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Paquistanesa de 13 anos cria projeto para ler um livro de cada país

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Aisha Arif Esbhani (Foto: Reprodução Facebook)

Aisha Arif Esbhani (Foto: Reprodução Facebook)

 

Giuliana Viggiano, na Galileu

Tudo começou em março de 2016. “Eu olhei para minha prateleira e notei que algo estava faltando”, conta Aisha Esbhani, paquistanesa de 13 anos, da cidade de Karachi. Depois disso, a menina decidiu ler uma obra de cada país do mundo, para conhecer autores e culturas diferentes, já que a maioria de seus livros vinham dos Estados Unidos ou do Reino Unido.

A garota se inspirou em Ann Morgan, que também fez esse desafio, mas, diferente de Morgan, Aisha não estipulou um tempo limite para o desafio: “Quero explorar cada país, não apenas ler o livro”, afirma ela à GALILEU.

Para escolher as obras, Aisha criou uma página no Facebook, onde busca dicas de leitores de todo o mundo. Além disso, seus pais dela sempre se certificam de que o livro é apropriado para sua idade. “Se eu posso escolher, opto por ficções de guerra e não ficções, já que esse é meu gênero preferido”, diz a paquistanesa.

Entretanto, não é tão fácil encontrar livros de todos os países no Paquistão. “Conheço apenas duas livrarias que têm livros de outros países (mas apenas de alguns), e, agora, depois de completar 80 nações, não consigo achar mais nada”, revela a leitora.

Além disso, não é fácil comprar pela internet, já que muitas lojas não entregam ou cobram um frete muito alto para entregar as encomendas em seu país. Por isso, Aisha desenvolveu um esquema: “Encomendo os livros e peço para entregarem na casa de algum parente ou amigo que virá para o Paquistão em breve”.

A “turnê” de Aisha já passou pelo Brasil. Daqui, ela leu O alquimista, de Paulo Coelho: “Sempre me disseram que ele é um ótimo escritor, mas eu nunca tinha tido a oportunidade de ler. (…) Confie em mim, é um dos melhores livros já escritos!”, afirma a garota.

Ela também diz que pretende ler mais livros brasileiros, mas só depois que completar seu desafio. Além disso, Aisha quer ler autores não tão populares: “Quero apreciar todos aqueles autores que merecem mais atenção do que recebem!”

A garota já leu muitos clássicos, como O sol é para todos, da americana Harper Lee, e Cem anos de solidão, do colombiano Gabriel García Márquez. Agora ela está lendo o grego Seven lives and one love: memoirs of a cat (Sete vidas e um amor: memórias de um gato, em tradução livre), de Lena Divani.

Sua indicação para o público brasileiro é um livro do Paquistão: The Wandering Falcon (O falcão errante, em tradução livre), de Jamil Ahmad.

Para Aisha completar o desafio ainda faltam 117 livros. “Sei que esse é um número muito alto, mas estou determinada a alcançar minha meta”, conclui a paquistanesa.

Brasil está entre os países que mais matam jornalistas no mundo

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País está no sétimo lugar do levantamento feito pela Press Emblem Campaign; matou-se mais profissionais de imprensa no Brasil do que no Paquistão e no Afeganistão

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Publicado em Veja

O Brasil continua sendo um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas. Um levantamento publicado nesta segunda-feira pela entidade Press Emblem Campaign (PEC), com sede em Genebra, aponta que em 2015 sete jornalistas foram assassinados no país. Com esses números, o Brasil aparece na 7ª colocação entre os países onde mais profissionais da imprensa foram mortos no ano.

No ranking, o Brasil empata em número de mortes com o Iêmen e Sudão do Sul, dois países que estão em guerra. Segundo o estudo, matou-se mais jornalistas no país neste ano do que na Somália, Paquistão, Ucrânia e Afeganistão. Encabeçam a lista a Síria, com 11 mortes; o Iraque e o México, com 10 mortes cada. Em seguida, aparece a França, que entrou no ranking por causa do atentado terrorista contra o jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro deste ano, no qual 8 jornalistas foram mortos. Na relação dos últimos cinco anos, o Brasil fica na 6ª posição, com 35 profissionais de imprensa mortos.

Desde janeiro, 128 jornalistas morreram em 31 países. O ano começou com o massacre na redação do Charlie Hebdo e com a morte do jornalista japonês, Kenji Goto, na Síria, pelo Estado Islâmico. Metade das mortes ocorreu por atores não-estatais, como grupos terroristas ou organizações criminosas.

