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O que Paula Pimenta pode nos ensinar sobre arrebatar leitores adolescentes

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Clara pegando autógrafo de Paula Pimenta. Fonte: Instagram Clara Almeida

Clara pegando autógrafo de Paula Pimenta. Fonte: Instagram Clara Almeida

 

Marcia Lira, no Menos 1 na Estante

Na Fenelivro 2016, tive a oportunidade de mediar um bate-papo com a Paula Pimenta, autora frisson entre os adolescentes, principalmente entre as meninas. E embora eu não seja o público-alvo dos seus livros, fiquei feliz de testemunhar a relação massa que a escritora tem com seus fãs.

Rachel Motta e eu mediamos o bate-papo na Fenelivro 2016. Foto: Tárcio Fonseca

Rachel Motta e eu mediamos o bate-papo na Fenelivro 2016. Foto: Tárcio Fonseca

 

Em tempos de adolescentes com smartphones grudados na cara, é muito inspirador ver um monte deles reunidos, todos com seus livros de mais de 400 páginas nas mãos, os olhos brilhando diante da escritora preferida. E aquela ânsia pelo momento do encontro com direito a abraço, selfie para o snapchat e autógrafo.

Sério, é bonito de ver.

Pra entender porque a Paula Pimenta é tão bem-sucedida no desafio de conquistar leitores adolescentes, além de conversar com qualquer menina que tenha entre 11 e 16 anos, pode ler esses motivos que listei:

1. Ela é super simpática, atenciosa e paciente com seus fãs e as pessoas ao redor

Paula Pimenta vendeu mais de 1 milhão de cópias de livros, só na editora Gutenberg. A revista Época a colocou entre os 100 brasileiros mais influentes, em 2102. São 16 livros publicados no Brasil e traduções em Portugal, Espanha, Itália e países da América Latina, com destaque para as séries Fazendo Meu Filme (4 volumes) e Minha Vida Fora de Série (3 volumes até agora).

Fãs de Paula Pimenta a postos na Fenelivro 2016. Foto: Tárcio Fonseca

Fãs de Paula Pimenta a postos na Fenelivro 2016. Foto: Tárcio Fonseca

 

Tem gente bem metida por aí com muito menos que isso, concorda?

Mas ela não. Atendeu um a um, uma centena de adolescentes com o mesmo sorriso no rosto e toda a paciência, deixando todo mundo feliz. Nos bastidores, foi atenciosa e simpática do mesmo jeito. Sem falar na dedicação de interagir muito pelas redes sociais.

2. Defende que toda a literatura é válida para formar um leitor.

“Quando você descobre que ler é gostoso, você quer ler tudo, você quer ler o máximo de todo tipo de livro.” Essa é uma das frases legais da Paula Pimenta nesse vídeo do bate-papo, em que ela basicamente fala sobre como é importante deixar a criança começar lendo o que interessa a ela, porque isso abre as portas para o universo dos livros.

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Foi uma resposta a um professor, que contou ter adotado os livros dela para seus alunos, e isso fez com que a turma dele fosse a mais leitora da escola.

4. Ela não tem medo em ser o que é.

Como disse a Veja nessa matéria, Paula Pimenta é uma menina grande mesmo tendo mais de 40 anos. No fim do ano passado, casou na Disney com direito à valsa com o Mickey e fotos pelo parque com vestido de noiva.

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Conta que uma de suas autoras favoritas e inspiração literária é a Meg Cabot, e carrega um monte de canetinhas coloridas para dar autógrafo. E daí? Certamente o mundo precisa de mais gente assim, que se banque e essa honestidade é uma boa inspiração para os nossos jovens.

5. A escritora tem feito muitos adolescentes se jogarem na leitura.

No encontro, vi várias crianças e adolescentes que leram toda a obra dela, e estão querendo mais. Insaciáveis. Devoradores de livros. Quem sabe não são eles que vão mudar a dura realidade de que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro, como apontou a última pesquisa Retratos da Leituras.

