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Estudante com dislexia e paralisia cerebral se forma em história na UnB

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Luiz Garcia pousa com os diplomas de bacharelado e licenciatura em história (Foto: Marília Marques/G1)

Luiz Garcia contou com apoio dos pais e colegas tutores para estudar. Devido à baixa visão, conteúdo de livros era ensinado por áudio. ‘Me sinto realizado’, diz, já mirando no próximo curso.

Marília Marques, no G1

Nem mesmo o diagnóstico de paralisia cerebral, a baixa visão e a limitação motora impediram que o jovem Luiz Garcia, 30 anos, realizasse o sonho de uma graduação. O estudante foi aprovado em duas universidades federais e optou por cursar bacharelado e licenciatura em história na Universidade de Brasília (UnB).

A formatura foi no mês passado. No fim de semana, com o diploma em mãos, o jovem viajou com a família para o estado de São Paulo para mais uma conquista: a cirurgia de córnea que poderá lhe devolver a visão plena.

Em meio aos preparativos para mudança, o estudante recebeu o G1 em sua casa, na Vila Nova, em São Sebastião. Luiz disse que enfrentou desafios durante os cinco anos de formação, mas que “tudo ficou mais fácil” com o apoio dos pais e colegas tutores.

Estudante ao lados dos pais e da fonoaudióloga em solenidade de formatura (Foto: Arquivo pessoal )

Estudante ao lados dos pais e da fonoaudióloga em solenidade de formatura (Foto: Arquivo pessoal )

Devido à dislexia – um transtorno de aprendizagem – e à baixa visão ocasionada pela paralisia cerebral, Luiz tem dificuldades para ler e escrever. Todo o conteúdo foi aprendido na sala de aula, em áudios enviados por amigos e nas apostilas lidas pelos pais, que eram armazenadas em um gravador.

Quando precisou entregar trabalhos, Luiz contou com o apoio do pai para transcrever o que ele ditava. A tecnologia também deu uma mãozinha. “Aprendi a usar o microfone do teclado do celular para redigir textos”, conta.

O estudante atribui a escolha do curso aos bons professores que teve, e ao interesse por disciplinas da área de humanas. Ele diz que ainda pretende cursar jornalismo e no próximo ano vai tentar a aprovação em outra instituição pública – a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Desafios

Como não tem sustentação nas mãos e nas pernas, Luiz se move em cadeira de rodas. O jovem conta, literalmente, com os braços do pai, o autônomo Luís Garcia, para realizar tarefas básicas enquanto está fora de casa, como se alimentar e ir ao banheiro.

Desempregados, pai e mãe do dedicado Luiz decidiram enfrentar o momento de crise com a visão empreendedora. O casal é autônomo e começou a vender marmitas no campus da UnB – uma solução encontrada para gerar renda para família e, ao mesmo tempo, estar perto para atender às necessidades do filho.

Desníveis, buracos e falta de banheiros adaptados à cadeirantes também foram alguns dos obstáculos para acessar as salas de aula no campus da UnB. Em cinco anos de curso, Luiz relata três quedas entre um pavilhão e outro. “Cheguei a ficar dois meses sem ir às aulas”.

Paralisia cerebral

A mãe de Luiz, Rosana Garcia, teve o filho no sexto mês de gestação. Prematuro, ele nasceu de parto normal, com 900 gramas. “Os médicos achavam que ele não ia sobreviver”. Rosana diz que mesmo sem ter o pulmão formado, nem outros detalhes como cílios e sobrancelhas, Luiz “sempre se superou”.

O diagnóstico de paralisia cerebral só veio quando o bebê estava próximo de completar 1 ano. Luiz tinha limitações para andar, espasmos e dificuldades de coordenação motora. Segundo a mãe, a causa da patologia nunca foi informada pelos médicos.

Jovem com paralisia cerebral rompe preconceito e se forma em Química no Ceará

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Daniel Froes, no Razões para Acreditar

Logo depois de nascer em Tauá, cidade do interior do Ceará, Caleb Alexandrino Veríssimo foi diagnosticado com paralisia cerebral por causa de uma complicação no parto.

A falta de oxigenação no cérebro comprometeu um pouco a fala, a escrita, a locomoção, menos o seu intelecto.

Mas, Caleb, como todo garoto da sua idade, aprendeu a ler e isso foi só o começo.