O Oriente Médio continua sendo a região mais perigosa para jornalistas, com 38 mortes em 2015. Mas a América Latina fica em segundo lugar, com 31 assassinatos. Em dez anos, 1.100 jornalistas foram mortos pelo mundo, uma média de 2,2 por semana.

 

(Com Estadão Conteúdo)

Vencedora do Nobel da Paz, Malala diz que o seu livro preferido é ‘O alquimista’, de Paulo Coelho

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Malala Yousafzai ficou conhecida a partir de um blog sobre o Paquistão

Malala Yousafzai ficou conhecida a partir de um blog sobre o Paquistão

 

História da ativista que levou três tiros disparados pelo Talibã aos 13 anos é contada em cinebiografia com lançamento na quinta-feira

Luiza Maia, no Divirta-se

Em meio a declarações emocionantes, uma curiosidade para os brasileiros é revelada na cinebiografia Malala, do cineasta Davis Guggenheim (Uma verdade inconveniente), cuja estreia será na próxima quinta-feira. O livro O alquimista, do escritor brasileiro Paulo Coelho, é o preferido da jovem paquistanesa vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2014. Publicado originalmente em 1988, o romance já foi traduzido para mais de 60 línguas e é a obra nacional mais vendida de todos os tempos.

Questionada sobre a obra favorita – e pouco após elogiar a biografia de Stephen Hawking -, a garota de 18 anos, um dos principais ícones contemporâneos pelos direitos das mulheres, responde, sem justificar: “O alquimista, de Paulo Coelho”. Ela já havia falado sobre o interesse pelo romance em entrevistas e na biografia Eu sou Malala (Companhia das Letras, R$ 34,90), escrita em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, na qual o longa-metragem é baseado.

“Alguém me deu um exemplar de O alquimista, de Paulo Coelho, uma fábula sobre um jovem pastor que viaja às pirâmides do Egito em busca de um tesouro – que o tempo todo estivera em sua casa. Adorei o livro, e o li várias vezes. ‘Quando você quer alguma coisa, todo o Universo conspira para a realização de seu desejo’, escreve o autor. Penso que ele nem conhece o Talibã, nem nossos ineficazes políticos”, conta, no livro.

Malala Yousafzai ficou conhecida a partir de um blog escrito para a rede BBC, no qual narrava a situação do Vale de Swat, no Paquistão, durante a ocupação talibã, especialmente as dificuldades enfrentadas pelas mulheres e a luta dela para ter o direito de frequentar a escola, temas bastante delicados na região.

Inicialmente protegida sob um pseudônimo, ela acabou por assumir a identidade e concedeu várias entrevistas. A história da ativista pelos direitos femininos chocou o mundo em 2012, quando foi atingida por três tiros disparados por um membro do Talibã, um deles na cabeça.

Ameaçada de morte, Malala se mudou para Birmingham, na Inglaterra, onde foi tratada e continua a luta pelos direitos das mulheres. Malala já ganhou diversos prêmios e foi homenageada por instituições, ativistas, governos e artistas de vários lugares do mundo.

‘Burka Avenger’, a super-heroína paquistanesa, usa os livros como arma

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Ela é uma professora comportada durante o dia e uma guardiã feroz da paz durante a noite.

Mallika Rao, no Brasil Post

ISLAMABAD – Recentemente, em um dia de trabalho qualquer no edifício labiríntico da capital do Paquistão, homens e mulheres jovens em camisetas, jeans e kurta tops – roupas típicas indianas – fitavam atentamente os computadores do labirinto de escritórios e cubículos.

Ao seu redor despontava um estilo de escritório que não era tipicamente associado à cidade mais desenvolvida país, conhecida pela calma suburbana que continua a ser um ponto controverso na antiga questão se a agitação cheia de vida da populosa cidade de Lahore é ou não é superior.

No estúdio de animação em Islamabad conhecido como Unicorn Black, até as paredes pulsam com criatividade. Quase todas elas contêm uma imagem, algumas impressas em papel de pôster liso, outras desenhadas diretamente em superfícies verticais com lápis, em sua maior parte imagens de uma jovem mulher em um traje preto justo, com uma capa geralmente esvoaçante bem atrás dela. Em cada retrato, um par de olhos determinado espreita pela máscara escura delimitando o seu rosto.

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MALLIKA RAO / THE HUFFINGTON POST Um dos muitos esboços da mais importante super-heroína do Paquistão decora uma parede no estúdio do Unicorn Black em Islamabad.

