Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Pedra

Escritor Ariano Suassuna tem alta após infarto

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Publicado por Folha de S.Paulo

O escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, 86, que sofreu um infarto no último dia 21, recebeu alta nesta terça-feira (27) no Recife.

Segundo boletim médico divulgado pelo Real Hospital Português e assinado pelo cardiologista Sérgio Montenegro, ele continuará o tratamento em casa, onde deve “permanecer em repouso por mais 40 dias”.

Autor de do “Romance d’A Pedra do Reino” e de clássicos do teatro nacional como “O Auto de Compadecida”, “O Santo e a Porca” e “A Pena e a Lei”, o paraibano Suassuna vive no Recife desde 1942 e é assessor especial do Governo de Pernambuco.

O escritor Ariano Suassuna durante aula-espetáculo na abertura da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no Theatro Pedro 2º / Silva Junior - 6.jun.13/Folhapress

O escritor Ariano Suassuna durante aula-espetáculo na abertura da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no Theatro Pedro 2º / Silva Junior – 6.jun.13/Folhapress

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dica do João Marcos

Os dez mandamentos do escritor, segundo Zadie Smith

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Sérgio Rodrigues, na Veja

1É praticamente impossível aprimorar a lista de dez conselhos a jovens escritores que a escritora inglesa Zadie Smith (foto), autora de “Dentes brancos” e “Sobre a beleza” – e do recente NW, ainda inédito por aqui – escreveu para o “Guardian” em 2010 (via Brain Pickings).

Não há um único item dedicado ao que escrever tem de mais essencial e misterioso, aquilo que levou Somerset Maugham a dizer: “Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente, ninguém sabe quais são elas”. Sábia, ZS se cala sobre os tesouros que cada um terá que descobrir por si mesmo, sem mapa e na mais completa escuridão – missão difícil mas não impossível, caso o caçador tenha vivido o tipo de infância mencionado no item 1 e goze do mínimo de talento citado no 3.

Deixando de lado o indizível, esses conselhos cobrem de forma admiravelmente lúcida e sucinta os principais aspectos práticos que cercam a atividade, inclusive as muitas armadilhas ao longo do caminho. Mereciam ser gravados na pedra.

1. Ainda na infância, assegure-se de ler um monte de livros. Passe mais tempo fazendo isso do que qualquer outra coisa.

2. Quando adulto, tente ler seu próprio trabalho como um estranho o leria, ou melhor ainda, como um inimigo o leria.

3. Não romantize sua “vocação”. Ou você consegue escrever boas frases ou não consegue. Não existe nada parecido com uma “vida de escritor”. A única coisa importante é o que você deixa na página.

4. Evite seus pontos fracos. Mas faça isso sem dizer a si mesmo que aquilo que é incapaz de fazer não merece ser feito. Não mascare sua insegurança com o ressentimento.

5. Deixe um espaço de tempo decente entre escrever e editar o que escreveu.

6. Evite panelinhas, grupos, gangues. A presença de uma multidão não tornará seu texto melhor do que é.

7. Trabalhe num computador desconectado da internet.

8. Proteja o tempo e o espaço em que escreve. Mantenha todo mundo do lado de fora, mesmo as pessoas que são mais importantes para você.

9. Não confunda honrarias com realização.

10. Diga a verdade através de qualquer véu que esteja à mão – mas diga. Conforme-se com a tristeza de uma vida inteira que advém do fato de nunca estar satisfeito.

As maiores declarações de amor da literatura universal

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O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli

O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli

Car­los Wil­li­an Lei­te, no Revista Bula

Dando sequencia a série de melhores trechos de livros, pedi aos leitores, seguidores do Twitter e Facebook — escritores, jornalistas, professores —, que apontassem, entre passagens literárias memoráveis, quais eram as maiores declarações de amor da história da literatura.

Na lista, aparecem personagens dos mais díspares perfis, em comum entre eles, apenas a paixão flamejante. De Humbert Humbert, personagem de Vladimir Nabokov, descrevendo Dolores Haze, em “Lolita”— o mais citado —,  até a metáfora da pedra de Bolonha, do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, que imortaliza não apenas o amor de Werther por Carlota, mas todos os grandes amores da literatura universal.

Abaixo, a lista baseada no número de citações e uma pequena amostra do amor incendiário dos personagens selecionados.

Carta a D.
André Gorz
(De André Gorz para Dorine Keir)

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher. Eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado. Por que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é o que existe de mais importante na minha vida?

Primo Basílio
Eça de Queiroz
(De Basílio para Luísa)

Que outros desejem a fortuna, a glória, as honras, eu desejo-te a ti! Só a ti, minha pomba, porque tu és o único laço que me prende à vida, e se amanhã perdesse o teu amor, juro-te que punha um termo, com uma boa bala, a esta existência inútil. E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante.

