILEU (A PARTE DO ALMOÇO ÀS 11H30 É BRINCADEIRA) (FOTO: REVISTA GALILEU)

ESCREVA PARA TIRAR DEZ
Em um estudo feito em Princeton e na Universidade da Califórnia, o psicólogo Daniel Oppenheimer, professor da UCLA, comparou o desempenho de alunos que usaram um notebook para registrar o conteúdo de uma aula com aqueles que escreveram as notas de próprio punho. Depois da exposição teórica, os alunos foram submetidos a um teste. E quem escreveu as notas à mão se saiu melhor. “Quando têm um computador, os alunos podem escrever cada palavra que o professor diz. Já quem está escrevendo à mão precisa ouvir a explicação com maior cuidado e anotar com suas próprias palavras”, ele esclarece. Isso motiva um processo mais profundo de aprendizado, que permite recordar os conceitos de maneira efetiva.

Preocupada com a tendência das escolas de abandonar a escrita à mão, a psicóloga Karin James, da Universidade de Indiana, coordenou uma outra pesquisa. Ela exibiu diferentes letras em fichas para crianças não-alfabetizadas e pediu que elas reproduzissem o que tinham visto de três maneiras diferentes: digitando a letra correspondente no teclado, desenhando seu traçado em uma linha pontilhada e escrevendo de maneira livre. Um aparelho de ressonância magnética constatou que, quando as crianças digitaram ou desenharam sobre a linha pontilhada, o estímulo cerebral foi significativamente mais fraco (veja o box).

Para colaborar com a preservação da escrita à mão, o programador alemão Falk Wolsky criou a VibeWrite, uma caneta que detecta o traçado das palavras por meio de um sensor e emite uma vibração quando constata um erro. O usuário pode escrever em qualquer superfície e um dispositivo sem fio reproduz a mensagem no celular. Jessica White, porta-voz da VibeWrite, já escolheu seu público-alvo: “Queremos que a caneta seja usada pelos médicos. Eles podem escrever as receitas e já transferi-las para o computador”. Parece que a classe dos farmacêuticos já planeja fazer lobby para trazer a caneta ao Brasil.

UMA MÃO PARA O CÉREBRO
Escrever de próprio punho produz estímulos cerebrais mais intensos

Na pesquisa conduzida pela psicóloga Karin James, as crianças que desenharam de modo livre exibiram um aumento de atividade cerebral em três áreas intimamente relacionadas ao processo de cognição de escrita e leitura.

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Concurso Cultural Literário (81)

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capa seja feliz

LEIA UM TRECHO

Seja feliz hoje – O caminho do contentamento explica as origens de um sistema de pensamento que leva muitos a buscarem a felicidade onde ela não está; mostra de forma crítica as consequências de cristãos abraçarem filosofias perigosas para a família e a Igreja; propõe reflexões, em busca de soluções, e expõe realidades bíblicas para que se viva, como Paulo ensinou em Filipenses, de forma adaptável na escassez ou na fartura, na paz ou na angústia, nas montanhas e nos vales da vida.

Na obra, Helena Tannure se mantém fiel ao estilo que a destacou nos púlpitos: popular, direto, aberto e confrontador, mas, ainda assim, encorajador. Ela põe o dedo nas feridas, expõe os problemas sem meias palavras e, ao mesmo tempo, aponta caminhos e compartilha forças para buscar a mudança. Helena desnuda fraquezas e imperfeições de todos nós, sem transparecer vontade de agradar a qualquer pessoa que seja antes do próprio Deus. No entanto, ela o faz sem enveredar pelo caminho das palavras amargas ou intimidadoras, trilhado muitas vezes por aqueles que exortam de púlpito. A simpatia sorridente e o carisma lhe renderam a admiração e o carinho de quem já a ouviu pregar o evangelho. Tampouco ela cai na tentação vaidosa de pregar em tons elitistas, acadêmicos ou rebuscados, em vez disso fala com simplicidade, alcançando o coração de todos que a ouvem.

Vamos sortear 3 exemplares de “Seja feliz hoje – O caminho do contentamento“, lançamento da Mundo Cristão.

Para participar, descreva na área de comentário uma atitude prática para trilhar o caminho do contentamento (use no máximo 3 linhas).

O resultado será divulgado dia 12/8 neste post.

