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Nobel de Literatura vai para bielorrussa Svetlana Alexievich

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Vencedora do Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Alexievich (Foto: Peter Endig/EFE)

Vencedora do Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Alexievich (Foto: Peter Endig/EFE)

Jornalista investigativa “transcendeu o formato jornalístico e desenvolveu um novo gênero literário”, diz Academia Sueca. Seus romances abordam temas como o colapso da União Soviética e a catástrofe nuclear de Chernobil.

Publicado no Terra

A jornalista investigativa e autora bielorrussa Svetlana Alexievich foi a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, divulgou nesta quinta-feira (08/10) a Academia Sueca em Estocolmo. O júri destacou “seus escritos polifônicos, um monumento ao sofrimento e à coragem nos nossos tempos”.

Ao longo de sua carreira, Alexievich usou suas habilidades jornalísticas para criar narrar, com literatura, as grandes tragédias da União Soviética e seu colapso, a Segunda Guerra Mundial, a guerra soviética no Afeganistão e o acidente nuclear de Chernobil.

Seu primeiro romance, The Unwomanly Face of the War (A cara pouco feminina da guerra, em tradução livre), publicado em 1985 e baseado em histórias de mulheres que lutaram contra o nazismo na Alemanha, vendeu mais de 2 milhões de cópias.

Seus livros foram publicados em 19 países, mas não há traduções brasileiras — nem de sua obra mais famosa, Vozes de Chernobil, feita a partir de mais de 500 entrevistas com testemunhas da catástrofe nuclear. Ela também escreveu três peças de teatro e roteiros para 21 documentários.

A secretária permanente da academia, Sara Danius, elogiou Alexievich como uma grande e inovadora escritora. “Ela transcendeu o formato jornalístico e desenvolveu um novo gênero literário que leva sua marca registrada.”

Por telefone, Alexievich afirmou à emissora sueca SVT que ganhar o Nobel de Literatura a deixou com um sentimento “complicado”. “Por um lado, é um sentimento fantástico, mas é também um pouco perturbador.”

Perguntada sobre o que iria fazer com as 8 milhões de coroas suecas (cerca de 960 mil dólares) do prêmio, ela disse: “Farei apenas uma coisa: vou comprar a minha liberdade. Eu preciso de muito tempo para escrever meus livros, de cinco a dez anos. Tenho duas ideias para novos livros, por isso, estou contente que agora vou ter liberdade para trabalhar neles.”

Em 2013, Alexievich já havia conquistado o Prêmio da Paz, dado há mais de seis décadas pela Associação Alemã do Comércio Livreiro. “Suas crônicas trágicas sobre o destino de indivíduos envolvidos no desastre de Chernobil, na guerra soviética no Afeganistão e seu desejo não realizado de ver a paz após o colapso do Império Soviético dão uma expressão tangível a uma tendência fundamental à decepção existencial que é difícil de ignorar”, disse a associação à época.

Nascida em 1948, filha de dois professores, Alexievich estudou Jornalismo na Bielorrússia, que na época fazia parte da União Soviética. Ela trabalhou num jornal local e depois virou correspondente da revista literária Neman.

Atualmente, a jornalista vive em Minsk, capital da Bielorrússia, e, como muitos intelectuais, apoia os opositores políticos do autoritário presidente Alexander Lukashenko.

Mulheres no Nobel

Para o Prêmio Nobel deste ano, a Academia Sueca recebeu 259 propostas de nomes e reduziu a lista para 198. Com Alexievich, o número de mulheres a conquistar o Nobel de Literatura chega a 14, sete delas nos últimos 25 anos.

A mais recente foi a escritora vanadense Alice Munro, em 2013, antecedida da alemã de origem romena Herta Müller, em 2009, da britânica Doris Lessing, em 2007, da austríaca Elfriede Jelinek, em 2004, da americana Toni Morrison, em 1993, e da sul-africana Nadine Gordimer, em 1991.

Antes delas vieram a poetisa alemã Nelly Sachs, em 1966, a chilena Gabriela Mistral, em 1945, a romancista americana Pearl S. Buck, em 1938, a escritora norueguesa Sigid Undset, em 1928, e a italiana Grazia Deledda, em 1926.