“Ele frequentou escolas normais, e em toda sua vida nunca ficou de recuperação!”, diz a mãe, Neuma, que conta que a paixão de Caleb pela Matemática se repete no filho mais novo, Filipe Alexandrino Veríssimo.

Paralisia cerebral nunca o impediu de ser um aluno exemplar

Caleb começou a faculdade de Química, no Centro de Educação, Ciências e Tecnologia da Região dos Inhamuns (Cecitec), com 18 anos, assim que terminou o ensino médio.

Durante o curso, ele se mostrou um aluno acima da média, era de se esperar que ele se formaria com louvor.

“Ele sempre foi um aluno excelente, tirava notas acima da média, nunca faltou a uma aula e estava sempre sorridente”, revela o professor e diretor do Cecitec, João Batista.

E tem mais, o jovem químico também foi bolsista do Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), como monitor em escolas do ensino médio da cidade e fazia participação nos shows de Química com peças teatrais.

Tetraplégica lança livro de tese de doutorado feita com ‘piscar de olhos’

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Publicado em Folha de S.Paulo

Há 13 anos, a artista Ana Amália Barbosa se comunica com o mundo por meio do olhar. Uma piscada é sim, uma olhada para cima é não.

Com um programa especial de computador, ela defendeu sua tese de doutorado na USP. A pesquisa resultou no livro “Além do Corpo – Uma Experiência em Arte/Educação” (Cortez Editora; 200 págs.; R$ 46), a ser lançado na terça (9).

Ana Amália, 49, desenvolveu a síndrome do “locked in” (retratada no filme “O Escafandro e a Borboleta”) após sofrer um derrame no tronco cerebral. Ficou tetraplégica, muda e disfágica (não consegue mastigar e nem engolir).

O livro relata a experiência educacional desenvolvida pela artista Ana Amália com seis crianças com lesão cerebral. Ela apresenta exercícios feitos em aula, como uma atividade baseada nas performances do artista francês Yves Klein (1928-1962).

De shorts ou fraldas, as crianças tiveram os corpos pintados e, depois, imprimiram movimentos em uma grande superfície de papel.

Outra atividade relatada na obra são desenhos dos contornos dos corpos dos alunos.

Ana Amália conta que o trabalho surgiu de sua experiência, quando o seu médico, Ayres Teixeira, a fez ficar de pé, amarrada a uma cama, diante do espelho para que se visse por inteiro.

“Me deu um clic. Eu tinha que estimular as percepções sensorial, corporal e espacial das crianças. Elas precisam ter domínio do próprio corpo, apesar de ele ser manipulado pelos outros. É o princípio da autonomia”, escreve.

Para a professora Regina Stela Machado, orientadora de Ana, a obra tem “importância incontestável” para a área do ensino, em especial de crianças com necessidades especiais.

“Crianças com paralisia cerebral sofrem não apenas as limitações impostas pela doença. São vítimas de ‘privação cultural’, fruto da ignorância, do despreparo, do descaso e do preconceito que povoam ações educativas.”

Fazer com que a criança se situe socialmente, rompendo qualquer limitação física, é um dos propósitos da autora.

“É muito difícil determinar a amplitude da capacidade de aprender de crianças que nasceram com paralisia cerebral. O sistema escolar tende a rejeitá-las ou abandoná-las na sala de aula”, relata Ana.

Na experiência, Ana alternou atividades simples, como colocar cores no papel, com outras mais complexas, como visitas a espaços culturais. “Queria garantir o mínimo e ousar o máximo.”

Há dois meses, a pressão arterial de Ana está baixa. Mesmo debilitada, ela não falta às aulas do pós-doutorado na Unesp (Universidade Estadual Paulista), que frequenta com ajuda do amigo Moacyr Simplício, espécie de tradutor e “anjo da guarda”.

Pergunto se ela gostou do resultado do livro. “Sim, ficou como eu queria”, responde com os olhos. Algo mais? “Sem o Moa [Moacyr], não teria conseguido.”

Garota que se comunica com olhar se forma na Itália

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A italiana nasceu com paralisia cerebral que compromete a fala

A garota conseguiu estudar com a ajuda de uma assistente de comunicação Reprodução

A garota conseguiu estudar com a ajuda de uma assistente de comunicação
Reprodução

Uma garota italiana de 23 anos com uma forma de paralisia cerebral que compromete a fala se formou nesta terça-feira (28) em Matemática na Universidade Federico II de Nápoles se comunicando apenas com o olhar.