Participe e #sejafelizhoje! 🙂

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Parabéns aos ganhadores: Daniele de OliveiraCelio AlmeidaDaivid Silva. \o/

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

Os autores mais inventivos no Twitter

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Cinco escritores que usam o microblog de forma original

Publicado em O Globo

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Jennifer Egan (@Egangoonsquad)
Em 2012, a autora americana surpreendeu ao escrever “Caixa preta”, um conto completo dividido em tweets diários de 140 caracteres. Com oito mil palavras, o texto foi publicado originalmente no Twitter e só depois ganhou as páginas da “New Yorker”. Prêmio Pulitzer em 2011 com o romance “A visit from the Goon Squad”, Egan começou a experiência com o seguinte tweet: “People rarely look the way you expect them/to, even when you’ve seen pictures.” (As pessoas raramente se parecem com a ideia que fazemos delas, mesmo quando já as vimos em foto).

Márcia Foletto/05-07-2012

Márcia Foletto/05-07-2012

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Teju Cole (@tejucole)
O escritor nigeriano foi ainda mais longe do que Jennifer Egan: escreveu um conto apenas retuitando tweets de outros usuários. Ele também usou o Twitter para criar uma versão contemporânea do “Dicionário de ideias feitas”, de Flaubert. Fora isso, tem feito comentários divertidos sobre a copa do mundo no Brasil. Vejam esse sobre a mordida do Suárez: “Uma suspensão do futebol é apenas férias para Suárez. A melhor maneira de afetá-lo seria bani-lo de todos os restaurantes italianos”.

Márcia Foletto/05-07-2012

Márcia Foletto/05-07-2012

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Tao Lin (@tao_lin)
Epigramas, artes visuais, palavras perdidas e muito nonsense fazem da conta de Tao Lin um dos lugares mais estranhos do Twitter. O poeta e romancista encontrou uma dicção própria em 140 caracteres, transformando o corriqueiro em absurdo. Exemplos: “Cleaning my floor w watermelon” (“Limpando meu chão com melancia”); “Poetry collection titled ‘officially waiting for Indian food'” (“Por uma coleção de poesia intitulada ‘esperando oficialmente por comida indiana'”); ou ainda “Every holiday seems like a darker version of any other holiday” (“Cada feriado parece com uma versão mais sombria de qualquer outro feriado”).

Reprodução

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Mira Gonzalez (@miragonz)
Para a poeta californiana, poesia e Twitter têm o mesmo propósito: retratar uma rotina de melancolia narcótica, solidão virtual e muito álcool. “Tuitar é como atirar em um muro”, escreveu. Segundo a revista “Dazed and confused”, Mira é a única presença literária tão “prolífica e intensa na mídia social” quanto Tao Lin: “Suas duas contas no Twitter compõem um tipo de poesia de si e sobre si, muito representativa de sua primeira coletânea de poemas”, definiu a revista.

Reprodução

Reprodução

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Horse ebooks (Horse_ebooks)
Durante muito tempo, pensou-se que uma das contas mais divertidas e misteriosas do Twitter era um spambot – ou melhor: um programa projetado para enviar spam automaticamente. Os tuites aleatórios formavam frases dadaístas que encantavam pela falta de nexo, como “everything happens to much” (“tudo acontece demais”) ou “You will undoubtedly look back on this moment with shock and” (Você irá sem dúvida olhar para trás neste momento com choque e”). Em setembro do ano passado foi revelado que a conta na verdade não era administrada por um robô, e sim por Alexei Kouznetsov Kouznetsov, um web designer e spammer russo. Desde então, parou de ser atualizada.

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Novo livro de “As Crônicas de Gelo e Fogo” pode sair em 2017

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Desirée Soares, no Cabine Literária

Há um bom tempo os fãs esperam um novo livro de “As Crônicas de Gelo e Fogo” – “Dança dos Dragões”, o quinto livro da série, foi lançado em 2011. Ainda não há uma data oficial para “The Winds of Winter”, próximo livro da série, mas segundo estimativas do Washington Post, ele deve ser lançado em 2017. O site ainda comparou o lançamento dos livros de “As Crônicas de Gelo e Fogo” com outras sagas literárias:

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Segundo estatísticas do site Five Thirty Eight, se George R. R. Martin escrever uma média de 350 palavras por dia, vai terminar o livro em agosto desse ano. Se for 300 palavras por dia, em fevereiro do ano que vem; e se for só 250, em outubro de 2015. O site também fez uma tabela, com quantas palavras há em cada livro da série até agora:

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Isso tudo é apenas especulação. O único fato que realmente sabemos é que em outubro de 2012, Martin deu uma entrevista e disse que já tinha escrito 400 páginas de “The Winds of Winter”. Depois disso, não houve mais notícias sobre o progresso da obra.