A sueca Selma Lagerlöf, autora de A maravilhosa viagem de Nils Holgersson, foi a primeira mulher distinguida com o Nobel da Literatura, em 1909.

O Nobel de Literatura no último ano foi para o escritor francês Patrick Modiano.

Os anúncios dos prêmios Nobel deste ano continuam nesta sexta-feira, com a divulgação do vencedor do Nobel da Paz. O ganhador da categoria Economia será anunciado na próxima segunda-feira. Todos os prêmios serão entregues em 10 de dezembro.

AF/ap/lusa

Nobel de Literatura 2015 conta com 198 candidatos

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Patrick Modiano, vencedor do prêmio ano passado: Academia Sueca envia cartas a pessoas e instituições para indicarem candidatos ao prêmio

Patrick Modiano, vencedor do prêmio ano passado: Academia Sueca envia cartas a pessoas e instituições para indicarem candidatos ao prêmio

Publicado na Exame

Copenhague – Nada menos que 198 escritores sonham ganhar o Nobel de Literatura neste ano, segundo anunciou nesta quinta-feira a Academia Sueca, instituição responsável pelo prêmio.

Dos candidatos a sucessor do francês Patrick Modiano, ganhador do ano passado, 36 foram incluídos pela primeira vez na lista de aspirantes, que no final de maio será reduzida a cinco nomes.

Todos os anos, em setembro, a Academia Sueca envia centenas de cartas a pessoas e instituições qualificadas para indicarem candidatos ao prêmio.

Entre os que podem indicar candidatos estão os membros da Academia Sueca e de outras organizações similares, professores de literatura e linguística de universidades, antigos vencedores e presidentes de sociedades de autores em seus países.

Em comunicado divulgado em seu blog, o secretário da Academia, Peter Englund, disse que fica “irritado” quando alguns responsáveis pelas indicações divulgam os nomes publicamente, o que vai “contra as regras”.

“Na verdade, temos a possibilidade de anular a indicação em questão, e não é impossível que ocorra com alguma no futuro”, afirmou Englund.

De Getúlio ao livre mercado: relembre livros que foram destaque em 2014

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Sérgio Rodrigues ganhou o Portugal Telecom com O drible

Sérgio Rodrigues ganhou o Portugal Telecom com O drible

A diversidade que marca a ficção nacional, os últimos anos da vida de um presidente e a vida sob a transparência da internet são temas de obras que estiveram em evidência

Nahima Maciel, no Divirta-se

Chico Buarque movimentou o fim do ano com seu quinto romance, ‘O irmão alemão’, mas foi uma geração mais recente que marcou presença nas listas de prêmios. O quarteto Bernardo Carvalho, Michel Laub, Sérgio Rodrigues e Verônica Stigger assina romances que frequentaram as listas de indicados à maioria dos prêmios literários do país. Os quatro estiveram entre os finalistas do Portugal Telecom, do Jabuti e do Prêmio São Paulo de Literatura. Já é o suficiente para serem eleitos livros do ano. Chico Buarque certamente frequentará os mesmos prêmios em 2015 e, como sempre acontece quando lança algum romance, encabeçará as listas de premiados, então que seu ‘O irmão alemão’ seja assunto do próximo ano.

Alguns títulos produzidos em 2014 devem cair no gosto dos leitores somente em 2015, quando a agenda de prêmios começar a eleger os melhores do ano, mas alguns títulos do gênero ficção merecem ser lembrados desde já. É o caso de ‘Mil rosas roubadas’, o retrato sincero e delicado do produtor Ezequiel Neves feito por Silviano Santiago, e ‘Luzes de emergência se acenderão’, de Luisa Gleiser, autora que tem traçado caminho na geração de jovens escritores.

Na seara das crônicas, o ano foi de novatos. Gregório Duvivier fez muita gente dar risada com ‘Put some farofa’ e Fernanda Torres reuniu as crônicas publicadas na Folha de S. Paulo em ‘Sete anos’. Quem assina a orelha do livro da atriz — lembrando que “se o mundo fosse justo, Fernanda Torres escreveria mal” — é Antônio Prata, autor de ‘Nu, de botas’, outro que frequentou listas de finalistas de prêmios em 2014. Uma revelação no gênero foi Fabrício Corsaletti, com seu ‘Ela me dá capim e eu zurro’. O poeta ficou à vontade na crônica e incorporou a prática.