A estudante, identificada como L.C. nasceu com tetraparesia espástica, uma forma de paralisia cerebral que compromete as funções dos membros superiores e inferiores e a fala.

A garota conseguiu estudar com a ajuda de uma assistente de comunicação, Valentina Ianuari, que a acompanhou no espaço universitário durante os seis anos de curso.

As duas começaram a se comunicar através de uma roda de papelão, construída pela mãe de L.C., na qual estão escritas as letras do alfabeto. Ianuari transcreve para o computador as palavras que a estudante compõe com o seu olhar.

E foi com esta técnica de comunicação que ela concluiu o curso e se formou em Matemática seguindo os passos dos pais.O diretor do centro Sinapsi de Nápoles, Pietro Valerio exaltou o exemplo da jovem.

—Esta história e uma mensagem de esperança para todos os jovens que vivem em uma situação parecida. A nossa equipe sempre trabalhou para apoiá-la, mas nunca para fazer por ela, quero dizer com isso que este resultado é todo dela.

O Sinapsi é uma instituição que tem como objetivo garantir o direito aos estudo para pessoas com vários tipos de deficiências, foi através deste órgão que L. C. teve acesso a Universidade.

Fonte: R7/Educação

Editoras veem paralisia de governos

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Nelson de Sá e Marco Rodrigo Almeida, na Folha de S.Paulo

Editoras brasileiras reclamam que as três instâncias de governo (federal, estadual e municipal) estão comprando menos livros pelos programas de difusão da leitura.

A queixa tornou-se pública nesta quinta (4) em texto que o editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, postou em seu blog. “É preciso cobrar continuidade aos governantes”, escreveu.

Procurado pela Folha, Schwarcz afirma não estar “criticando governantes especificamente”. Mas que “o Brasil, desde Fernando Henrique, nos governos Lula e mesmo neste período da Dilma, em várias esferas foi o país que mais investiu na compra de livros.”

“Agora eu não posso mais falar isso, não tenho mais segurança de que o Brasil continuará nesse trilho”, acrescenta. “Por vários motivos, intempéries políticas e econômicas, trocas ministeriais.”

O problema não está nos livros didáticos, mas nos paradidáticos, sobretudo literatura brasileira. Já no ano passado, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), houve queda. Em 2012 o governo federal –comprador fundamental para o mercado editorial– havia adquirido 11 milhões de títulos. Em 2013, 7,5 milhões.

Outras editoras ouvidas pela Folha confirmam que o problema se agravou neste ano. “Tem havido queda brutal nas compras, acredito que de 80%, em todas as instâncias de governo”, afirma Bernardo Ajzemberg, diretor-executivo da Cosac Naify.

“O Estado tem o dever de incentivar esses programas”, acrescenta. “Não é apenas uma política para crescer o faturamento das editoras. É fundamental para o desenvolvimento da sociedade.”

Jorge Sallum, editor da Hedra, diz não ter notado queda. “O problema tem sido a troca de ministro, a falta de responsabilidade. Neste ano está tudo atrasado. Esperamos há oito meses o pagamento pelos livros vendidos.”

“Uma das coisas que ouvi foi que talvez o governo esteja pensando em investir a partir de idades mais baixas, porque o jovem já está perdido”, diz Schwarcz. “Isso não é verdade. Basta ir à Bienal do Livro e ver.”

Em seu post, intitulado “A geração perdida?”, o editor escreveu sobre a “beatlemania” que cercou autores na Bienal. Afirmou que o fenômeno não se deve só à “geração Harry Potter”, mas às políticas das últimas décadas.

Sua crítica avança sobre o governo paulista e as prefeituras de São Paulo e Rio. No primeiro caso, diz ter ouvido do governo que houve atraso na distribuição dos livros comprados em 2013, “por isso não compraram neste ano”. Mas já “estariam iniciando um processo de avaliação para o ano que vem”.

Sobre o prefeito paulistano, Fernando Haddad, diz Schwarcz: “Como é que um ministro da Educação que teve uma gestão considerada muito boa, na hora em que vira prefeito a compra para bibliotecas para? Zero, zero”.

Sônia Jardim, vice-presidente do grupo Record e presidente do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), diz que “tanto Rio quanto São Paulo, que tinham programas maravilhosos, estão comprando menos”, o que “é terrível, podemos perder uma geração inteira de leitores”.

Mas ela mantém o otimismo: “Precisamos ver se é algo pontual ou se será a norma daqui para a frente. Se continuar assim, ficará muito difícil para todos”.

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