Posts tagged Paris Review

Admirável mundo sem livros

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Sérgio Rodrigues, na Veja

O Pop Literário de Sexta volta com o curta-metragem inglês The last bookshop (“A última livraria”), de Richard Dadd e Dan Fryer, produção independente recém-saída do forno que imagina um futuro distópico com toques de “Admirável mundo novo” e “1984”.

Resta no mundo uma única – e maravilhosa – livraria. Essa notável resistência comercial se deve exclusivamente à teimosia do velho dono, que não vê um cliente cruzar a porta da loja há vinte e cinco anos. Até que um dia aparece por lá um garoto e…

Um alerta: com vinte minutos de duração, o filme tem diálogos e não está disponível em versão legendada. Atenção para o nome do Grande Irmão, que é revelado perto do final triste e pessimista (mas não completamente): GamaZone. (Via Paris Review.)

Hemingway, Faulkner e algumas patadas

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Almir de Freitas, no  Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro

Escritores, como se sabe, podem ser irritantemente geniosos; se também geniais, pode ser que acabem engraçados. Para ser justo, a maioria presente no primeiro volume do novo As Entrevistas da Paris Review, recém-publicado pela Companhia das Letras (464 págs., R$ 58) encara as perguntas com seriedade e polidez. Mas dois pelo menos não estavam (ou estavam) no melhor de seu humor: Ernest Hemingway e William Faulkner — por coincidência, dois autores que não se bicavam. Azar dos entrevistadores, sorte dos leitores. A seguir, alguns highlights.

ENTREVISTADOR: O senhor recomendaria para o escritor jovem o trabalho no jornalismo? Sua experiência no Kansas City Star lhe foi de alguma ajuda?

HEMINGWAY: No Star você era obrigado a aprender a escrever uma sentença declarativa simples. Isso é útil para qualquer um. O jornalismo não faz mal a escritor jovem, e pode ajudá-lo se ele sair dele a tempo. Isto é um dos clichês mais surrados que existem, e peço desculpas por usá-lo. Mas, quando você faz perguntas velhas e batidas, expõe-se a receber respostas velhas e batidas.

(…)

ENTREVISTADOR: É fácil para o senhor mudar de um projeto literário para outro, ou o senhor continua até o fim aquilo que começa?

HEMINGWAY: O fato de ter interrompido trabalho sério para responder estas perguntas prova que sou tão burro que deveria ser seriamente castigado. E serei, não se preocupe.

(…)

ENTREVISTADOR: Como nomeia seus personagens?

HEMINGWAY: Da melhor maneira que posso.

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ENTREVISTADORA: Algumas pessoas dizem que não conseguem entender o que o senhor escreve, nem mesmo depois de ler duas ou três vezes. O que o senhor poderia lhes sugerir?

FAULKNER: Que leiam quatro vezes.

(…)

ENTREVISTADORA: Muitos escritores contemporâneos citam Freud como uma influência. O senhor também?

FAULKNER: Todo mundo falava sobre Freud quando eu morava em Nova Orleans, mas nunca o li. Shakespeare tampouco o leu. Duvido que Melville o tenha lido, e estou certo de que Moby Dick não o leu.

dica do Tom Fernandes

Descartes, Nietzsche e um lápis

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Histoires de Philosophies from Histoires de Philosophies on Vimeo.

Almir de Freitas, no Não me culpem pelo aspecto sinistro

Esse cartum animado é o primeira de uma série planejada pelos cartunistas Benoît François e Damien F. Cuypers, que já têm outros dois em andamento. A ideia, em todos eles, é confrontar dois filósofos diferentes com um mesmo objeto – aqui, Descartes e Nietzsche dão uma amostra de seu pensamento com um lápis. O site Histoires de Philosophies, especialmente criado pelos franceses para a empreitada, tem já alguns desenhos dos próximos dois episódios: Sextus Empiricus x Diogène de Sinope + um espelho / Leibniz x Platão + uma cadeira.

[Via Sadie Stein, da The Paris Review]

dica do Tom Fernandes

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