Entre os livros de não-ficção, a estrela foi o terceiro volume da série ‘Getúlio’, de Lira Neto. O último da trilogia biográfica sobre um dos mais relevantes políticos brasileiros, ‘Getúlio (1945-1954) – Da volta pela consagração popular ao suicídio’ acompanha a última década de vida do presidente e faz um passeio pela história do Brasil pós-Segunda Guerra.

De outras terras vieram três bons candidatos a livros do ano. ‘O capital no século XXI’, do economista francês Thomas Piketty, chegou ao Brasil pela Intrínseca com tradução de Monica Baumgarten de Bolle depois de receber elogios de ganhadores do Nobel de economia.

No livro, Piketty demonstra que o livre mercado não promove distribuição de renda, como acreditava boa parte dos economistas do planeta, e que países desenvolvidos acumulam a riqueza do mundo apesar de seu baixo crescimento. Em linguagem bem acessível e distante do economês, o autor recorre até à cultura e à literatura para tratar do tema.

Radicalismo e anonimato marcam o livro de Bernardo Carvalho

Radicalismo e anonimato marcam o livro de Bernardo Carvalho

No campo da ficção internacional, o destaque é para a língua inglesa, mesmo que o Nobel de Literatura tenha ficado com a França. Dos Estados Unidos veio ‘O círculo’, de Dave Eggers. Comparado por muitos críticos e leitores a ‘1984’, de George Orwell, o romance mergulha em questões como privacidade, democracia e individualidade em tempos de internet e redes sociais. Eggers quer falar de como o excesso de transparência e exposição podem tolher a liberdade, tema também explorado por Orwell com outro viés, mas seus personagens superficialmente desenhados não sustentam a profundidade anunciada. Mesmo assim, ‘O círculo’ é leitura inquietante e agradável nesse início de século 21.

Da França veio o Nobel, concedido este ano a Patrick Modiano, espécie de memorialista da Segunda Guerra. Os livros do autor estavam esgotados na Rocco, que já acionou o prelo e vai relançar ‘Ronda da noite’, ‘Uma rua de Roma’ e ‘Dora Bruder’ em 2015. Um último (e lúdico) lançamento fez a felicidade de leitores de todas as idades. A japonesa Yayoi Kusama assina as ilustrações de uma encantadora versão de ‘Alice no país das maravilhas’, com nova tradução feita por Vanessa Bárbara. As bolinhas alucinadas da artista são o ambiente perfeito para a correria de Alice por terras alucinantes.

Após Nobel, Patrick Modiano terá seis livros publicados no Brasil em 5 meses

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

O livro infantil “Filomena Firmeza” (Cosac Naify), único título de Patrick Modiano disponível nas livrarias do Brasil quando o francês foi anunciado vencedor do Prêmio Nobel, no último dia 9, terá a companhia de outros seis títulos do autor nos próximos cinco meses.

Três deles —”Remissão da Pena”, “Flores da Ruína” e “Primavera do Cão”— foram adquiridos só um dia depois do anúncio na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, pela Record, que os planeja para o início do ano que vem.

Os outros, que já tinham sido editados no Brasil nos anos 1980 e 1990, mas estavam fora de catálogo —”Uma Rua de Roma”, “Ronda da Noite” e “Dora Bruder”—, foram renegociados dias atrás pela Rocco. Como a editora já tem as traduções, pretende recolocá-los nas livrarias até dezembro.

Nos últimos dez anos, quatro vencedores do Nobel de Literatura não tinham nenhum livro disponível no Brasil na ocasião do prêmio, e três tinham apenas um. Sete, incluindo Modiano, tiveram mais obras publicadas antes, mas que estavam indisponíveis no momento do prêmio.

Filomena Firmeza Patrick Modiano

Filomena Firmeza
Patrick Modiano

Quase todos passaram a ter obras editadas com mais frequência nos anos seguintes.

A urgência das editoras em contratar e editar as obras é sintomática de duas questões envolvendo edições de vencedores de prêmios Nobel de Literatura no país.

A primeira é que boa parte dos autores cuja obra se destaca o suficiente para merecer a mais importante honraria mundial de literatura costuma ganhar pouca atenção por aqui até ser premiada –e nesse ponto o nosso mercado não difere muito de outros, como o norte-americano.