Ela é Jiya, estrela fictícia do desenho animado local mais popular no Paquistão, Burka Avenger(A Vingadora de Burca). A primeira super-heroína do país é uma professora comportada durante o dia e uma guardiã feroz da paz durante a noite. A sua personificação noturna usa livros como armas, lutando por causas específicas na região – como conscientização sobre a pólio, a alfabetização, os esforços contra a radicalização – tudo isso vestindo uma burca estilizada na forma de seu traje preto.

Nos seus dois anos de existência o conceito provou-se amplamente popular, expandindo-se à Índia e ao Afeganistão. Nesta primavera, a quarta temporada de “A Vingadora de Burca” irá ao ar em cinco línguas em toda a região, coincidindo com o lançamento da primeira linha de produtos inspirada em um programa de TV.

No estúdio, no início deste mês, o gerente de projetos Adeel Abid descreveu o delicado equilíbrio entre os valores – comerciais, cívicos, religiosos – tratados no desenho. Quando foi lançado em 2013, “as pessoas tinham ficado divididas” com essa característica que gera tanta repercussão, lembrou. “Eles estão rindo da burca? Ou apoiando o uso da burca?”

A resposta é mais complexa do que a pergunta. A Vingadora de Burca reflete (mais…)

Paquistanês dá aulas ao ar livre para crianças e jovens carentes há 30 anos

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Mohammed Ayub cumpriu promessa do pai para ensinar os pobres.
Atualmente ele ajuda 170 crianças e adolescentes de Islamabad.

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Publicado no G1

Mohammed Ayub tem 57 anos há pelo menos três décadas percorre diariamente as ruas de Islamabad, capital do Paquistão, convencendo crianças carentes a participarem de uma aula que ele ministra ao ar livre em uma praça da cidade. No país onde o direito à educação é ainda uma luta (a jovem Malala Yousafzai ganhou o Prêmio Nobel da Paz por sua luta pelo direito da criança em ir à escola), crianças e adolescentes se reúnem ao ar livre com livros abertos e sentados no chão, em frente a um quadro negro, para acompanhar mais um dia de aula.

Ayub é um homem de origem humilde. Ele chegou a Islamabad em 1976 vindo de sua cidade natal, Mando Bahauddin, levando com ele os sete irmãos mais novos. O pai de Ayub, em seu leito de morte, pediu para que Mohammed nunca deixasse faltar educação para os irmãos. O homem foi além, e passou a ensinar outras crianças carentes.

“Não sei dizer quantas pessoas passaram pela escola nestes 30 anos. Devem ser milhares”, disse Ayub à Associated Press. “Sei que vou continuar esta missão até o meu último suspiro.”
Ele começou a ensinar as crianças em 1985, depois de ver um menino de 12 anos servindo mesas em um restaurante. “Pensei: ele não é diferente que meu irmão mais novo. Então decidi ensiná-lo e isso e foi o começo da minha missão na escola ao ar livre”, disse.

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Ayub convenceu outros meninos que trabalham em lojas e restaurantes do bairro para estudar primeiro no mercado público, depois em uma praça ao ar livre. Autoridades da cidade concordaram em não incomodá-lo, desde que ele não tenta criar uma estrutura permanente.

Ele ensinou estudantes de matemática, a língua indo-europeia urdu e um pouco de Inglês básico – apesar de ele não ter nenhum treinamento no ensino pedagógico. Quando ele começou, a maioria dos alunos eram crianças que viviam nas ruas ou trabalharam durante o dia, em vez de ir para a escola. Agora cerca de três quartos dos seus cerca de 170 alunos vão para escolas públicas, mas alguns de suas aulas depois para a tutoria extra. Os demais não estão em nenhuma escola formal.

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Ao longo dos anos, Ayub tem sido acompanhado por um pequeno exército de voluntários, incluindo um diretor escolar aposentado, um médico, um bombeiro e vários alunos mais velhos que ensinam os mais jovens.

“Ele está prestando um grande serviço à sociedade”, disse Irfan Siddiqi, assessor do primeiro-ministro do Paquistão, que indicou Ayub a um prêmio nacional pelas boas contribuições em vários campos.

Farhat Abbas, que aprendeu a ler e a escrever com o professor Ayub, ainda lembra quando foi convencido a ir estudar. “Quero me tornar professor e fazer o mesmo que ele faz”, diz o jovem. “Se não tivesse o conhecido, eu seria analfabeto até hoje.”

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