6. Ela curte Agatha Christhie <3

Perguntei à Paula Pimenta, na época em que ela era novinha, quem autor arrebatava o coração dela: quem foi a sua “Paula Pimenta”? E ela contou que não tinha esses tipos de romances naquele tempo, e que então uma das paixões dela foi Agatha Christie, pois ela curtia bastante o estilo da autora. Dei muito valor.

Do Brasil para o mundo : não enfiar ‘brasilidades’ nas narrativas não significa negar nossa identidade

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Raphael Montes, em O Globo

Alguns dias atrás, enquanto me distraía em uma rede social, encontrei uma interessante matéria jornalística sobre a literatura brasileira produzida pela nova geração de escritores. Endossada por trechos destacados de escritores prestigiados como Carola Saavedra e Luiz Ruffato e por críticos como Manuel da Costa Pinto e Beatriz Resende, a reportagem defendia que as histórias em ambientes rurais e tropicais, com cenários tipicamente brasileiros, foram substituídas na literatura contemporânea por histórias em que a voz subjetiva do escritor ganha maior evidência (vide tantos textos em primeira pessoa e a moda da “autoficção”), situadas num ambiente mais urbano e universal.

Para minha surpresa, o link da matéria estava postado em uma comunidade de leitores e, nos comentários, a larga maioria criticava essa ausência de identidade nacional nas narrativas — as acusações iam de “por isso que não leio autor brasileiro” a “é ridículo que esses autores atuais fiquem tentando copiar os norte-americanos”. Ainda que eu não fizesse parte da discussão, me pus a pensar no assunto.

Pessoalmente, ao escrever, nunca tive preocupação em acrescentar este ou aquele detalhe ao livro para soar mais brasileiro — ou, falando como gringo, soar mais exótico. Acredito que, na medida em que um escritor é brasileiro, antenado a sua cultura, a seus costumes e às particularidades do país, os elementos típicos vão entrando naturalmente, sem que haja a necessidade de se preocupar com isso. Vale dizer: um livro tem nuances brasileiras simplesmente ao ser escrito por um brasileiro — e basta!

É importante dizer que a opção de não enfiar “brasilidades” goela abaixo das narrativas não significa negar nossa identidade, mas sim tratá-la como algo natural, que nasce sem grande esforço. Por muito tempo, a própria expectativa do mercado internacional em relação às narrativas produzidas no Brasil (seja na literatura ou no audiovisual) passava necessariamente por elementos como favela, miséria no Nordeste, corrupção, carnaval, caipirinha e futebol.

A mim, tudo isso sempre pareceu meio absurdo — para não dizer ridículo. Afinal, muito além da nacionalidade, somos todos humanos — e o maior mérito da boa literatura é retratar a alma humana na sua complexidade, independentemente da localização geográfica das personagens. É também isso que permite a crescente profissionalização do escritor brasileiro — outro ponto abordado pela reportagem e criticado nos comentários na rede social.

Nos últimos anos, cresceu o número de pessoas no país que se dedicam apenas a escrever. Nesta seara, um aspecto fundamental que a matéria deixa de abordar é o crescimento da literatura de gênero no Brasil. Qualquer país com uma literatura efetivamente sólida tem uma grande variedade de obras de gênero. Nos Estados Unidos, por exemplo, a seção de livros policiais é subdividida em outras tantas como: crime de espionagem, whodunit, thriller médico, crimes reais, suspense romântico, suspense psicológico, suspense histórico. E, claro, cada um desses subgêneros é explorado por centenas de autores, o que cria um ambiente competitivo, variado e profissional, com um público-leitor fiel e muitas feiras e prêmios voltados ao segmento.