Dom Quixote
Miguel de Cervantes
(De Dom Quixote para Dulcinéia)

Ó Dulcinéia del Toboso, dia da minha noite, glória da minha pena, norte dos meus caminhos, estrela da minha ventura (assim o céu te depare favorável em tudo que lhe pedires!), considera, te peço, o lugar e o estado a que a tua ausência me conduziu, e correspondas propícia ao que deves à minha fé! Ó solitárias árvores, que de hoje em diante ficareis acompanhando a minha solidão, dai mostras com o movimento das vossas ramarias de que vos não anoja a minha presença! Ó tu, escudeiro meu, agradável companheiro em meus sucessos prósperos e adversos, toma bem na memória o que vou fazer à tua vista, para que pontualmente o repitas à causadora única de tudo isto!

Romeu e Julieta
William Shakespeare
(De Julieta para Romeu)

Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.

Lolita
Vladimir Nabokov
(Humbert sobre Dolores Haze)

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.  Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.

Os Sofrimentos do Jovem Werther 
Johann Wolfgang von Goethe
(Werther sobre Carlota)

Hoje não pude ir ver Carlota, uma visita inesperada me segurou em casa. Que havia a fazer? Mandei o meu criado ao encontro dela, só para ter junto de mim alguém que tivesse estado em sua presença. Com que impaciência o esperei, com que alegria tornei a vê-lo! Não tivesse vergonha e teria me atirado ao seu pescoço e coberto seu rosto de beijos. Falam que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, absorve seus raios e reluz por algum tempo durante a noite. Dava-se o mesmo comigo e aquele rapaz. A lembrança de que os olhos de Carlota haviam pousado em seu rosto, em suas faces, nos botões de sua casaca e na gola de seu sobretudo, tornava-o tão querido, tão sagrado para mim!

A Trégua
Mario Benedetti
(Martín Santomé sobre Avella­neda)

Ah, os velhos tempos em que Avellaneda era só um sobrenome, o sobrenome da nova auxiliar (faz apenas cinco meses que anotei: A mocinha não parece ter muita vontade de trabalhar, mas pelo menos compreende o que a gente explica), a etiqueta para identificar aquela pessoinha de testa ampla e boca grande que me olhava com enorme respeito. Ali estava ela agora, diante de mim, envolta em sua manta. Não me lembro de como era ela quando me parecia insignificante, inibida, nada além de simpática. Só me lembro de como é agora: uma deliciosa mulherzinha que me atrai, que me alegra absurdamente o coração, que me conquista.

dica do Walter Mendes

Textos desconhecidos de Proust reunidos em livro

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Entre os 19 e os 20 anos, Marcel Proust (1871-1922) publicou, na revista Le Mensuel, uma série de onze textos agora reencontrados e reunidos no livro Le Mensuel Retrouvé, que acabou de ser lançado em França pela editora Busclat.

Publicado no Público


Os textos são de natureza muito diversa e incluem duas narrativas, crónicas mundanas, comentários a exposições e espectáculos de variedades, recensões literárias, e mesmo artigos sobre moda.

O futuro autor de Em Busca do Tempo Perdido, que terminara há pouco os seus estudos liceais e frequentava então os cursos universitários do historiador Albert Sorel e do filósofo Henri Bergson, publicou os artigos para Le Mensuel entre Novembro de 1890 e Setembro do ano seguinte, tendo-os assinado com diversos pseudónimos. Só num caso usou o seu nome, Marcel Proust, e noutro as suas iniciais. Os restantes textos são subscritos por “de Brabant “, “Fusain”, “Y”, “Bob”, ou por pseudónimos mais elaborados, como “Étoile Filante” (estrela cadente) ou “Pierre de Touche” – num jogo de palavras com o nome próprio Pedro e o substantivo homógrafo pedra, o jovem crítico Marcel Proust auto-intitula-se “pedra de toque”, um utensílio usado para avaliar a pureza dos metais.

Na primeira das duas narrativas que escreveu para Le Mensuel, e que estavam completamente esquecidas há mais de um século, Proust evoca as paisagens marítimas e os parques da Normandia, que depois revisitará muitas vezes nas páginas de Em Busca do Tempo Perdido. A segunda ficção, initulada Souvenir (recordação), centra-se numa rapariga chamada Odette, que o narrador da história amara e de quem se lembra com nostalgia, anos mais tarde.

O prefácio de Le Mensuel Retrouvé é redigido pelo escritor e cineasta Jérôme Prieur, autor da obra Proust Fantôme, que fornece abundante informação de contexto para a leitura destas primeiras incursões literárias do jovem Proust.

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