Também devemos levar em consideração que George R. R. Martin escreve um episódio a cada temporada de “Game of Thrones”, dá consultoria à livros de outros escritores – como a enciclopédia “The World of Ice And Fire” – e edita algumas antalogias, como “Dangerous Women”, ainda não publicado no Brasil.

Aos fãs resta esperar, e torcer para que não aconteça nada com Martin enquanto ele escreve a série.

Projeto espalha amor através de cartas

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Yahoo Notícias/Ana Paula Leoni - Projeto resgata o amor, o respeito e a solidariedade por meio da escrita de cartas

Yahoo Notícias/Ana Paula Leoni – Projeto resgata o amor, o respeito e a solidariedade por meio da escrita de cartas

Publicado por Yahoo

Todos os dias, em algum lugar, ou a qualquer momento, ninguém espera ser surpreendido com palavras que podem mudar o seu destino diante de situações adversas da vida. Seja um amigo que perdeu o emprego, a filha que passou no vestibular, o vizinho que passa por dificuldades, ou a mãe que venceu um obstáculo da vida, todos gostam de ouvir palavras de carinho, amor, esperança e incentivo. Não importa de onde venham, palavras tem o poder de cuidar e acalentar.

Com a missão de resgatar o poder do amor e promover o bem ao próximo, fortalecendo a educação e a solidariedade por meio da escrita de cartas, a organização sem fins lucrativos Amor em Cartas acaba de ser lançada no Brasil.

Inspirada na bela iniciativa do Projeto Social americano More Love Letters, mas totalmente formatada para a realidade do nosso país, Amor em Cartas tem o objetivo de incentivar a prática de ações solidárias, utilizando cartas e palavras como fator multiplicador da transformação do ser humano.

1O projeto já está em andamento desde janeiro de 2014, quando a sua fundadora, Patrícia Mello resolveu se dedicar a um projeto social que – por meio das palavras – levasse amor às pessoas e a fizesse vê-las felizes por dentro.

“Escrever um dia foi um exercício de carinho entre as pessoas e a letra de alguém pode simbolizar conexão e presença. A ideia do Amor em Cartas é resgatar nas pessoas o sentimento de o quanto são especiais, enviando ou recebendo uma carta cheia de amor. Além disso, o projeto incentiva o exercício da escrita, estimula a leitura e gera e aproximação entre as pessoas, em um mundo cheio de tecnologias úteis e funcionais, mas que não substituem abraços carinhosos, olhares sinceros e amores incondicionais”, explica Patrícia.

Amor sem fronteiras
O Projeto Amor em Cartas pode chegar até pacientes em hospitais, asilos cheios de conhecedores da vida ou pessoas desconhecidas que a todo momento se tornam vítimas de um mundo cheio de dificuldades e que não esperam que alguém possa pensar nelas com carinho.

Qualquer pessoa pode contribuir com a Organização Social: sendo um voluntário, divulgando o trabalho e espalhando palavras de amor por aí. Professores, escritores, empresas privadas fabricantes ou fornecedores de papelaria também podem contribuir com criação e desenvolvimento de projetos junto à Amor em Cartas ou com a doação de recursos materiais ou financeiros para viabilizar ações diversas e manter o projeto vivo.

O movimento também apoia ações educacionais, incentivando crianças a escreverem, universitários a participarem e adultos a contribuírem com sua experiência de vida. Quem tiver interesse em ser um voluntário ou criar uma ação em algum local indicado, só precisa entrar em contato por meio do site do projeto. As doações, pedidos de cartas ou homenagens também podem ser feitas por meio do site e da página no Facebook.

A ideia do Amor em Cartas é resgatar nas pessoas o sentimento de o quanto são especiais

A ideia do Amor em Cartas é resgatar nas pessoas o sentimento de o quanto são especiais

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