Nos EUA, mercado avesso a traduções, é comum que até pessoas mais “lidas e cosmopolitas” desconheçam o vencedor quando ele não escreve em língua inglesa.

No Brasil, mercado mais aberto a obras estrangeiras, os entraves incluem o investimento em títulos de pouco retorno financeiro e a baixa disponibilidade de bons tradutores de idiomas mais difíceis.

Dois dos prêmios Nobel dos últimos dez anos continuam sem edições no Brasil graças a esses fatores. São eles: o britânico Harold Pinter (por escrever teatro, gênero pouco editado) e o sueco Tomas Tranströmer (por escrever poesia num idioma pouco traduzido aqui).

“Muitas vezes a língua é uma barreira, como aconteceu com o Mo Yan”, explica Otavio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, sobre o chinês agraciado com o Nobel de 2012.

De Mo Yan, a editora lançará os romances “Rãs” e “Sorgo Vermelho” na tradução de Amilton Reis, que em 2013 verteu outra obra do autor, “Mudança”, para a Cosac Naify.

O escritor francês Patrick Modiano concede entrevista após ser premiado neste ano / Charles Platiau/Reuters

O escritor francês Patrick Modiano concede entrevista após ser premiado neste ano / Charles Platiau/Reuters

IMPACTO IMEDIATO

A segunda questão envolvendo a urgência das editoras em publicar livros dos premiados é que, em termos estritamente comerciais, o fato de um autor se tornar um Nobel só tem impacto se os livros estiverem disponíveis no momento ou logo após o anúncio do prêmio.

Um exemplo desse impacto imediato pôde ser verificado no final de 2013, quando a edição de “Vida Querida”, de Alice Munro, que estava quase pronta no momento em que a canadense venceu o Nobel, chegou às livrarias apenas três semanas depois pela Companhia das Letras.

Enquanto o livro anterior “Felicidade Demais” (2010) tinha vendido menos de mil exemplares, “Vida Querida” conseguiu atingir 7.000 cópias vendidas em um ano.

“O Nobel tem relevância expressiva na venda quando a obra está publicada. Não fez diferença quando publicamos ‘Pawana’ [de Le Clézio, que saiu no ano seguinte à premiação do francês, em 2008], mas agora, com o Modiano, fez. As livrarias procuram o livro intensamente”, diz Isabel Lopes Coelho, diretora do núcleo infanto-juvenil da Cosac Naify.

Editora Record compra direitos de três livros do novo Nobel de Literatura

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Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

Ao todo, Modiano escreveu 28 romances. No Brasil, seis deles foram publicados pela Rocco entre 1985 e 2003, mas estão fora de catálogo.

Ao todo, Modiano escreveu 28 romances. No Brasil, seis deles foram publicados pela Rocco entre 1985 e 2003, mas estão fora de catálogo.

A editora Record comprou nesta sexta (10), na Feira do Livro de Frankfurt, três livros de Patrick Modiano, vencedor do Nobel de literatura, anunciado nesta semana como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura.

Adquiriu também uma versão infantojuvenil da biografia de Malala Yousafzai, ganhadora do Nobel da Paz ao lado do indiano Kailash Satyarthi.

Os títulos de Modiano são “Remise de Peine” (1988), “Fleurs de Ruine” (1991) e “Chien de Printemps” (1993). O romancista francês de 69 anos foi anunciado na quinta-feira (9) como o vencedor do Nobel de literatura de 2014.

A maior parte da obra de Modiano é publicada pela editora francesa Gallimard, mas os três livros comprados pela Record foram negociados com a também francesa Seuil.

A editora brasileira não revelou o valor pago pelos direitos dos títulos nem tem previsão de quando serão publicados no Brasil.

A única obra disponível no país é o infantojuvenil “Filomena Firmeza” (Cosac Naify), ilustrada por Sempé.

Isto significa que as editoras brasileiras ainda poderão disputar várias obras de Modiano, incluindo seu mais recente romance, “Pour que Tu Ne te Perdes Pas dans le Quartier”, publicado há uma semana na França pela Gallimard.

A versão infantojuvenil da biografia de Malala foi negociada pela Record com a Simon & Schuster do Reino Unido.

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