Enquanto isso, a literatura brasileira de gênero — romance, terror, policial, fantasia — sempre enfrentou percalços. Para começo de conversa, encontrava barreiras nos acadêmicos e nos críticos — como esperado de um país subdesenvolvido, só se podia escrever literatura de vanguarda, com elucubrações linguísticas; a literatura de gênero era algo menor. Com isso, as editoras não buscavam esse tipo de livro nos autores nacionais e muitos escritores com vontade de contar boas histórias de gênero se “moldavam” ao sistema para conseguir publicar. No fim das contas, quem saía perdendo era o público, com as livrarias invadidas por best-sellers norte-americanos ou europeus, mas sem chance de ler essas histórias escritas por brasileiros.

Felizmente, nos últimos anos, o cenário mudou. A literatura fantástica teve seu estouro com autores como Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Carolina Munhóz, o juvenil se viu representado por fenômenos como Thalita Rebouças e Paula Pimenta e o mesmo vem acontecendo com autores de erótico, de terror e de policial. Com isso, as editoras brasileiras têm buscado autores nacionais de gênero para integrar seus catálogos e todo um novo mercado se sedimenta nesse sentido. Por chegar ao grande público, o autor brasileiro de literatura de gênero é um dos que mais consegue viver “apenas dos livros” hoje em dia e, sem dúvida, contribui fortemente para a internacionalização da nossa literatura. Apesar disso, não havia sequer um autor de literatura de gênero entrevistado ou citado na referida matéria. Prova cabal de que o caminho pela frente ainda é longo…

Colégio paranaense faz muro em forma de livros

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Flávia Resende, no Hora Brasil

Um muro em forma de livros tem chamado a atenção nas redes sociais: o muro do Colégio Evangélico Martin Luther, de Marechal Cândido Rondon, no Paraná.

O responsável pela arte no muro é Alexandre Schwingel, o Trilha, que já tem vários trabalhos nos muros da cidade.

Segundo o diretor do colégio, Ildemar Kanitz, a ideia do muro surgiu em 2015 e só pôde sair do papel esse ano. Algumas das obras pintadas foram “A Culpa é das Estrelas” (John Green), “O Menino do Pijama Listrado” (John Boyne), “As Crônicas de Nárnia” (C.S. Lewis), “A Batalha do Apocalipse” (Eduardo Spohr) e “Fazendo Meu Filme” (Paula Pimenta) – todos sugeridos pelos alunos.

Kansas City

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A Prateleira Comunitária forma a parede sul da garagem da Livraria Central da cidade de Kansas City, no Missouri, Estados Unidos. A arte é parecida com a do muro do colégio de Rondônia, com livros dispostos em uma prateleira. Entre as obras pintadas estão “Um Conto de Duas Cidades” (Charles Dickens) e “O Sol é Para Todos” (Harper Lee) – os títulos foram sugeridos pelos leitores da cidade.

Paula Pimenta, a fazedora de leitores

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Afonso Borges, em O Globo

Uma fazedora de leitores. Esta é Paula Pimenta. O livro “Fazendo Meu Filme” teve uma aceitação tão forte entre os adolescentes que virou série, já no quarto volume. E sabem quantas páginas tem cada um dos livros? Entre 300 e 400 páginas. Desde 2008, praticamente sem publicidade, contando apenas com suas redes sociais, Paula Pimenta vem fazendo com que jovens ataquem furiosamente calhamaços de 400 páginas, com o vigor de leitores contumazes.

Chega agora à marca inacreditável de um milhão de exemplares vendidos somente pela Editora Autêntica. Mas é um número parcial. Somados os títulos da sua outra editora, a Galera Record, sobre para 1.250.000 livros vendidos. E a belorizontina Paula Pimenta já está no mundo. Foi editada em Portugal, Espanha e em toda América Latina. Tem, até o momento, 14 livros publicados e dois contos em coletâneas.

E sua vida profissional é de pop star das letras: não existe um só lugar no País, hoje, onde Paula Pimenta vá e não atraia multidões. Mas aí o ponto: são fãs, sim, do ramo da fama. Mas são fãs leitores. E este é o maior mérito de Paula Pimenta: além da qualidade dos seus livros faz o que pouca gente faz, no mundo das letras: cria novos leitores. E isso é indispensável. Viva Paula Pimenta, fazedora de leitores.

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