Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Pela Janela

Livros invadem os cinemas

0

Caroline Ropero no Diário do Grande ABC

 

Divulgação

Aventura, romance e magia são ingredientes de livros e filmes teens de grande sucesso. Talvez por ter essa receita, a saga Os Instrumentos Mortais  (Cassandra Clare, Galera Record, 462 págs., R$ 39,90) conquistou tantos leitores e, agora, ganhará as telas do cinema. O primeiro livro da série, Cidade dos Ossos, tem estreia prevista para 21 de agosto e já tem gente ansiosa por ele. Só o trailer original, em inglês, do longa-metragem tem mais de 3 milhões de acessos no YouTube.

Na trama, Clary (Lily Collins, na foto) descobre que faz parte de mundo sobrenatural e precisa juntar-se aos Caçadores de Sombras – guerreiros que protegem a Terra de demônios e outras criaturas – para salvar a mãe e descobrir quem realmente é. O tamanho do livro pode assustar (o D+ conferiu), mas a leitura é fácil e prende a atenção.

Para Maria Lúcia Outeiro Fernandes, professora de Literatura da Unesp-Araraquara, histórias como as de Clary, Harry Potter e Bella (Crepúsculo) seguem uma fórmula. “Satisfazem a fantasia e imaginação, trazem suspense, a luta entre bem e mal, a figura do herói e têm a mesma estrutura de texto, com personagens que têm o destino traçado e história previsível, trazendo certo conforto.” Além disso, possuem linguagem simples. “Investem mais no imaginário, dando respostas rápidas ao leitor, do que no literário, que leva à reflexão mais elaborada da vida.”

Fã de livros de aventura e sagas, Beatriz dos Santos Valentim, 13 anos, de São Caetano, acredita que a leitura faz esquecer os próprios problemas. “É legal imaginar como seria se tudo fosse diferente. Faz a gente ir para outro mundo. Claro que eu não gostaria de viver em Panem (de Jogos Vorazes), mas seria legal participar do Acampamento Meio-Sangue (de Percy Jackson).” A garota sabe que, em geral, o filme não é idêntico à obra original. “Não gosto quando o diretor joga o livro pela janela e refaz tudo. Mas se ele coloca o que tem de mais importante, fica bom.”

Como Beatriz, quem curte literatura e adaptações cinematográficas pode se preparar para a grande quantidade de lançamentos que vem por aí. O bom é que haverá cada vez mais mundos diferentes e emocionantes para conhecer. É só ficar de olho nas novidades e escolher em qual aventura embarcar.

Desde o início do cinema, literatura é inspiração para adaptações

A adaptação de livros para as telas ocorre desde o início do cinema. Obras do escritor Júlio Verne, por exemplo, estão entre as primeiras a ganhar vida na sétima arte. Da Terra à Lua inspirou o filme Viagem à Lua, feito em 1902 por Georges Méliès, um dos precursores do cinema. E até hoje livros do francês servem de influência para novas produções, como o longa em 3D Viagem ao Centro da Terra (2008).

(mais…)

Pesquisadora afirma que crianças ociosas se tornam mais criativas

0

Para Teresa Belton, que entrevistou artistas e cientistas, excesso de atividade pode minar desenvolvimento da imaginação.

Publicado por G1

Ócio pode estimular criatividade das crianças (Foto: BBC)

Ócio pode estimular criatividade das crianças
(Foto: BBC)

Crianças devem ser motivadas a ficarem ociosas e entediadas para desenvolverem sua capacidade criativa, afirma uma especialista em educação.

Para Teresa Belton, pesquisadora da Universidade East Anglia, na Grã-Bretanha, a expectativa cultural de que as crianças estejam sempre ativas pode minar o desenvolvimento de sua imaginação.

Em seu estudo, Belton ouviu a escritora Meera Syal e o artista plástico Grayson Perry sobre como o tédio os ajudou a desenvolver sua criatividade na infância.

Além de escritora e jornalista, Syal é uma famosa comediante na Grã-Bretanha. Perry é hoje um reconhecido artista que faz trabalhos em cerâmica, e suas criações já foram expostas até mesmo no Museu Britânico, em Londres.

Syal disse que o tédio fez com que ela escrevesse, enquanto Perry afirmou que isso era um estado criativo para ele.

A pesquisadora ainda entrevistou um grande número de outros escritores, artistas e cientistas, durante sua busca sobre os efeitos do tédio.

Ela estudou as memórias da infância de Syal, que cresceu numa pequena vila de mineiros, lugar sem muita coisa para fazer.

Belton disse que “a ausência de coisas para fazer motivou [a escritora Syal] a gastar horas do dia a falar com outras pessoas e a tentar outras atividades que em outras circunstâncias ela jamais teria experimentado, como interagir com os mais velhos e vizinhos e aprender a fazer bolos”.

“Tédio é frequentemente associado a solidão, e Syal gastou horas de sua infância observando pela janela o campo e as florestas, assistindo a mudança do clima e das estações”.

“Mas o mais importante foi que o tédio a fez escrever. Ela mantinha um diário desde pequena, que preenchia com observações, pequenas histórias, poemas e críticas. Ela atribui a esta fase seus primeiros passos como a escritora que se tornaria mais tarde”, disse Belton.

Reflexão

Syal, a comediante e escritora, disse que “a solidão imposta como uma página em branco foi um ótimo estímulo”.

Já o artista plástico Grayson Perry afirma que o tédio também pode ser benéfico para adultos: “conforme fui envelhecendo, passei a apreciar a reflexão e o tédio. O ócio é um estado muito criativo”.

A neurocientista e especialista em deterioração da mente Suzan Greenfield, que também respondeu a questões para a pesquisa de Belton, relembrou a infância em uma família com muito pouco dinheiro e sem irmãos até os 13 anos de idade.

“Ela confortavelmente divertia a si mesma, inventando histórias, desenhando figuras para suas fantasias e indo até a biblioteca”, disse Belton.

Ainda de acordo com Belton, que também é especialista no impacto das emoções no comportamento e aprendizado, o tédio pode ser um “sentimento desconfortável”. Para ela a sociedade “desenvolveu uma expectativa de ser constantemente ocupada e constantemente estimulada”.

Mas ela advertiu que a criatividade “envolve ser capaz de desenvolver um estímulo interno”.

“A natureza estimula um vácuo que tentamos preencher”, disse ela. “Alguns jovens que não têm a capacidade interior ou a resposta para lidar com o tédio criativamente. Às vezes eles terminam vandalizando abrigos de pontos de ônibus ou saindo inadvertidamente para um passeio de carro”.

Curto-circuito

Belton, que também já estudou o impacto da televisão e vídeos na escrita das crianças, afirma ainda que “quando os pequenos não têm nada para fazer, eles imediatamente ligam a TV, o computador, o celular ou algum tipo aparelho com tela. O tempo gasto com estas coisas aumentou”.

“Mas crianças precisam ter um tempo para parar e pensar, imaginando que eles possuem seus próprios processos de pensamento e assimilação, por meio de experiências com brincadeiras ou apenas observando o mundo ao seu redor”.

Este é o tipo de coisa que estimula a imaginação, ressalta a pesquisadora, enquanto a tela de alguns aparelhos “tende a criar um curto-circuito no processo de desenvolvimento da capacidade criativa”.

Syal ainda reforça: “Você começa a escrever porque não há nada para provar, nada a perder e nenhuma outra coisa para fazer”.

“É muito libertador ser criativo por nenhuma outra razão além do próprio passatempo”.

Belton conclui: “Para o bem da criatividade talvez devamos diminuir nosso ritmo e ficar offline de tempos em tempos”.

Estudantes de colégio municipal carioca onde livros foram jogados da janela não têm kit escolar

0
Fachada da Escola Municipal Renato Leite, na Taquara Foto: Thayná Rodrigues

Fachada da Escola Municipal Renato Leite, na Taquara Foto: Thayná Rodrigues

Luã Marinatto e Fernanda Pizzotti, no Extra

Os livros atirados pela janela da Escola Municipal Renato Leite, numa cena que gerou revolta nas redes sociais e deu início a uma sindicância interna da Secretaria de Educação, estão longe de ser o único problema enfrentado pelos alunos da colégio da Taquara, na Zona Oeste. Os estudantes ainda não receberam da prefeitura os uniformes nem o kit escolar, que inclui mochila, cadernos e lápis, entre outros itens.
Até agora, o único material entregue é uma apostila multidisciplinar de uso bimestral, chamada pela Secretaria de Educação de caderno pedagógico e elaborada por educadores da rede.

De acordo com o órgão, os livros didáticos do Ministério da Educação (MEC) estão disponíveis na escola, mas utilizá-los ou não fica a critério de cada professor.

– Eles só receberam as apostilas até agora. Não veio livro nenhum – protesta, mesmo assim, a dona de casa Joelza Oliveira, mãe de três alunas, do 3º, do 6º e do 8º anos do Ensino Fundamental.

Uma estudante do 7º ano faz crítica semelhante:

– Eles nem usam os livros. Na maioria das vezes, a gente tem que copiar a matéria inteira do quadro e fazer os exercícios da apostila.

Apesar das queixas, a secretaria não deu prazo para solucionar a falta de kit e uniforme. Por nota, o órgão afirma que o material está “em processo de entrega para todas as escolas da rede” e que a unidade da Taquara “também trabalha com a Educopédia, plataforma de aulas digitais online”.

As apostilas pedagógicas recebidas pelos alunos Foto: Thayná Rodrigues

As apostilas pedagógicas recebidas pelos alunos Foto: Thayná Rodrigues

Pais e adolescentes criticam descarte

Os internautas não foram os únicos que se revoltaram com o vídeo que mostra livros sendo jogados do quarto andar da Escola Renato Leite. Na porta da unidade, estudantes e responsáveis também criticaram a cena.

– É um absurdo! Tinha que dar um jeito de reaproveitá-los – reclamou uma aluna do 9° ano, que viu o flagrante no Facebook.

– Qualquer material didático jogado assim é desperdício. Eles deveriam ter um destino para livros antigos. Tem tanta criança precisando de livro por aí – opinou a mãe de dois alunos, um de 9 e outro de 11 anos.

Estudantes contaram ainda que uma funcionária da escola passou de sala em sala orientando os alunos a não falarem com a imprensa. A mesma pessoa teria dito que os livros eram de 15 anos atrás e seriam doados. O diretor Vitor Hugo Almeida, que assumiu o cargo há dois meses, chegou a dizer, em mensagens que foram apagadas da internet, que o destino do material seria a reciclagem. Confira o vídeo do descarte.

A íntegra da nota da Secretaria Municipal de Educação

“A Secretaria Municipal de Educação esclarece que não há falta de material didático na Escola Municipal Renato Leite. Assim como toda a rede municipal, a unidade escolar conta com os livros do MEC e os cadernos pedagógicos, preparados por professores da rede. A escola também trabalha com a Educopédia, plataforma de aulas digitais online de cada disciplina, com material de suporte aos professores, planos de aula, jogos pedagógicos e vídeos, entre outras ferramentas. A Secretaria esclarece ainda que os kits escolares, compostos de caderno, mochila, entre outros itens, estão em processo de entrega para todas as escolas da rede municipal. Eventualmente esta escola, pelo que pudemos verificar, ainda não recebeu as mochilas dos alunos.”

Go to Top